Recordar é viver

Na campanha eleitoral de 2012, o então candidato a vice-prefeito Naldo Wiegert, na companhia do candidato a prefeito de sua chapa, conquistou muitos votos criticando e mostrando o desleixo da administração municipal da época, mormente com relação a grande quantidade de entulhos que se acumulava nas ruas da cidade. Inclusive, usou bastante as redes sociais mostrando tais mazelas, a exemplo da foto anexa (mostrado na foto), postada no facebook . A população andava indignada com a sujeira das ruas naquela época. Hoje prefeito, Naldo está deixando a cidade tomada por entulhos e outros descuidos como naquele tempo em que ele tanto criticou, e mostrou.

Mas e aí!

Aí que já faz algumas semanas, a coluna vem recebendo inúmeras solicitações para reportar sobre a sujeira na cidade, principalmente entulhos acumulados há meses e apodrecendo nas ruas, em praticamente todos os bairros da cidade. Por quê? Porque, segundo alegam os moradores, não têm mais a quem reclamar, já fizeram reiteradas reclamações junto ao setor responsável da Secretaria de Obras para que providencie na coleta dos entulhos, mas não são ouvidos e muito menos atendidos.

Veracidade

A coluna foi conferir e, percorrendo bairros da cidade constatou a veracidade sobre as reclamações feitas, pois realmente há muito entulho, lixo verde e lixo seco acumulado sobre os passeios públicos e leito das ruas. Moradores relatam que a última coleta de entulho feita pela prefeitura foi no início de dezembro de 2017, portanto a mais de cinco meses. São inúmeros os transtornos, uma vez que são colocados sobre passeio público, interrompendo a passagem de pedestres; sobre o leito da rua, dificultando a circulação de veículos; prejudicam a estética da cidade tornando o ambiente nada aconchegante, nada aprazível, causa sujeira, prolifera insetos e até bichos peçonhentos, enfim, faz mal em diversos aspectos, inclusive a saúde pública.

A propósito

O problema existe. Razões para a não coleta regular do entulho e demais descuidos como iluminação pública e organização em alguns setores da cidade, deve haver. Penúltima Página está à disposição do prefeito Naldo para que diga à comunidade o que está havendo. Portanto, até lá prefeito.

 Clamor público

O acúmulo de entulhos espalhados pelas ruas e passeios públicos tem incomodado moradores de vários bairros de Santo Augusto. A situação é preocupante para alguns dos moradores ouvidos pela coluna, os quais relatam que há mais de cinco meses pedem o recolhimento do material, mas não são atendidos. Segundo o relato de uma moradora do bairro Floresta, além do entulho deixar uma impressão (ou certeza?) de cidade suja, o acúmulo de material na rua propicia o alagamento da calçada e do pátio em dias de chuva, além de outros inconvenientes como facilitar a procriação de animais peçonhentos. Inclusive, essa moradora relatou ter recebido visita de pessoas lá da região sul do Estado que há muito não aportavam por aqui, que ficaram alarmadas com a sujeira e situação de desleixo que a cidade se encontra.

Responsabilidade de todos

Com certeza, nenhuma cidade do mundo consegue manter-se limpa, bem cuidada e aprazível se não houver “corresponsabilidade entre Poder Público e comunidade”. Algumas cidades nos encantam pelos cuidados e boa aparência, mas isso é o resultado de um eficiente serviço de limpeza e fiscalização, atentas aos espaços públicos e privados. Dedicação e zelo permanentes com pequenos detalhes fazem à diferença. Iluminação inexistente ou deficitária, sequência de lâmpadas queimadas ou com defeitos, muitos trechos de ruas na escuridão, capinzal e vegetação, matagal, denotam desleixo e falta de preocupação com o visual da cidade e com a saúde pública, porque onde tem sujeira e falta de cuidado, sempre há riscos da proliferação de insetos e animais peçonhentos. Vias de acesso à cidade sem receber com regularidade a limpeza e a manutenção da iluminação pública é uma tragédia, causa péssima impressão a todos, principalmente ao visitante.

O outro lado da moeda

O brasileiro tem a mania de cobrar direitos, sem se dar conta que também tem deveres. Portanto, é bom atentar para esse outro lado da moeda. Não adianta cobrar da Prefeitura se a população não fizer a sua parte. Tem muita coisa que não depende só do serviço público. Por exemplo, se todos limparem a frente de suas casas, logo a cidade estará limpa. É meio caminho para deixar nossa rua mais bonita e o bairro inteiro. Quem conhece as cidades serranas gaúchas bem pode ter observado que não é obra só das prefeituras, ali tem muita dedicação de moradores. Está mais do que na hora de, por aqui também, os moradores saírem do comodismo de só pedir e pouco ou nada fazer.

É, mas pagamos impostos…

Claro, cada morador paga seus impostos, mas não é por isso que temos que esperar que o poder público faça tudo. Lá na Serra, os moradores também pagam impostos e, no entanto, cuidam com invejável zelo e vigilância a rua onde moram. Se cada um se doasse um pouquinho e a prefeitura fizesse o dever de casa, tudo ficaria melhor. É apenas uma dica que pode servir de sugestão e despertar para a necessidade dessa correlação entre o público e o privado (entre a prefeitura e moradores). Contudo, por uma questão de justiça, preciso registrar que muitos moradores são cuidadosos, caprichosos e dão belos exemplos de cidadania. Façamos todos nossa parte.

Rindo à toa

É impressionante certas visões e condutas políticas. Hoje, na cidade de Santo Augusto, o clamor é geral pela limpeza e organização da cidade, é assunto de todas as rodas de conversa. Ouço muito esse clamor porque muitos leitores me pedem para escrever sobre o assunto. Dia destes, enquanto ouvia de um morador sobre o assunto, um líder político de oposição à atual administração ali presente interrompeu dizendo: “que nada, tem que deixar como está, vai ser bom pra nós na próxima campanha pra prefeito”. Pelo jeito, a oposição está rindo à toa. Lamentavelmente, é assim.

Falando nisso…

A alternância no poder, em Santo Augusto, já é uma tradição. Por esse indicativo, a oposição, no caso, o PDT e PT deve estar alimentando, sim, a ideia de, efetivamente, voltar ao poder nas próximas eleições municipais, em 2020. Então, veja bem, se a alternância já é acontecimento político eleitoral sistêmico, imagina se os fatos forem favoráveis, ou seja, se quem está no poder (situação) deixar margem. Pena que nunca há renovação, os candidatos são sempre os mesmos, os tradicionais políticos. Será que a política está tão desgastada que, dos tantos talentos, com bom perfil político e administrativo, boa formação e conhecimento, existentes no município, ninguém se atreve a dar sua contribuição política ao município? Afinal, os municípios carecem muito é de gestão. De boa gestão. E Santo Augusto não foge à regra.

Imprensa como inimiga

Alguns homens públicos chegam tratar a imprensa como inimiga, mas não deveriam, pois ela garante tanto ao cidadão comum, como àquele que governa e/ou administra a coisa pública, o exercício da democracia, fazendo valer os direitos das classes minoritárias, dando notoriedade ao trabalho desenvolvido dentro da gestão pública. O papel da imprensa é verificar as versões sobre os fatos, levar ao cidadão o que acontece e quais são as implicações. E por vezes, o que se percebe é que o gestor público está preocupado tão somente com sua exposição; que seja ela positiva. Porém, sabe-se também, que a informação de interesse público é um bem social que não pertence ao gestor público, que por sua vez tem a obrigação de prestar contas sim, de suas ações e omissões, e mais, explicar à massa os motivos de suas atitudes.