Bode expiatório

O funcionalismo público estadual que outrora foi orgulho dos gaúchos como agentes públicos, através dos quais, o estado presta os serviços devidos à população, aos poucos, com o descaso dos sucessivos governos para com as classes, o descrédito foi tomando conta, de modo que, hoje, os servidores públicos, teoricamente, deixaram de ser importantes, tanto é que a própria população faz coro a esse descaso, e não mais valoriza o professor, o policial, e nenhum outro segmento. E é exatamente esse descaso que está levando cada vez mais à má qualidade dos serviços, afetando sobremaneira a autoestima dos agentes públicos, somado com as precárias condições de trabalho, de qualificação, de orientação e exigência adequadas. Em resumo, o funcionalismo público, hoje, é tido como o bode expiatório, culpado por todas as mazelas do Rio Grande do Sul.

Olhar caolho

Só para ter uma ideia, numa reunião da Farsul, segunda-feira (09), em Porto Alegre, com deputados estaduais de bancadas simpáticas ao agronegócio, o presidente da entidade Gedeão Pereira, “sugeriu”, entre outras medidas, que o Estado “congele os salários do funcionalismo”. A justificativa, especificamente com relação a este item do congelamento, segundo Gedeão, é que os aumentos concedidos entre 2011 e 2014 dobraram o valor da folha de pagamento e geraram a necessidade de contenção. A Farsul é um importante segmento, o mais importante do agronegócio, portanto sua posição tem peso. Mas ao invés de jogar a culpa tão simploriamente aos servidores, que tal sugerir e exigir, melhores salários, melhor qualificação dos servidores, olhar de perto, acompanhar e exigir permanentemente melhor desempenho na atividade. Se assim fosse feito, o Estado poderia prestar seus serviços com qualidade e presteza, dando-se ao luxo de reduzir até 30% do efetivo hoje existente. O que está havendo é um “olhar caolho”, dos servidores, do governo e da população em geral.

  A propósito

Antigamente eram os ricos e privilegiados que tinham maiores riscos de morte violenta nas mãos da multidão descontrolada: hoje este lugar é ocupado pelos servidores públicos de média remuneração. A morte não é real, é simbólica, pelo fim da valorização da condição de serviço público como algo de valor. (Jorge Barcellos)

 Os rebuliços do Lula

Uma ação orquestrada tentou tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da cadeia no último final de semana, com culminância no domingo. Esse dia, domingo (08/07), foi um dia para o Judiciário esquecer. Pouco depois das 9h da manhã, o desembargador do TRF-4, Rogério Favreto despachou a soltura de Lula. Como “fato novo”, citou a pré-candidatura à presidência, o que não é fato novo. A jogada política do desembargador militante petista é óbvia. Copiou e colou a tese da “narizinho”, demonstrando obediência aos seus antigos empregadores, hoje “cumpanheros de causa”. Enfim, que fato novo é esse? É no máximo, uma piada política, mais uma tentativa de sabotagem da lei, praticada por Lula e seus súditos.

 Manobra de Favreto

Voz dissonante entre os demais, o desembargador Favreto foi o único do tribunal a votar pela abertura de processo disciplinar contra o juiz Sergio Moro. É, também, o principal crítico da Lava Jato na Corte. Mais do que isso, Favreto foi filiado ao PT entre os anos de 1991 e 2010, quando se tornou juiz. Antes disso, o advogado nomeado pela então presidente Dilma Rousseff ao TRF-4 trabalhou em um escritório de advocacia sindical, foi procurador-geral da Prefeitura de Porto Alegre em três gestões petistas, e ocupou cargos na Casa Civil e no Ministério da Justiça durante o governo Lula. Assim, torna-se clara a manobra de Favreto, que não se considera impedido de analisar o caso do ex-chefe.

 Aliás

Alguém tem dúvida que a real intenção era obter, através do cumpanhero Favreto, a liberdade de Lula, mesmo sabendo que em poucos dias ou horas o ato seria revogado, porém, tempo suficiente para Lula deixar o país?

 Corrupto, que nada!

Há alguns anos, o político que se metia em escândalos de qualquer natureza, de corrupção mais ainda, o que por si só fazia com que ele ficasse fora das competições eleitorais. Ele tinha vergonha perante os eleitores, mesmo que a legislação não lhe vedasse o direito de concorrer a cargo eletivo, ele não se arriscava. Da mesma forma os partidos políticos. Nenhum partido se arriscava lançar candidato uma pessoa que estava sendo malvista, mal falada, independentemente de estar sendo investigada, processada ou já condenada. Os partidos tinham um cuidado muito importante nesse sentido. Hoje, que nada, parece até que ser corrupto é elogio, pré-requisito para ser bem-sucedido. Vejam o caso do Lula, estrategicamente ele sustenta que é inocente, e a patuleia acredita, mesmo que ele já esteja condenado e preso. Quer concorrer à presidência e, segundo pesquisas, detém cerca de 30% das intenções de voto. É só no Brasil mesmo. São milhões de brasileiros que, sem pudor algum, querem eleger para presidente do país não só um corrupto, mas um presidiário.  E ninguém duvide que Lula concorra e até se eleja presidente. Aí quero ver os homens de toga o impedirem de ser diplomado, de assumir, tomar posse e governar o país. Corrupto? Que nada! Vergonha brasileira. Mas talvez nosso problema seja, na verdade, falta de opção. E isso é perigoso, pode levar a uma enxurrada de voto em branco.

 Voto em branco

O voto em branco é entendido como uma manifestação de que o eleitor não quer eleger nenhum dos candidatos que disputam a eleição e por isso não é direcionado a nenhum candidato. Para a contagem dos votos de uma eleição o voto em branco não é considerado um voto válido. Por isso, não é atribuído a nenhum candidato. “No entanto, o voto em branco pode influenciar indiretamente o resultado de uma eleição”.

 Votos nulos

Os votos nulos não são considerados válidos e por isso não contam para o resultado da eleição. Mesmo que a maioria dos votos seja nulo, a eleição não será anulada, já que os votos usados na contagem são somente os votos válidos dados aos candidatos ou aos partidos. A nulidade do voto é diferente. Ela acontece quando é confirmada alguma fraude no processo eleitoral. Nesse caso a eleição pode ser anulada.