Não foi o PT o engodo

Nunca militei no PT, mas também nada tenho contra a sigla, até porque partidos não têm culpa do que fazem seus líderes e dirigentes. Até achava interessante a garra da militância e o que pregavam antes de terem chegado ao governo. Era até empolgante e parecia ter boas intenções. Mas acabou virando no que está aí. O engodo não deve ser atribuído ao PT, “o engodo foi o Lula”, estranhamente venerado pela militância petista.

Idolatria cega

Uma das características marcantes das seitas é a idolatria cega aos seus líderes, elevados a seres especiais com autoridade divina e liderança existencial. Quando o fanatismo invade o terreno político, os programas e as bandeiras partidárias se tornam descartáveis. Cedem lugar à adoração e à reverência, típicas de culto. Os militantes se transformam, então, em indivíduos abnegados, desprovidos de espírito crítico e freios morais. Ao acreditarem na infalibilidade dos caciques por eles venerados, a ponto de incluírem a alcunha deles em seus nomes, mesmo quando condenados e presos por corrupção, os “fiéis” exibem traços de fundamentalismo. Foi o que o Brasil testemunhou recentemente, em meio ao espetáculo deprimente em que se transformou a prisão de Lula e os dias que a sucederam. No dia da prisão de Lula, com o petista já encarcerado na sede da PF em Curitiba, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffmann, parecia cumprir uma liturgia ecumênica. Como se exortasse o rebanho a adorar seu “deus”, ela pronunciava frases repetidas como um mantra. “Não vamos sair daqui”, ditava Gleisi. “Não vamos sair daqui”, copiavam eles. “Ocupar e resistir”, ordenava. “Ocupar e resistir”, assentia a turba. Até o bordão final, entoado em uníssono: “Eu sou Lula”. Como no cortejo de uma seita, devagar se dispersaram! 

 Candidatos definidos

No último final de semana ficou definido o leque dos candidatos à Presidência da República. Muitos são velhos e conhecidos trambiqueiros. Outros não têm a menor chance de vitória e nenhuma experiência de governo. Há, obviamente, aquele conhecido e de bom perfil, mas coligado com o que de pior existe na política. E, pasmem, um criminoso preso e condenado (impedido pela Lei da Ficha Limpa), também é candidato. Não é à toa que 59% dos eleitores ainda não sabem em quem votar.

 De dentro da cadeia

Foi estarrecedor o que nos mostrou o PT no último final de semana. A convenção de um partido seguindo ditatorialmente ordens de seu chefe vindas de dentro da cadeia, condenado que está em segunda instância por corrupção. Do lado de fora, patetas que recebem ordens e não podem mudar uma vírgula do que o todo-poderoso determina. Será que é isto o que você, leitor, quer para o seu país? Ser governado de dentro da prisão, como uma facção criminosa? Este, definitivamente, não é o país que merecemos.

 Aliás

Se o Brasil fosse um país sério, o PT seria punido pela Justiça Eleitoral por insistir em apresentar como candidato presidencial um cidadão condenado, preso por corrupção e que, pela Lei da Ficha Limpa, tornou-se inelegível.

 Tem e não tem

O Partido dos Trabalhadores (PT), dirigido da cadeia por seu chefão, tem e não tem candidato à Presidência. Ou melhor, tem dois candidatos – e uma candidata a vice-presidente que é sem ser. Se o leitor não entendeu, não se preocupe. Ninguém entendeu. É a “viagem lisérgica” de que falou o candidato Ciro Gomes a respeito da estratégia petista. A oficialização da candidatura de Lula da Silva à Presidência tornou o PT, na prática, um partido sem candidato, pois Lula é inelegível, de acordo com a Lei da Ficha Limpa. Mas a ideia, e isto está claro, é desafiar a Justiça a impugnar a candidatura do messiânico líder petista que, à moda dos velhos caudilhos de antanho, considera que somente a história e as urnas são capazes de julgá-lo, pois ele está acima dessa formalidade chamada “LEI”.

 O egocentrismo de Lula

O ego de Lula não deixou que fossem criados no partido outras personagens populares. Permaneceu como unigênito. Ao longo de sua trajetória política, só pensou em si mesmo. Usa a campanha presidencial e todo o aparato do PT com o objetivo de intimidar magistrados, provocar a desordem institucional e, assim, gerar um impasse no Judiciário a respeito de sua candidatura. Para ele, pouco importa se essa estratégia causa enorme confusão no País e se reduz o PT, outrora vistoso partido, à condição de mero leão de chácara de seu mandachuva.

 O mundo deles e o nosso

As convenções partidárias terminaram domingo (5). O rol de candidatos inspira tédio e espanto. É tedioso porque a oligarquia política oferece ao eleitorado algo como um museu de grandes novidades. A disputa pelo Planalto será travada em dois mundos: o deles e o nosso. No mundo deles, há um candidato fantasma num extremo e uma assombração no extremo oposto. No miolo, há postulantes cujas ideias não correspondem aos fatos e um centrão com a piscina cheia de ratos.

 A propósito

Na convenção do PT, Gleisi Hoffmann disse que a confirmação da candidatura fantasma de Lula é “a ação mais confrontadora que fizemos contra esse sistema podre”.

 Mau exemplo

O suposto candidato petista só apareceu nas máscaras aplicadas na face da militância. O Lula real, corrupto de segunda instância, mantém-se concentrado na cela especial da Polícia Federal de Curitiba. Barrado, lançará o poste Haddad, com Manuela, do PCdoB, na vice. A pseudocandidatura de Lula, por ilegal, não constitui bom exemplo.

Olha quem falando!

Na convenção tucana, Geraldo Alckmin afirmou que “ninguém aguenta mais um Estado infestado pela corrupção”. Difícil discordar de um especialista. Quem olha ao redor do ninho enxerga Odebrecht, Rodoanel, Alston, Siemens, Paulo Preto, Aécio Neves… Tudo isso e mais o refugo do centrão.

Modelo 64

Bolsonaro escolheu, finalmente, o seu vice. A candidatura do capitão, modelo 64, tinha um pé no quartel. Agora tem dois. O segundo da chapa, será o general Mourão. A patente é superior, mas o pensamento é igual. Apologistas da ditadura, ambos idolatram Brilhante Ustra.

Marina e Ciro

Marina Silva é o triunfo das boas intenções sem um manual de instruções capazes de traduzir seus propósitos “multicêntricos”. Ciro Gomes é uma língua à procura de um cérebro que consiga domá-la.

Enfim…

No nosso mundo, o desejo de mudança está no ar desde 2013, quando a insatisfação foi para a rua e bateu panela. No mundo deles, a melhor tradução do projeto de mudança está na célebre frase: “Se queremos que tudo fique como está, é preciso que tudo mude”.