Reformando nós mesmos

Foi com este título que o deputado Jerônimo Goergen escreveu artigo na semana passada, inspirado nos reflexos deixados pela greve dos caminhoneiros. Para ele, o Brasil externou espontaneamente e num só momento inúmeros sentimentos, iniciando por dizer que “o povo não aguenta mais pagar pela boa vida de poucos”, e que a greve dos caminhoneiros é apenas a ponte do iceberg colossal chamado Estado brasileiro, inchado, pesado, ineficiente. Ele enfatiza a necessidade de reformas profundas, a iniciar pelos próprios deputados, senadores, membros do Judiciário, do Executivo e da elite do serviço público. Jerônimo diz reconhecer que a população tem feito enormes sacrifícios para sobreviver. E indaga: Porque então não podem todos fazer o mesmo em nome da reconstrução da Nação? Segundo suas palavras, o exemplo deve vir de cima. O parlamentar chega fazer apelo para que se faça urgente uma discussão da estrutura e do custo do exercício das atividades de Estado, incluindo Legislativo, Judiciário e Executivo. O parlamentar enfatiza, em seu artigo, a necessidade de se mudar tudo. É preciso construir, diz. E todos os brasileiros devem fazer parte do sacrifício e do esforço para esta mudança. Jerônimo Goergen, certamente merece aplausos ante a manifestação, desde que, claro, ele esteja sendo verdadeiro, sincero. E a prova disso é vermos ele botando a mão na massa, e que isso tudo se faça, a começar lá mesmo, no parlamento brasileiro, lá em Brasília, onde se encontram não só os donos dos Poderes, mas os “intocáveis brasileiros”. Sempre confiei no deputado Jerônimo e mantenho com ele conversa franca, inclusive certa feita ele me disse que muitas vezes ele é voz isolada lá na Câmara Federal. Mas que siga assim, praticando e não só conversando, bons serviços à nossa população e não se dobre às artimanhas.

Refletir é preciso

Quando Fernando Henrique Cardoso passou pelo poder, consolidou o Plano Real, um feito econômico notável. Na política, porém, tornou-se aliado de parlamentares e grupos que empurraram o PSDB a desfiguração e nunca mais retornar ao Planalto. Quando Lula chegou à Presidência, preservou pilares da econômica e distribuiu renda. Mas comprou com moeda sonante o apoio da mesma banda arcaica que se aninhara sob FHC, resultando em mensalão e petrolão. A certa altura, a verba da arca eleitoral clandestina se confundia com o dinheiro que bancou os conforto$. E deu em cadeia.

A propósito

Tucanos e petistas jamais conseguiriam se unir. Preferiram se juntar ao atraso. Deu no que está dando. Ao deixar a Presidência, Lula optou por continuar mandando por meio de Dilma Rousseff. E ainda enfiou Michel Temer na vice.

Os capazes de tudo

Temer talvez não se reelegesse deputado. Mas foi convertido em presidente pelo destino e pelos traidores do petismo. Poderia ter compreendido seu papel histórico, compondo um ministério de notáveis. Preferiu entregar a maioria das pastas a dois tipos de aliados: os capazes de tudo e os incapazes de todo, conforme interpreta Josias de Souza. Assume o mandato e se cerca de auxiliares fora da lei e com quatro pesos sobre os ombros: duas denúncias e dois inquéritos por corrupção.

Culpados e cúmplices

A Lava Jato dividiu os políticos brasileiros em dois grupos distintos: os culpados e os cúmplices. Como não consegue enxergar inocentes, o eleitorado também se dividiu em duas alas: a dos pessimistas e a dos desesperados. A primeira banda engrossa o bloco dos sem-candidato; a segunda, em vez de aproveitar os escândalos e a ladroagem para qualificar o próprio voto, sonha em resolver a bagunça com ditadura. O descrédito no sistema político é tão devastador que a liberdade democrática produz a fúria dos imbecis, gente que compreende a democracia como um regime em que o sujeito tem ampla e irrestrita liberdade para exercitar sua capacidade de fazer besteiras por conta própria, como trocar ofensas, defender corruptos e pregar a volta dos militares.

Aplaudindo o caos

A paralização dos caminhoneiros, fato que 87% dos entrevistados do Datafolha disseram apoiar um movimento que impôs à sociedade o desabastecimento de combustíveis e mantimentos, que reteve medicamentos e retardou cirurgias, que apavorou pacientes dependentes de hemodiálise. É como se as pessoas quisessem produzir o caos que transformará o Brasil num lugar perfeito para a construção de algo inteiramente novo. O problema é que a fome do “novo” esbarra numa legislação que privilegia a eleição de um Congresso Nacional velho. Muitos se perguntam: Quem será o próximo presidente da República? Como será governado o país a partir de 2019? Juntando-se o salvacionismo de uns presidenciáveis e o arcaísmo de outros, perpetua-se o desastre.

Coerência

Coerente, segundo o dicionário, é alguém ou algo que contém coerência e coesão, ou seja, age e é permeado com lógica e autenticidade. Faço essa introdução para falar do vereador BIN (Douglas de Almeida Bertollo – PPS – de Santo Augusto). Está inserida nesta edição, entrevista que fiz com BIN. Nela o leitor poderá ver a coerência e a segurança com que ele respondeu as perguntas formuladas. Destemido, “coerente”, objetivo, seguro nas respostas, Bin demonstra comprometimento com a função de vereador que exerce. Deveras, fiquei impressionado, confiante acima de tudo, que ainda há esperança. Não precisamos de jeitinho, nem de comodismo, nem bajulação, nem truculência e nem ter medo, precisamos apenas, “ser coerentes”.

Derrota do Sartori

Em votação na noite de terça-feira (5), a Assembleia Legislativa rejeitou o Projeto de Lei 69/2018, do Executivo, que reduziria de 150 para 90 dias o prazo para convocar plebiscito em ano eleitoral. Por 29 votos a 23, os deputados decidiram que o governo de José Ivo Sartori não poderá consultar a população sobre a privatização ou federalização da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), da Companhia Riograndense de Mineração (CRM) e da Sulgás.

Analisando

Desde que foi empossado, o governador José Ivo Sartori vem pregando terror e caos no Estado. Arrochou, parcelou e agora está atrasando salários dos servidores, aplicou tarifaço no ICMS, aprovou a extinção de fundações e vendeu ações do Banrisul, dentre outros atos nada vantajosos. Passou quase todo o mandato tentando aprovar uma PEC para acabar com a obrigatoriedade do plebiscito para privatização da CEEE, CRM e Sulgás. Porém, diante da resistência dos funcionários e da oposição na Assembleia Legislativa, não conseguiu votos suficientes e a proposta sequer foi votada.

Paradoxalmente…

Agora, no apagar das luzes, Sartori, paradoxalmente, enviou requerimento aos deputados para que haja plebiscito sobre a venda das três empresas públicas e lucrativas junto com as eleições de outubro. De exterminador da consulta popular passou a ser ardoroso defensor. O plebiscito é um valioso instrumento de democracia participativa. Foi conquistado após mobilização dos bancários para proteger o Banrisul como banco público, tendo sido estendido para outras estatais e aprovado por unanimidade, em 2002, inclusive com o voto de Sartori, que era deputado estadual.