Bolsonaro, uma incógnita

Desiludido com a política tradicional, o Brasil assiste à ascensão de um personagem que desperta sentimentos contraditórios, mas é tratado como mito por seus admiradores. Entre os postulantes pré-candidatos à presidência da República, identificados com a velha política, aparece o diferente, a incógnita, o mito Jair Messias Bolsonaro, 62 anos, de posições extremadas, postura de enfrentamentos e discursos por vezes agressivos, propagando defender e restaurar a ordem perdida. Segundo pesquisa Datafolha, da semana passada, Bolsonaro dobrou as intenções de voto de dezembro para junho, de 8% para 16%, e está empatado tecnicamente na segunda colocação com Marina Silva, da Rede (15%) e atrás apenas do presidiário Lula (PT), com 30%.

Eleitorado relevante

Parte significativa do mercado financeiro não leva Bolsonaro 2018 a sério. É o típico assunto que, se levantado em mesa de bar, pode provocar pouco mais do que risadas e um ou outro comentário engraçadinho. Ninguém se propõe a pensar seriamente na possibilidade. Na minha opinião, esta postura é um erro perigoso, afirma em relatório o analista de investimentos Ricardo Schweitzer, da Inversa Publicações, que aponta que o deputado tem um “eleitorado potencial relevante”.

Um general na Educação

Caso seja eleito, Bolsonaro promete colocar um general no Ministério da Educação. Em entrevista ao programa The Noite (SBT, 20/3), ele afirmou que convidaria um militar com experiência em comando de colégio militar para a pasta, ou mesmo “um civil que queira botar ordem na casa”. O ensino de Educação Moral e Cívica voltaria a ser ministrado.

Militarismo na Esplanada

Bolsonaro afirma que colocará militares no comando de muitos Ministérios, tendo no Ministério da Defesa um General de quatro estrelas. Ele afasta a possibilidade da instituição de uma ditadura militar em seu governo, diz que “não há mais espaço para isso”. Também defende que mais militares ocupem cadeiras no Legislativo Federal.

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 “Onde começa um bom e eficaz plano de segurança? Liberando armas de fogo para o cidadão de bem, com o registro definitivo sem taxas”, afirma Bolsonaro em vídeo publicado em suas redes sociais.

Principais bandeiras

Bolsonaro tem entre suas principais bandeiras a redução da maioridade penal. O deputado também acredita que é preciso ser “enérgico” para combater a violência. “Você não combate violência com amor, combate com porrada, pô. Se bandido tem pistola, (a gente) tem que ter fuzil”, afirmou em entrevista à Folha de São Paulo.

Cavalo de pau

Ele avalia que a violência é um grande problema do país, levando a desdobramentos econômicos. Mas para resolvê-los, Bolsonaro defende dar um “cavalo de pau” na política de direitos humanos. “Para diminuir a violência, tem de dar um cavalo de pau na política de direitos humanos, não dá para tratar bandido como um excluído da sociedade, uma vítima. É preciso aprovar o excludente de licitude para ações policiais, você responde, mas não tem pena, se um policial matar um marginal ou se alguém entrar na sua casa”, afirmou em entrevista ao programa The Noite (20/3).

Quem assalta é vagabundo

Em seu Twitter, Bolsonaro afirmou, no dia 13 de junho: “Quem assalta, estupra, sequestra e mata não é vítima da sociedade, é VAGABUNDO!”.  O desarmamento civil é uma de suas principais bandeiras. Ao Estadão, afirmou ser amante da legislação americana. “No que depender de mim, você cidadão de bem vai ter a posse de arma de fogo”.

Bolsa Família

No Bolsa Família, o deputado Bolsonaro defende uma auditoria para reduzir o montante de beneficiários atuais, mas também permitir a inclusão de novos, de acordo com entrevista ao Estadão, com resultado líquido de uma economia de recursos públicos. Sobre os direitos da comunidade LGBT, Bolsonaro afirma que não terá como prioridade essa causa, para tentar reverter a legitimidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo. “Eu tenho falado: se ser homofóbico é defender as criancinhas nas escolas, podem continuar me chamando de homofóbico que eu terei grande orgulho”, afirma o deputado, em vídeo divulgado em seu site. A adoção de crianças por casais de pessoas do mesmo sexo não tem o apoio do deputado.

A propósito

Bolsonaro é contra a descriminalização do aborto; é contrário, também, à descriminalização das drogas. Mesmo que isso seja aprovado pelo Congresso, ele afirma que vetaria os projetos.

Em tem mais…

Bolsonaro sustenta que uma vez eleito presidente, no seu governo terá: – Exército gerenciando obras públicas com o uso de mão de obra dos presídios; – Escola Sem Partido e Sem Ideologia de Gênero; Educação, Cultura e Esporte no mesmo Ministério; – técnicos nos ministérios, portanto o Ministro da Saúde deverá ser formado na área e assim sucessivamente; redução de 40 para 15 ministérios; – privatização e extinção de estatais; – Imposto Único; – Redução da Maioridade Penal com a possibilidade de emancipação do criminoso em casos hediondos ou de reincidência; fim da Audiência de Custódia; fim do toma lá dá cá – Acordos políticos serão feitos à luz do dia – Transparência da política; criação do Programa Minha Primeira Empresa; Revogação do Estatuto do Desarmamento com a aprovação da posse de arma para todos os cidadãos de bem e em alguns casos do porte de arma.

Não perca o debate com pré-candidatos ao Piratini

É fundamental para que todos os gaúchos ouçam as propostas daqueles que em 2019 estarão respondendo e decidindo o futuro do nosso Estado e da nossa população para os próximos quatro anos. Diversas entidades classistas multisetoriais foram convidadas para enviar seus questionamentos aos futuros postulantes do Piratini. O debate entre os pré-candidatos ao governo do Rio Grande do Sul, ocorrerá no dia 09 de julho, às 20h, no Salão de Atos do Instituto Federal Farroupilha, Campus de Santo Augusto. Foram convidados Roberto Robaina (PSol), Abgail Pereira (PCdoB), Miguel Rossetto (PT), Mateus Bandeira (NOVO), Luís Carlos Heinze (PP), José Ivo Sartori (MDB), Jairo Jorge (PDT), Eduardo Leite (PSDB). Além da discussão sobre o futuro do Rio Grande que será amplamente abordado, o debate contará também com um diferencial importante que é a discussão da realidade do interior do Estado, com ênfase à nossa região, muitas vezes esquecido pelos governos. O evento, de proporção macrorregional, é uma iniciativa e promoção do jornal O Celeiro/Rádio Ciranda; Instituto Federal Farroupilha – Campus Santo Augusto; Associação dos Municípios da Região Celeiro (AMUCELEIRO) integrada por 21 municípios, com apoio da 56ª Subseção da OAB/RS, e terá cobertura de mais de 20 veículos de comunicação da cidade e da região como rádios, televisão, jornal e sites, que farão reportagens, entrevistas, bem como transmissão ao vivo, por rádio e internet.

                 Robaina (PSol)                        Abgail (PCdoB)                     Rossetto (PT)

 

                  Bandeira (Novo)                     Heinze (PP)                         Sartori (MDB)

                                                 Eduardo Jorge (PDT)           Eduardo Leite (PSDB)