Auxilio mudança

No Brasil, todo senador ou deputado tem direito a receber auxilio em dinheiro para cobrir gastos com mudança e transporte no início e no final do mandato. É uma ajuda de custo no valor de R$ 33,7 mil, correspondente a um mês de salário do parlamentar. 81 é o número total de senadores e 513 é o número total de deputados federais. Curioso é que os parlamentares reeleitos, que não precisam nem chegar nem deixar Brasília, também recebem o dinheiro. E em “dobro”. O valor é referente ao fim do mandato anterior mais o valor referente ao novo mandato. E não é só isso. Essa ajuda de custos não é o único benefício a que os parlamentares têm direito. Eles também recebem outros, como auxílio-moradia, passagens aéreas e verbas de gabinete. Na semana passada a justiça determinou o não pagamento do auxílio-mudança, mas certamente deputados e senadores darão um jeito de reverter a decisão. 

Os estaduais também

Claro que os nossos sofridos deputados estaduais também têm auxílio-mudança. A Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul vai gastar R$ 2.785.447,50 com o auxílio-mudança na legislatura 2019-2022. O benefício que corresponde a dois salários mensais, atualmente no valor de R$ 25.322,25, sendo que um é pago no início e o outro no final do mandato. É mais um deboche para a grande maioria da população que vive com um salário mínimo de R$ 998,00, e para um Estado que não consegue cumprir com sua obrigação básica de pagar em dia os salários dos servidores públicos.

Pasmem!

É só no Brasil mesmo. Esse benefício é absurdo, é indecente, é escárnio. E não fica só nisso, os deputados têm outros benefícios. No legislativo gaúcho cada gabinete pode ter até 17 funcionários. O deputado ainda ganha dinheiro para pagar as despesas com materiais de expediente, telefone, passagens aéreas, combustível, indenização por uso de veículo particular em serviço, e diárias de viagem. Aliás, o valor da diária de viagem de um deputado estadual é 588,89. Talvez esse seja um dos motivos porque muitos deles fica a maior parte do tempo viajando pelo interior do Rio Grande. O gasto real médio, segundo o portal da transparência, é em torno de R$ 180,00. O resto é lucro. No portal verificou-se que Classmann, por exemplo, normalmente requer somente meia diária, enquanto que Ernani Polo não abre mão da diária inteira.