Candidatos à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentaram suas propostas no debate da Rede Globo
O debate realizado pela Rede Globo na noite desta sexta-feira (23) foi o último embate entre os dois candidatos à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes de os eleitores irem às urnas no domingo (25). Apesar das provocações e da troca de acusações ao longo do evento, os presidenciáveis compararam suas propostas econômicas – como investimentos em infraestrutura, agricultura e exportações; reajuste do salário mínimo e aposentadorias; e soluções para o endividamento das famílias brasileiras.
Embora o debate estivesse marcado para começar às 21h20, o evento começou às 21h40. Flávio Bolsonaro e Lula disputam o segundo turno das eleições, assim como candidatos a governadores de cinco estados brasileiros.
O debate foi dividido em quatro blocos: em três deles, os candidatos responderam perguntas previamente estabelecidas; no último, os candidatos perguntaram um ao outro com tema livre. Os candidatos também tiveram que apresentar propostas para as cinco regiões do Brasil.
A Rede Globo, em parceria com outros veículos de comunicação, disponibilizou 30 jornalistas para checar a veracidade das declarações dos presidenciáveis.
Infraestrutura e exportações
Infraestrutura e exportações
Confira as principais propostas econômicas dos candidatos.
Infraestrutura e exportações
Após o apresentador sortear o tema da infraestrutura e exportações, Flávio Bolsonaro abriu o debate citando um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). Em seguida, perguntou por que o Brasil tinha 11,5 mil obras paradas.
Lula respondeu citando que o País tem R$ 1,7 trilhão em obras, das quais R$ 800 bilhões já teriam sido empenhados. Depois, citou uma série de iniciativas do governo federal em andamento: o novo porto de Manaus, as rodovias Transnordestina e BR-319, o Túnel de Santos, a conclusão da transposição do Rio São Francisco, entre outras obras.
Na réplica, Flávio Bolsonaro citou uma série de propostas ligadas à infraestrutura. Por exemplo, a ligação das ferrovias do Eixo Sul às do Centro-Oeste, e o pedágio zero para motociclistas. Além disso, o candidato do PL falou que pretende tratar a internet como infraestrutura, porque a conectividade pode alavancar o setor produtivo, como, por exemplo, a agricultura de precisão.
Agropecuária
Ao abordar temas relacionados à região Centro-Oeste – uma das regiões com maior produção agrícola –, Flávio Bolsonaro questionou o oponente por que o governo federal “tratava mal” os produtores agropecuários.
Lula disse que pretendia tornar o Brasil o maior produtor de alimentos do mundo. Também disse que os juros para o primeiro setor são subsidiados. E, diante das tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula afirmou que abriu mais de 700 mercados aos produtos brasileiros em 57 países.
Flávio replicou que o Plano Safra – programa do governo federal para apoiar o agronegócio brasileiro – tem tanta burocracia que inviabiliza os benefícios aos produtores. Ele também criticou o juro real do crédito rural, que giraria em torno de 20%. E concluiu garantindo o seguro rural e à aposentadoria rural.
Salário mínimo
Os dois candidatos prometeram aumentar o salário mínimo acima da inflação. O tema veio à tona quando foi sorteado o tema da região Sudeste.
Na ocasião, o presidente Lula questionou seu adversário se ele sabia quanto custaria o salário mínimo nessa região, sem a política que eleva o vencimento dos trabalhadores acima da inflação. Nos primeiros mandatos do petista, o salário passou a receber um aumento correspondente ao crescimento do PIB brasileiro. Segundo o candidato do PT, sem essa medida, o salário mínimo giraria em torno de R$ 900,00 hoje, em vez de R$ 1.621,00. Ele também prometeu o mesmo aumento aos aposentados.
Ao responder, Flávio Bolsonaro disse que não adiantava aumentar o salário mínimo ao mesmo tempo que aumentava a carga tributária e a taxa de juros, porque isso diminuiria o poder de compra dos brasileiros. Na sua avaliação, o governo gasta mais do que arrecada, o que obrigaria o Palácio do Planalto a aumentar os impostos para pagar as despesas, o que, por sua vez, elevaria a taxa de juros no País. Apesar da crítica ao gasto público, garantiu que reajustará o salário mínimo acima da inflação, se for eleito.
Endividamento
Os dois candidatos apresentaram propostas parecidas para combater o endividamento das famílias brasileiras: ambos prometeram que, se eleitos, o governo federal compraria as dívidas dos cidadãos. O assunto foi escolhido por Flávio Bolsonaro no bloco em que os presidenciáveis poderiam escolher os temas pré-definidos.
O candidato do PL disse que, em um eventual governo, a Caixa Econômica Federal compraria a dívida que os brasileiros tinham com bancos privados. Em seguida, refinanciaria com juros menores. Ele também prometeu a suspensão por seis meses das cobranças de dívidas refinanciadas; e um ano, para empresas.
Durante o seu tempo, Lula acusou o adversário de copiar uma proposta enviada pela sua gestão ao Congresso Nacional, na qual o governo faria um leilão para comprar a dívida dos brasileiros junto aos bancos privados com até 95% de deságio. Ele também mencionou o perdão de R$ 15 bilhões em dívidas que pessoas tinham com o governo.
Por: Jornal do Comércio
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Candidatos à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), apresentaram suas propostas no debate da Rede Globo