COLUNA: Santo Augusto 67 anos – Padre condenado – Troféu de campanha – Medidas eleitoreiras

Santo Augusto 67 anos

Amanhã, 30 de maio, Santo Augusto celebra seus 67 anos de emancipação político-administrativa – quando o então distrito tornou-se município, soberano, com autonomia para gerir a infraestrutura local, saúde, educação, saneamento e assistência social com independência. Pena que a tendência humana de focar só no presente, apaga os esforços históricos dos antepassados que moldaram a realidade atual do nosso município. Santo Augusto não nasceu com a estrutura que tem hoje; cada conquista foi fruto de passos graduados e superação de dificuldades e crises severas. Os primeiros moradores enfrentaram isolamento geográfico e falta de estradas. A infraestrutura básica (saúde, energia, água potável, energia e educação) dependia de esforços comunitários intensos. Cada gestão municipal, com os recursos disponíveis nas respectivas épocas, ergueu uma base para a administração seguinte. A evolução agrícola e urbana, comércio, a força do agronegócio, saúde, educacional, cultural, são reflexos de esforços, trabalho e incentivos passados.

Um parênteses

Faço aqui um parênteses para cumprimentar a todos os cidadãos e cidadã que, merecidamente, receberam homenagem da Câmara Municipal de Santo Augusto, segunda-feira. Permito-me fazer referência especial ao homenageado José Luceval Vargas, indicado pelo vereador Ércio dos Santos. José Vargas, o único remanescente da época, foi o funcionário número “1” de Santo Augusto, na lista de contratados pelo primeiro prefeito, Oswaldo Pio Andrighetto, em 1959, para serviços administrativos. Vargas exerceu, com competência, diversas funções na prefeitura, foi fiscal lotador, escriturário, secretário da Junta de Alistamento Militar, secretário administrativo da Divisão de Obras, auxiliar da Secretaria da Administração, eventualmente motorista para levar doentes a Passo Fundo e outras cidades, e também, sentou-se na boleia do caminhão para puxar pedras para calçamento de ruas. Foi secretário da Câmara de Vereadores, fiscal sanitário, por vezes cedido para servir de escrivão ad hoc na polícia civil, foi fiscal de menores, secretário do Conselho Municipal de Desporto (CMD). A coluna se associa a essa digna e justa homenagem ao “seu Vargas”.

Recordar e valorizar

Ao longo dessas quase sete décadas, Santo Augusto deixou de ser um rincão isolado de mata e campo para se consolidar como um polo agroindustrial e de serviços regional. Com a chegada de imigrantes – descendentes de italianos e alemães (anos 40, 50 e 60) – intensificou-se a abertura de pequenas propriedades rurais, baseada no cultivo manual de milho, feijão, mandioca e na criação de suínos. Com a emancipação, em 1959, o município começou a dar seus primeiros passos rumo ao desenvolvimento. Na década de 70 iniciou a mecanização no campo, a chamada “Revolução Verde e a Cooperativização”. A introdução de tratores e colheitadeiras mudou a paisagem. Grandes áreas de mata e campos cobertos por macega, deram lugar a lavouras de soja e trigo. Concomitantemente, houve o boom da cooperativização, a união dos produtores através do cooperativismo, o grande motor de investimentos tecnológicos, e as primeiras estruturas de armazenamento de grãos (silos). A mecanização das lavouras reduziu a demanda por mão de obra na roça, e gerou grande êxodo rural, dando origem à diversas vilas nos subúrbios da cidade, sem o mínimo de saneamento, hoje transformadas em bairros organizados.

Aliás

O perfil econômico de Santo Augusto, hoje, mostra que a agropecuária gera 43,5% do valor agregado da cidade, seguida de perto pelo setor de serviços com 38,7%. A cidade se tornou um centro de compras, atendimento médico/hospitalar e serviços bancários para municípios menores vizinhos. O agronegócio atual foca em agricultura de precisão, sementes selecionadas e forte expansão da bacia leiteira.

 Progresso social

O município de Santo Augusto alcançou 64,79 pontos no Índice de Progresso Social (IPS) Brasil 2026, ocupando a posição 942 entre os 5.570 municípios brasileiros avaliados. No Rio Grande do Sul, o município aparece na colocação 109 entre as 497 cidades do Estado. O Produto Interno Bruto (PIB) per capita registrado em 2023 foi de R$ 51.313,75, colocando o município na posição 1.234 no ranking nacional e 199 no estadual. No eixo Necessidades Humanas Básicas, o município registrou 78,66 pontos, ocupando a posição 1.582 nacional. O destaque ficou para Segurança Pessoal, com 79,54 pontos e posição 923 no país. O indicador de Moradia alcançou 90,57 pontos, enquanto Água e Saneamento registrou 69,61 pontos. O levantamento também aponta que Santo Augusto registrou 41,22 pontos em Acesso à Educação Superior, ocupando a posição 956 entre os municípios brasileiros.

Padre condenado

Na terça-feira, 26 de maio, a Justiça condenou um padre acusado de estupro de vulnerável e armazenamento de pornografia infantil, fatos ocorridos em 2024, quando o religioso exercia suas funções em Guaíba (Região Metropolitana de Porto Alegre), de que foi vítima uma menina de 9 anos. Ele recebeu sentença de 18 anos e 10 meses de reclusão, em regime fechado. A juíza classificou as consequências do crime como “incalculáveis e devastadoras”, eis que a menina poderá viver para sempre o trauma da violência sexual sofrida. Crimes sexuais contra crianças e adolescentes se tornam ainda mais graves quando o agressor ocupa posição de autoridade, confiança ou prestígio social. No caso em epígrafe, vê-se a figura de um religioso, sacerdote, pessoa respeitada e socialmente admirada, que pode dificultar a vítima de ser acreditada, principalmente no âmbito da sociedade em que vive.

A propósito

No Brasil, o estupro de vulnerável (Artigo 217-A do Código Penal) é crime hediondo. As penas básicas variam de 10 a 18 anos de reclusão. Em casos com agravantes (como lesão corporal grave ou morte) ou quando o crime envolve divulgação, as punições podem chegar a 40 anos de prisão. “Não se omita – sempre que tiver conhecimento de violência ou exploração sexual contra crianças e adolescentes – DENUNCIE”.

Feminicídios – emergência

Em reação ao 35º feminicídio registrado no Rio Grande do Sul em 2026, a deputada estadual Bruna Rodrigues (PSB) voltou a cobrar na tribuna na Assembleia Legislativa terça-feira (26) que o governador Eduardo Leite decrete estado de emergência. A parlamentar avalia que as políticas públicas para a proteção das mulheres não se confirmam e que o orçamento estadual não disponibiliza recursos suficientes para esse enfrentamento.

Em apoio a Gabriel Souza

Pré-candidato à Presidente da República, o ex-governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) vem ao Rio Grande do Sul amanhã, sábado, para o lançamento da pré-candidatura de Gabriel Souza (MDB) ao Palácio Piratini, em Porto Alegre. Com expectativa de reunir 5 mil apoiadores, o evento também lançará oficialmente os nomes de Ernani Polo (PSD) a vice-governador e de Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD) ao Senado Federal.

Virar a página?

O governo Lula diz que quer “virar a página” do escândalo do INSS. Curioso: normalmente, antes de virar uma página, o leitor entende aquele capítulo. No Brasil, aparentemente basta trocar personagens, enterrar CPI, substituir delegados e pedir que o público siga adiante sem fazer muitas perguntas. Porém, sem punição exemplar, devolução do dinheiro roubado e respostas claras à sociedade, “virar a página” soa menos como solução e mais como tentativa de fechar o livro antes de encerrado o último capítulo.

Troféu de campanha

Infantil a foto de Flávio Bolsonaro com Donald Trump nos EUA. Foto com o presidente americano virou troféu de campanha eleitoral no Brasil. Um exemplo da pequenez dos dois políticos (Lula e Flávio) que lideram a preferência do eleitorado brasileiro, segundo pesquisas. Ainda há tempo de escolher alguém melhor. Oremos.

Medidas eleitoreiras

Lula da Silva sabe que o eleitor, hoje, é bem diferente daquele de 2002. Seus mandatos, açoitados pela corrupção, não materializaram resultados prometidos. Agora, visando conquistar um quarto mandato, recorre a gastos populistas caçadores de votos, a bondades maléficas para o futuro e a medidas eleitoreiras. Mesmo assim, não vai conseguir convencer aquele eleitor de que, por exemplo, o pobre ficou menos pobre após três mandatos.

Radar

Se alguém esperava ver a “rua coberta”, no centro de Santo Augusto, inaugurada na semana do aniversário do município, ou pelo menos a liberação do trânsito na Avenida do Comércio, pode tirar o cavalo da chuva. Segundo a Prefeitura, a liberação do trânsito ficou para o próximo mês. Lá se vão dois anos dessa novela.

 

 

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