COLUNA: Profissional, não ativista – Prefeito austero – Ousadia é a marca – Progressistas infiéis – Coerência e ética

Ética profissional

O professor ou professora é um profissional da educação e como tal deve agir em sala de aula. O equilíbrio entre ser um educador e um cidadão com opiniões próprias exige uma fronteira clara: a sala de aula deve ser um espaço de pluralidade, não de palanque. Na escola como Instituição de Estado, o professor tem que ser “profissional, não ativista”. Professor precisa se enxergar como um representante do Estado e da ciência, cujo compromisso é oferecer as ferramentas para que o aluno desenvolva o próprio pensamento, e não para que adote o pensamento do mestre. O foco deve estar em competência e não em convicções. O papel do docente é formar alguém que consiga pensar por conta própria. Quando o foco é a técnica e o desenvolvimento intelectual do aluno, o espaço para o ativismo diminui naturalmente. Muitas vezes falta uma diretriz institucional clara que defina onde termina a liberdade de cátedra e onde começa o abuso dessa liberdade para fins ideológicos. Se o professor assume essa postura técnica e ética, o civismo deixa de ser motivo de briga ideológica e passa a ser o solo comum onde todos convivem.

Gestão de recursos públicos

A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) impõe que a gestão de recursos públicos seja planejada e transparente, prevenindo riscos que possam afetar o equilíbrio das contas. No caso dos municípios, significa “responsabilidade” do prefeito cumprir limites de gastos com pessoal e endividamento, garantindo que a prefeitura não quebre a longo prazo. Requer “coragem para medidas impopulares”, como corte de cargos comissionados, funções gratificadas, revisão de contratos, negativa de reajustes salariais, atualização de taxas e tributos (como o IPTU) para manter os serviços essenciais funcionando. E o “equilíbrio”, pois sem contas em dia, o município perde a capacidade de investir em saúde, educação e infraestrutura, e fica impedido de receber transferências voluntárias da União e do Estado. Enfim, embora medidas austeras possam gerar desgaste político inicial, elas são o que garante a continuidade das políticas públicas e a saúde financeira do município.

Prefeito austero

O prefeito Arleu Valadar Machado, de Coronel Bicaco, acaba de dar exemplo de austeridade, responsabilidade e coragem enquanto gestor público municipal. Em ato oficializado recentemente, o chefe do Poder Executivo bicaquense exonerou nove secretários municipais, 12 cargos em comissão (CCs) e revogou 24 funções gratificadas (FGs) de servidores efetivos. As secretarias passarão a ser conduzidas por servidores efetivos sem qualquer remuneração adicional. Também implantou turno único nas repartições municipais, das 7h30 às 13h30, que já está em vigor. Também, foram realizadas análises contratuais, com rescisões e devolução de veículos locados. A decisão ocorre diante da forte queda na arrecadação nos últimos meses, reflexo do cenário econômico atual. Além do comprometimento significativo do orçamento municipal com financiamentos bancários contratados em gestões anteriores, em torno de R$ 300 mil mensais.

A propósito

Para anunciar as medidas, duras, porém, necessárias, o prefeito Arleu, segundo o noticiado, reuniu o funcionalismo municipal e pediu a eles a colaboração durante o horário de trabalho, enfatizando que atitudes também geram economia e, se cada um fizer a sua parte, o município vai equilibrar as contas. E acrescentou: “temos que trabalhar unidos para conseguir vencer”. Certamente, apesar de serem medidas antipáticas, o prefeito terá a compreensão e o apoio dos servidores municipais, dos segmentos partidários e da comunidade. É por uma boa causa.

 Conjecturas

Apesar de ser, ainda, uma incógnita, já é possível conjecturar sobre as eleições 2026 para governador do Rio Grande do Sul. Tomando como base o quadro atual, haverá segundo turno, e tudo indica que seja entre Juliana Brizola (PDT) e Luciano Zucco (PL). Porém, não se pode subestimar a candidatura de Gabriel Souza (MDB). Na minha opinião, se num eventual segundo turno estiverem Juliana e Zucco, o candidato direitista, Luciano Zucco, sairá vitorioso. Mas, se a disputa final for entre Zucco e Gabriel, a esquerda vai eleger Gabriel, a exemplo do que fez com Eduardo Leite em 2022 – só “para evitar que a direita chegue ao poder”. A mesma coisa, porém, em situação inversa, ocorrerá se a decisão for entre Gabriel e Juliana. Aí a direita vai apoiar maciçamente a candidatura de Gabriel – “para evitar que a esquerda chegue ao poder”. Curioso isso, Gabriel Souza indo para o segundo turno, não importa qual seja o adversário, certamente será o próximo governador.

Ousadia é a marca

Sempre bairrista, não tenho como deixar de valorizar a ousadia do deputado Pompeo de Mattos, do ex-deputado Jerônimo Goergen e do deputado Ernani Polo. Pompeo de Mattos (PDT), concorreu a vice-governador em 2010, na chapa com José Fogaça (MDB); Jerônimo Goergen (PP), não chegou a concorrer, mas sempre deixou claro que o seu sonho era ser governador do estado gaúcho ou senador da República; no entanto, apesar de reunir todas as qualidades para bem desempenhar os cargos pretendidos, foi “tolhido” por lideranças de seu próprio partido. Já Ernani Polo (PP) se apresentou como pré-candidato a governador nas eleições deste ano, mas, curiosamente, foi impedido pelas mesmas lideranças Progressistas que no passado restringiram Jerônimo. Mas Ernani não se deu por derrotado, reuniu o útil ao agradável, abandonou o PP e filiou-se ao PSD, tornando-se pré-candidato a vice-governador na chapa situacionista encabeçada por Gabriel Souza (MDB).

Reconstrução do Estado

Apesar do anúncio de mais de R$ 12 bilhões no Plano Rio Grande, as ações executadas até agora – dois anos após as enchentes de 2024 – são consideradas insuficientes diante da dimensão da tragédia. Cadê as obras estruturais de grande porte, o sistema integrado de proteção contra cheias e o plano de contingência consolidado para futuras crises climáticas? Deputados de oposição criticam, e com razão, a baixa execução de recursos, inclusive verbas federais, além da lentidão em áreas consideradas prioritárias, como habitação e infraestrutura rodoviária. Poucas moradias foram entregues e obras seguem inacabadas. Enquanto isso, o governador continua transferindo as responsabilidades aos municípios. É um governo que prioriza o marketing político, a propaganda vazia, a gabolice.

Progressistas infiéis

Era previsível prefeitos do PP declararem apoio e o voto para a chapa Gabriel Souza/Ernani Polo, da coligação MDB/PSD. Dias atrás, na Fenasoja, os prefeitos Progressistas de Santa Rosa (Anderson Mantei) e de Caibaté (Daniel Herther), ignoraram publicamente a aliança oficial de seu partido com Luciano Zucco (PL), e declararam apoio à chapa governista. Rebelde, Anderson está dando o troco. Ele faz parte da ala progressista que se sentiu ignorada pela Executiva estadual. A falta de diálogo na construção da coligação com o PL empurrou o prefeito para os braços do MDB, unindo a insatisfação partidária à lealdade histórica que possui com Polo.

Coerência e ética

Aqui na Região Celeiro, sete municípios são comandados por prefeitos do PP, sendo eles: Bom Progresso (Norimar Leopoldo Schossler – Nego), Chiapetta (Osmar Kuhn), Humaitá (Luiz Carlos Sandri), Inhacorá (Emerson Cavali de Vargas – Manão), Miraguaí (Leonir Hartk – Neco), São Martinho (João Carlos Hunhoff) e São Valério do Sul (Clóvis Taborda Padilha). Pela proximidade que esses prefeitos têm com o deputado e pré-candidato a vice-governador, Ernani Polo (PSD), ex PP, acredito que, se não todos, pelo menos a maioria, dará apoio à chapa governista Gabriel/Ernani, da coligação MDB/PSD, o que caracteriza falta de coerência e ética partidária. Então, se assim procederem, e nessas circunstâncias, seria mais apropriado eticamente desfiliar-se do PP, haja vista que o progressista está coligado com o PL, inclusive com candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Luciano Zucco.

Visão de futuro

É comum se ouvir de políticos que é muito cedo para falar de candidatos a prefeito com vistas à próxima eleição municipais. Ora, isso cabia no passado, hoje não mais. Antecipar esse processo não é apenas uma estratégia eleitoral, mas uma necessidade administrativa. O cenário para 2028 exige candidatos que dominem as novas metas de governo, especialmente em áreas que evoluem rápido demais para serem aprendidas durante a campanha. Existem pontos cruciais que justificam uma preparação antecipada, como domínio tecnológico e inteligência artificial, crise climática e resiliência, novos modelos de financiamento, e formação de quadros técnicos. Até porque, começar agora permite que o partido construa um projeto de cidade e município robusto, em vez de apenas uma candidatura de última hora baseada em carisma. Atuar como prefeito nos tempos modernos exige muito mais do que carisma ou boas intenções; demanda visão de gestor-estrategista capaz de lidar com a complexidade urbana e digital. Pensem nisso.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Categorias

Categorias

Arquivos

Arquivos