COLUNA: O ápice da demagogia – O que esperar de Lula – Inicia as articulações para 2028 – Carta na manga

A lambança de Zanin

A Justiça conseguiu a proeza de encerrar a eleição presidencial de 2026 do mesmo modo como a conduziu desde o início: em meio a uma baita lambança. Às 17h01 de domingo (25), um minuto depois do horário oficial de encerramento da votação, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, a pedido do PT, invadiu a competência do TSE, mudou a regra do jogo e determinou que as seções eleitorais de todo o País permanecessem abertas até às 19 horas, a pretexto de permitir a participação de eleitores que enfrentaram problemas no transporte coletivo em algumas cidades. Àquela altura, muitas urnas já estavam lacradas e a totalização dos votos havia começado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A lambança de Zenin poderia ter provocado séria crise institucional.

A inércia do TSE

Consta que houve, sim, problemas na oferta de transporte público em Salvador durante as eleições de domingo (25), dificultando o deslocamento de eleitores até os locais de votação. Mas a desordem começou com a omissão do TSE que havia recebido alertas no final da manhã sobre o problema e nada fez. O presidente do tribunal, ministro Kássio Nunes Marques, limitou-se a dizer que as dificuldades “já estão sendo corrigidas”, enquanto eleitores esperavam ônibus que nunca chegavam. Era dever do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agir de acordo com a gravidade da situação e decidir a tempo se, e onde, a votação deveria ser prorrogada. A inércia de Nunes Marques abriu o vácuo que Zanin logo tratou de ocupar.

Aliás

Esses episódios lamentáveis protagonizados por Nunes Marques e Cristiano Zanin coroam um pleito marcado, do início ao fim, pelas lambanças do Judiciário, particularmente do STF e do TSE. E tudo isso porque, como nunca, os interesses políticos dos magistrados deram as caras numa disputa pelo poder central da República que deve ser arbitrada, única e exclusivamente, pelos eleitores. A soma da omissão de um ministro com o voluntarismo de outro levou ao pior cenário para a democracia. Lamentavelmente, por quem tem o dever de preservar a integridade democrática.

 O ápice da demagogia

Para eleger-se ao 4º mandato presidencial, Lula da Silva (PT) chegou ao ápice da demagogia, distribuindo dinheiro, benesses e fazendo promessas desvairadas para seduzir o eleitorado que lhe tem sido crescentemente hostil. Lula que nunca foi exatamente modesto, pode achar que se tornou um totem, que deve ser adorado e sobre o qual não cabem questionamentos. O problema é que nem todos compartilham a mitologia lulopetista. O Congresso eleito dia 4 de outubro, por exemplo, será francamente hostil a Lula, que deve levantar as mãos aos céus se conseguir terminar o mandato. Ademais, metade do País o rejeitou nas urnas e mesmo uma parte substancial dos eleitores que votaram nele não o fizeram por considerá-lo um bom presidente, mas porque têm ojeriza aos Bolsonaros.

Democracia em crise

O cidadão de bem não vai mais se lembrar das eleições do ano de 2026 para o cargo de presidente da República. O seu auge evidenciou uma crise da democracia e da própria representatividade, e que a polarização não se dá somente entre os adversários, mas está em todos os ambientes, até na Corte Eleitoral, onde as decisões são conflitantes e, muitas vezes, pendulares. Nosso maior benefício é tirar boas lições desta triste jornada e endereçar o país no rumo do crescimento e do desenvolvimento, livre da classe política que o mantém no atraso. Todos perdemos quando a democracia não se manifesta e os candidatos são incapazes de elaborar um discurso que mostre o verdadeiro sentido da eleição.

O que esperar?

O Brasil espera que Lula da Silva, reeleito presidente da República respeite o povo brasileiro. Que saia do palavreado, abandone o ranço do ódio, do rancor e da vingança e seja capaz de gestos e atitudes de governo que dignifiquem e melhorem a qualidade de vida dos cidadãos. Que as promessas sejam transformadas em mais empregos, segurança e mais comida na mesa de quem mais precisa. Enfim, que sem extremismo e sem ranços ideológicos, o Brasil encontre o caminho da prosperidade tão sonhado por todos.

Imposto do pecado

O governo federal está enviando ao Congresso Nacional, um projeto de lei que regulamenta o Imposto Seletivo, conhecido como Imposto do Pecado, que passará a ser cobrado a partir de 1º de janeiro de 2027, incidindo sobre diversos produtos como, bebidas alcoólicas, cigarros, refrigerantes, veículos poluentes e apostas esportivas, considerados produtos e atividades prejudiciais à saúde. A expectativa, dentro do próprio governo, é que o IVA (Imposto sobre Valor Agregado) fique perto dos 28%. Se confirmado, o Brasil terá o maior IVA do mundo, acima dos 27% da Hungria. Portanto, os tomadores de cachaça, uísque, vinho, cerveja, entre outras bebidas alcoólicas, irão sentir também no bolso o gostinho amargo da “marvada”.

Molhar pedestre dá multa

Pouca gente sabe, mas os condutores de veículos automotores que jogarem água nos pedestres estão cometendo uma infração de trânsito. O artigo 171 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estabelece que quem arremessar água ou detritos nos pedestres, estão cometendo uma infração média. Essa situação é um tanto quanto comum em dias chuvosos, quando o veículo passa por poças d’água e acaba molhando quem está na rua. As penalidades são: Multa de grau médio no valor de R$ 130,16 e, quatro pontos negativos na carteira de habilitação.

E tem mais…

Existem outras várias infrações previstas no Código de Trânsito Brasileiro (CTB) que poucos conhecem e sequer imaginam que existe. Eis algumas dessas infrações: estacionar o veículo afastado mais de 50cm do meio fio; buzinar entre 22h e 6h; disparar, mesmo que acidentalmente, o alarme; não reduzir a velocidade nas curvas; dirigir sem óculos e aparelho auditivo quando essas exigências constam na sua carteira de motorista; derrapar – fazer manobra perigosa com o veículo. Para todas essas infrações são previstas pena de multa, que variam de R$ 88,38 (mínima) a até R$ 2.934,70, e mais a adição de 3 a 7 pontos na carteira.

Fiscalizar é educar

O desconhecimento ou desrespeito às regras de trânsito por parte dos condutores é um problema multifatorial, sendo que a ausência ou insuficiência de fiscalização é uma das principais causas. A falta de policiamento ostensivo e, consequentemente, a percepção de que a chance de ser pego é praticamente inexistente, faz com que as infrações se repitam e estimulem outros a cometê-las. Outro fator, é que o candidato à habilitação se prepara apenas para passar nos exames teóricos e práticos, e não para a cidadania e a direção defensiva real no dia a dia. E tem a cultura da malandragem, onde burlar a lei sem ser pego é visto erroneamente como um sinal de esperteza. Por isso, mantenho a ideia de que “fiscalizar é educar”, e não, necessariamente multar, como alguns pensam.

Agora é olhar para 2028

Com o encerramento das eleições gerais de outubro de 2026, o cenário político brasileiro imediatamente volta sua atenção e estratégias para as eleições municipais de 2028. O resultado das urnas estaduais e federais serve como o principal termômetro e base de apoio para medir a força e a capacidade de mobilização das lideranças locais em cada município. A transição de foco entre os dois pleitos envolve dinâmicas cruciais para partidos e candidatos. Prefeitos que conseguiram transferir votações expressivas para seus candidatos a deputado, governador ou senador em 2026 saem fortalecidos. Esse desempenho demonstra liderança consolidada e facilita a estruturação de alianças para a disputa local.

A propósito

Observando a conjuntura política atual de Santo Augusto, me permito avaliar que, apesar de nas duas gestões (a anterior e a atual) as relações jurídico-administrativas terem sido harmoniosas, o PL e o PDT não manterão a coligação para a eleição de 2028. Aliás, falando nisso, a prefeita Lilian já tem a carta na manga, ou seja, a candidata a ser indicada para a sua sucessão.

PDT enfraquecido

O PDT não conseguiu superar a cláusula de barreira nas eleições de 2026, resultado que afeta seu acesso aos recursos do fundo partidário. Enquanto grandes blocos de centro-direita e extrema direita se fortaleceram, siglas tradicionais de esquerda e centro-esquerda sofreram derrotas institucionais que devem prejudicar os partidos nas próximas eleições. O PDT ficou distante das duas possibilidades previstas. Obteve 1,60% dos votos nacionais para deputado federal, abaixo dos 2,5%, e elegeu seis parlamentares, quando precisaria chegar a 13. Assim, perdeu o direito ao Fundo Partidário e ao tempo de propaganda gratuito no rádio e na televisão.

 

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