No fundo do poço
O que mais deve ser feito para incutir na cabeça do presidente do Senado Federal, David Alcolumbre, que o Brasil não aguenta mais. É dever institucional dele tomar as devidas providências. Está esperando o quê? O Senado tem milhões de razões para abrir impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes – e outros milhões de motivos para fazer o mesmo em relação a Dias Toffoli. A situação dos dois magistrados é insustentável. Não dá mais para segurar. A reputação dos dois morreu. Moraes e Toffoli estão no fundo do poço, no lamaçal. Do presidente do STF não se espera grandes coisas. Ali prevalece o corporativismo. Os ministros Edson Fachim e Gilmar Mendes estão fechados com os dois. Tudo indica que prevalecerá o espírito de corpo – sob o insustentável argumento de que “atacou um, atacou a corte”. É isso que dá transformar o STF em reduto de companheiros.
Degeneração dos Poderes
A corrupção sempre transitou pelos esgotos putrefatos dos Poderes Executivo e Legislativo do Brasil. Esses dois Poderes são diretamente responsáveis pela formação do Poder Judiciário em sua mais alta Corte, o “competentíssimo” Supremo Tribunal Federal, pois um indica e o outro “sabatina” o indicado para ocupar o cargo de ministro, levando em consideração (pasmem) a ilibada reputação e o notório saber jurídico do indicado. Essa excrescência é de uma hipocrisia máxima, pois qual é a ilibada reputação e qual o conhecimento jurídico que tais elementos dispõem para tal sabatina? Assim, e levando-se em consideração o altíssimo nível ético e moral (?) dos nossos representantes nas casas legislativa e executiva, não poderíamos esperar que o Judiciário, em sua Suprema Corte, fosse infectado pela mesma doença degenerativa e genética dos que os escolhem, e assim constatarmos que o fruto podre não cai longe da árvore podre. Com o quadro atual da degeneração total dos nossos Três Poderes, estamos cada vez mais entrando no sombrio mundo da democradura jurídica.
Democradura
Democradura é um neologismo que une “democracia” e “ditadura” para descrever regimes que se disfarçam de democráticos, mas funcionam de forma autoritária. Nesses sistemas, há eleições, mas o poder é concentrado, as liberdades civis são restringidas e a oposição é perseguida, criando uma “ditadura eleita” ou uma democracia aparente. Já a “Democradura Jurídica” é um termo crítico usado para descrever um cenário onde formalmente há democracia e leis (Estado de Direito), mas, na prática, o Poder Judiciário exerce um protagonismo excessivo, criando normas ou tomando decisões políticas que atropelam outros poderes, configurando uma “ditadura da toga” ou julgamentos de exceção.
Não ficaria mal na cadeia
Foi isso que disse o ex-senador Pedro Simon, sobre o ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista à Ulbra TV, o veterano Pedro Simon, aos 96 anos, retomou seu discurso firme e contundente ao comentar a constrangedora situação a que foi levado o Supremo Tribunal Federal: “É a página mais triste da história do Brasil. Eu não sei como é que chegamos a esse ponto. A gente sempre tinha um respeito pelo Supremo, não era excepcional, mas era digno de respeito. Mas agora, esse ministro Alexandre… Não ficaria mal na cadeia…”, concluiu o ex-senador.
Ernani vice de Gabriel
A coluna já cantou essa pedra. Foi na edição de 4 de julho de 2025. Naquele momento um grupo de lideranças articulava uma possível pré-candidatura do então secretário Ernani Polo (PP) ao governo do Estado, em chapa própria. Falei aqui: “A real ideia de Ernani Polo é ser candidato a vice de Gabriel Souza, e não a governador”. Ele chegou até se auto lançar pré-candidato a governador – para ganhar holofote – mas foi preterido pelo partido e desistiu. Apesar de ter anunciado que deixaria a vida pública após o término do mandato, agora Ernani busca o plano “b”, previamente articulado conjuntamente com Leite e Gabriel, ou seja, deixar o PP e se filiar ao PSD, do governador, “para ser candidato a vice na chapa de Gabriel Souza (MDB) ao Piratini”. Nada vem do acaso, tudo está dentro do planejado previamente.
Vai e vem no PP
O Progressistas (PP) gaúcho participou dos dois governos de Eduardo Leite, ocupando a titularidade de secretarias importantes. Em meados do ano passado, a deputada Silvana Covatti (PP) se auto lançou como pré-candidata a vice-governadora na chapa encabeçada por Gabriel Souza (MDB). Logo a seguir um grupo de lideranças passou a articular a pré-candidatura do deputado Ernani Polo em chapa própria para governador, o que passou a ganhar corpo na base partidária. Como quem diz, vamos ver quem pode mais, o deputado federal e presidente estadual do PP, Covatti Filho, também se auto lançou como pré-candidato ao Piratini. Os dois passaram a medir forças. Culminou que em janeiro, Covatti convocou uma reunião do diretório estadual, quando, em votação, ele foi o escolhido por larga margem de votos, como o pré-candidato do partido ao governo, não descartando uma possível aliança com o PL, de Luciano Zucco. Essa possibilidade evoluiu e hoje está consolidada a aliança, onde o PP colocará o (a) vice na chapa encabeçada pelo deputado Luciano Zucco (PL).
Só falta oficializar
A aliança entre o PP, PL e Novo em torno da candidatura ao governo do Estado do deputado federal Luciano Zucco (PL) deve ser oficializada em 11 de abril – durante um evento que deve contar com a presença do pré-candidato à presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL). Segunda-feira (16), após encontro dos três partidos, o presidente estadual do PP, Covatti Filho – que também é pré-candidato ao governo gaúcho – afirmou que a coligação reflete a vontade da maioria das bases Progressistas. Segundo o presidente Covatti, a maior parte da militância quer “um projeto alinhado aos valores tradicionais e históricos da sigla”. Com a adesão do Progressistas, o grupo em torno de Zucco passa a reunir PL, PP, Novo, mais o Podemos e o Republicanos que também já declararam apoio.
A propósito
O PL e o PP têm um acordo de que, liderará a chapa o pré-candidato mais bem posicionado nas pesquisas de intenção de voto. Na pesquisa de intenção de voto da Real Time Big Data, divulgada em 17 de março, Zucco aparece com 31% e Covatti Filho, com 3%.
Pesquisa para governador
O Real Time Big Data divulgou terça-feira (17) uma pesquisa de intenções de voto para governador do Rio Grande do Sul nas eleições de 2026, assim como sondou os eleitores sobre as duas vagas para o Senado. Para governador, no cenário estimulado onde consta os seis pré-candidatos: Luciano Zucco (PL): 31%; Juliana Brizola (PDT): 24%; Edegar Pretto (PT): 19%; Gabriel Souza (MDB): 13%; Covatti Filho (PP): 3%; Marcelo Maranata (PSDB): 1%. Branco/Nulo: 5%.
Segundo Turno simulado
Luciano Zucco x Juliana Brizola – Luciano Zucco (PL): 40%; Juliana Brizola (PDT): 37%; Branco/Nulo/Ninguém: 11%; Não sabe/Não respondeu: 12%.
Luciano Zucco x Edegar Pretto – Luciano Zucco (PL): 43%; Edegar Pretto (PT): 33%; Branco/Nulo/Ninguém: 11%; Não sabe/Não respondeu: 13%.
Juliana Brizola x Edegar Pretto – Juliana Brizola (PDT): 39%; Edegar Pretto (PT): 30%; Branco/Nulo/Ninguém: 14%; Não sabe/Não respondeu: 17%.
Para o Senado
Primeiro cenário: Manuela D’Ávila (PSOL): 18%; Marcel Van Hattem (Novo): 18%; Sanderson (PL): 17%; Paulo Pimenta (PT): 13%; Germano Rigotto (MDB): 12%; Nulo/Branco: 12%; Não sabe/Não respondeu: 10%.
Segundo cenário: Eduardo Leite (PSD): 16%; Manuela D’Ávila (PSOL): 16%; Marcel Van Hattem (Novo): 16%; Sanderson (PL): 16%; Paulo Pimenta (PT): 13%; Germano Rigotto (MDB): 11%; Nulo/Branco: 6%; Não sabe/Não respondeu: 6%.
Metodologia – 1.500 entrevistados pelo Real Time Big Data entre os dias 14 e 16 de março de 2026. A pesquisa foi contratada pelo próprio instituto. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob nº RS-02550/2026.
Vai desmobilizar…
A possibilidade de o PT apoiar Juliana Brizola existe, mas está longe de ser consenso. O partido trabalha com a pré-candidatura de Edegar Pretto. Dentro do PT gaúcho há resistência muito forte em abrir mão de candidatura própria. No entretanto, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, com extrema arrogância, rechaça candidatura própria do PT aqui no estado, afirmando: “Já deixei mais do que claro para o Diretório e para o Edegar Pretto, disciplina partidária e obediência à orientação da política nacional é dever da militância. Eles sabem que a hora é de prevalência do projeto nacional. A reeleição do presidente Lula é o centro – não haverá dois palanques no Rio Grande do Sul, o palanque PT/PDT pró Lula será único no estado”. Então tá. Só que ceder a cabeça de chapa para Juliana Brizola (PDT), assim, “goela abaixo”, certamente vai resultar numa “desmobilização” da militância petista que já está embalada e empolgadíssima em torno da candidatura de Edegar.