Nem-nem
A pesquisa Meio/Ideia, realizada de 3 a 6 de julho, registrada no TSE sob nº BR-05628/2026, revela um sentimento de dupla desilusão na política, caracterizado por uma sensação de “nem-nem”, ou seja, nem Lula da Silva (PT) empolga o suficiente para garantir a sua recondução à presidência, nem Flávio Bolsonaro (PL) se consolida como uma alternativa confortável. O momento é oportuno para o PSD e/ou outros partidos aproveitar esse sentimento e tentarem se fortalecer na articulação de uma tão esperada terceira via. Contudo, essa alternativa precisaria ser forte o suficiente para agregar votos e ter condições de vencer tanto o desgoverno atual quanto as pretensões da família Bolsonaro. Em vez de explorarem rejeições e estimularem rancores com denúncias de todos os lados que atendem apenas a ambições eleitoreiras, os partidos políticos deveriam aproveitar este momento de conflagração do País para apresentar um caminho alternativo de centro-direita.
Só veem o próprio umbigo
Estamos a dois meses e meio das eleições e continuamos com a estratégia política baseada na polarização do “nós ou eles”. É lamentável assistirmos aos atuais pré-candidatos à Presidência sem propostas concretas para enfrentarem os maiores problemas nacionais, como as contas públicas, a segurança, a educação, a saúde, a infraestrutura, a política externa e o meio ambiente. Em vez de pensarem nos problemas coletivos, os dois pré-candidatos que lideram nas pesquisas só atendem às suas próprias ambições, “só olham para seus próprios umbigos”, são egocêntricos, excessivamente focados em si mesmos. Seria a hora de trabalhar a união das candidaturas e junto àqueles que pensam em desenvolver um plano de governo para um futuro melhor, encontrar, divulgar e apoiar um candidato honesto e qualificado para administrar o Brasil. Alguém que tenha coragem de implementar reformas que acabem com os esquemas de corrupção, e que elaborem um projeto de qualidade para o País.
A propósito
O presidente Lula, no dia 2 de julho, ao criticar a legislação eleitoral, que proíbe presidente, governadores e prefeitos de participarem e discursarem em inaugurações oficiais de obras públicas no período que antecede as eleições, chamou a legislação de “papagaiada desgraçada”. Com isso, mais uma vez, Lula demonstra que, quando não lhe interessa pessoalmente, a legislação não deve ser levada a sério. As ideias totalitárias do presidente representam um grande perigo para a democracia brasileira. Descarado e, hipocritamente, volta e meia Lula da Silva prega a defesa da democracia. Qual?
Paixão do eleitorado
As questões ventiladas pela imprensa e mídias sociais contra o pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), são comprometedoras, não resta dúvida, porém, não há contra ele nenhuma condenação, “ao contrário de Lula que foi tirado da cadeia – onde cumpria pena por corrupção e lavagem de dinheiro – para concorrer a presidente da República. Qual foi o resultado? A paixão do eleitorado luloesquerdista não estava nem aí para os crimes cometidos por Lula e o elegeram presidente”. Traçando um paralelo, não haverá surpresa alguma se a direita, centro-direita e centro elegerem Flávio Bolsonaro, “não estando nem aí” para os fatos que o envolvem. Portanto, não dá para subestimar e nem duvidar que, apesar do banho de água fria em quem via Flávio como uma esperança – embora imperfeita e sub-ideal, mas ainda assim uma esperança – o eleitorado da direita e centro, apaixonado, “não esteja nem aí”, e decida eleger Flávio Bolsonaro para presidir o Brasil.
Deputado Municipal
A deputada federal Fernanda Pessoa (PSD-CE) tem buscado assinaturas e apoio político de seus colegas na Câmara dos Deputados para obter o número mínimo de apoiadores e formalizar a tramitação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que substitui a denominação “Vereador” por “Deputado Municipal”, objetivando alinhar a nomenclatura do Poder Legislativo em todas as esferas da federação. Com a mudança, o sistema passaria a ter Deputados Federais (União), Deputados Estaduais (Estados) e Deputados Municipais (Municípios), eliminando um termo considerado isolado no ordenamento político brasileiro.
Status
Defensores da medida sustentam que o termo “deputado municipal” confere maior peso institucional e simbólico ao cargo. Historicamente, associações de parlamentares municipais argumentam que o vereador realiza funções análogas às dos legisladores estaduais e federais no que tange a criar leis e fiscalizar o Executivo, merecendo o mesmo status e reconhecimento formal. Alegam que a alteração busca dar maior visibilidade e respeito político aos representantes municipais diante das instâncias superiores de governo e perante a própria população.
Críticas
Apesar dos argumentos dos defensores da iniciativa, a ideia de transformar o nome de “vereador” por “deputado municipal”, deverá enfrentar forte resistência pública e críticas de outros parlamentares. Os principais contrapontos são de que a proposta é puramente cosmética, foca em vaidade corporativista e não traz melhorias práticas ou estruturais para os problemas enfrentados no cotidiano dos municípios. Só falta daqui a pouco tentarem isonomia com o subsídio de deputado.
Falando em subsídio
O cálculo do teto do subsídio do vereador depende da população do município, variando de 20% a 75% do valor recebido por um deputado estadual daquela mesma unidade da federação, conforme determina o Artigo 29, inciso VI da Constituição Federal, que estabelece 6 faixas definindo a percentagem permitida. No município com até 10 mil habitantes, o máximo que o vereador pode receber é 20% do subsídio do deputado estadual; de 10.001 a 50 mil habitantes, 30%; de 50.001 a 100 mil, 40%; de 100.001 a 300 mil, 50%; de 300.001 a 500 mil, 60%. Mais de 500 mil habitantes, no máximo 75% do subsídio do deputado estadual. O subsídio atual de um deputado estadual no Rio Grande do Sul é de R$ 34.774,64.
Mulheres
Há algumas décadas, determinadas profissões pareciam possuir uma placa invisível na porta: “entrada permitida apenas para homens”. Aos poucos, essa placa foi sendo arrancada pela competência, pela dedicação e pelo mérito de milhares de mulheres. Com o passar do tempo, a mesma sociedade que, por séculos, restringiu espaços às mulheres hoje as vê ocupar, legitimamente, lugares antes considerados exclusivamente para homens. Mas, paradoxalmente, enquanto elas avançam em direitos, oportunidades e protagonismo, ainda há quem responda a essa transformação com violência. O feminicídio talvez seja a face mais sombria desse paradoxo.
Sistema de proteção
A Constituição Federal já estabelece proteção às mulheres ao trazer em seu bojo a dignidade da pessoa humana, a igualdade entre homens e mulheres e o dever do Estado de combater a violência no âmbito familiar. Vieram, depois, a Lei Maria da Penha e, mais recentemente, a Lei nº 14.994/2024, que transformou o feminicídio em crime autônomo, elevando sua pena e fortalecendo os mecanismos de proteção. Antes, muitas mortes de mulheres eram registradas apenas como homicídios. Eram folhas secas levadas pelo vento das estatísticas, sem revelar a raiz que as fazia cair. Hoje, ao identificar a motivação relacionada à violência doméstica ou ao menosprezo à condição feminina, o Estado ilumina uma realidade que permanecia parcialmente escondida nas sombras.
Aliás
O aumento dos registros de feminicídio não pode ser interpretado de forma simplista. Parte desse crescimento também decorre de um olhar mais atento da polícia, do Ministério Público, do Poder Judiciário e da própria sociedade. Não significa, necessariamente, que mais casos passaram a existir, mas que muitos deixaram de permanecer invisíveis. A legislação mais moderna tornou visível uma realidade que antes permanecia submersa.
Para refletir
O enfrentamento do feminicídio não se resume ao aumento de penas, embora elas tenham sua importância. Ele exige educação desde a infância, respeito às diferenças, fortalecimento das famílias, eficiência das medidas protetivas e uma mudança cultural que ensine que amar nunca será possuir e que terminar um relacionamento jamais poderá significar uma sentença de morte. Uma sociedade verdadeiramente forte não é aquela em que os homens são mais fortes que as mulheres. É aquela em que ninguém precisa temer a força do outro.