COLUNA: Maio Amarelo – BR-468 em situação crítica – RS terá radares com IA – De criminoso à celebridade

Maio Amarelo

O mês de maio é dedicado a campanhas de conscientização para a redução dos acidentes de trânsito. No ano passado, segundo levantamento da Polícia Rodoviária Federal, foram registrados 72.483 acidentes nas estradas federais, resultando em 6.044 mortes e 83.483 feridos, muitos com sequelas permanentes para o resto da vida. Isso sem contar os acidentes e óbitos em rodovias estaduais e nas vias urbanas de todo o país, o que reforça a importância de iniciativas como a do Maio Amarelo.

O trânsito engloba um universo composto por vários personagens: motoristas de carros, do transporte coletivo, particulares e de cargas, motociclistas, além de pedestres e ciclistas. Todos devem respeitar as regras de trânsito e os espaços por onde devem trafegar. Não dirigir em alta velocidade, não usar o celular enquanto dirige, não consumir álcool antes de dirigir, respeitar a sinalização, faixas de pedestres e ciclovias, são comportamentos essenciais e devem ser por todos observados para que se tenha redução dos acidentes.

Aliás

O Maio Amarelo deve servir como um alerta permanente para a construção de um trânsito mais seguro para todos. A redução dos acidentes depende não apenas de fiscalização e infraestrutura urbana e de rodovias adequadas, mas também de consciência coletiva de que atos imprudentes podem colocar várias vidas em perigo. É um conjunto de fatores. Enquanto a prudência do motorista e do pedestre evita o erro humano imediato, uma rodovia bem cuidada funciona como uma rede de segurança.

BR-468 situação crítica

A situação crítica da rodovia federal BR-468, entre Palmeira das Missões e Coronel Bicaco, é um problema recorrente, verdadeiro descaso do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) ou, diga-se, do Ministério dos Transportes. A sinalização horizontal – sem exagero –, literalmente, “não existe”, mais o asfalto deteriorado tornam o trecho extremamente perigoso, especialmente em condições de baixa visibilidade, como à noite ou sob neblina. O trecho exige velocidade reduzida, principalmente em períodos noturnos ou de chuva, devido a total falta de sinalização (faixas reflexivas no pavimento da rodovia). Bem que representantes políticos da região (prefeitos, vereadores e deputados) poderiam ou deveriam interceder e cobrar – incisivamente – providências junto ao DNIT.

Perfil demográfico

A redução das famílias é uma tendência natural pelo custo de vida e pelas questões sociais. O Rio Grande do Sul está cada dia mais expulsando pessoas para Santa Catarina, Paraná e São Paulo. A falta de oportunidades é muito grande para jovens e pessoas com mais de 40 anos. Estudos indicam que, como não houve uma continuidade na tentativa de industrialização do Estado, essa estatística só piorou. Significa que, enquanto a população brasileira deverá começar a cair em 2042, o Rio Grande do Sul já passará esse processo a partir de 2027, no ano que vem, portanto. Hoje, o Estado possui 20,15% da sua população composta por pessoas idosas (acima de 65 anos), percentual elevado frente aos 13,46% do País. Nesse contexto, 19 das 20 cidades mais envelhecidas do Brasil ficam em território gaúcho, conforme os dados do último censo do IBGE, de 2022.

IPVA arrecada R$ 4,6 bilhões

O governo do Estado arrecadou R$ 4,6 bilhões com o IPVA 2026 até 30 de abril, data que marcou o encerramento do calendário de pagamento do tributo no Rio Grande do Sul. O valor representa 76,7% do total lançado no período, estimado em R$ 6,07 bilhões. Ao todo, 2,6 milhões de veículos tiveram o imposto quitado, o que corresponde a 65,1% da frota tributável, composta por cerca de 4 milhões de veículos. Os recursos arrecadados com o IPVA são divididos de forma automática entre Estado e municípios. Metade do valor fica com o governo estadual, enquanto os outros 50% são repassados aos municípios onde os veículos estão registrados.

RS terá radares com IA

Rodovias federais do Rio Grande do Sul contarão com radares com inteligência artificial (IA) para identificar infrações de trânsito. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) definirá em breve quais rodovias serão contempladas. As imagens captadas permitirão a identificação de condutas irregulares na condução do veículo, inclusive dentro do carro. A IA gera alertas ao policial responsável, além do reconhecimento automático de placas. A decisão sobre eventual autuação é sempre humana. Não haverá geração automática de multas. Entre as infrações que serão identificadas pelo sistema estão o uso de celular ao volante, ausência do cinto de segurança, dirigir com uma mão só, velocidade acima da permitida para o local, ultrapassagens proibidas e outras condutas associadas aos acidentes graves nas rodovias. Após a definição dos locais pela PRF, as empresas selecionadas terão prazo de até 90 dias para instalação dos equipamentos. Que venha também para as rodovias estaduais.

Debates ou propostas?

O pré-candidato Gabriel Souza (MDB), com números decorados e a máquina do governo nas mãos, desafia seus adversários pré-candidatos ao governo, Juliana Brizola (PDT), Luciano Zucco (PL) e Maranata (PSDB) ao debate público. No entanto, acertadamente, eles parecem preferir percorrer o Estado e discutir diretamente com as comunidades os problemas que realmente pesam na vida dos gaúchos. É que o povo gaúcho já cansou de político ensaiado para responder pergunta pronta, que evita explicar aquilo que realmente interessa à população. O Rio Grande do Sul quer mais do que debates. Quer propostas reais, conexão com as necessidades regionais e soluções concretas para quem trabalha, produz e paga a conta todos os dias.

O crime compensa

Suzane Von Richthofen, lembram dela? Pois é. Ela, que ficou conhecida pela brutalidade do assassinato dos próprios pais, agora volta ao noticiário não pela gravidade do crime cometido, mas pela transformação de sua história em produto lucrativo de entretenimento. Notícias assim desanimam quem ainda acredita na construção de um país moralmente saudável. Segundo divulgado, Suzane participará de um documentário mediante pagamento, enquanto na Câmara dos Deputados surge um projeto de lei tentando impedir que criminosos lucrem com os próprios crimes cometidos. Muitos argumentarão que ela já cumpriu sua pena perante a Justiça. Juridicamente, é verdade. Mas permanece a inquietação moral: que mensagem a sociedade transmite quando crimes bárbaros acabam convertidos em fama, audiência e dinheiro?

Do crime à celebridade

Em uma época marcada pela banalização da violência e pela busca incessante por notoriedade, transformar assassinos em celebridades é um mau sinal. A fronteira entre punição e recompensa se torna cada vez mais tênue, distorcendo o propósito do sistema de justiça. Enquanto a vítima desaparece da memória coletiva, o criminoso ganha visibilidade e retorno financeiro. É preocupante, principalmente quando pensamos nos jovens sem referências sólidas, acostumados a uma cultura que glamouriza excessos e escândalos, que podem, com isso, despertar para a perigosa sensação de que qualquer ato, por mais monstruoso que seja, pode render fama e projeção pública. No fim, fica a amarga sensação de que, no Brasil, de fato, o crime pode compensar. Como vimos, a autora de um assassinato brutal deixa de ser lembrada apenas pelo horror do que fez e passa a ocupar espaço de celebridade.

Culpados

Como sempre, Lula prepara o terreno para terceirizar eventual fracasso eleitoral. Até porque, alguém com tamanho ego jamais admitiria que o problema possa estar no próprio governo. A culpa será da imprensa, da oposição, do Banco Central, do Congresso, do clima, de qualquer outro – menos dele. Mas existe algo que propaganda nenhuma consegue esconder: a realidade. A população sente no bolso o peso da inflação, dos juros altos, da dívida das famílias, da taxação sufocante e do custo de vida cada vez mais cruel. O brasileiro trabalha, paga imposto, aperta o orçamento e não vê melhora concreta na própria vida. É evidente que o governo fará de tudo para vencer as eleições. Não importa o custo, importa o poder. Gastar sem limite parece detalhe irrelevante quando o objetivo é sobreviver politicamente. E aí reside o maior perigo: se vencer, o País continuará afundando em dívidas; se perder, deixará ao sucessor um cenário devastado.

Radar

O Brasil é uma nau à deriva, governada ao sabor das pesquisas eleitorais. Medidas importantes, como a escala 6×1, a taxa das bolsinhas e o combate ao crime organizado, são eleitoreiras e populistas, jogadas conforme o interesse eleitoral do presidente. Tudo às pressas, malfeito. Como acreditar que há uma política de Estado? Como planejar algo a bordo dessa nau?

 

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