Já fomos referência
Olhar para o passado não é apenas um exercício de nostalgia. Pode inspirar para possíveis resgates e retomada de projetos que outrora deram certo, mas foram negligenciados, como foi o caso da Utar, em Santo Augusto. A Utar, era a Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos, idealizada e construída no primeiro governo de Alvorindo Polo (1993/1996), e inaugurada no primeiro governo de Naldo Wiegert (1997/2000). Foi uma obra pioneira e inovadora. Os resíduos recicláveis eram selecionados, embalados e vendidos, agregando renda aos associados da cooperativa que operava a usina. A matéria orgânica era tratada através de compostagem e transformada em adubo, e, ao chorume era dado tratamento adequado. Para o aterro sanitário ia apenas o rejeito, 10% do lixo coletado. O lixo hospitalar passou a ter tratamento adequado. A Utar foi referência não só em nível regional e estadual, mas, nacional e até em nível de América Latina por sua estrutura e funcionamento dentro dos padrões ambientais exigidos pela legislação. Mas, lamentavelmente, o descaso a levou ao fechamento.
Educação ambiental
Foi também implantado, na época, um programa de educação ambiental com coleta seletiva dos resíduos, que também foi sucesso. Como ferramenta estratégica para promover desenvolvimento e garantir resultados ambientais positivos, a Utar tornou-se atraente, tanto que, caravanas de outros municípios e estados (entidades, estudantes, estudiosos) visitavam a usina para conhecer o seu funcionamento. Operou satisfatoriamente até 2005. A partir de então, entrou em fadiga, por causa do mau uso, da má gestão e do descaso e, apesar dos esforços – tardios – de alguns gestores municipais para recuperá-la, acabou por colapsar de vez alguns anos depois. Quisera termos de volta uma gestão eficaz de resíduos, educação ambiental e envolvimento da população como dantes.
Tentativas de recuperação

Em seu segundo mandato (2017/2020), Naldo Wiegert contratou uma empresa que fez um reestudo da situação da Utar, com readequação para CETRUD (Centro Ecológico de Tratamento de Resíduos Sólidos Domiciliares, da Construção Civil e Poda), portanto, ampliado. Esse projeto (foto) foi protocolado junto à FUNASA em abril de 2019, orçado em R$ 2,3 milhões. Mesmo sendo um projeto bem elaborado e consistente, não obteve, de parte do governo federal, a liberação de nenhum recurso. Hoje, enquanto a Utar com toda a estrutura que tinha e investimento público ali aplicado está interditada e no esquecimento, o município gasta uma exorbitância por ano, para uma empresa de fora coletar o lixo. É desolador! Nunca ter tido uma estrutura adequada para tratamento de resíduos é um descaso do Poder Público Municipal, mas ter tido uma usina com estrutura e tamanha eficácia e sucesso como foi a Utar, depois vê-la degradada e finalmente interditada por negligência e má gestão do setor público, é o ápice do descaso e da incompetência; é ignorar um problema de saúde pública, eis que o tratamento de resíduos ocupa papel estratégico na estrutura epidemiológica de uma comunidade. Quanto a atual administração, não se tem notícia de nenhuma ação concreta visando a recuperação da Utar ou outra medida para tratamento de resíduos.
Oncologia em Ijuí
O Hospital de Clínicas de Ijuí marcou história ao realizar, em meados de março deste ano, a primeira cirurgia oncológica com quimioterapia intraperitoneal hipertérmica (Hipec) pelo SUS fora da capital. Três semanas após o procedimento, a paciente recebeu alta em clima de vitória e celebração. A recuperação bem-sucedida reforça o avanço da descentralização do tratamento de câncer de alta complexidade no Rio Grande do Sul, ampliando acesso e reduzindo distâncias para milhares de pacientes do interior. A importância da Hipec no HCI é imensurável. Antes da iniciativa do HCI, a referência para a cirurgia de citorredução associada à Hipec pelo SUS no RS era a Santa Casa de Porto Alegre. Agora, pacientes da região noroeste e de áreas abrangidas (cerca de 3,6 milhões de habitantes) têm acesso a tratamento de ponta próximo de onde vivem.
Leite apunhala Gabriel
O esquerdista, que finge ser de centro direita, Eduardo Leite, sempre foi meramente um projeto pessoal. Há pouco tentou enganar Gilberto Kassab, mas não conseguiu. Ressentido e, deselegantemente, em carta enviada a Ronaldo Caiado, criticou o pré-candidato, seu companheiro de partido, por ter prometido anistia aos envolvidos no episódio de 8 de janeiro. Com essa atitude, o governador gaúcho abre o caminho para buscar um outro candidato a presidente, descumprindo o acordo partidário que havia feito. Por outro lado, com sua permanência no governo, apunhala também o seu vice, Gabriel Souza, candidato a governador, que planejava assumir o governo para ter alguma chance na disputa pelo Palácio Piratini.
E a prevenção?
Pois é. Eis o “x da questão”. Percebe-se que a mobilização contra a violência doméstica contra a mulher ocorre predominantemente após o fato, focando na resposta em vez da prevenção, o que é, sem dúvida, um desafio estrutural. Embora existam leis severas, como a Lei Maria da Penha (desde 2006) e a Lei do Feminicídio (recente), a aplicação efetiva de medidas preventivas ainda enfrenta obstáculos. O aumento de feminicídios evidencia falhas na rede de proteção antes do crime. A rede de enfrentamento foca restritamente na punição dos agressores e no acolhimento “pós-violência”. E o antes? E a prevenção? Dados de 2025 mostram um crescimento de 4,7% nos feminicídios em relação ao ano anterior, o que nos permite afirmar que a falha está no antes que o crime ocorra, ou seja, na prevenção propriamente dita. A meu juízo, só existe um jeito de prevenir: “Eliminar a cultura machista”. Como? Com ação coletiva de educação, políticas públicas e comportamentos cotidianos.
A propósito
Já começam a surgir iniciativas focadas no “antes”. Exemplo é a recente aprovação do projeto de lei federal que institui o programa “Antes que aconteça”, focado na prevenção. No âmbito estadual, foi sancionada recentemente a Lei nº 16.493/2026, que criou o Programa Linha de Conversa com Homens, com objetivo, entre outros, “promover a transformação de padrões culturais e comportamentais de gênero, fortalecendo ações públicas voltadas à desconstrução de padrões machistas, com linguagem e foco nos jovens”. E a Lei nº 16.496/2026, que concede incentivos a empresas que realizarem formação anual para todos os empregados homens, sobre o combate à violência contra as mulheres. É um bom começo. Desde que colocado em prática.
Apoio crítico
Há poucos dias, nem duas semanas, lideranças do PSOL do Rio Grande do Sul discursavam com veemência que se houvesse intervenção nacional no PT gaúcho e forçassem a saída do pré-candidato Edegar Preto, o PSOL lançaria candidato próprio ao governo do Estado, negando-se, portanto, a apoiar Juliana. A intervenção aconteceu e obrigou Edegar Preto a desistir da candidatura. Aí, o PSOL, segundo anunciou a sua presidente estadual, Luciana Genro, mudou de ideia e decidiu dar “apoio crítico” à Juliana Brizola, ou seja, apoiar questionando, sob o argumento de que a prioridade deve ser a reeleição do presidente Lula, apesar de reiterar as restrições à aliança com o PDT. Juliana conta com os votos que seriam de Edegar, esquecendo que apoio forçado não resulta, necessariamente, em voto.
Ciro volta ao jogo
Novidade no tabuleiro político 2026. Nos bastidores, surge a possibilidade de Ciro Gomes (PSDB) voltar a concorrer a presidente. A articulação aponta para uma tentativa clara de reconstruir um polo competitivo fora da polarização. Se esse movimento avançar, o impacto direto recai sobre Lula. Ciro ocupa um espaço sensível do eleitorado: a centro-esquerda que não se identifica plenamente com o PT. Em um cenário de primeiro turno fragmentado, sua entrada tende a retirar votos que, em outras circunstâncias, poderiam fortalecer Lula. E esse é o ponto central. Adversário direto, como Flávio Bolsonaro, pode se beneficiar. Aí começa a surgir uma discussão silenciosa dentro do PT: até que ponto é estratégico levar Lula até o fim como principal nome da disputa? Se Ciro voltar ao jogo de forma competitiva, ele não será apenas mais um candidato. Pode ser o fator que reorganiza toda a eleição. E Lula, mais que perder votos, perderá o controle do próprio campo político.
Radar
A rua coberta em Santo Augusto, em construção, já dá ares de embelezamento e bem-estar. Apesar do interminável período de alterações no fluxo de trânsito, transtornos a comerciantes e moradores, o empreendimento promete transformar o centro da cidade, trazendo mais beleza e valorizando o entorno. Além de proporcionar um ambiente mais agradável, deve impulsionar o comércio e possibilitar a realização de eventos culturais e sociais, dinamizando a vida urbana e promovendo o convívio comunitário. Segundo a prefeita Lilian, o trânsito no local deverá ser liberado em maio. Aguardemos.