Justificando o fracasso
Logo após o resultado da eleição, domingo passado, o então candidato ao governo pelo MDB/PSD, Gabriel Souza, se manifestou e tentou justificar o fracasso nas urnas, afirmando ter sido “atropelado” pela polarização política. Ele ficou em terceiro lugar na disputa pelo Palácio Piratini, com 8,43% (510.698 votos), e atribuiu o resultado à migração de votos para a candidatura de Zucco (PL), governador eleito. Para ele, parte do eleitorado acabou mudando de voto diante da possibilidade de vitória do PL no primeiro turno. Gabriel também atribuiu o resultado às pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias de campanha, e que isso teria provocado uma “migração de votos muito forte”. Nota-se que Gabriel é incapaz da autocrítica e da autoavaliação. Ele não se deu conta da sua soberba, subestimou os adversários, pregou o tempo todo que só ele e seu vice teriam conhecimento e capacidade para governar o estado; falta-lhe carisma, não se deu conta que o eleitor quer atenção, que um simples aperto de mão faz a diferença. Além disso, Gabriel não reconhece que foi engambelado por Eduardo Leite que não cumpriu consigo o que prometeu. E mais, que o governo Leite, do qual ele próprio é parte como vice, fez muita coisa errada e deixou muito a desejar. Essas foram as reais causas do seu fracasso.
PL elege 19 senadores
O PL elegeu 19 senadores nas eleições de domingo (4) e terá a maior bancada a partir de 2027, no Senado. Ao todo, o partido de Flávio Bolsonaro terá uma bancada de 28 senadores na próxima legislatura. O PT, de Lula, terá a segunda maior bancada – elegeu seis senadores – e passará a ter nove ao todo. O sucesso eleitoral do PL nas eleições de domingo (4) foi tamanho que conseguiu eleger dois senadores em cinco Estados: Distrito Federal (Michele Bolsonaro e Bia Kicis), Mato Grosso do Sul (Reinaldo Azambuja e Capitão Contar), Rio de Janeiro (Carlos Jordy e Carlos Portinho), Rondônia (Dr. Fernando Máximo e Bruno Scheid) e Santa Catarina (Carlos Bolsonaro e Carol de Toni). No Rio Grande do Sul também a coligação direitista elegeu dois senadores, um do PL (Sanderson) e outro do Novo (Marcel Van Hattem). Em São Paulo não foi diferente, a direita elegeu André do Prado do PL e Guilherme Derrite do PP para representar o estado no senado entre 2027 e 2025.
O peso do sobrenome
Além de Flávio Bolsonaro que terminou o primeiro turno das eleições à frente de Lula, com 47,03% contra 45,16%, entrando no segundo turno com vantagem, o “sobrenome Bolsonaro” elegeu dois senadores e dois deputados federais. Para o senado, o nome Bolsonaro estará representado por Michele, esposa do ex-presidente Jair, eleita pelo Distrito Federal, e pelo filho Carlos, eleito por Santa Catarina. Na Câmara dos Deputados, estarão o filho Jair Renan, eleito por Santa Catarina, e o irmão do ex-presidente, Renato, eleito por São Paulo. Todos eleitos pelo PL e deverão assumir os mandatos em 1º de fevereiro de 2027, quando começa a nova legislatura. Além desses, a ex-mulher de Jair Bolsonaro, Rogéria, concorreu a deputada federal pelo Rio de Janeiro, alcançando expressivos 65 mil votos, terminando a disputa como suplente.
Governar com a maioria
O governador eleito, Luciano Zucco (PL) enaltece o fato de os partidos da sua coligação terem elegido 27 deputados no universo de 55 cadeiras da Assembleia Legislativa. Zucco promete dialogar com outros partidos, porque precisamos de soluções para os gargalos da infraestrutura, da saúde, e criarmos um plano de estado, disse. Ele enfatiza que o momento “é de somar, de maturidade política e pensar em entregar resultados para o estado”. Anunciou que agora, na condição de governador eleito, fará visitas a todas as federações, incluindo Farsul, Fiergs, Fecomércio, Federasul, Fetag e as cooperativas. “Quero discutir com os representantes de todos estes setores, um plano para priorizar o que é emergencial já no início do próximo ano”, afirmou.
Achando culpados
O deputado estadual Leonel Radde, eleito com a maior votação do seu partido, o PT (93.787 votos), atribuiu em grande parte ao PDT, a derrota da Frente das esquerdas no Rio Grande do Sul. Radde disse que os candidatos do PDT à Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados fizeram campanhas independentes, e descolaram suas campanhas do PT, de Lula e da própria candidata ao governo, Juliana Brizola. Me parece correta a avaliação do petista. As diferenças são notórias, aqui no estado PDT e PT não se bicam. Como diz o ditado: “Dois bicudos não se beijam”. É que a coligação PDT/PT foi posta goela abaixo, imposta pela direção nacional do PT. Não tinha como dar bom resultado. Era previsível.
Aliás
No Rio Grande do Sul, Carlos Lupi, presidente nacional do PDT “forçou a aliança com o PT”. Condicionou o apoio ao presidente Lula ao apoio do PT à candidatura de Juliana Brizola ao governo do estado, ignorando as relações conflitantes entre PDT e PT. Além disso, investiu R$ 11,5 milhões do fundo eleitoral na campanha de Juliana, deixando os candidatos a deputados na mão. O resultado é que elegeu apenas um deputado federal, Pompeo de Mattos.
Adeus aos caciques
A eleição deste ano, além de mostrar que as pesquisas erraram feio nos índices para Presidência, comprovou o enterro dos caciques tradicionais – e alguns que tiveram a chance de fazer história e ficam no caminho. Figuras tradicionais foram derrotadas. Disputando vagas para o Senado, não se elegeram e vão ficar em casa Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI) – presidente do Progressistas – Aécio Neves (PSDB-MG), Gleisi Hoffmann (PT-PR), Benedita da Silva (PT-RJ), Simone Tebet (PSB-SP), Marina Silva (Rede-SP), Esperidião Amim (PP-SC) e Randolfo Rodrigues (PT-AP). O ex-presidenciável Aécio amargou um vergonhoso 7º lugar em Minas, que já governou. Ex-ministras de Lula da Silva, Marina e Simone abraçaram a causa do petista em SP e ficaram no caminho. Gleisi tentou até no tapetão tirar do caminho toda a chapa ao Senado de Deltan Dallagnol e Felipe Barros, e se deu mal. Ex-todo poderoso governador de Goiás, Marconi Perillo ficou no humilhante 4º lugar.
Bateu recorde
As eleições para governos estaduais deste ano estabeleceram um recorde, nunca tantos governadores haviam sido eleitos em primeiro turno. Na eleição de domingo (4), 20 Estados definiram seus vencedores logo no primeiro tuno. O número supera a marca registrada em 2010, quando 18 governadores foram eleitos sem necessidade de segundo turno. Em 2006, foram 17, enquanto, em 2022, 15 disputas terminaram no primeiro turno. Pelas regras eleitorais, o candidato a governador precisa obter a maioria absoluta dos votos válidos para ser eleito na primeira rodada. Isso significa alcançar mais de 50% dos votos dados aos candidatos, sem considerar os votos brancos e nulos. Quando nenhum concorrente atinge esse percentual, os dois mais votados avançam para o segundo turno. Nessa etapa, vence quem conquistar a maioria dos votos válidos.
Reduzir secretarias
O governador eleito Luciano Zucco (PL) reafirmou em entrevistas à imprensa no início da semana, o que pregou durante a campanha, ou seja, que pretende diminuir as atuais 30 secretarias para um número entre 15 e 20, mas garantiu a continuidade de programas que estão dando certo. Zucco disse que pretende ampliar o alcance do RS Seguro, que integra as forças de segurança, e preservar o programa de devolução de parte do ICMS a famílias de baixa renda. Outras iniciativas serão avaliadas durante a transição, considerando resultados e relação entre custos e benefícios. O governador eleito não detalhou quais secretarias poderão ser incorporadas ou extintas. Segundo ele, a análise será feita durante a transição, com avaliação individual das estruturas e das possibilidades de integração. Quanto ao secretariado, Zucco disse que fará a escolha pessoalmente e que a entrega de resultados será o critério para a composição da equipe.
Desenvolvimento e reconstrução
Entre as propostas apresentadas no programa do governador eleito, Zucco, estão investimentos em infraestrutura, logística, conectividade e energia, além de qualificação profissional, redução da burocracia e maior agilidade nos licenciamentos. Na área de resiliência climática, Zucco citou a retirada de moradores de locais de risco, o desassoreamento e a dragagem de arroios urbanos. Projetos de maior porte, como diques, poderão continuar após a avaliação da futura gestão. A discussão sobre a reconstrução também envolve o Fundo do Plano Rio Grande, o Funrigs. Segundo informações oficiais, o fundo financia ações relacionadas às consequências dos eventos climáticos de 2023 e 2024, incluindo infraestrutura, serviços públicos, habitação e resiliência climática.