COLUNA: Epidemia de feminicídios – Embaralhamento político – Ignorância custa caro – Impunidade institucional – Retrocesso na segurança do trânsito – Prefeitos também são responsáveis Corsan/Aegea

Epidemia de feminicídios

O Rio Grande do Sul enfrenta uma verdadeira epidemia de feminicídios. No mês de janeiro, 11 mulheres foram mortas por questão de gênero – tendo como autores marido, ex-marido ou ex-companheiro. Essa escalada reflete não apenas a brutalidade dos crimes, mas também o fracasso das políticas públicas adotadas, por vezes agravado pela demora na concessão e cumprimento de medidas protetivas, falta de integração entre instituições e ausência de respostas rápidas do Estado. O caso de Marlei de Fátima Froelick, de Novo Barreiro, que buscou ajuda e teve seu pedido de proteção inicialmente negado pela Justiça, ilustra como a falha institucional pode ser fatal. A epidemia de feminicídios no RS é, portanto, resultado de uma rede de proteção fragilizada. Aliás, embora existam leis e medidas protetivas, a realidade demonstra que a aplicação dessas ferramentas ainda é insuficiente para interromper o ciclo de violência contra mulheres. É urgente repensar estratégias, investir em prevenção (conscientização), criar uma força-tarefa integrada, liderada pelo Estado, e fortalecer a rede de proteção.

Aliás

Embora a responsabilidade institucional seja compartilhada entre Judiciário, Ministério Público e forças de segurança, está faltando a responsabilidade política do governo Leite que, em outubro de 2025, criou a Secretaria da Mulher, focada em coordenar a rede, definir prioridades, alocar orçamento, garantir estrutura, pessoal qualificado e integração entre órgãos no combate à violência contra mulheres, “mas, infelizmente, ainda não mostrou a que veio”.

Como foram assassinadas

Das 11 vítimas de feminicídios registrados de 3 a 29 de janeiro deste ano, 8 foram mortas a facadas e 3 com tiros. No dia 3 de janeiro, em Guaíba: Gislaine Beatriz Rodrigues Duarte, 31 anos, foi morta com sete facadas; 13 de janeiro, em Canguçu: Letícia Foster Rodrigues, 37 anos, morta com um ferimento profundo no pescoço; 18 de janeiro, em Santa Rosa: Marinês Teresinha Schneider, 54 anos,  morta a tiros; 18 de janeiro, em Porto Alegre: Josiane Natal Alves, 32 anos, morta a facadas; 19 de janeiro, em Porto Alegre: Paula Gabriela Torres Pereira, 39 anos, morta a facadas; 20 de janeiro, em Sapucaia do Sul: Mirela dos Santos da Silva, 15 anos, morta a facadas; 20 de janeiro, em Muitos Capões: Uliana Teresinha Fagundes, 59 anos, morta a tiros; 24 de janeiro, em Novo Hamburgo: Karizele Oliveira Sena, 30 anos, morta a facadas; 25 de janeiro, em Tramandaí: Leila Raquel Camargo Freitas, 24 anos, morta a facadas; 26 de janeiro, em Santa Cruz do Sul: Paula Gomes Gonhi, 44 anos, morta a facadas; 29 de janeiro, em Novo Barreiro: Marlei de Fátima Froelick, 57 anos, foi morta a tiros.

Atentar para os sintomas

Quando o marido, ex-marido ou companheiro tira a vida da mulher, muitas vezes acredita estar solucionando um conflito pessoal ou familiar, sem considerar que está destruindo não só uma vida, mas também causando sofrimento profundo a filhos, familiares e à sociedade. Essa atitude demonstra uma incapacidade de lidar com os próprios sentimentos e a ausência de consciência sobre o impacto irreversível e devastador que esse ato traz. Homens que cometem feminicídio possivelmente apresentam desequilíbrios emocionais, como dificuldades para lidar com frustrações, ciúmes doentios e baixa tolerância à rejeição. É fundamental que a esposa ou companheira esteja atenta para os sintomas e procure ajuda – ajude e se ajude –, mesmo que ainda sejam apenas os sintomas.

Embaralhamento político

Encontro entre Juliana Brizola (PDT) e o ministro Paulo Pimenta (PT) reforçou especulações sobre uma reconfiguração das forças de oposição e abriu espaço para a hipótese de abandono da pré-candidatura de Edegar Pretto ao governo. A leitura entre lideranças é de que o PT pode estar reavaliando sua estratégia eleitoral no Estado, o que colocaria Juliana Brizola como alternativa preferencial dentro de uma eventual composição. O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, afirmou dias atrás que existe um entendimento com o presidente Lula para que o PT apoie Juliana no Estado, em troca do alinhamento do PDT à candidatura presidencial petista. Lupi relativizou a consolidação da candidatura do PT no Estado e afirmou que decisões locais não podem se sobrepor à estratégia nacional.

Base rachada

Dos 10 partidos que formam a base de sustentação do governo Eduardo Leite, apenas dois estão fechados com a candidatura de Gabriel Souza, MDB e PSD – justamente os partidos de Gabriel e Leite, respectivamente. Com seis deputados, o MDB mantém-se fiel à sua candidatura, “mas desconfia da competitividade do vice-governador”. Uma ala do MDB, de oposição a Gabriel, flerta com uma eventual candidatura de Sebastião Melo. O novo partido de Eduardo Leite, PSD, é o único partido da base que estará oficialmente no palanque de Gabriel Souza.

Quanto aos demais…

Os demais partidos de sustentação do governo Leite postulam o Piratini ou negociam com outras legendas. O PSDB, tem pré-candidato ao Piratini. O PP deu indicativo de apoio a Luciano Zucco (PL), embora a metade da bancada de oito deputados defenda aliança com Gabriel Souza ou candidatura própria de Ernani Polo. O União Brasil, formalmente estará na mesma coligação que o Progressistas devido a federação. O Republicanos, espera orientação da cúpula nacional para definir seu rumo. O PDT, lançou a candidatura de Juliana Brizola e tenta obter apoio do PT, mas ao mesmo tempo, gostaria de ser o palanque governista, no lugar de Gabriel Souza. O Podemos, deve apoiar a candidatura de Luciano Zucco (PL). O PSB, deverá apoiar a candidatura de Edegar Pretto (PT). O PRD tem situação incerta, com possível saída do único deputado da legenda.

A ignorância custa caro

Muitos reclamam que investir em educação representa alto custo para o país, mas, como dizia Leonel Brizola, “caro de verdade é conviver com a ignorância”. Os prejuízos sociais e individuais gerados pela falta de acesso ao conhecimento são infinitamente maiores que qualquer despesa com ensino. Ignorar o valor da educação é fechar portas para o desenvolvimento, restringir oportunidades e perpetuar desigualdades. Assim, investir em ensino, leitura, cultura e informação é um passo fundamental para garantir uma sociedade mais justa, preparada e capaz de enfrentar os desafios do futuro.

Impunidade institucional

A impunidade, no Brasil, deixou de ser exceção – virou método institucional. Escândalos se sucedem, nomes se repetem, provas aparecem, mas a responsabilidade evapora. Ninguém é culpado; todos são “mal compreendidos”, vítimas do contexto, do sistema ou de perseguição política. Criou-se uma espécie de anistia moral, na qual erros graves não exigem explicações e desvios não produzem consequências. A corrupção muda de embalagem, mas o roteiro é o mesmo: investiga-se até onde convém, relativiza-se o resto e segue-se adiante como se nada tivesse acontecido. Alguns oportunistas fingem indignação, mas a prática é de acomodação. A maioria deles decide o que pode ser esquecido, enquanto o cidadão é induzido a normalizar o inaceitável. O errado vira apenas detalhe; o escândalo vira rotina. A ética deixou de ser parâmetro e passou a ser obstáculo. Premia-se a esperteza, protege-se o aliado e empurra-se a conta para a sociedade, sempre chamada a “virar a página”, sem se dar conta de que “quando tudo é perdoável, nada mais é corrigível”.

É um retrocesso

O governo Lula da Silva (PT), demonstrou profundo descaso para com a segurança no trânsito ao acabar com a obrigatoriedade de aulas teóricas, práticas e teste de baliza para habilitação de condutores de veículos. Ao flexibilizar ou eliminar essas etapas o governo está colocando em risco não apenas quem está tirando a carteira de motorista, mas toda a sociedade. Essa postura demonstra falta de compromisso com a educação no trânsito e com a preservação de vidas. Uma formação adequada é essencial para que futuros motoristas conheçam as normas, desenvolvam habilidades e tenham consciência dos riscos envolvidos na condução de veículos. Retirar essas exigências é retroceder na prevenção e redução de acidentes. São medidas meramente eleitoreiras – inconsequentes.

Corsan/Aegea

Os municípios tiveram e têm autonomia em relação à assinatura de aditivos contratuais com a Aegea. Portanto, a assinatura não foi uma obrigatoriedade, mas sim uma decisão política municipal baseada na negociação das condições de longo prazo, onde os prefeitos tiveram a opção de avaliar e decidir em assinar ou não. Em razão disso, vale destacar que os problemas no abastecimento de água potável em vários municípios, inclusive aqui em Santo Augusto, não são responsabilidade exclusiva do governador Eduardo Leite – que torrou nos pila a Corsan -, mas também dos prefeitos que concordaram e assinaram os contratos conforme os termos apresentados pela concessionária Aegea. Assim, trata-se de decisões compartilhadas entre o governo estadual e as gestões municipais, exigindo responsabilidade e cobrança de ambas as partes.

 

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