COLUNA: A que ponto chegamos – O voto levado a sério –

A que ponto chegamos

A corrupção cresce e evolui no Brasil. O País sente saudades da época quando a única preocupação eram as malas de dinheiro de propina. Agora, propina é coisa do passado, o superfaturamento das obras públicas também, dinheiro sujo, por baixo dos panos, dava muito trabalho, isso tudo foi substituído por novos e extremamente mais sofisticados métodos. Daniel Vorcaro inovou com o assalto aos cofres do INSS, farta distribuição de dinheiro para todos pelo caminho, os aposentados foram os únicos a ficar de fora das orgias regadas a uísque, charutos, garotas de programa e muito dinheiro sujo. Ironias a parte, o Brasil sonha em voltar ao tempo do Sítio em Atibaia, do triplex no Guarujá. Chegamos ao inimaginável dos escândalos no Brasil! O STF deteriorou-se por completo, e o Congresso Nacional (Câmara e Senado) permanece inerte e sem interesse e sem moral para agir.

Estratégia suicida

O mundo não acabou, mas parou para assistir, ou se informar, à sessão do Supremo Tribunal Federal no dia 15 de setembro, quando o assunto era investigar o ministro Alexandre de Moraes. Em vez de debater as relações perigosas e impróprias dele e de outros ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro do banco Master, optaram pela obstrução. Ao estilo de um plenário do Congresso Nacional, onde políticos de oposição e governistas se engalfinham por seus interesses e posições, os ministros caíram na armadilha da baixaria da polarização política. Ficou claro, depois, que a estratégia do grupo ligado a Moraes era, ao blindar Moraes, colocar outros no mesmo balaio das suspeições. Vários ali teriam relações com Vorcaro. Porém, se obtiverem êxito nessa tática que se repetirá nas próximas sessões, conseguirão inviabilizar e desqualificar toda a Suprema Corte, levando-a ao mais alto descrédito. Confiar como nos tóxicos ministros Moraes, Mendes e Dino?

O voto levado a sério

Daqui a nove dias estaremos votando para eleger presidente, governador, senadores, deputado federal e deputado estadual. Ao contrário do que muitos pensam – com atribuição de analisar as pautas, aprovar ou rejeitar projetos do governo, propor medidas diversas, além de fiscalizar atos e gastos dos chefes dos poderes Executivo, federal e estaduais – o Congresso Nacional e a Assembleia Legislativa são parte direta das decisões de governo. Isso quer dizer que nossas escolhas para deputado estadual, deputado federal e senadores (2) deve ser levado muito a sério, ou seja, devemos refletir seriamente em quem confiarmos nosso voto. O Congresso decide os rumos do país e a Assembleia Legislativa os rumos do Estado. Na verdade, um presidente ou um governador têm pouca margem de ação sem o aval do Legislativo. Escolha bem, leve seu voto a sério. A região conta dez candidatos a deputados, nove são novatos – pela renovação -, e um veterano. É bom momento para retomarmos a representatividade de 5 deputados que a região já teve.

Perspectivas para 2027

Quem for eleito este ano para governar o Rio Grande do Sul vai encontrar um cenário nada favorável no tocante às finanças do Estado. Reportagens apontam uma combinação de déficit bilionário, retomada do pagamento da dívida com a União, redução da capacidade de investimento e praticamente o fim dos recursos extraordinários obtidos com as privatizações. A LDO de 2027 prevê déficit orçamentário de R$ 4 bilhões e déficit primário de R$ 4,8 bilhões. A partir de maio de 2027, o Estado deverá retomar pagamentos da dívida com a União que representará R$ 2,1 bilhões no primeiro ano. Para obter as melhores condições do Propag, o RS ainda precisa viabilizar uma amortização de R$ 21 bilhões, que o Piratini pretende fazer por meio da cessão de receitas futuras. Também praticamente acabou o colchão financeiro das privatizações. As vendas de Corsan, CEEE e Sulgás colocaram cerca de R$ 8,7 bilhões extras no caixa estadual, que já se evaporou.

PT reclama

Ignorar o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, nos programas eleitorais de rádio e TV e nas inserções da campanha de Juliana Brizola (PDT), está gerando desconforto entre integrantes e lideranças do PT gaúcho. “Lula não apareceu sequer em um único programa de Juliana. E o PT é responsável por cerca de 80% do tempo de rádio e TV da coligação. O vice, Edegar Pretto, até aparece, mas não na proporção do que poderia agregar”, dizem lideranças petistas. Outro fator que desagrada o PT são materiais de candidatos proporcionais do PDT, que não têm dado espaço a Lula e aos candidatos ao Senado. Curioso é que a coligação PT/PDT teve como argumento a necessidade de priorizar a reeleição de Lula à presidência.

A propósito

Relativamente aos reclamos do PT, o coordenador-geral da campanha de Juliana Brizola, candidata do PDT ao Palácio Piratini, Vieira da Cunha, divulgou nota afirmando que “está em produção programa eleitoral com a presença do candidato Lula. Afirmou ainda que Edegar Pretto, que integra a chapa de Juliana, tem aparição compatível com a vaga de vice”.

Em busca do nono mandato

O Rio Grande do Sul tem mais de 8,5 milhões de pessoas aptas a votar nas eleições deste ano. Desse total, cerca de 25%, ou dois milhões de pessoas, nasceram quando Adolfo Brito (PP) e Aloísio Classmann (PSD) já eram deputados estaduais, eleitos pela primeira vez em 1994, e que este ano buscam o nono mandato consecutivo. Assim como o colega recordista de mandatos, Classmann tem longa carreira política iniciada em sua cidade de origem, “São Martinho”. Aos 19 anos, em 1976, foi eleito vereador, cargo que ocupou até 1988 quando lançou-se candidato à Prefeitura. Foi eleito e ocupou o cargo de prefeito até 1992. Classmann, recordista, quer chegar a históricos dez mandatos, o que seria inédito. Outros deputados estaduais acumularam expressivos anos de Assembleia, mas já estão fora do parlamento e não concorrem em 2026. João Fischer (PP) – o Fixinha – e Alexandre Postal (MDB) têm trajetória quase idêntica na ALRS: eleitos em 1994 e com o último mandato terminando em 2018.

Mulheres têm dificuldades

As mulheres têm dificuldade para emplacar tantos mandatos consecutivos. Segundo dados do IBGE do Censo de 2022, as mulheres são a maioria da população no Estado (51,7%). Atualmente, são onze representantes femininas na ALRS entre os 55 parlamentares. Somente duas mulheres conseguiram chegar à marca dos cinco mandatos consecutivos: Silvana Covatti (PP) e Stela Farias (PT). Neste ano, Stela Farias busca sua sexta vitória consecutiva. Já Silvana Covatti se despedirá, por ora, do parlamento pois é candidata a vice-governadora na chapa de Luciano Zucco (PL).

Esperar 24 horas é um mito

Muitos ainda alimentam a falsa ideia de que no caso de desaparecimento de pessoa, é necessário esperar 24 horas para efetuar o registro na polícia. O que é apenas mito, crença cultural. Nesse sentido, recentemente a Polícia Civil gaúcha criou um protocolo específico para atendimento de casos de desaparecimento de crianças, adolescentes e idosos. Medida essa que merece destaque, eis que o desaparecimento de uma pessoa não permite demora alguma. É uma urgência humana. A comunicação deve ser imediata, pois cada minuto perdido pode representar uma oportunidade a menos de localização. As novas diretrizes reforçam justamente essa necessidade de agir com rapidez, organização e integração entre órgãos. O novo protocolo, implementado pelo Departamento Estadual de Proteção a Grupos Vulneráveis, padroniza e acelera a busca por crianças, adolescentes, idosos, pessoas com deficiência e mulheres em situação de violência doméstica. O objetivo central é unificar a atuação de todas as delegacias gaúchas e eliminar a falsa crença de que é necessário esperar 24 ou 48 horas para registrar o sumiço.

Dia do idoso

Na próxima quinta-feira, 1º de outubro, será comemorado o “Dia Nacional e Internacional da Pessoa Idosa”. Até o ano de 2006, essa data era celebrada no dia 27 de setembro, mas com a criação do estatuto do idoso em 1º de outubro, o dia foi transferido para esta data. No Brasil, hoje, segundo o IBGE, são aproximadamente 32,1 milhões de pessoas idosas, com 60 anos ou mais. Atualmente o número de pessoas acima de 60 anos já chega a 90% do total de crianças e adolescentes até 15 anos. Assim, pensar na velhice é tarefa não só dos velhos, mas também dos jovens. É hora de refletir. O preconceito com idosos, que lamentavelmente existe, talvez se deva ao desconhecimento e falta de empatia. O velho é visto como pessoa frágil e sem autonomia, de forma genérica. Isso é um erro. Cada caso é um caso. Não se pode ignorar que a idade está associada à sabedoria e à experiência.

Radar

A Semana Nacional do Trânsito, de 18 a 25 de setembro, que termina hoje, não significa que cuidados e orientações sobre o trânsito sejam feitos somente nesse período, pelo contrário, é tema do cotidiano. A Semana do Trânsito é apenas um momento de intensificação, mas a segurança viária deve ser praticada e discutida todos os dias do ano. O trânsito é um espaço coletivo construído pelas ações diárias de motoristas, motociclistas, ciclistas e pedestres. Para manter a conscientização viva no cotidiano, é necessário observar alguns pilares como, respeito à sinalização, empatia e convivência, atenção total e responsabilidade.

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