Clima foi de tensão do início ao fim da assembleia. Discussões, intervenções e ânimos exaltados marcaram a reunião ocorrida em Chiapetta.

 

Dom, 28 de setembro de 2014

 

Vanderlei Fragoso (com microfone) fez um longo discurso, de mais de uma hora, expondo todo o histórico da Cotrijuí e fazendo duras críticas à ex-diretorias que, segundo ele, levaram a Cooperativa à beira da falência e deixaram uma dívida milionária para a atual direção. No final do seu discurso, quando animou os presentes colocando em meta a retomada da Cotrijuí, colocou seu nome à disposição como o autoliquidante e foi aclamado pela maioria dos presentes, fato que irritou os integrantes da oposição, que prometem entrar na Justiça para invalidar a assembleia. Veja abaixo imagens ampliadas da Assembleia. Foto: Portal Ijui.com

Cheios de incerteza e desconfiança, foi assim que a maioria dos associados chegou e saiu da assembleia realizada nas dependências da Afucotri neste sábado, 27, em Chiapetta.

A reunião que tinha o horário marcado para às 7h, só começou às 10h.

As 3h de espera geraram impaciência e inconformidade com a maioria dos presentes. 

A diretoria da Cotrijuí tardou a chegar, enquanto isso, a massa de agricultores lotava o pequeno ginásio da Cooperativa.

Nas primeiras horas da manhã, algumas centenas de pessoas, associados, a Brigada Militar e a imprensa regional, aguardava do lado de fora do ginásio, a reunião que pode entrar para a história da Cotrijuí.

Ao todo, foram cerca de dois mil agricultores que lotaram as dependências da associação.  

 

 

O discurso 

 

A reunião começou às 10h, com a presença do presidente Vanderlei Fragoso e demais integrantes da direção da Cotrijuí, bem como advogados e assessores da Cooperativa.

Em um discurso pronto, o assessor da Cotrijuí, Adelar Amarante trouxe a tona os problemas que a Cooperativa teve ao longo de sua história, apontando as ex-diretorias como alicerces de corrupção e degradação da associação e, por fim, colocando o nome de Fragoso como sendo a única solução viável para o bom sucesso da cooperativa.

Uma sonora vaia dos agricultores mal deixaram o texto ser lido na sua totalidade.

O narrador foi interrompido diversas vezes, os ânimos começavam a se exaltar.

Foi então, que o presidente Vanderlei Fragoso pegou o microfone e começou a falar sobre o passado da Cotrijuí, das dívidas e das más administrações, que segundo ele, levaram a Cotrijuí à falência.

Neste instante, com dois minutos de assembleia, o primeiro embate ocorreu.

 

A discussão

 

Não contentes com o discurso de Fragoso e com o sentimento contrariado, integrantes da Terceira Via pediram que o presidente partisse logo para o processo de votação da moratória, mas Fragoso, recusou e tentou continuar seu discurso.

A confusão estava armada. Liderados por Cláudio de Jesus, os agricultores que se opuseram a Fragoso tentaram intervir na assembleia.

Foi neste momento que pelo menos 20 soldados da Brigada Militar e dezenas de seguranças particulares, contratados pela Cotrijuí, tiveram que intervir.

Fragoso ameaçou retirar os agricultores que se manifestavam do local, fato que gerou ainda mais inconformidade.

Depois que os ânimos foram contidos, Fragoso fez então, o seu discurso.

Contou sobre as ameças de morte que teve, falou sobre as más administrações das ex-diretorias que deixaram uma dívida milionária para sua administração e se colocou ao lado do agricultor e associado da Cotrijuí.

Explicou que o processo de autoliquidação é um método legal de ganhar tempo para quitar as dívidas da Cooperativa, sem ter os bens leiloados. O grande temor dos agricultores era perder a safra, os grãos já colhidos e os bens que estão depositados junto aos armazéns da Cotrijuí.

Durante o discurso de Fragoso, vários agricultores tentaram se manifestar, mas sem sucesso, pois o presidente da Cotrijuí continuava seu discurso e usou uma frase célebre, "nos deixem trabalhar", por várias vezes, para acalmar os ânimos dos associados.

 

A autoliquidação

 

Diferente do que muitos imaginavam e no que vinha se idealizando, o advogado Rui Polidoro Pinto não foi o indicado como a pessoa que seria a responsável por realizar a autoliquidação da Cotrijuí.

Para Polidoro, a autoliquidação foi o melhor para a Cotrijuí. “A dívida é muito grande, vem de muitos anos e a autoliquidação é uma alternativa válida para se conseguir organizar um plano de pagamentos, renegociar com credores e se tem dois anos para colocar a casa em ordem. Mas é preciso manter tudo funcionando, sob pena de não se ter o que organizar”, afirma.

Porém, o fato que surpreendeu a todos é que o próprio presidente da Cotrijuí, Vanderlei Fragoso, será o autoliquidante. Fragoso continua como presidente da Cotrijuí, assim como toda a diretoria está mantida e ele assume a partir de agora, a responsabilidade sobre a autoliquidação da Cooperativa que deve ocorrer no transcorrer de dois anos.

De acordo com Cláudio de Jesus é preciso dar um novo rumo para a Cotrijuí, caso contrário, será o fim da Cooperativa. "O Vanderlei não tem credibilidade. Ele não negociou com fornecedores, não recebeu o produto e mente demais", afirmou Jesus.

Segundo Fragoso, nestes próximos dois anos, terá tempo para se concluir o pagamento da dívida de R$ 1,2 bilhões. "Temos certeza que vamos conseguir com a ajuda do nosso associado e da comunidade. Por aclamação o nosso associado votou e nos escolheu", explicou Fragoso.

A direção da Cotrijuí chegou e saiu de Chiapetta sob uma forte escolta da Brigada Militar, pois havia o temor de algum atentado ou represália durante o evento.

 

Caso vai para a Justiça

 

No final de seu discurso, Fragoso propôs seu nome para ser o autoliquidante da Cotrijuí e deu a assembleia como acabada. Insatisfeitos, integrantes da chamada Terceira Via, queriam que uma pessoa que não estivesse ligada à direção para ser o responsável pela liquidação.

Diante do fato, o grupo de oposição considerou a atitude arbitrária e garante entrar na Justiça para anular a assembleia. A direção da Cotrijuí vai publicar na segunda-feira, 29, o resultado da assembleia, no Diário Oficial do RS.

 

Ijuí.com