Violência contra idosos

Sucessivas pesquisas e censos demográficos apontam para um significativo crescimento da população idosa em relação aos demais grupos etários. Dos atuais 11,3 milhões de habitantes no Rio Grande do Sul, 1,8 milhão está na faixa acima dos 60 anos, o que representa 16,06% da população total. No Brasil, o número de pessoas acima dos 60 anos superou os 30 milhões em 2017. Essa mudança de perfil social expõe um problema praticamente desconhecido até bem pouco tempo para a sociedade: “a violência contra pessoas na velhice”. Esta é uma epidemia silenciosa e que acontece, na maioria das vezes, dentro de casa. Para dar visibilidade ao problema, 15 de junho foi instituído como o Dia Mundial de Enfrentamento à Violência Contra Idosos.

 Dia para refletir

 O dia 15 de junho, portanto, neste sábado, marca o Dia Mundial de Conscientização da Violência contra a Pessoa Idosa, data instituída em 2006, pela Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa (INPES). O objetivo é sensibilizar a sociedade para o combate das diversas formas de violência cometida contra a pessoa com idade igual ou superior a 60 anos.

 A propósito

Pelo Estatuto do Idoso a suspeita ou confirmação de violência contra pessoa idosa deve ser denunciada não somente à unidade sanitária, mas também, obrigatoriamente, à polícia, ministério público e ao Conselho do Idoso.

 Formas de violência

Há várias formas de violência em que pessoas com 60 anos ou mais são submetidas, geralmente no ambiente infrafamiliar, calada, sofrida em silêncio, praticada por filho, filha, cônjuge, neto, neta, irmão, irmã ou parente próximo. Violência Física – é o uso da força física para obrigar o idoso a fazer o que não deseja, para feri-lo, provocar dor, incapacidade ou morte. Violência Psicológica – corresponde a agressões verbais ou gestuais com o objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social. Violência Sexual – é qualquer ação através de força física, coação, intimidação, para obrigar outra pessoa a ter, presenciar ou participar, de alguma maneira, de interações sexuais contra a sua vontade. Abandono – é a forma de violência mais comum, caracterizada pela própria família. Negligência – é a recusa ou omissão de cuidados devidos e necessários aos idosos por parte dos responsáveis familiares ou mesmo instituições, como na área da saúde, o desleixo e a inoperância da vigilância sanitária em relação aos abrigos e clínicas. Violência Financeira ou econômica – Essa violência é bastante comum. Consiste na exploração imprópria ou ilegal vinda dos próprios familiares, pela posse dos bens, pensões, aposentadoria e outras ações, como os tais empréstimos consignados. Violência Medicamentosa – praticada por familiares, cuidadores e profissionais, medicando de forma indevida, aumentando, diminuindo ou excluindo medicamentos. Violência Emocional e Social – refere-se à agressão verbal, incluindo palavras depreciativas e falta de respeito.

Dados no RS, de 2018

Dados da Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde, com base no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), no Rio Grande do Sul, em 2018, houve 3.021 casos de agressão sofrida pelos idosos, a maioria física (1.021, correspondendo a 33,8%). Em seguida, a psicológica/moral (560, 18,5%). Logo abaixo, negligência ou abandono (528, 17,5%). Lesões autoprovocadas chegaram a 409 (13,5%), e financeira/econômica a 153 (5,1%). Há também tortura (41, 1,4%) e sexual (40, 1,3%). A maioria dos agressores é filho(a), seguido por cônjuges/companheiro(a), irmão(a), entre outros vínculos. Contudo, é sabido que a maioria dos casos de agressão sofrida por idosos não é notificada, não é denunciada, não consta dos dados oficiais.