As redes sociais despertam o que há de melhor e de pior nas pessoas e têm vantagens como desvantagens. Mas para uma coisa elas serviram: estourar a bolha ideológica de uma imprensa dominada de forma quase hegemônica pelo pensamento “progressista”. Se não fosse a internet, Chico Buarque ainda acharia que é uma unanimidade, e os tucanos seriam considerados de direita!

Diante de um viés escancarado para quem está lá fora, muitos levantam teses conspiratórias e acham que os jornalistas são todos uns vendidos, que atacam Bolsonaro porque este fechou as torneiras e secou a fonte. Discordo. Duas décadas atrás, o então âncora da CBS, Bernie Goldberg, publicou um livro sobre esse viés e encontrou explicação mais simples para o fenômeno:

“Esse é um dos maiores problemas no grande jornalismo: as elites estão irremediavelmente fora de contato com os americanos comuns. Seus amigos são esquerdistas, assim como eles são. Eles compartilham os mesmos valores. Quase todos pensam da mesma forma sobre as grandes questões sociais do nosso tempo: o aborto, o controle de armas, o feminismo, os direitos dos homossexuais, o meio ambiente, a oração na escola. Depois de um tempo eles começam a acreditar que todas as pessoas civilizadas pensam da mesma maneira que eles e seus amigos. É por isso que eles não simplesmente discordam dos conservadores. Eles os veem como moralmente deficientes”.

Em outras palavras, trata-se de uma patota na qual “ninguém solta a mão de ninguém”. É a opinião de Kimberley Strassell também, do board editorial do WSJ. Em novo livro, ela argumenta que a “resistência” a Trump tem causado mais estrago nas instituições do que qualquer ato do presidente. E ela mostra como a mídia tem sido parte do problema, ao deixar seu ódio falar mais alto do que o compromisso com os fatos.

Ela aponta uma pesquisa com quase 500 jornalistas de finanças, área mais técnica, que mostra como quase 60% se considerava esquerdista, enquanto menos de 5% se declarava de direita. Para Strassell, o ambiente insular do jornalismo explica o viés. A profissão atrai basicamente pessoas de um mesmo perfil, que compartilham de uma visão de mundo similar. Falta diversidade, apesar de tanto se falar em seu nome.

Por Rodrigo Constantino