A maior de todas as Copas

O alto custo da construção dos 12 estádios que serão utilizados na Copa do Mundo deste ano é um dos principais alvos dos protestos que tomaram conta do Brasil a partir de junho do ano passado e prometem se acentuar este ano. Mas seria uma insensatez defender-se que as manifestações são contra a Copa. Quem se manifesta o faz contra a corrupção generalizada e as demais mazelas sociais brasileiras. A Copa servirá apenas para apresentar o Brasil ao mundo. Não há dúvida que será a maior de todas as Copas: “nos gastos e na exploração política”. Talvez os mendigos e crianças pedindo esmolas e fumando crack seja uma atração a mais. Mendigos? Ah, não precisa se preocupar! Esses miseráveis serão enclausurados em algum lugar para não serem vistos pelos gringos.

 

Mais de R$ 7 bilhões

Gastos públicos, por estádio, nas 12 arenas que sediarão jogos da Copa do Mundo: Mineirão (Belo Horizonte), R$ 426 milhões; Mané Garrincha (Brasília), R$ 1,2 bilhão; Arena Pantanal (Cuiabá), R$ 518,9 milhões; Arena da Baixada (Curitiba), R$ 234 milhões; Castelão (Fortaleza), R$ 518,6 milhões; Arena Amazônia (Manaus), R$ 550,7 milhões; Arena das Dunas (Natal), R$ 417 milhões; Beira Rio (Porto Alegre), o Poder Público não teve custos com a obra do estádio; Arena Pernambuco (Recife), R$ 502,2 milhões; Maracanã (Rio de Janeiro), R$ 882,9 milhões; Arena Fonte Nova (Salvador), R$ 689,4 milhões; Arena Corinthians (São Paulo), R$ 820 milhões.

 

Para esconder as mazelas

A Copa do Mundo faz parte do projeto de poder do governo brasileiro. Ganhar a Copa do Mundo servirá para esconder as mazelas que afligem a população. Daí todo este investimento público em construções de estádios, obras faraônicas espalhadas por todo o País. Especialistas avaliam que o destino de alguns destes estádios será a demolição, tamanhos serão os gastos de sua manutenção. Mas, que mal há em deixar os brasileiros na miséria? Eles vão ter a Copa do Mundo aqui, no solo brasileiro! O sangue das vítimas da violência e do descaso governamental não vai chegar aos gramados dos estádios. O importante é aparecer, mostrar que o Brasil tem capacidade para sediar a Copa do Mundo. O resto é resto. O resto é só o povo! E por conta disso é possível, porém lamentável, que a nossa seleção venha ser hostilizada. O povo está cansado!

 

Para reflexão

A Associação dos Oficiais da Brigada Militar – ASOFBM – postou em seu facebook, no dia 03 de fevereiro, a seguinte nota: “para reflexão do povo rio-grandense”. Neste momento em que movimentos aparentemente legítimos, conflitam no caso da greve de ônibus em Porto Alegre, queremos lembrar à sociedade que a “Brigada Gaúcha”, na sua história ao longo de 176 anos, nunca se omitiu ou se acovardou. Nossa missão constitucional, de ofício, é manter a ordem pública, o direito de ir e vir do cidadão, o direito à livre manifestação (sem baderna, desordem e/ou destruição), entre outras. No lamentável caso em tela, a Brigada Militar está cumprindo rigorosamente o que tem determinado o senhor Tarso Genro, Governador do Estado e por força da constituição estadual comandante-em-chefe atual da instituição. Os fatos, como estão encaminhados, agridem nossa autoestima “gota a gota”, conclui a nota.

 

Bandidos protegidos

A política petista com relação ao combate ao crime é no mínimo complacente com os bandidos e baderneiros, uma vez que as polícias, principalmente a Brigada Militar, cuja função é o policiamento preventivo/ostensivo está tolhida pelo governo a agir e coibir atos criminosos. Se atentarmos para a nota acima, expedida pela Associação dos Oficiais da Brigada, concluiremos que a situação é de extrema gravidade. Baderneiros e vândalos quebram o que encontram pela frente, enquanto a Brigada Militar, “por determinação expressa do governador Tarso Genro, seu comandante-em-chefe”, a tudo assiste zelando pelo bem-estar e segurança dos malfeitores. Isso incomoda por demais os profissionais brigadianos que, cônscios de suas obrigações se sentem humilhados perante os facínoras, e constrangidos perante a sociedade, contudo, disciplinados, se curvam às ordens “absurdas” e “omissas” do governador. De outro lado, a sociedade atônita e insegura, mesmo incrédula ainda espera por segurança. E aí governador?