Ana Amélia Lemos lembra carreira profissional e traça metas da campanha.

G1 publica os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul.

 

Caetanno FreitasDo G1 RS

 

 
Ana Amélia Lemos é a candidata do PP ao governo do estado (Foto: Felipe Truda/G1)Após quatro anos como senadora, Ana Amélia tenta chegar ao Piratini em 2015 (Foto: Felipe Truda/G1)

As frequentes previsões do ex-marido estão latentes na memória da candidata ao governo do Rio Grande do Sul Ana Amélia Lemos (PP). Como se fosse vidente, Octávio Omar Cardoso, falecido em 2011, costumava brincar com o futuro. Em 2010, antes das eleições, disse a ela que deveria estar preparada para se tornar senadora. Foi em um jantar a dois, em Porto Alegre. Quatro anos depois, ela reflete sobre outra mensagem. “Não vou gostar de morar no Palácio Piratini”, soprou Octávio durante uma caminhada pelas ruas de Natal (RN), onde o casal passava as férias que precediam o mandato no Senado. Para se confirmar, no entanto, a profecia depende da escolha das mais de 8,4 milhões de pessoas aptas a votar no estado.

Candidatos a Governador do Rio Grande do sul - Ana Amélia Lemos PP (Foto: Divulgação)

Desta segunda (28) até a próxima segunda (4), o G1 publica os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. A ordem de publicação foi definida a partir das intenções de voto da pesquisa Ibope divulgada no dia 19 de julho. No caso em que houve empate, foi usada a ordem alfabética.



Ana Amélia e sua equipe de apoio com cerca de 30 pessoas receberam o G1 numa quinta-feira chuvosa na casa que foi transformada em quartel-general da campanha, na Zona Sul da capital. Criteriosa, chegou poucos minutos depois do horário marcado. Entrou na sala, aprovou o cenário e acomodou-se em uma das cadeiras. Antes de começar, porém, sentiu-se incomodada com um detalhe: o crachá do repórter, que poderia atrapalhar a foto de divulgação do encontro feita por sua assessoria. “Você sempre usa isto?”, questionou. Após resposta positiva, a candidata sugeriu: “Ficaria melhor se você tirasse, não acha?”.



Natural de Lagoa Vermelha, Ana Amélia Lemos tem 69 anos e é formada em jornalismo. Já foi balconista, funcionária pública e até interpretou uma trapezista no filme “Não aperta, Aparício”, com Grande Otelo como estrela principal. Não tem filhos e trata a morte do ex-marido como a maior tristeza da vida. “Abriu um buraco no meu chão. Tento superar me dedicando à política, como se tivesse casado com o mandato. Quero me casar com o governo", diz a candidata, antes de traçar o norte de sua campanha. "O fato de dizer que estamos em busca da esperança é trazer sentimento de mudança, de um estado sem radicalismo ideológico. O mundo mudou", opina.

Montagem de fotos dos candidatos a governador do Rio Grande do Sul - Ana Amélia (Foto: Divulgação)Fotos mostram momentos marcantes da vida pessoal e política de Ana Amélia Lemos. Na parte superior, retratos da infância e da juventude. Abaixo, imagens da vida profissional com Fidel Castro e com o papa João Paulo II e das eleições de 2010, quando ainda era candidata ao Senado (Foto: Divulgação/PP)

Aos 12 anos, escreveu uma carta ao então governador do Rio Grande do Sul Leonel Brizola pedindo uma bolsa de estudos em um colégio particular de Lagoa Vermelha. “Não tinha dinheiro, mas queria estudar. Mandei a carta escondida da minha família. Eles eram contrários ao governo do Brizola. Só que ouvia ele (Brizola) falar tanto em educação que ficava impressionada, mesmo não entendendo praticamente nada daquilo. Não demorou muito e o Brizola retornou dizendo que meu pedido havia sido atendido. Sou muito grata por isso”, lembra Ana Amélia, que estudou na escola como bolsista por oito anos.

Ana Amélia Lemos é a candidata do PP ao governo do estado (Foto: Felipe Truda/G1)Ana Amélia Lemos contou detalhes da sua vida em

entrevista na capital (Foto: Felipe Truda/G1)

Como jornalista, atuou no Grupo RBS por mais de 30 anos. Cobriu fatos históricos, como as Diretas Já, o impeachment de Fernando Collor e a morte de Tancredo Neves, informação que poderia ter sido antecipada por ela. “É a única coisa que lamento na profissão. Recebi a informação de uma fonte segura que Tancredo estava doente e que poderia não assumir. Mas como bancar uma notícia desse tamanho? É sua credibilidade que está em jogo”, conta.



Tempo do qual não sente falta. “Não tenho saudade do jornalismo. Mas me orgulho. Ter dado em primeira mão no Brasil a morte do papa João Paulo II foi muito importante para mim”, recorda, citando também entrevistas com Fernando Henrique Cardoso, Lula e João Figueiredo, além de encontros com personalidades como Fidel Castro e Gabriel Garcia Márquez.

Não há como comparar o histórico profissional com a curta vida política de Ana Amélia Lemos, iniciada há apenas quatro anos. Apesar da pouca experiência, a candidata se sente preparada para assumir a condição de governadora do Rio Grande do Sul em 2015. “Lula foi presidente tendo sido apenas deputado e líder sindical. Não é o tempo de serviço que qualifica uma pessoa”, justifica.



Assista ao vídeo selfie gravado pelo próprio candidato, a pedido do G1:

 

Na entrevista, o G1 pediu que Ana Amélia Lemos respondesse três perguntas feitas a todos os candidatos. Confira as respostas abaixo.



– Na sua opinião, qual é o principal problema do Rio Grande do Sul?

Temos um estado muito rico pela vocação empreendedora do povo. Mas fomos perdendo espaço e a capacidade de manter os gaúchos aqui. Hoje encontramos gaúchos por todo o país. Levaram a capacidade de produzir, um talento empreendedor. E isso aconteceu por conta da falta de condições do estado para facilitar a vida do empreendedor. Aqui é tudo mais complicado, muita burocracia envolvida. Além disso, tivemos um decréscimo na qualidade de ensino, carências de infraestrutura, rodovias, segurança pública… São vários aspectos. Isso não é, necessariamente, um problema do governo atual. É uma situação que vem de tempos.

– E a maior virtude do estado?

A capacidade da sua gente, a coragem de empreender. É exatamente por isso que temos a palavra esperança na campanha. Queremos unir o Rio Grande. As pessoas sentem a necessidade de uma liderança que conduza o estado a uma situação melhor, do ponto de vista da sua representatividade e situação econômica. Sendo tão rico em potencial, como não vamos aproveitar isso para recolocar o estado no patamar que deveria estar?

– Como a senhora vai mudar a vida dos gaúchos nos próximos quatro anos?

Penso que o simples fato de abrir e dizer que estamos em busca da esperança é trazer um sentimento de mudança, de um estado sem radicalismo ideológico. O mundo mudou, está mais conectado, menos separado por barreiras ideológicas, cada vez mais globalizado. A própria Cuba, que é um país símbolo deste isolamento. Estamos vendo reformas significativas por lá, uma busca por inserção. Acho que este debate de esquerda e direita, de fazer um jogo de classes, fica muito ultrapassado.