Na primeira administração da coligação Aliança por Santo Augusto, 1993/1996, o prefeito Alvorindo Polo, com uma equipe técnica e sob a orientação da Universidade Federal de Santa Maria, projetou e iniciou a construção e instalação da Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos, tornando-se conhecida com a sigla Utar.

Na administração seguinte, iniciada em 1997, com Naldo Wiegert assumindo como prefeito, também pertencente à coligação Aliança por Santo Augusto, o projeto foi concluído e a Utar inaugurada em 30 de maio daquele ano, dia do 38º aniversário do município. Foi uma obra pioneira e inovadora, dando fim ao depósito de lixo a céu aberto, o chamado lixão que até então era utilizado.

 

Exemplo de como era antes da Utar, o “lixão a céu aberto”

Foto obtida através de pesquisa virtual

 

Tão logo inaugurada, a usina passou a operacionalizar nos moldes técnicos oferecidos, sendo que os resíduos recicláveis eram selecionados, embalados e vendidos, agregando renda aos associados da cooperativa que operavam a usina. A matéria orgânica era tratada através de compostagem e transformada em adubo, utilizado para fertilização do solo em pequenas culturas, assim como ao chorume era dado tratamento adequado. Para o aterro sanitário ia apenas o rejeito, cerca de 10% do lixo coletado. Também o lixo hospitalar passou a ser tratado de forma adequada, sem riscos de contaminação.

 

Exemplo de como ficou a partir do funcionamento da Utar

Aterro controlado(foto obtida através de pesquisa virtual) – É uma técnica de disposição de resíduos urbanos no solo, que minimiza os danos ou riscos à saúde pública e à sua segurança, diminuindo assim os impactos ambientais. Local intermediário entre o lixão e o aterro sanitário.

 

Aterro sanitário(desenho obtido através de pesquisa virtual) – é fundamentado em critérios de engenharia e normas específicas, que permitem a confinação segura em termos de controle de poluição ambiental e de saúde pública.

 

Foi, também, implantado, na época, pela administração municipal um programa de educação ambiental com coleta seletiva dos resíduos.

A Utar passou a ser referência regional, estadual, nacional e até em nível de América Latina por sua estrutura e funcionamento dentro dos padrões ambientais exigidos pela legislação pertinente. Caravanas de outros municípios e estados, estudantes de todos os níveis, do ensino básico ao universitário, visitavam a usina.

Por cerca de oito anos a UTAR manteve o funcionamento nas condições previstas e adequadas ao projeto original. No entanto, o mau gerenciamento e o descaso levaram a usina a condições deploráveis.

 

DE MODELO À DEGRADAÇÃO

UTAR, uma área altamente degradada, um desleixo total.

A usina foi planejada para operar oito toneladas/dia e com uma vida útil de 20 anos, de todo o seu processo interno. Doze anos depois, em janeiro de 2009, o processo já estava em situação de fadiga, pelo mau uso, pela má aplicação daquilo que foi planejado. O abandono levou o projeto praticamente a virar uma área altamente degradada.

 

Virou um lixão a céu aberto

 

Ao inspecionar a Utar, logo depois de assumir como prefeito, dia 04 de janeiro de 2009, Alvorindo Polo lamentou profundamente o descaso com que se deparou naquele local. A Utar foi um projeto técnico, bem profundo, uma indústria de processamento de produtos sólidos, dependente de fundamentos básicos como “separação doméstica”, “coleta separada de resíduos” e “tratamento de resíduos na usina”. Mas na operacionalização foram abandonadas algumas coisas, e esse abandono levou o projeto praticamente a virar numa área altamente degradada e num aspecto de tratamento de resíduos urbano totalmente desaconselhado e não reconhecível como sistema de tratamento, disse Alvorindo na ocasião. Indignado, ele prometeu e assumiu o compromisso de “dentro de um ano estar com a situação sob controle e a Utar devidamente recuperada”. Vai depender de um investimento de no mínimo R$ 200 mil dos cofres do município, para poder botar isso em dia, mas é isso mesmo que tem que ser feito, e é isso que eu vou fazer, comprometeu-se o então prefeito, acrescentando: “o projeto não dá para ser abandonado, é totalmente recuperável mediante muito trabalho, muito esforço da administração municipal e de cada cidadão desde lá de dentro de sua casa, cada um fazendo a sua parte”.

 

Promessa não concretizada

Apesar de ter prometido e até previsto valor financeiro para restauração da Utar no prazo de um ano, Alvorindo não o fez, pelo contrário, a Utar acabou por ser definitivamente desativada em seu governo. Ele vociferou ao assumir a prefeitura, que a Utar estava naquela situação por falta de gerenciamento. E com certeza foi isso que aconteceu. Só que esse mesmo erro de seu antecessor, ele também cometeu, ambos motivados pelos chamados favores políticos, lá empregando pessoas despreparadas, não qualificadas, descomprometidas, contratadas através dos ditos CCs ou terceirizando os serviços a empresas pouco ou nada sérias. Além disso, não houve fiscalização por parte da prefeitura, permitindo o desmando e o desleixo.

 

 

Restou no abandono o lixão a céu aberto

 

Caminhão também ficou abandonado no pátio da Utar

 

 

Reconstrução e revitalização

A atual administração municipal, da União por Santo Augusto, ainda nos primeiros dias de governo, janeiro de 2013, através do vice-prefeito Naldo Wiegert (PMDB), se manifestou a respeito da Utar, dizendo que a administração tem vontade de recuperá-la, uma vez que a intenção é voltar a ter orgulho da capacidade, criatividade e determinação da população, em resolver os problemas que ora se apresentam.

Na semana passada, através da Rádio Ciranda, Naldo voltou a comentar sobre o assunto. Disse lamentar que por falta de se seguir o que constava numa lei específica de como deveria ser tratado o lixo, a Utar que já foi referência em nível de América Latina, acabou transformado num lixão. Ao assumirmos, em janeiro do ano passado, retiramos de lá 352 toneladas de lixo que estava a céu aberto, disse.

Quanto à recuperação, o vice-prefeito, que estava no exercício do cargo de prefeito, relatou sobre o andamento de um projeto de recuperação da Utar. Disse que no ano passado, primeiro ano de governo, através de licitação, foi contratada uma empresa para elaborar o projeto de recuperação da Utar, cujo prazo de entrega desse projeto expira em meados do próximo mês de fevereiro. Essa empresa já fez duas reuniões com a administração municipal. A primeira para apresentar o diagnóstico, e a outra para apresentar a primeira versão. Portanto, o projeto de recuperação, mesmo que ainda esteja só no papel, está andando. Porém, após a conclusão do projeto, teremos ainda a fase do licenciamento ambiental junto à Fepam, para depois então irmos atrás dos recursos financeiros para execução da obra, e transformarmos esse problema num novo exemplo de tratar os resíduos sólidos, finalizou o prefeito em exercício.

                                                                                          Por Alaides Garcia dos Santos