Além do depauperamento geral da pista, vários buracos de preocupantes dimensões.

Por inúmeras edições, a partir do ano 2012, o jornal O Celeiro reportou sobre as péssimas condições de trafegabilidade da rodovia ERS-155, no entanto, se passam os anos e passam governos, as promessas se repetem, e nada de providências para reforma dessa estrada que é o corredor comum para os municípios da Região Celeiro.   

Além do depauperamento geral da pista, buracos e fendas de preocupantes dimensões se abrem na pista de rolamento, e verdadeiras crateras se multiplicam nos acostamentos, sem contar a falta de sinalização e roçada das margens.  

Este panorama constrangedor, reflete a inoperância e descaso por parte do governo do Estado que, além de não cumprir com as promessas de campanha, deixa de cumprir com seu dever constitucional, e mais, o governo desdenha dos representantes regionais, deputados, vereadores, prefeitos, entidades representativas como estudantes, setores comerciais e agropecuários que ao longo do tempo vêm pedindo providências, cuja resposta é a mais enganadora possível, ou seja, de que tudo está encaminhado e em breve a reforma da estrada estará sendo providenciada, quando na verdade não passa de engodo.

 

 O caminhão trafega sobre a pista. Veja o tamanho da cratera no acostamento. Esta situação se encontra na entrada para São Pedro.

 

 

Deterioração da pista de rolamento propriamente dita

 

Empresário do transporte coletivo se manifestou

 

O empresário do transporte coletivo, Claudio Tadeu Toneto, que diariamente transita pela rodovia transportando universitários, disse ao jornal O Celeiro que, por conta das péssimas condições da estrada, ocorre atraso na chegada dos alunos na universidade. Há vários trechos críticos na rodovia que nos obrigam a reduzir a velocidade a 20 ou 30 km/h, resultando em atraso na viagem e os alunos perdem aula, e o custo da manutenção dos ônibus está sendo muito alto, uma vez que há maior desgaste, corte de pneus, danos e o consequente conserto ou reposição de peças mecânicas, e o próprio aumento no consumo de combustível.

 

Durlo é um testemunho dos frequentes acidentes

 

O Celeiro conversou com o senhor Aquiles Tadielo Durlo, agricultor, residente próximo á rodovia. Durlo relatou sobre os inúmeros socorros que tem prestado nos três últimos anos a motoristas que sofrem acidentes de trânsito, ora por terem estourado pneus, ora por terem perdido o controle da direção e caído fora da pista em face do mau estado da rodovia. Cita casos em que é acordado no meio da noite e madrugadas com alguém gritando e pedindo por socorro. Então pega um de seus tratores agrícolas e vai até o local do acidente remover o veículo para a pista.

O deputado Ernani Polo, em maio de 2012, questionado a respeito da ERS-155, disse que uma semana após assumir o mandato na Assembleia Legislativa, (dezembro 2011), esteve com o secretário de Infraestrutura e Logística do Rio Grande do Sul tratando da recuperação da ERS 155, tema que voltou a tratar com o secretário 15 dias depois. Na ocasião o secretário teria relatado que estava aguardando recursos de empréstimos internacionais alocados pelo governo do Estado para investimentos em infraestrutura, e destacou que esta obra, da ERS-155, era uma prioridade.

Já o deputado Aloisio Talso Classmann, também em maio de 2012, se manifestou dizendo que, com relação ao questionamento, estava acompanhando com extrema atenção a situação da ERS-155, inclusive mantivera e vinha mantendo contatos com o Governo do Estado, em especial com o Secretário de Infraestrutura e Logística solicitando imediatas providências na recuperação da rodovia tão importante para a região.

O prefeito Osmar Kuhn, de Chiapeta, reclama que, em audiência na Secretaria de Infraestrutura e Logística, com todos os prefeitos da Região Celeiro em abril de 2011, o secretário garantiu que no máximo seis meses a ERS-155 estaria reformada, mas continua tudo como antes, jogando de um governo para outro.

O então prefeito de São Valério do Sul, Clóvis Taborda Padilha, refere que na reunião dos 21 prefeitos da Região Celeiro com o Secretário da Infraestrutura e Logística em abril de 2011, os prefeitos levaram ao secretário a preocupação sobre a ERS-155 e pediram que a mesma fosse reformada o mais breve possível, quando receberam a promessa de que em seis meses o caso estaria solucionado.

Taborda manifesta preocupação sobre os dois acessos a São Valério do Sul, a partir da ERS-155, estão muito perigosos, afirmou, haja vista que não há mais acostamentos e com isso formou-se degraus que impedem tomar o acostamento para aguardar a entrada em direção a São Valério, o que implica em perigo de acidente.

Entrada para São Valério do Sul. Além da inexistência de trevo, o acostamento virou cratera, caracterizando sério perigo aos motoristas.

 

O então prefeito Alvorindo Polo, de Santo Augusto, refere que a rodovia ERS-155 beneficia toda a Região Celeiro, uma vez que viabiliza o transporte da saúde para Ijuí, Cruz Alta e Santa Maria, e o transporte da produção agrícola para o Porto de Rio Grande, ressaltando que é uma estrada de muita importância e, devido ao seu mau estado de conservação está causando prejuízos aos usuários. Polo afirmou que já são centenas de para-brisas quebrados nos últimos tempos na ERS-155 devido às pedras soltas pela deterioração da camada asfáltica.

Carta de Chiapetta

No dia 03 de agosto de 2013, prefeitos, vereadores da Região Celeiro, deputados, agricultores, empresários e outras lideranças, reunidos na cidade de Chiapetta, elaboraram a “Carta de Chiapetta”, endereçada ao senhor governador Tarso Genro e ao presidente da Assembleia Legislativa, trazendo em seu bojo, além de outras reivindicações, a urgente recuperação da rodovia ERS-155, cujo documento foi entregue aos destinatários através de uma comissão designada para tal.

Decreto de Emergência para recuperação de rodovias

O governador Tarso Genro e o secretário da Infraestrutura e Logística João Victor Domingues assinaram, dia 17 de outubro de 2013, Decreto de Emergência para recuperação de 62 trechos em 28 rodovias estaduais, totalizando 808 quilômetros. O Decreto, segundo a direção do Daer, possibilitaria maior agilidade na execução dos projetos das obras, uma vez que permitiria a contratação na modalidade de dispensa de licitação. “Incluem-se em situação de emergência os serviços de reparos localizados, recuperação de pavimentos e elementos de drenagem em locais críticos, recuperação de sinalização e, projetos de serviços de engenharia”. A emergencialidade tem prazo máximo de seis meses, podendo ser interrompida na medida em que os contratos oriundos de processos licitatórios tiverem ordem de início.

“Entre as rodovias abrangidas pelo Decreto de Emergência para recuperação, está a RS-155”, porém, até agora, nada aconteceu, nenhuma providência foi tomada por parte do governo, nem através do Decreto de Emergência e nem através de processo licitatória.

                                                                                                                                                                                                                  Por Alaides Garcia dos Santos