Pescarias, carteado e as rodas de viola o fascinavam desde a juventude

O refúgio de Fernandão no Araguaia Guilherme Mazui/Agencia RBS

Fernandão gostava de ficar nos acampamentos nas margens do Rio AraguaiaFoto: Guilherme Mazui / Agencia RBS
Guilherme Mazui

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Era no Rio Araguaia, um gigante de águas turvas e praias de areia clara, que Fernandão relaxava. As pescarias, o carteado e as rodas de viola fascinavam desde a juventude o ídolo colorado, que transformou a pacata Aruanã, no interior de Goiás, em seu refúgio. Foi no município de 8 mil habitantes, onde costumava circular sem pressa, livre de seguranças e de pedidos de autógrafos, que Fernandão passou seus últimos dias, até o trágico acidente de helicóptero da madrugada de sexta-feira para sábado.

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— O Araguaia era a paixão do Fernando — diz Alberto Nunes, o Beto, amigo e sócio do ex-jogador na empresa Planalto Indústria.

Moradores de Goiânia, a cerca de 320 quilômetros de Aruanã, Beto e Fernandão ergueram duas casas, uma de frente para outra, no município ribeirinho, destino em fins de semana de folga ou feriadões.

— Desde o tempo do Goiás o Fernandão pesca aqui — revela um barqueiro da região.

Erguida há cinco anos, a casa foi projetada para reunir amigos — do futebol, da música sertaneja, da política e dos tempos de menino. O local dispõe de seis quartos, um ao lado do outro, como se fosse uma pousada. Piscina, copa e churrasqueira completam a área, que ainda abriga um barco.

— O Leonardo (cantor), o Bruno e Marrone e jogadores do Inter, Goiás e São Paulo vinham aqui — recorda o caseiro Giovani Mendes dos Santos. — Fernandão era pescador dos bons. Pescava e devolvia o peixe. Só tirava foto para mostrar que não era mentira — emenda.

Mesmo com a casa na cidade, o ex-jogador tinha apreço pelo "rancho", um recanto que emerge a cada junho e julho, quando a seca baixa o Araguaia e forma bancos de areia, transformados em acampamentos.

Era no rancho "fubreca", a cerca de 20 quilômetros do centro de Aruanã, que o ídolo colorado jogava carta com amigos na noite de sexta-feira, antes do acidente. O grupo ainda montava a estrutura, de paredes e telhado de palha, sobre um banco de areia quase no meio do rio. Já estava pronta a peça principal, com copa, cozinha e área de lazer, tudo com água encanada e luz elétrica.

Nove suítes ainda eram montadas, à espera do retorno de Fernandão, com a mulher e os filhos. O eterno capitão colorado voltaria em julho, depois de comentar a Copa do Mundo. Regresso interrompido pela queda do helicóptero a 300 metros do próprio rancho, no mesmo banco de areia onde Fernandão costumava descansar.

Diário Gaúcho