João Rodrigues falou sobre a vida pessoal e traçou metas da campanha.

G1 traça os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul.

 

Felipe TrudaDo G1 RS

 


 
Candidato do PMN, João Rodrigues critica a administração dos recursos públicos gaúchos (Foto: Vinícius Guerreiro/G1)João Rodrigues critica a administração dos recursos públicos gaúchos (Foto: Vinícius Guerreiro/G1)

Um jovem vestido de maneira simples, com camiseta e calça jeans, recebeu a reportagem do G1na porta de uma sala comercial aos fundos do prédio de dois andares na movimentada Avenida Bento Gonçalves, na Zona Leste de Porto Alegre. A porta aberta revelava a bandeira do PMN, com o característico triângulo vermelho, e um sorridente João Carlos Rodrigues, candidato da legenda ao governo do estado. O rapaz em questão se dirigiu a uma mesa de escritório. É Brian, de 21 anos, filho de Rodrigues e a única pessoa que o auxiliava naquele momento. Silenciosamente, observava enquanto o pai discorria sobre o modo como pretende solucionar os problemas financeiros do estado. O candidato não entende que haja escassez de recursos. O problema, para ele, é a administração da verba.

Candidatos a Governador do Rio Grande do sul - João Carlos Rodrigues - PMN (Foto: Divulgação)

(Desta segunda (28) até a outra segunda (4), o G1 publica os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. A ordem de publicação foi definida a partir das intenções de voto da pesquisa Ibope divulgada no dia 19 de julho. No caso em que houve empate, foi usada a ordem alfabética).

Em um dos sofás do imóvel que funciona como sede estadual do PMN, o candidato defendeu a montagem das secretarias estaduais sem levar em consideração composições com outros partidos, mas sim o diálogo com a comunidade e até mesmo com outras legendas. "Temos de parar, neste estado e no território brasileiro, de criar secretarias. São verdadeiros cabides de emprego. Por isso, digo que nosso governo será técnico, e não político. Os cargos serão indicados com a participação da população", afirma, sem descartar a comunicação com outros partidos. "Será um governo de diálogo", acrescenta.

A simplicidade com que pai e filho dividiam os afazeres relativos à candidatura ficou ainda mais evidente quando o candidato pediu licença para interromper a entrevista e abrir a porta. O jovem adentrou a sede carregando uma sacola com compras do hipermercado localizado do outro lado da avenida. Batalhões de assessores e fotógrafos estão longe da realidade de um homem que já trabalhou até como balconista, mas a firmeza com que ele explica suas ideias é a mesma de quem, em menos de um ano, foi promovido a gerente do mesmo estabelecimento.

Montagem de fotos dos candidatos a governador do Rio Grande do Sul - Rodrigues (Foto: Arquivo Pessoal)João Rodrigues escolheu cinco fotos de momentos marcantes de sua vida. No canto superior, ele aparece ganhando o prêmio Homem Gladiador, em 2005, e junto com o pai Hercílio. Logo abaixo, durante um debate quando era candidato a prefeito de Alvorada em 2008, e com Bruna, a filha caçula. A última foto mostra Rodrigues com três filhos e um primo em Urussanga, Santa Catarina (Fotos: Arquivo Pessoal)

O currículo ainda inclui dos anos no Exército, de onde saiu com "honras e méritos", como ressalta, e a atuação como presidente da Cooperativa Ecológica Coolmeia. A trajetória na política teve início em 2008, quando foi candidato a prefeito de Alvorada pelo PTC. Dois anos mais tarde, compôs a chapa com o oficial da Brigada Militar Aroldo Medina, do PRP. Agora, destaca que a candidatura própria é uma determinação nacional do PMN. "Se todos os partidos fizessem da mesma forma, ocupassem seu espaço para o debate, apresentassem suas ideias e propostas, talvez muitas coisas na política mudariam", opina.

Rodrigues prega a união entre os partidos políticos (Foto: Vinícius Guerreiro/G1)Rodrigues prega a união entre os partidos políticos

(Foto: Vinícius Guerreiro/G1)

A campanha é conciliada com o trabalho de sócio de uma empresa de prestação de serviços, situada na mesma avenida onde fica a sede estadual do PMN, e na qual outros dois filhos são empregados. Ainda no início da caminhada, Rodrigues prevê que a agenda "vai apertar" quando ele começar a percorrer o interior por votos. "Mas temos de fazer. Decidimos dar a cara a tapa, e temos de ir. Você precisa ir até lá e conhecer as necessidades do município", prega. 

Viés político de esquerda ou de direita é descartado pelo candidato, que defende a união entre os partidos. "Tem que acabar esse ranço político no Brasil", afirma. As propostas abrangem diversas áreas, mas a principal é a educação. "Se tivermos um povo educado, com cultura, mudam os hábitos alimentares e de segurança. Consequentemente, ergue os cofres do estado".

Fora da política e da administração, Rodrigues se dedica à família. Arrepende-se por não ter concluído o curso técnico em contabilidade, mas se orgulha ao dizer que conseguiu, junto com a esposa, "encaminhar" os estudos dos seis filhos. Entre eles o jovem Brian, que, em meio a uma conversa e outra ao telefone, escutava atentamente o que dizia o pai.

Assista ao vídeo selfie gravado pelo próprio candidato, a pedido do G1:

 

Na entrevista, o G1 pediu que João Carlos Rodrigues respondesse três perguntas feitas a todos os candidatos. Confira as respostas abaixo.

Na sua opinião, qual o principal problema do Rio Grande?

Os principais problemas são a falta de investimentos e a questão da educação. Nos últimos governos não têm se investido de forma adequada para resolver os problemas que existem no estado, fato esse que me levou a ser candidato hoje. Deixei de ser um eleitor insatisfeito para ser candidato. Não adianta ficar reclamando. Tenho de me colocar à disposição do povo para que eu possa ajudar, contribuir. Acho que tem de participar do processo para realmente poder falar alguma coisa depois, mas no meu entender, a falta de investimento tem sido notória. Temos visto isso. E não é só no governo Tarso, é em todos os governos.

E a maior virtude?

Temos um estado extremamente produtivo, um estado que tem capacidade de dar resposta às crises que existem hoje, mas por outro lado vejo a incompetência na gestão pública, que não consegue, na verdade, dar essa resposta. Temos um estado altamente produtivo, um estado que tem capacidade, com toda a certeza, de sair destes problemas, mas parece que estamos esbarrando em algum problema que não consegue-se resolver.

Como o senhor vai melhorar a vida dos gaúchos nos próximos quatro anos?

Investir de forma maciça na educação, na questão prisional, na questão da saúde e na questão da segurança. Temos hoje o problema da Brigada Militar, que vem se arrastando ao longo de 30 anos, tivemos uma defasagem de policiais militares e um aumento da população. Hoje teríamos de ter um efetivo de mais 10 mil policiais militares para realmente darmos uma segurança adequada. E precisamos mudar esta cultura que está no estado do Rio Grande do Sul e em todo o Brasil hoje, e implementar uma educação de primeira qualidade.