Troca de gráficos entre duas questões levou ao erro. Correção indica que 26% dos entrevistados concordam com a afirmação

 

Ipea divulgou nesta sexta-feira, 4, que os dados da pesquisa publicada na semana passada na qual 65% dos brasileiros concordavam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas estavam incorretos. Na verdade, o percentual que concorda com a frase é de 26%.



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Segundo o Instituto, houve um erro na troca entre dois gráficos. O Ipea também informou que o diretor de Estudos e Políticas Sociais pediu sua exoneração assim que o erro foi detectado.

O resultado errado da pesquisa, divulgado no dia 27 de março, repercutiu no país e no mundo. Um protesto online que convidava as pessoas a pubilcar fotos sem roupa com os dizeres "Não mereço ser estuprada" ganhou a internet. O movimento foi notícia em jornais internacionais e a presidente Dilma comentou o resultado da pesquisa em seutwitter.

Leia um trecho da errata

"Vimos a público pedir desculpas e corrigir dois erros nos resultados de nossa pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres, divulgada em 27/03/2014. O erro relevante foi causado pela troca dos gráficos relativos aos percentuais das respostas às frases Mulher que é agredida e continua com o parceiro gosta de apanhar e Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas.

Corrigida a troca, constata-se que a concordância parcial ou total foi bem maior com a primeira frase (65%) e bem menor com a segunda (26%). Com a inversão de resultados entre as duas questões, relatamos equivocadamente, na semana passada, resultados extremos para a concordância com a segunda frase, que, justamente por seu valor inesperado, recebeu maior destaque nos meios de comunicação e motivou amplas manifestações e debates na sociedade ao longo dos últimos dias.

Contudo, os demais resultados se mantêm, como a concordância de 58,5% dos entrevistados com a ideia de que as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros. As conclusões gerais da pesquisa continuam válidas, ensejando o aprofundamento das reflexões e debates da sociedade sobre seus preconceitos. Pedimos desculpas novamente pelos transtornos causados e registramos nossa solidariedade a todos os que se sensibilizaram contra a violência e o preconceito e em defesa da liberdade e da segurança das mulheres."

Clicrbs

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