Municípios em crise

No dia 11 do presente mês de abril, prefeitos e representantes de 412 prefeituras do Rio Grande do Sul, estiveram reunidos em Porto Alegre, para protestar contra a crise nas finanças dos municípios gaúchos e solicitar aumento nos repasses dos governos estadual e federal. Nas reivindicações estava incluído o aumento de dois pontos percentuais na transferência de recursos da União, via Fundo de Participação dos Municípios (FPM), que hoje é de 22,5%, e o subsídio integral do transporte de alunos da rede pública estadual. De acordo com Valdir Andres, presidente da Famurs, a crise agudizou-se e o próximo passo deve ser o corte de serviços essenciais, em áreas como saúde, educação e assistência social, acrescentando que a maioria já cortou cargos.

 

Paradoxo

O município de Santo Augusto participou do movimento e das reivindicações, porém, “paradoxalmente”, a atual administração desde o inicio do governo vem aumentando despesas com pessoal, a começar pelas benesses oferecidas aos afilhados políticos, alterando “exorbitantemente” a remuneração de alguns cargos em CCs (para cumprir compromissos de campanha), seguindo-se o festival de nomeações de remanescentes do concurso público 2010, já chegando a mais de cem contratações. Isso sem contar os CCs e contratações temporárias. Não se está dizendo que há ilegalidade na nomeação dos novos servidores, mas se está, sim, vislumbrando uma má gestão, no mínimo inconsequente, haja vista que essa gastança desenfreada já se fez sentir com a quebra da salutar tradição do pagamento do salário antes do final do mês. Indício de crise.

 

A voz dos bairros

O jornal O Celeiro desenvolveu, a partir de 21 de março, uma série de reportagens ouvindo os presidentes de associações de moradores de seis dos 14 bairros de Santo Augusto, bem como alguns dos próprios moradores, aleatoriamente. Em todos os bairros houve progresso ao longo das últimas três décadas, melhorias no saneamento básico, na infraestrutura, na habitação, enfim. No entanto, muito ainda há por ser feito. O Poder Público, segundo os moradores, é ausente e deixa muito a desejar. Referem, de forma uníssona, o descaso por parte dos vereadores, uma vez que sendo eles os legítimos representantes, sequer comparecem aos bairros para inteirar-se dos problemas lá existentes e, em nome da população, com a legitimidade que a lei lhes concede, buscar a solução junto ao Poder Executivo. Isso não é feito, queixam-se.

 

De quem é a culpa?

O menino Bernardo, 11 anos, foi encontrado morto, dentro de um saco plástico, enterrado às margens do Rio Mico. A autora confessa, Edelvânia Wirganovicz, mais o pai da vítima, médico Leandro e a madrasta Graciele (Keli), foram presos. Os motivos que levaram à tamanha crueldade parecem ausentes da interpretação humana. Mas de quem é a culpa? Boa pergunta. Coletiva, talvez. A tragédia de Bernardo veio se arrastando há muito tempo aos olhos e ouvidos de toda a cidade de Três Passos. Uma história diferente para uma criança, de injustiça, torpeza e omissão. Olhos e ouvidos se fecharam, e bocas se calaram, influenciados pela síndrome preconceituosa/vira-lata da nossa sociedade sobre a posição social do pai, médico.

 

Aliás

A promotora de justiça Dinamárcia de Oliveira, em entrevista coletiva, pressionada pelos repórteres, ante uma análise da “situação de risco” vivida pelo menino Bernardo, ironicamente disparou: “Que horror, o Ministério Público não fez nada”. Mas eu digo, “que horror que o senhor e a senhora que sabiam disso não procuraram a promotoria e nem o juiz da Infância”. “Cada um que não nos trouxe essas informações tem um pedaço de culpa no caixão do Bernardo”. Virou jogo de empurra. “Culpa foi coletiva”.

 

A propósito

Qual será a “artimanha” da defesa. Só falta culparem o Bernardo. Insensatez!!!