Fernanda Calgaro
Do UOL, em Brasília

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Campanha presidencial 2014 117 fotos

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19.ago.2014 – A ex-senadora Marina Silva (PSB) participa da missa de sétimo dia do falecimento de Eduardo Campos na Catedral Metropolitana de Brasília. Campos, candidato do PSB à Presidência, morreu na quarta-feira (13) em acidente aéreo em Santos (SP). Após a celebração, Marina lamentou que os ideais do ex-governador de Pernambuco tenham ficado conhecidos "ao preço de tamanho sacrifício, de tamanha perda" Leia mais Joel Rodrigues/Folhapress

Em ato de oficialização como candidata a presidente pelo PSB, Marina Silva disse nesta quarta-feira (20) que honrará os compromissos assumidos por Eduardo Campos. "Chego ao PSB com o sentido de responsabilidade, com o compromisso assumido nesses dez meses de intenso trabalho, com a disposição de honrar esse compromisso, de levar adiante juntamente com todos aqueles que estavam construindo esse projeto ao lado de Eduardo, levá-lo adiante com o apoio da sociedade brasileira, que viu revelar-se diante de si o tamanho e a grandeza do político que ele é", declarou.

O nome da ex-ministra no governo Lula e ex-senadora ainda será avalizado em uma reunião protocolar prevista para amanhã com as Executivas dos demais partidos que compõem a coligação. O seu vice será o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS).

Em um breve discurso, Beto Albuquerque lembrou a morte de Campos dizendo que o episódio representou a segunda grande derrota na sua vida. A primeira, afirmou, foi a morte, há cinco anos, do seu filho de 19 anos por leucemia.

O parlamentar repetiu o mantra da dupla de Eduardo e Marina de que eles são a alternativa para uma nova política, sem espaço para as "velhas raposas". "Como disse Eduardo, vamos mandar para a aposentadoria ou a oposição as velhas raposas."

Ele cometeu ainda uma gafe ao se confundir e dizer que irá "governar o Rio Grande [do Sul]", no lugar de "governar o país", provocando risos na plateia, formada por integrantes do PSB e jornalistas.

Intenção de voto

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

Dilma RousseffPT

36
 

Marina SilvaPSB

21
 

Aécio NevesPSDB

20
 

Everaldo PereiraPSC

3
 

Outros

2
 

Brancos e nulos

8
 

Indecisos

9
 

Em entrevista coletiva na sede do partido, Marina disse que recebeu uma "carta inventário" de Roberto Amaral, presidente do PSB. "Recebo essa carta como um pedido de acolhimento, muito parecido àquele que fiz a Eduardo Campos, quando, no dia 4 de outubro, foi negado o registro do partido que eu tentava criar. Aqueles que me acolheram buscam também meu acolhimento. Tenho certeza que vocês sabem que o têm."

Por uma exigência da lei eleitoral, a substituição dos integrantes da chapa precisa da anuência da maioria das seis siglas da aliança — além do PSB, compõem a coligação PPS, PHS, PRP, PPL e PSL. Marina, até então vice na chapa, assumirá no lugar de Eduardo Campos, morto em trágico acidente aéreo na semana passada.

Com um discurso crítico ao agronegócio e evangélica de posições conservadoras, Marina disputará pela segunda vez o Palácio do Planalto e tentará superar o feito de 2010, quando ficou em terceiro lugar pelo PV (Partido Verde), com quase 20 milhões de votos (20%).

Marina, até então vice na chapa de Campos, já entra na corrida eleitoral como um nome mais forte do que o do ex-governador de Pernambuco. Pesquisa Datafolha realizada logo após a morte dele deu indicativos de mudanças no xadrez político.

No levantamento, Marina aparece com 21% dos votos no primeiro turno, o que a coloca em situação de empate técnico com o candidato do PSDB, Aécio Neves (20%). Em pesquisa anterior, Campos havia conseguido apenas 8%.

A presença de Marina também empurra a decisão para um segundo turno, em que ficaria numericamente à frente de Dilma Rousseff (PT), com 47% das intenções de voto contra 43% da petista. É uma situação de empate técnico nos limites máximos da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou menos. 

Partido negado e filiação ao PSB

Com a proposta de compor com Campos uma terceira via no pleito, Marina se filiou ao PSB em outubro passado após o registro da Rede Sustentabilidade, partido que tentava fundar, ter sido rejeitado pela Justiça Eleitoral.

Agora como candidata da chapa, ela terá o desafio de enfrentar o principal foco de tensão entre PSB e Rede e administrar alianças regionais das quais discordou publicamente, como palanque com o PSDB no São Paulo e o PT no Rio de Janeiro.

Biografia

Defensora feroz do meio ambiente, sua principal bandeira, Marina tem uma trajetória pessoal e política bastante ligada à área.
Natural do Acre, Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima, 56 anos, viveu até os 16 em um seringal, quando se mudou para Rio Branco e se alfabetizou.

Formou-se em história em 1984, aos 26 anos, mesma época em que entrou para a política, como vice-coordenadora da CUT (Central Única dos Trabalhadores) no Acre, entidade sindical então comandada pelo seringueiro e ambientalista Chico Mendes.

Filiou-se ao PT no ano seguinte e tentou uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 1986. Acabou derrotada, mas dois anos depois foi eleita a vereadora mais votada de Rio Branco.

Em 1990, tornou-se deputada estadual e, quatro anos depois, senadora, tendo sido reeleita em 2002. No governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foi nomeada ministra do Meio Ambiente, atuação que lhe rendeu reconhecimento internacional.

No governo, sofreu embates com outras pastas, como a Casa Civil, comandada à época por Dilma, que cobrava de Marina mais agilidade na concessão de licenças ambientais para obras previstas de infraestrutura.

Contrariada com o desmatamento na Amazônia Legal e a expansão do agronegócio, Marina deixou o ministério em 2008.

Em 2009, Marina trocou o PT pelo PV, sigla pela qual se lançou à Presidência da República. Derrotada, tentou articular a fundação do seu partido e, no passado, ingressou no PSB.

Ao longo da vida, teve diversos problemas de saúde, como malária, hepatite, leishmaniose e contaminação por mercúrio.

Casou-se pela primeira vez em 1980 e teve dois filhos, Shalon e Danilo. A relação durou até 1985 e, no ano seguinte, conheceu Fábio Vaz de Lima, seu atual marido, com quem teve Moara e Maira.

Aos 51 anos, Beto Albuquerque está no seu quarto mandato de deputado federal e até então era líder da bancada do PSB na Câmara. Crítico do governo desde que o seu partido deixou a base aliada, o parlamentar chegou a fazer parte do núcleo duro da base governista no Congresso no primeiro mandato de Lula (2003-2006), quando foi vice-líder do governo. Ele é filiado ao PSB desde 1986.

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Marina Silva fala de partido que teve a criação barrada pelo TSE36 fotos

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A ex-senadora e ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou neste sábado (16), em evento em Brasília, que o movimento que encabeça para a criação de um partido, que se chamará Rede Sustentabilidade, nasce de uma insatisfação com o modelo político atual Leia mais Roberto Jayme/UOL