• Presidente discursou em inauguração da fábrica de amônia que recebeu o nome de José Alencar, em homenagem ao ex-vice-presidente da República
  • Mais cedo, ela participou da abertura da Exposição Internacional de Gado Zebu em Uberaba, cidade em que morou na infância e que é um dos “currais eleitorais” de Aécio Neves

ARTHUR HENRIQUE FERNANDES, ESPECIAL PARA O GLOBO

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A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de abertura da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras, em Uberaba
Foto: Roberto Stuckert Filho / Presidência

A presidente Dilma Rousseff durante cerimônia de abertura da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados da Petrobras, em Uberaba Roberto Stuckert Filho / Presidência

UBERABA, Minas Gerais – Na véspera de enfrentar uma CPI no Congresso Nacional e sem mencionar os recentes escândalos envolvendo a Petrobras, a presidente Dilma Rousseff (PT) declarou neste sábado que é inadmissível privatizar a estatal como já foi cogitado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) durante inauguração da fábrica de amônia em Uberaba, no Triângulo Mineiro. A candidata à reeleição do PT focou seu discurso com veementes defesas da Petrobras, afirmando que foi só a partir da chegada do PT ao poder que a empresa recebeu pesados investimentos. Mais cedo, a presidente Dilma Rousseff participou da abertura da 80ª edição da Exposição Internacional de Gado Zebu (Expozebu) e recebeu vaias, um dia após a ratificação da candidatura à reeleição.

— Quando falo da imensa capacidade da Petrobras em investir, quero destacar que nos últimos anos, do governo do presidente Lula até meu governo, o total que a Petrobras investiu foi sete vezes maior. O que nós estamos vendo aqui hoje é uma prova disso. O lucro líquido da Petrobras também cresceu muito, passou de R$ 8 bilhões para R$ 23 bilhões. Tudo isso mostra que é inadmissível vender ou trocar de nome da Petrobras como nós jamais fizemos e repudiamos quem faz. É isso que queria dizer aqui hoje, a Petrobras investe a favor do Brasil — discursou.

Na próxima terça-feira, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), a CPI será instalada. No palanque junto com a presidente Dilma, o ministro de Minas e Energia, Édison Lobão, defendeu a estatal atacando a oposição.

— Ela (Petrobras) é hoje vítima de uma minoria, que fala mal dela. Mas enquanto eles falam mal, essa grande empresa nacional trabalha pelo país e por eles também — afirmou.

Antes de Dilma e Lobão discusarem, o presidente do Sindicato dos Petroleiros de Minas Gerais (Sindipetro), Leopoldino Martins deu o tom dos ataques a oposição, ao mesmo tempo que fazia forte defesa da estatal do petróleo. Martins rememorou crises enfrentadas pela Petrobras durante o governo FHC, entre elas, o afundamento da plataforma P-36.

— A empresa foi esquartejada no governo passado. No governo Lula iniciamos a exploração do pré-sal. Hoje, no governo Dilma, contamos com grande capacidade tecnológica, não sofremos arrocho salarial e temos autonomia de negociar. Os algozes de ontem são os defensores de hoje. Estão tentando enganar o povo — destacou.

Com investimentos de R$ 2 bilhões, a fábrica de amônia recebeu o nome de José Alencar, em homenagem ao ex-vice-presidente da República, morto em 2001 após lutar contra um câncer. A fábrica ficará pronta, segundo o governo, no primeiro semestre de 2017. A presidente da Petrobras, Graça Foster, também estava na comitiva.

Vaias um dia após confirmação da candidatura à reeleição

Na manhã deste sábado, a presidente Dilma Rousseff foi vaiada por parte do público, composto principalmente por pecuaristas convidados pela Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ), na abertura da 80ª edição da Exposição Internacional de Gado Zebu (Expozebu), também em Uberaba (MG). Dilma teve de enfrentar a demonstração de desaprovação dos presentes por três vezes na cidade em que morou na infância e que é um dos “currais eleitorais” do seu potencial adversário na eleição presidencial, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB).