A diretoria do Banrisul enviou para a Assembleia Legislativa dois projetos de lei que tramitam em regime de urgência. Um deles, o 276/2013, permite a criação de uma corretora de seguros estatal. Caso os deputados estaduais aprovem o pedido, o banco, que tem 485 agências e 11.870 funcionários, formará uma rede gigantesca de venda de apólices. E o Sincor-RS questiona: qual formação ou habilitação terá esta multidão? Não será esta uma forma de “aperfeiçoar” a venda casada, prática condenada pelo Código de Defesa do Consumidor? O presidente eleito do Sincor/RS, Ricardo Pansera, lembra que, na década de 1990, o banco Bradesco fechou a sua Bradesco Corretora de Seguros e, em uma ação inédita, porém inteligente, entregou a administração dos seguros de todas as suas agências aos corretores de seguros da atividade privada. "O resultado financeiro tornou-se fantástico", diz Pansera: "Os consumidores de seguros, clientes correntistas do Banco Bradesco, tiveram o grande ganho diferencial de um serviço altamente qualificado, prestado por nós, corretores profissionais de seguros, escolhidos e indicados pelo Bradesco, para atuarem em suas agências. O Banco do Brasil e Itaú, embora tarde, já sinalizaram em adotar este caminho de sucesso". Assim como os corretores, também o Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul parece ter acordado de seu sono de gigante em berço esplêndido e resolveu, nesta segunda-feira, pedir cópia do contrato secreto firmado entre Banrisul e Brasil Plural. Neste contrato, o Banrisul passou para a empresa Brasil Plural a tarefa de ajudar na formatação das novas empresas estatais das áreas de seguro e administração de cartões, bem como encaminhar o processo de capitalização das mesmas, via IPO. Os projetos que autorizam a criação das estatais estão na Assembléia e poderão ser votados nesta terça-feira pela Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul a toque de caixa. Os deputados de oposição não querem votar sem ver a cópia do contrato feito com a Brasíl Plural. 

Fonte: VideVersus – Por Vitor Vieira