"Tem dois anos que eu tenho levado porrada que não é minha", afirmou ex-atacante e membro do COL

 

Ronaldo participou de Sabatina do jornal Folha de S. Paulo

Foto: Danilo Vital / Terra

Envolvido em diversas polêmicas e cobrado publicamente pelos problemas da organização da Copa do Mundo no Brasil, o ex-atacante Ronaldo, membro do Comitê Organizador Local (COL) do evento, afirmou nesta quinta-feira, em Sabatina promovida pelo jornal Folha de S.Paulo, que o evento é uma vítima da insatisfação geral que tomou o País, gerando protestos contra a Fifa e a realização da competição.

"Parece que antes da Copa nosso País era maravilhoso, que a saúde era incrível, que não faltava nada nos hospitais. E agora a Copa do Mundo acabou com isso tudo? A Copa do Mundo é uma grande vítima disso tudo. É um evento em que as pessoas deveriam só celebrar", disse Ronaldo, em pergunta que começou citando declaração polêmica que teria sido postada nas redes sociais por um membro do COL.

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Joana Havelange, diretora do COL, escreveu em um perfil no Instagram, em mensagem sobre a Copa, que "não vou torcer contra, até porque o que tinha que ser gasto, roubado, já foi". Ronaldo, que nada tem a ver com o assunto, riu, assim como o público. "A Copa não veio para resolver os nossos problemas. Quem tem que resolver os nossos problemas somos nós mesmos", afirmou.

"A Fifa não ia chegar aqui e resolver a educação e a segurança do País. A Copa veio porque é um evento – talvez o maior do mundo – e era para ser uma festa para os brasileiros. Isso se tornou um problema muito grande, o que é uma pena", afirmou Ronaldo, que ainda ressaltou: sua função no COL era relacionada à imagem, não na organização e execução de obras e do planejamento.

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Com isso, ele explicou as críticas feitas em entrevista recente à agência Reuters, na qual afirmou que tem vergonha da preparação brasileira para a Copa do Mundo. "Os estádios eram a exigência principal da Fifa para fazer a Copa, e aí estão: quase todos terminados, mal ou bem vão estar pronto. Minha vergonha é pela população, que esperava realmente grandes investimentos", disse.

"Esse grande legado da Copa para a população, para a gente mesmo, que são as reformas de aeroportos, mobilidade urbana, tudo o que foi prometido não vai ser entregue. A gente tem estatística de que só 30% do que foi prometido foi entregue. Essa é a minha preocupação, minha indignação e vergonha", afirmou o ex-jogador, em evento realizado no Teatro Folha, no Shopping Higienópolis, em São Paulo.

"Minha entrevista para a Reuters foi porque tem dois anos que eu tenho levado porrada que não é minha. Eu estou só distribuindo a porrada para quem deve receber", desabafou Ronaldo. "A culpa não é minha se no Brasil não temos hospitais decentes", afirmou o ex-jogador, que teve uma das primeiras polêmicas com uma declaração de que com hospitais não se faz Copa do Mundo.

Terra