Vaias e xingamentos à presidente na abertura da Copa, em São Paulo, serviram de combustível para o discurso petista

21/06/2014 | 14h34

Convenção do PT oficializa Dilma e dá o tom da campanha caue fonseca/zero hora

Convenção do PT homologou candidatura de Dilma no sábadoFoto: caue fonseca / zero hora

Em convenção realizada na manhã deste sábado (21), em Brasília, Dilma Rousseff foi oficializada candidata à reeleição pelo PT.

Do discurso do ex-presidente Lula à decoração do auditório, o evento deu o tom da campanha que se aproxima: os 12 anos de governo petista contra o resto do mundo.

A campanha não vai mais ser por "Dilma presidente", como em 2010, mas por "Dilma presidenta" conforme prefere a candidata. A mudança sutil simboliza a valorização da mulher. Ter eleito a primeira presidenta da República é uma dos feitos do partido a ser explorado no discurso veemente de "nós contra eles".

Por "eles", entenda-se todas as administrações passadas desde o descobrimento, o cenário internacional, a mídia e outros tantos inimigos presentes no discurso de abertura do presidente do partido, Rui Falcão:

— Os mesmos setores que no passado atacaram o salário mínimo, a abolição da escravidão são os que hoje condenam o Bolsa Família, resistem ao sistema de cotas e atacam o Mais Médicos.

Antes da votação simbólica que consagrou Dilma, o ex-presidente Lula discursou. Começou pedindo que o marqueteiro João Santana colocasse no telão o depoimento de uma catadora de papel de Minas Gerais favorável à Copa do Mundo.

— Escolhi uma pessoa que teria todas as razões possíveis para ser contra a Copa. Ela não vai ter ingresso para assistir aos jogos, mas está orgulhosa de ver do que o brasileiro é capaz. Não é surpresa para mim. È todos os dias nós mostrando pra eles que temos condições de fazer o que eles tiveram 500 anos e não fizeram – discursou Lula.

As vaias e xingamentos à presidente na abertura da Copa, em São Paulo, serviram de combustível para o discurso petista:

— O que aconteceu com a Dilma me fez dobrar os esforços para elegê-la. O medo deles é: "e se essa mulher continuar e fizer mais? Não é que esses baixinhos vieram para ficar?"

Tanto os discursos o ex-presidente quanto de Dilma foram ilustrados no telão por números que comparavam o cenário anterior ao posterior aos 12 anos de governo petista. Chamada ao microfone ao som de um jingle em ritmo de baião, Dilma falou por quase uma hora. Em discurso bem mais longo e bem mais morno do que Lula, ela fez coro ao antecessor.

— Vivemos o mais amplo e vigoroso processo de mudança do nosso país, o que colocou o povo como protagonista. Se a esperança venceu o medo em 2002, agora a verdade deve vencer a mentira e a desinformação — declarou a agora candidata.

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