Do advogado de defesa: Mas ela (madrasta assassina) não vai declarar para o processo, ela vai declarar para a sociedade, ela vai prestar contas pra sociedade seu "eventual" envolvimento "ou não envolvimento" nesses fatos. "E aí eu acho que essa núvem escura que redemoinha sobre, principalmente, a cabeça dela, acho que ela há de se DISSIPAR". Se for essa a estratégia da defesa, no mínimo o causídico pensa que todo mundo é imbecil. 

 

 

 

Em entrevista à rádio Ciranda na sexta-feira, dia 25 de abril de 2014, às 16h, o advogado Vanderlei Pompeo de Mattos falou sobre a sua cliente Graciele Ugulini (Keli), madrasta e envolvida na morte do menino Bernardo.

Degravei e estou postando esta entrevista para que o internauta tire suas conclusões. Sugiro a leitura de todo o texto e a interpretação das entrelinhas.

Eis a íntegra, nos exatos termos que Pompeo se pronunciou:

Estamos aqui para fazer alguns esclarecimentos para a sociedade, sobre algumas questões que acho importantes. Inicialmente a minha formação em ciências jurídicas e sociais, quando a gente assume o compromisso e presta o juramento é defender o cidadão. O meu sacerdócio é advogar, gosto, amo o que faço. Me inclinei para o lado penal e tenho me esforçado, tido sorte nos processos, ido relativamente bem, e isso resulta num chamamento das pessoas quando estão em situações dessa natureza. Eu tenho dito que todo o profissional do direito, ele não advoga defendendo o crime praticado pelo seu cliente, ele advoga os interesses da defesa do seu cliente. Porque constitucionalmente nem tem como acontecer um julgamento, não tem como ser praticada a boa e necessária justiça sem a presença do defensor, do advogado. A minha constituição para assumir esse múnus aí me fez refletir, me fez pensar, quando eu fui procurado por um cidadão santoaugustense que tem uma das melhores reputações no município, que se chama Plinio Ugulini. O seu Plinio Ugulini, e eu cuido até para não me emocionar, porque nos idos de 1979, quando meu pai estava nos seus finalmente, morreu novo, com 55 anos, no dia 16 de fevereiro de 1980. O meu pai era amigo do seu Plinio e pediu para o seu Plinio no seguinte sentido: Plinio, cuida desse guri que ele é muito novo. Sei que não vou aguentar muito, sei que vou logo, e eu indo tu cuida desse guri. Não sei se o seu Plinio fez alguma coisa por mim, certamente algumas vezes que a minha mãe deve ter a oportunidade de interagir com ele, esteve pronto, é uma forma nata dele ser prestativo e humano. E o seu Plinio, por conta disso, tem um vínculo muito forte comigo, em memória do meu saudoso pai e, diretamente, com a minha pessoa. Ele me procurou, e eu vou dizer assim: refleti, evidentemente, mas também lembrei dessa passagem singular na minha vida, e o quanto ele representava para o meu pai. E quando ele me procurou para me constituir para a defesa da sua filha, ele não jogou nada disso, não é nato do Plinio, porque o Plinio é uma pessoa que se doa sem querer nada em troca. Mas, por questões humanas e cristãs do meu lado eu achei justo olhar aquele velho pai de 82 anos, que tem um trabalho fantástico, social, de envolvimento em todo que é setor da comunidade, que tá abatido, que tá sofrido com o que está acontecendo, e aí eu disse: “eu vou abraçar essa causa”. Me sentiria covarde em negar ao Plinio Ugulini esse modesto préstimo advocatício da defesa da sua filha, em defender os direitos constitucionais, jurídicos, legais da filha dele, sem jamais querer defender eventual prática do ato criminoso, se efetivamente ela está envolvida no fato. Então isso foi o motivo causador de eu aceitar, e sei que repercutiu na sociedade, e eu até agradeço o carinho de muitas pessoas que me ligam e mandam mensagem por telefone, no face do Brasil inteiro, amigos, colegas de profissão, pessoas que a muitos anos não via, respeitando a decisão que eu tomei em aceitar esse múnus aí, porque é ínsito do profissional do direito trabalhar na defesa das pessoas quando estão sendo processadas, estão em cárcere, e por conta disso, também aquelas pessoas que não compreenderam certamente talvez um dia compreenderão, e o advogado está ali, porque, se vê um assaltante, um bandido, aqui na cidade metralhando na frente da uma agência bancária, matar dois, três, e um policial, um brigadiano balear um lá, e socorrer esse bandido e levar lá no hospital, os médicos que forem atendê-lo não poderão terminar de matá-lo, terão de prestar o socorro. Aí vamos execrar, vamos linchar aquele médico que salvou a vida do bandido? Não. É o ofício dele.

Eu compreendo a posição das pessoas (que o criticam por ter pego uma causa perdida), mas eu não sei, a Graciele não me participou nada, e as pessoas que estão me censurando por eu atuar, é aquilo que eu fui procurado inicialmente pelo seu Plinio Ugulini, eu vou defender os interesses dela para um julgamento justo, porque se não tiver um advogado ela vai pra rua amanhã, se não tiver um defensor, claro que o Estado poderá nomear um defensor público, mas ela não é uma pessoa miserável, ela tem certas posses, ela tem poder para constituir um advogado. Porque não é justo o Estado nomear um defensor dativo, que é pago por ti, por mim, pela sociedade, o salário deles, para uma pessoa de posses. A assistência judiciária gratuita é estendida aos que necessitam, aos comprovadamente pobres, e sem condições financeiras para isso. Então eu aceitei, estou aí exposto na mídia, ouvindo alguns dizerem, ah, vai ganhar notoriedade, vai ganhar mídia, mas eu te pergunto (referindo-se ao entrevistador), eu que pedi para vir aqui, ou foi você que pediu que eu viesse? Então, foi a imprensa que convidou. Eu estou vindo aqui conversar com a imprensa, e não liguei para nenhuma rádio, pra nenhuma televisão, nenhuma revista e nenhum jornal, eles que procuram, então a gente está prestando conta com muita cautela, mas aí tem pessoas que dizem: É para aparecer na mídia. Não, não é isso, estou fazendo o meu trabalhinho, meu feijão com arroz no meu escritório, com dignidade, com retidão, com respeito, e se veio para com essa repercussão, e nós sabemos que a grande imprensa no Brasil dá o espetáculo que ela quer, então infelizmente faz aquela espetacularização e a gente acaba se tornando um coadjuvante no meio desse cenário todo, mas involuntariamente, não que eu esteja buscando espaço na mídia, jamais.

Quando ocorreu o ato de prisão da Graciele e do Leandro, a própria delegada coordenadora dos trabalhos da investigação pediu para que a SIMONE (irmã de Graciele) pegasse a MARIA VALENTINA (filha do casal, de 1 ano e 5 meses) e levá-la com ela, e assim ela fez. Aí ela pegou, tomou a criança e existe, assim como ela é tia, tem um tio pelo lado do Leandro, o senhor Paulo, de Campo Novo. Na semana passada eles conversaram e ficou acertado de que a criança ficaria com a SIMONE. Por quê? Porque a SIMONE apoiou a gravidez, ajudou no parto, ela é enfermeira, e a criança tem a SIMONE como uma segunda mãe, e o menino, a Simone tem uma criança de cinco para seis anos, interage com a Maria Valentina, tendo-a como irmã. Então ela está bem assistida nessas partes. Aí por questões de cautela nós propusemos hoje, pra oficializar e regulamentar essa guarda, propusemos aqui no Foro da comarca de Santo Augusto, o pedido de guarda, e aí parece que a promotora está tentando lá em Três Passos uma medida protetiva para acriança, mas pelo que falaram seria para oficializar um parente, então vai redundar no que nós estamos propondo aqui no juízo da comarca de Santo Augusto, porque a Simone está morando com o seu Plinio, apta, capaz e a mais indicada para cuidar desse inocente de um ano e dois meses.

No primeiro momento que falei com a Keli (Graciele) eu senti que ela levou um baque, sentiu um constrangimento, quem sabe até se sentindo envergonhada, porque eu chegando lá, crioulo de Santo Augusto como ela né, amigo da família, e ela lá jogada às traças, não tinha recebido roupas, mal vestida, naquela masmorra que a gente sabe que é um cárcere. Aí, era na hora que o delegado Marion e a delegada Cristiane iam falar com ela, interrogá-la. Aí ela desandou, não teve condições de prestar depoimento, e optou por ficar em silêncio. Foi assim esse primeiro momento. Ontem eu fui lá, sabe, veja bem, a situação da Graciele, a sociedade, os justiceiros de plantão, os julgadores de plantão, infelizmente tem, as pessoas muitas vezes dizem equivocadamente, na emoção se deixam levar. E às vezes lançam umas opiniões assim até de certa forma censuráveis que não deveriam dizer. Por quê? Porque a Graciele, a Keli, ela já está no inferno astral dela. Pra sociedade ficar sabendo, ela está numa cela isolada, deve ter lá seus 15 metros quadrados, não tem chuveiro, ela toma banho que vem de um cano de água da parede, estão vendo que a temperatura está amena e vem água fria, é ali que ela está tomando banho; ela não tem um vaso para fazer as necessidades fisiológicas, é um buraquinho lá que fica de cócoras lá, ela não tem uma pia, é um tanquinho lá que vai tomar água que vem pela torneira, ela não tem a cama, é uma laje onde jogam um colchão, que foi para cima daquele colchão que foi deixado por outro preso para se cobrir com as cobertas que o outro preso deixou, não sabemos em que de condições de higiene era o outro preso, se tem lá um inseto, uma barata, pulga, piolho, até doenças contagiosas, é lá que ela se encontra, ela não tem um rádio, ela não tem uma televisão, ela não tem um jornal, ela não tem um livro, ela não tem contato com ninguém, ela está lá 24 horas por dia nesse minúsculo quadrado, que até hoje inclusive nem o sol ela tomou e ela recebeu a segunda visita minha. “Então a sociedade tem que saber que se efetivamente ela vier a, se ela disser que teve participação, se ela contribuiu de uma ou de outra forma, se ela cometeu isso aí, ela já está pagando um preço caríssimo, caríssimo por isso aí que atingiu, foi uma vida, “mas a vida dela como está?”

Eu estou sabendo pela imprensa, a gente tem que trabalhar com a coisa mais concreta e com base na prova que tem nos autos. Indícios tem bastante, a gente não pode ser hipócrita de dizer que não tem nenhum indício, há indícios com certeza, agora, eu como constituído pela família do seu Plinio Ugulini a hora que eu for, e tenho a dizer ainda, pra sociedade que nos escuta, em testemunho da boa verdade, que eu tecnicamente, eu vou orientá-la a declarar, a prestar contas para a sociedade, que ela diga, e ela está se inclinando a dizer, se participou, se não participou, se contribuiu ou não contribuiu, ou até onde contribuiu. Esta é a minha postura como defensor dela, para que ela preste contas pra sociedade, porque os indícios do crime sendo doloso contra a vida, ele tende a ser julgado pela sociedade comum do povo que seria dos juízes leigos, através do júri popular. “Então desde agora, até também para diminuir ou cessar essa especulação que existe até o presente momento”.

Eu tive acesso ao inquérito, só que o juiz liberou peças, entretanto, considerando que corre em segredo de justiça a gente sabe estrategicamente a polícia retém coisa que ela não quer que a defesa veja. Eu sou um cara muito coerente, eu não vou lá querer atrapalhar o serviço da polícia. Fui ontem na delegacia porque a delegada me chamou. Eu não tenho que atrapalhar, deixa que eles façam o trabalho deles. No momento de eu apresentar o meu trabalho eu vou apresentar. O meu trabalho é na fase judicial onde tem o princípio do contraditório, e onde o processo está instaurado, aí que eu vou começar a trabalhar na defesa técnica efetivamente.

Nós temos um caso recente ali de Novo Hamburgo, aquela moça Cristiane D’Dávila, matou o marido, a irmã e o cunhado, e foi considerada inimputável né, ela tinha transtorno psicológico, a perícia atestou isso sabe. Eu não sei o quadro da Graciele porque eu não tenho esse conhecimento científico e não tenho como detectar olhando pra ela. Eu vejo ela absolutamente, nas duas vezes que eu avistei ela na visitação lá no parlatório do presídio, eu não encontro a Graciele que eu conheci aqui em Santo Augusto. Eu enxergo um outro semblante, uma outra postura, uma outra face né, só que não sou eu que posso atestar que ela estava capaz ou incapaz, isso só a psiquiatria pode dizer.

Conheço bem o Dr. Fernando (juiz de direito da comarca de Três Passos), tenho ele como amigo quase que íntimo particular, e não conheço pessoalmente a Dra. Dinamárcia, sei da capacidade intelectual do Dr. Fernando invejável, um homem muito sábio. Mas o “se”. Se tivesse isso, se eu tivesse atrasado um minuto eu não tinha batido o carro, se eu não tivesse bebido eu não tinha tropeçado, caído e quebrado o braço. Todo o “se”. Ah, se o Dr. Juiz fizesse isso, se a Dra. Promotora… O que que acontece, dramatizam demais, e eu não quero estender responsabilidade a esse ou aquele. Nós temos um quadro, e eu como advogado posso dizer, que a gente critica muito o poder judiciário, não critica o poder judiciário. O poder judiciário, o ministério público eles são muito protegidos. A gente pra falar mal de um deputado, chamar de ladrão tá na cultura nossa. O que que acontece. As mazelas do poder judiciário tem que vir à tona, as mazelas ministério público tem que vir à tona, a sobrecarga de trabalho dessa gente, a falta de recursos humanos, o atraso que existe, a parte burocrática, e isso muitas vezes, o Estado acaba não prestando aquele serviço de excelência que tem expectativa a população. Então, de repente por um volume excessivo de trabalho o juiz pega aquele processo, mais um e mais um, e o ministério público dá um parecer e opina e é mais outro que vem de atrás, e um caso aqui, um caso ali, então isso é discutível também, mas jamais eu poderia dizer, pelo que eu conheço da competência do Fernando e da Dinamárcia, uma omissão da parte deles, eu acredito que não. Eu jogo isso na vala do grande volume de trabalho que tá pra cima do ministério público e da magistratura gaúcha, ou seja, pra cima do Estado. E o Estado tá sendo muito omisso. E aí deveria capacitar mais sobre todos os aspectos, esses órgãos públicos, judiciário, ministério público, polícia, e assim por diante, pra prestar um serviço público eficiente, dentro da expectativa da sociedade.

A gente peca pela ação e pela omissão. Então eu acho que tem muita conduta omissiva nesse contesto geral aí que redundou nessa tragédia aí, que poderia ter sido evitado. Hoje o caso está aí, é irreversível, tá consumado, não tem mais volta, que sirva de repente pra, quem sabe, com o sacrifício de uma vida na tenra idade, para reflexão das nossas autoridades, das nossas instituições, dos nossos poderes constituídos, enfim né, para saberem hoje e amanhã, a semana que vem, analisar de forma mais consistente, mais criteriosa, fatos que muitas vezes não parecem ser tão relevantes e complexos, mas pode remeter para uma fatalidade, para uma tragédia, em cima das mazelas das nossas instituições.

A confissão espontânea numa final condenação ela contribui e positivamente o juiz tem que tomá-la como uma atenuante na hora da aplicação, na hora da chamada dosimetria, da dosagem da pena. Mas eu não to preocupado tanto com isso sabe, pela minha linha de trabalho eu vejo assim, até pelo próprio perfil da Graciele, da Keli, da sua família, que ela vai prestar contas pra sociedade. Ela vai contar pra a sociedade, e a sociedade que vai julgar consequentemente né, através do júri popular, e se ela cometeu ela vai responder, e eu vou trabalhar também no sentido de prepará-la. Eu digo assim, até andei discutindo com amigos, com pessoas, ela vai responder pela lei dos homens da terra. Agora, eu como cristão que busco o conhecimento da palavra digo, “a Keli, no momento que ela tiver um verdadeiro encontro com Deus, se arrepender no fundo do seu coração, e alinhar sua vida, é uma mulher que pela infinita misericórdia de Deus, eu vou encontrá-la um dia no céu”. O Cristianismo prega isso, e “aí que eu fico com pena daquelas pessoas justiceiras de plantão, porque veja bem, se diz cristão, vai na missa, vai no culto, mas diz, ah, se eu pego essa mulher eu queria matar. Mas então você está caindo naquela vala da bandidagem, que você prega a morte, né. Não. Nós temos que pregar o amor, o perdão e a reconciliação em sociedade com Deus”.

… eu evoluí muito no estudo do meu cristianismo, entendeu? O meu coração sempre foi um coração manso, sabe, eu sempre fui uma pessoa voltada pela paz, e para a paz, ne.E claro, os atos de molecagem e esse jeito moleque que um tem mais outro tem menos, isso não se confunde com atos de violência. Muito bem, esse meu jeito brincalhão de ser, essa minha informalidade. Agora, esse meu coração é um coração muito perdoador, o meu coração. Tanto que já tomei umas pauladas, já tomei bola nas costas, já fui traído por pessoas do meu círculo, e não fico armazenando tentativa de me vingar um dia, nem de ódio, nem raiva, não. Vou esquecer dele, que Deus o perdoe, e assim por diante. Eu vejo assim: toda pessoa que comete pratica um erro na vida, comete um crime, seja pequeno, grave ou bárbaro, ela tem chance de um dia se ressocializar, ela vai pagar o preço disso, e como relatei aonde está a Keli hoje, e ela já está pagando, se efetivamente teve envolvimento, e, eu com esse coração manso que eu tenho, com o conhecimento científico na área do direito, e com esse meu incremento do lado do meu cristianismo, eu defendo as pessoas e sempre defenderei sabe, com a maior proficiência possível, e seriedade e responsabilidade, até porque o profissional, no penal, se ele não exercitar os atos de defesa bem tecnicamente, bem fundamentadamente, o próprio magistrado tem a obrigação de afastar um defensor, nomear um outro, mandar que a pessoa procure um outro defensor, por conta da defesa inepta, por conta da ineficiência da defesa. Então eu faço essa defesa, da Keli, dos interesses dela, dum justo julgamento, do julgamento justo, que seja praticada a justiça verdadeira, correta, certa, séria, responsável, equilibrada, e a alma tranquila, de coração tranquilo, pedindo a compreensão da sociedade, dos meus clientes, de alguém que ainda não tinha talvez se inteirado com profundidade, desse meu vínculo familiar com o seu Plinio, e desse sacerdócio meu que é advogar. Eu vim pra defender. Só procura médico quem está doente, os sãos não precisam de médico, O próprio Jesus Cristo falou quando ele foi criticado de estar junto com os cobradores de impostos. Ele veio para curar os doentes, não os sãos. E a gente tá aqui pra lutar, pra ver se recupera essas pessoas que erram.

Eu aceitei pegar essa questão, mas não tem fortuna atrás disso, tem um sentimento deste cristão pecador para com o seu Plinio em primeiríssimo lugar. Em primeiríssimo lugar foi isso que me levou a estar onde eu estou na defesa da Keli. Segundo lugar, como cristão eu já expliquei que “eu tenho esse meu coração perdoador”. Com referência à dor da família do Bernardo, evidentemente, eu tenho família, eu tenho uma filha, um filho, quem não sentiria uma perda ainda mais violenta, evidente, eu me compadeço com isso e me coloco no lugar deles, mas as pessoas também têm que encarar que eu não estou defendendo um ato criminoso, estou defendendo a pessoa, eu não defendo o crime, jamais fico aí propagando saiam por aí matando que o Pompeozinho defende, saiam roubando que o Pompeozinho defende, saiam traficando que o Popeozinho defende, não, jamais, eu luto é pela recuperação da pessoa, eu faço um trabalho acima de tudo de cunho social, entendeu, como eu disse a pouco que tem guris que na década de 90, ali 93, 94, se envolveram em atos dolosos contra a vida, em homicídio, responderam, foram embora e hoje voltam aí com família, recuperados, ressocializados, é isso o meu firme e bom propósito.

Dizem que a mãe do menino tinha problemas de distúrbios mentais, não sei se é genético talvez quem sabe a própria avó tenha, eu não sei se ela tinha irmã e irmãos porque que não interviram. Mas eu lembrei um detalhe agora, que a SIMONE me participou, de que quando o Leandro foi acho que a segunda vez visitar a Keli no apartamento da Simone, levou o Bernardo junto, tinha lá seus seis ou sete anos, e saíram, daí depois o Bernardo falou pra Keli: tia, é você que vai me cuidar de agora em diante? E de mãos dadas, e a coisa andou bonito. A Keli comentou com a Simone: bah, que guri querido, e tudo mais. E essa criança cresceu, e ela foi tomando pé dum quadro, de uma situação quem sabe foi vendo que a mãe se suicidou e o guri tem, a gente viu que ele estava com uns distúrbios, um guri  afetivo, amoroso, carente, mas também ele tinha uns atos de rebeldia, etc. e tal, e as coisas quem sabe foram contribuindo, e ele foi crescendo, e tudo cresce não é, na mesma proporção, problemas, angústias, decepções, rebeldia, uma série de fatos então, lamentável o final dessa história.

Neste final de semana vou conversar com a Keli, e vai depender dela, daí agendamento com a autoridade policial, de repente, quem sabe, segunda ou terça ela já tá prestando contas. Mas ela não vai declarar para o processo, ela vai declarar pra sociedade, ela vai prestar contas pra sociedade, seu eventual envolvimento ou não envolvimento nesses fatos. E aí eu acho que essa nuvem escura que redemoinha sobre principalmente a cabeça dela acho que ela há de se dissipar.