José Ivo Sartori recorda momentos de sua trajetória e de apelido na UCS.

G1 publica os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul.

 

Caetanno FreitasDo G1 RS

 


 
José Ivo Sartori é o candidato do PMDB para a disputa de governador do RS (Foto: Felipe Truda/G1)Sartori não nega perfil durão e exigente, até mesmo em momentos com a família (Foto: Felipe Truda/G1)

A semelhança com Getúlio Vargas por conta do estilo convicto e durão rendeu um apelido que permaneceu por toda a faculdade de filosofia, especialmente no período em que esteve, por três anos, no comando do Diretório Central de Estudantes (DCE) da Universidade de Caxias do Sul (UCS). A figura do ex-presidente seguia viva no imaginário popular na década de 1970, mais ainda para quem recém engatinhava na carreira política como José Ivo Sartori (PMDB), o “Getulinho”. Àquela altura, era apenas estudante, embrião do futuro parlamentar, e jamais poderia se imaginar candidato ao governo do estado 40 anos depois do estigma que lhe foi imposto, livre do perfil autoritário e agnóstico do “pai dos pobres”.

Candidatos a Governador do Rio Grande do sul - José Ivo Sartori - PMDB (Foto: Divulgação)

Desta segunda-feira (28) até a outra segunda (4), o G1 publica os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. A ordem de publicação foi definida a partir das intenções de voto da pesquisa Ibope divulgada no dia 19 de julho. No caso em que houve empate, foi usada a ordem alfabética.



A dificuldade para falar da vida pessoal surgiu desde os primeiros minutos da entrevista que concedeu ao G1 do 12º andar de seu “apartamento-satélite”, numa terça-feira ensolarada em Porto Alegre. O local serve apenas de apoio quando Sartori viaja de Caxias do Sul para eventuais compromissos na capital. Retraído, decidiu abrir uma roda de chimarrão para quebrar o gelo e a formalidade do encontro. Se revelou um homem simples, apegado às raízes e religioso a ponto de estudar em um seminário para se tornar padre. Preferiu não adiantar propostas de governo, mas assumiu a postura de quem vai "correr por fora” para chegar ao Piratini.

“Não me preocupo com os outros candidatos. São todos muito fortes. Da mesma forma, acho que eles também não precisam se preocupar muito comigo", diz. "Se vencermos a eleição, vamos para o trabalho no primeiro dia, logo após a transição. Não gosto de antecipar nada. As decisões precisam ser muito bem pensadas para não cometer equívocos. Temos um plano de governo, temos metas. O que todos querem é que alguém assuma essa liderança para recolocar o estado no papel de protagonista”, sustenta o candidato do PMDB.

Montagem de fotos dos candidatos a governador do Rio Grande do Sul - Sartori (Foto: Arquivo Pessoal)Sartori aparece em cinco imagens importantes na sua trajetória. Na parte de cima, a adolescência e a formatura na faculdade de filosofia. Nas demais fotos, já na política, registros do seu início no PMDB, do encontro com Ulysses Guimarães e em sala de aula quando era prefeito de Caxias (Foto: Arquivo Pessoal)

Sartori tem 66 anos, é casado com a deputada estadual Maria Helena Sartori (PMDB), e tem dois filhos, Marcos e Carolina. Nasceu no “interior do interior” de Farroupilha, na Linha Amadeu, distrito de São Marcos, na Serra. Saiu cedo do município. Com 13 anos, quando fazia parte da juventude católica, mudou-se para Antônio Prado para integrar o movimento estudantil. De forma tímida, começou a tomar gosto pelo que faz desde 1976, quando foi eleito vereador de Caxias do Sul, cidade que o acolheu e onde vive há 48 anos. “Quem diria que Caxias se desenvolveria tanto ao longo dos anos e teria essa importância tão grande”, reflete.

José Ivo Sartori é o candidato do PMDB para a disputa de governador do RS (Foto: Felipe Truda/G1)José Ivo Sartori diz que não se preocupa com os

demais candidatos (Foto: Felipe Truda/G1)

“Comecei muito cedo na política. E isso que cursava filosofia, acredite se quiser”, brinca o candidato. “Fui presidente de Grêmio Estudantil e presidente do DCE da UCS por três anos. Meus colegas me chamavam de Getulinho na época. Foi um tempo de bastante crescimento”, observa, antes de falar sobre o período de três anos que passou no seminário de Caxias do Sul. “Me tornei uma pessoa séria, centrada. Sou o que sou por causa daquele tempo."



Além de vereador, também foi deputado estadual durante cinco mandatos consecutivos e chegou a presidir o parlamento gaúcho entre 1998 e 1999. Foi deputado federal em 2002, dois anos antes de ser eleito prefeito de Caxias, cargo para o qual foi reeleito em 2008. O candidato a vice na sua chapa é José Paulo Cairoli (PSD), ex-presidente da Federasul.

O homem que leva consigo ensinamentos de seu pai sobre humildade e simplicidade vê o PMDB numa situação bem diferente daquela de 2002, quando o partido surpreendeu na eleição elegendo Germano Rigotto. Por conta da responsabilidade, admite que às vezes perde o sono. “O que mais desejo é contribuir para o processo eleitoral. Sei que temos um papel importante nessa quadra histórica. Temos de tocar em frente. Agora é para valer”.

Assista ao vídeo selfie gravado pelo próprio candidato, a pedido do G1:

 

Na entrevista, o G1 pediu que José Ivo Sartori respondesse a três perguntas feitas a todos os candidatos. Confira as respostas abaixo.



– Na sua opinião, qual é o principal problema do Rio Grande do Sul?

Apontaria as finanças do estado. Todos percebem, até pelas dificuldades para investir, especialmente em infraestrutura, na questão das estradas. Não cabe aqui colocar a culpa em alguém, transferir responsabilidades. O que a população quer é que alguém assuma essa liderança para recolocar o estado no papel de protagonista. Essa condição não é tão difícil de ser superada. Claro que vai levar tempo. Mas este é um estado promissor. A saída é construir o mínimo de convergência e fazer um pacto de unidade para enfrentar essas situações e acelerar o desenvolvimento.

– E a maior virtude do estado?

Acho que o Rio Grande do Sul foi acostumado com a luta. O povo gaúcho sabe enfrentar grandes desafios, sejam internos ou externos. A maior virtude é que existe um alto índice de consciência e politização no estado. Até pela história. Sempre houve embates importantes no estado. Às vezes somos considerados separatistas, mas a verdade é que somos os mais patriotas de todos.

– Como o senhor vai mudar a vida dos gaúchos nos próximos quatro anos?

Primeiro é ter a certeza de definir prioridades. Mas temos de ter democracia, fazer um governo plural, democrático para construir um novo governo. Ninguém governa sozinho, sem pressão. A população sempre quer mais. temos de trabalhar em equipe, de forma integrada e construir referências para a sociedade. Hoje não se faz mais governo sem alianças políticas e nem com pessoas tecnicamente preparadas e politicamente sintonizada. Para mim isso é um desafio muito grande.