Vieira da Cunha vê estado "endividado", mas quer investir no ensino.

G1 traça os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul.

 

Felipe TrudaDo G1 RS

 


 
Vieira da Cunha representa o PDT na corrida pelo Piratini (Foto: Caetanno Freitas/G1)Vieira da Cunha representa o PDT na corrida pelo Piratini (Foto: Caetanno Freitas/G1)

Como quem declama uma poesia, o deputado federal Vieira da Cunha (PDT) repete um trecho do discurso de Leonel Brizola na Campanha da Legalidade, em 1961. "A morte é melhor do que a vida sem honra", recita. Mas o candidato ao governo do Rio Grande do Sul não precisa falar para evidenciar a identificação com o célebre político cuja morte completou 10 anos em junho, e de quem se orgulha por ter chamado de amigo durante boa parte de sua trajetória política. Basta entrar no apartamento localizado no bairro Menino Deus, na região central de Porto Alegre, onde vive mesmo atuando no Congresso Nacional, em Brasília, para identificar a influência do líder pedetista na vida do parlamentar.

Candidatos a Governador do Rio Grande do sul - Vieira da Cunha PDT (Foto: Divulgação)

Desta segunda (28) até a outra segunda (4), oG1 publica os perfis dos oito candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. A ordem de publicação foi definida a partir das intenções de voto da pesquisa Ibope divulgada no dia 19 de julho. No caso em que houve empate, foi usada a ordem alfabética.



Ainda nos primeiros dias de campanha, Vieira recebeu o G1 em sua residência ornamentada com as lembranças de Brizola, como um pequeno boneco com a caricatura do líder e um quadro autografado, onde um jovem Vieira da Cunha sorri abraçado ao ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro. Até mesmo uma foto do líder pedetista comendo melancia ele guarda. "Voltávamos de uma ação beneficente na Restinga [na zona sul da capital] e ele pediu para parar em uma fruteira", relembra, com um sorriso que denota nostalgia.



Vieira sonha sentar-se na cadeira ocupada há mais de 50 anos por Brizola, diz que educação é a "prioridade das prioridades", mas reconhece que, para investir em escolas, terá de lidar com o que considera a "dificuldade de investimento" do estado "mais endividado da nação". "Não há setor em que se possa melhor investir dinheiro público do que na educação. Por outro lado, é verdade que temos dificuldades, mas temos de estabelecer prioridades. E a minha será essa", diz o candidato. "É mais que um compromisso, é obstinação", acrescenta.

Montagem de fotos dos candidatos a governador do Rio Grande do Sul - Vieira da Cunha (Foto: Arquivo Pessoal)Vieira da Cunha aparece em cinco momentos marcantes de sua vida. Acima, quando presidiu o Grêmio Estudantil do Colégio Anchieta, e quando se tornou vereador. Logo abaixo, como orador na formatura de direito e assumindo a presidência da CEEE ao lado do então governador Alceu Collares. Na última foto, assume a presidência da Assembleia Legislativa, em 2004 (Fotos: Arquivo Pessoal)

Nascido em Cachoeira do Sul, na região central do estado, Vieira rodou o Rio Grande durante a infância. Viu o pai trabalhar em cidades como Passo Fundo, Jaguari e Santiago para só depois chegar a Porto Alegre. Mas ainda criança o deputado iniciou a sua trajetória política, quando, aos 12 anos, aluno do Colégio Anchieta, na capital, conheceu uma região carente em atividade escolar. "Já conhecia a pobreza, mas ali conheci a miséria", conta.

Vieira da Cunha representa o PDT na corrida pelo Piratini (Foto: Caetanno Freitas/G1)Vieira da Cunha representa o PDT na corrida

pelo Piratini (Foto: Caetanno Freitas/G1)

Nos tempos de faculdade, presidiu o grêmio estudantil da UFRGS. Organizou um seminário com políticos que voltaram do exílio, em 1979, no qual conheceu o homem em quem mais se espelha. "O Brizola me conquistou", diz. Após deixar a entidade, ingressou no PDT. Foi suplente na primeira eleição, e durante o governo de Colares, foi empossado vereador aos 25 anos. Desde então, ocupou três mandatos na Assembleia e hoje se vê próximo do fim do seu segundo na Câmara.

Mesmo trabalhando em Brasília, não deixou de morar na capital gaúcha. A ideia de permanecer no estado foi da mulher Luciane, com quem tem uma relação que já dura 33 anos. Juntos, tiveram os filhos Carlos e Eduardo e as gêmeas Marina e Alice, de 12 anos. Para Vieira, foi melhor assim. "Se eu me mudasse para Brasília, conviveria menos ainda com eles", justifica.

Vieira tem na parede uma foto em que aparece sorrindo com a mulher e os filhos na praia. Ao olhar para a imagem, diz sentir-se motivado a lutar para que todos tenham a mesma chance, de fazer parte de uma família estruturada. Para o deputado, a convivência não é só um refúgio após debates intensos na Câmara e na campanha, mas também um estímulo, semelhante ao que surgiu ainda aos 12 anos no Colégio Anchieta.

Assista ao vídeo selfie gravado pelo próprio candidato, a pedido do G1:

 

Na entrevista, o G1 pediu que Vieira da Cunha respondesse três perguntas feitas a todos os candidatos. Confira as respostas abaixo.

Na sua opinião, qual o principal problema do Rio Grande?

O principal problema do Rio Grande do Sul é profunda crise financeira. Somos o estado mais endividado do país, são mais de R$ 40 bilhões de dívida, e nós estamos sufocados em nossa capacidade de investimento. É um dos menores da história. O governo atual consegue investir apenas 5% de sua receita de corrente líquida. Isso significou um investimento baixíssimo no ano passado, na ordem de R$ 1,4 bilhões, o que está muito aquém das necessidades do estado. Estamos prestando um serviço desqualificado nas áreas para as quais existe o Estado, como a educação, a saúde, a segurança e a infraestrutura.

E a maior virtude?

É a capacidade empreendedora do seu povo, a capacidade de trabalho do seu povo. O povo gaúcho é desbravador, conquistou outros estados, levou desenvolvimento a outras unidades da federação, então é um povo que tem essa marca do trabalho e da competência, e acho que nosso desafio é fazer com que nossos valores permaneçam aqui, que nós possamos fazer com que o gaúcho possa crescer, empreender, gerar riqueza no seu próprio estado.

Como o senhor vai melhorar a vida dos gaúchos nos próximos quatro anos?

Fazendo com que o governo do estado cumpra sua função, que é devolver os impostos que a população paga com os serviços públicos de qualidade. Eu sou um trabalhista da escola de Leonel Brizola, então para mim a educação é a prioridade das prioridades. O estado tem de atender as crianças e os jovens, e uma rede de ensino de qualidade é uma condição para alcançar uma sociedade harmônica. É mais que um compromisso que quero assumir. Será uma obstinação qualificar a educação pública, inclusive resgatando os Cieps.

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