Bombeiros poderão discutir a separação da Brigada sem o risco de punições

A chamada separação do Corpo de Bombeiros da Brigada Militar, prevista na PEC (Proposta de Emenda Constitucional) assinada, terça-feira última, pelo governador Tarso Genro no Palácio Piratini, sabem todos os especialistas envolvidos no episódio, marcou um ato nada mais do que político e psicológico. Político porque livra o Piratini do assédio dos separatistas, que se constituem na maioria dos bombeiros, e que, por ora, agradecem a iniciativa do governo. É psicológico por levar para o imaginário da sociedade a ideia de que, em breve, teremos um Corpo de Bombeiros em padrão Fifa. Como sempre defendi a separação a partir da constatação máxima de que "bombeiro não é policial", entendo que a PEC tem como virtude maior a abertura ampla do debate da separação, mas sem nenhuma garantia de que ela ocorra. É importante a PEC porque, antes, o bombeiro que falasse em separação da Brigada estava sujeito a punições imperiais pelo regime da caserna. Agora, a proposta de divórcio está assinada pelo governo, mas que ninguém se engane, o processo será longo e litigioso. 

Por Vanderlei Soares