O Brasil está vivo. Seu PIB é pibinho. Seu povo padece. Os pobres sofrem. A saúde é precaríssima. A educação é deficiente. A segurança é calamitosa. O quadro demonstrado pela realidade desmente os milagres anunciados pelos governos. Os movimentos sociais refletem essa realidade. Ironicamente, sediamos uma Copa do Mundo de futebol e uma campanha eleitoral. Quem é responsável pela inoportunidade? O povo que sofre ou os governos que assumiram a Copa? O povo que implora por saúde, educação e segurança e que paga impostos ou os governos que gastam como se fossem donos do Brasil? O Brasil é do povo. Não há como ignorar a vida para fazer a festa. O Brasil continua. Sem o dinheiro e com as dívidas que ficam. As forças públicas devem proteger o povo e combater os bandidos, os vândalos. O povo se justifica pelas injustiças. Ele estará nas ruas, nas praças, sim, nas favelas, com ouvido nos radinhos, nas telas dos vizinhos, vibrando, cantando e chorando, torcendo loucamente pelo Brasil, como sempre fez. E no dia seguinte, indo ao trabalho, como sempre faz.

Como dizem os gaúchos: “Vivemos na polaridade de duas funções: receber e pagar”. Pagamos impostos com salário e recebemos serviços de má qualidade. O futuro não é fixo, é construtível. O ano é eleitoral. A eleição é futuro. É para o amanhã. Pensar no amanhã não é invadir o futuro. Não pecamos pela abolia inercial. Façamos e ajamos hoje para que o amanhã seja melhor. Nossa atitude presente molda o grau de nossa responsabilidade e cidadania. Nossa moral. E nossa verdade. Lutamos hoje contra o futuro de uma realidade injusta e materialista, corrupta e desprezível, viciada e sem vontade!

Não queremos o nosso norte essencial. A sociedade muda radicalmente. Há momentos de afrouxamento dos costumes. Perdemos a noção do bem, do bom e do belo. Do bem comum, do limite ético, do justo. Não basta a virtuosidade ocasional, conveniente. A história se faz com fatos e atos relevantes, transcendentes, que sejam do interesse comum, social, que traduzem valores e princípios. Nunca em oportunismos. Cuidado com as eleições.

                                                                                                                         Por Jarbas Lima – professor de Direito