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Mês: maio 2018

‘Uso da força vai gerar resistência’, diz associação de caminhoneiros

O presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, classificou como tardio o pronunciamento do presidente Michel Temer para tentar solucionar a crise de abastecimento gerada pela paralisação dos motoristas. Para o líder da entidade que não concordou com o acordo firmado na quinta-feira, 24, o uso da força citado por Temer vai tornar ainda mais difícil o fim da paralisação.

“O uso da força vai tornar ainda mais difícil acabar com a mobilização porque essa estratégia vai gerar resistência”, disse o presidente da entidade ao Broadcast. serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. Para Fonseca, se forças de segurança tentarem retirar caminhoneiros a força, “haverá gente presa, machucada e muita confusão”.

“Essa foi uma reação tardia e acontece cinco dias após o início do movimento. A situação não precisaria do uso da força para ser resolvida”, disse. Fonseca rejeita a afirmação de Temer que apenas uma “minoria radical” segue na estradas. “O número de manifestantes mostra que não somos minoria. Ao contrário, somos a maioria do movimento e que não está de satisfeito com o acordo feito ontem”, disse o dirigente.

Temer entra com ação no STF para desbloquear rodovias do país

Medida foi tomada após cinco dias de paralisação dos caminhoneiros que tem provocado o desabastecimento em diversas cidades
DIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO
Governo pede que o Supremo viabilize “a adoção de todas as providências cabíveis e necessárias pelas autoridades públicas competentes” para liberar as viasDIDA SAMPAIO / ESTADÃO CONTEÚDO

O presidente Michel Temer entrou, nesta sexta-feira (25), com uma arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), com pedido de liminar (decisão provisória), no Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de obter uma decisão única que permita o desbloqueio das rodovias do país, decorrente de protestos de caminhoneiros.

O relator sorteado para analisar a ADPF foi o ministro Alexandre de Moraes, que pode proferir uma decisão a qualquer momento.

A medida foi tomada após cinco dias de paralisação dos caminhoneiros, o que tem provocado o desabastecimento, principalmente de combustíveis, em diversas cidades do país. A categoria reivindica, entre outras coisas, a retirada de impostos sobre o diesel.

Na peça, assinada pelo próprio Temer e também pela advogada-geral da União, Grace Mendonça, o governo relata já ter entrado com dezenas de “ações pulverizadas” por todo o país, mas que decisões conflitantes têm sido proferidas sobre o tema, com alguns juízes concedendo liminares para liberar rodovias enquanto outros a negam.

Diante das contradições, é necessária “uma atuação uniforme e rápida por essa Suprema Corte a fim de garantir segurança jurídica”. O governo argumenta que os bloqueios promovidos pelos caminhoneiros ferem preceitos fundamentais da Constituição, entre os principais o direito de “livre locomoção no território nacional em tempos de paz”.

O governo pede que o Supremo viabilize “a adoção de todas as providências cabíveis e necessárias pelas autoridades públicas competentes” para liberar as vias. Pede ainda que sejam suspensos os efeitos de qualquer outra decisão judicial que impeça “a livre circulação de veículos automotores nas rodovias federais e estaduais ocupadas em todo o território nacional”, bem como as decisões que impedem “a reintegração de posse” das rodovias pela União.

Em caso de descumprimento, o governo pede que seja imposta uma multa de R$ 100 mil por hora às entidades responsáveis, “por atos que culminem na indevida ocupação das vias públicas, inclusive acostamentos”, e de R$ 10 mil por dia a qualquer manifestante “que se recuse a retirar o veículo que esteja obstruindo a via pública”.

Greve dos caminhoneiros: Temer autoriza uso das Forças Armadas e polícias para desobstruir estradas

Presidente afirmou que governadores foram orientados a mobilizar também a Polícia Militar
Antonio Cruz / Agência Brasil
Antonio Cruz / Agência Brasil

 O presidente Michel Temer comunicou, nesta sexta-feira (25), que acionou o uso de forças federais para a desobstrução de estradas no país. Em pronunciamento no Palácio do Planalto, disse que “uma minoria radical” desrespeitou o acordo estabelecido entre o governo e as entidades que representam os caminhoneiros. O presidente disse que os governadores foram orientados a mobilizar também a Polícia Militar na operação.

— Muitos caminhoneiros, aliás, estão fazendo sua parte, mas infelizmente uma minoria radical tem bloqueado estradas, impedido que muitos caminhoneiros levem adiante o seu desejo de atender a população e fazer o seu trabalho — disse Temer.

 

O presidente citou as medidas propostas pelo governo para a suspensão da greve por 15 dias, como a redução de 10% no preço do diesel durante 30 dias e a retirada da cobrança da Cide. Segundo Temer, houve comprometimento dos representantes dos caminhoneiros em encerrar o movimento.

— Atendemos 12 reivindicações prioritárias dos caminhoneiros, que se comprometeram a encerrar a paralisação imediatamente. Esse foi o compromisso conjunto. Esse deveria ter sido o resultado do diálogo — afirmou, em referência ao acordo proposto na noite de quinta (24).

A assessoria do Ministério da Segurança disse que um decreto presidencial será editado por volta de 16h desta sexta com os detalhes da operação das forças federais. Serão envolvidos militares das Forças Armadas, da Força Nacional, agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e das polícias militares dos estados.

Ainda segundo a assessoria, o decreto permitirá o desbloqueio de estradas e dos acostamentos. O governo quer, inclusive, que os militares assumam a direção dos veículos em caso de resistência dos motoristas.

A operação deverá ter início por estradas que levam a seis aeroportos, de modo a garantir a chegada de caminhões com querosene de aeronaves. O mesmo ocorrerá nos acessos de duas termelétricas do país que correm risco de funcionamento por falta de combustível.

Por que o acordo proposto pelo governo não foi acatado pelos caminhoneiros

Um dia após anúncio de trégua, profissionais demonstram insatisfação com termos de documento assinado por representantes da categoria
Anderson Fetter / Agencia RBS
Mobilização de caminhoneiros na Avenida João Moreira Maciel, em Porto AlegreAnderson Fetter / Agencia RBS

A tentativa do governo federal de arrefecer a greve dos caminhoneiros com o acordo anunciado na noite de quinta-feira (24) surtiu efeito contrário. Insatisfeita com a maioria dos pontos do acerto entre líderes do governo e dos caminhoneiros, a categoria afirma que o movimento ganhou força com a falta de medidas que vão ao encontro das suas reivindicações.

Presidente da Associação de Caminhoneiros de Palmeiras das Missões e integrante da Comissão Nacional do Transportes a frente das negociações com o governo, Carlos Ribeiro afirma que as medidas anunciadas pelo governo não atendem as três principais demandas da categoria: o corte do PIS/Cofins sobre diesel, a aprovação do projeto de lei complementar (PLC) 121 que cria uma política de preços mínimos para o frete com tabela de valores por quilômetro rodado por eixo carregado, conforme a carga e, por último, a isenção de cobrança de pedágio sobre eixos erguidos quando os caminhões estão vazios por concessionárias de rodovias estaduais.

— Isso foi um suposto acordo, não vem nada ao encontro do que a gente pede. O nosso movimento não vai dar trégua. Após a divulgação desse acordo ele só engrossou, revoltou ainda mais a nossa classe e a sociedade. Se houver isenção do pedágio para eixo erguido, em um trecho de 500 quilômetros conseguimos economizar R$ 200. Não é justo cobrar por rodas que não estão usando a rodovia — afirma Ribeiro.

A categoria também reforça que não se sentiu representada da reunião com os líderes do Planalto:

— Não foi feito acordo com caminhoneiros, mas com empresários. Nossos representantes não foram recebidos. Só 30 dias de baixa de preços não resolve, queremos uma baixa permanente — defende o caminhoneiro autônomo Marcos Henrique Gelinger, que está mobilizado na RS-239 em Araricá.

— Só no mês de maio o óleo diesel subiu R$ 0,40. Sou autônomo, vivo do caminhão e estamos sendo castigados. Quase tudo o que eles colocaram no acordo, não serve para nós. Esse pessoal que entrou na reunião não nos representa — reforça o caminhoneiro autônomo Bruno Tagliari, mobilizado desde a madrugada de domingo na BR-285 em São Luiz Gonzaga.

Segundo o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí, Carlos Alberto Litti Dahmer, que participou do encontro em Brasília, ele foi convidado a se retirar da reunião após não concordar com os termos do acordo. Dahmer diz representar cerca de 18 mil caminhoneiros, espalhados por 150 municípios do noroeste gaúcho.

O que enfraquece o acordo, segundo caminhoneiros

– Texto não cita a principal reivindicação da categoria, que é o corte do PIS/Cofins sobre diesel.
– Oferece redução de preços provisória, enquanto a categoria luta por políticas permanentes e que deem estabilidade ao preço do diesel.
– Utiliza termos vagos como “promover gestão junto aos Estados” e “manter com entidades reuniões periódicas para acompanhar os termos do acordo”.
– O acordo, segundo a categoria, foi fechado com empresários do setor de transporte e não com líderes que representam seus interesses.
– Trata de ações e negociações futuras que, na avaliação dos caminhoneiros, podem não se efetivar. No caso das promessas não serem cumpridas, seria difícil convocar nova mobilização com a mesma força da que ocorre agora.

Ponto a ponto, os itens do acordo que desagradam os caminhoneiros

Item do acordo: reduzir a zero a alíquota da Cide, em 2018, sobre o óleo diesel, bem como as necessárias providências decorrentes dessa medida.

Como a categoria avalia: considera irrisória a retirada da Cide do preço do diesel. A Cide é cobrada como um valor fixo, de R$ 0,05 por litro de diesel, com impacto de cerca de 2% sobre o preço. A retirada do PIS/Cofins teria efeito muito maior na redução do preço.

Item do acordo: manter a redução de 10% no valor do óleo diesel a preços na refinaria, já praticados pela Petrobras, nos próximos trinta dias.

Como a categoria avalia: para os caminhoneiros, a redução por 30 dias não resolve o problema. A categoria quer uma medida permanente ou que reduza o preço por pelo menos um ano.

Item do acordo: assegurar a periodicidade mínima de 30 dias para eventuais reajustes do preço do óleo diesel na refinaria.

Como a categoria avalia: quer pelo menos um ano de congelamento no preço. O temor é que se congele os valores por 30 dias e, após esse período, o preço volte a saltar R$ 0,50.

Item do acordo: reeditar, no dia 1º de junho de 2018, a Tabela de Referência do frete do serviço do transporte remunerado de cargas por conta de terceiro, bem como mantê-la atualizada trimestralmente, pela ANTT.

Como a categoria avalia: para a categoria, essa tabela existe só no papel e não é respeitada na prática. Para fixar uma política de preços mínimos para o frete, exigem a aprovação da PLC 121 no Senado.

Item do acordo: promover gestão junto aos Estados da federação, para implementação da isenção da isenção da tarifa de pedágio prevista no art. 17 da Lei nº 13.103, de 2015 (não cobrança sobre o eixo suspenso em caminhões vazios). Em não sendo bem sucedida a tratativa administrativa com os estados, a União adotará as medidas judiciais cabíveis.

Como a categoria avalia: considera que o item não prevê uma medida concreta e que o texto é vago. Para a categoria, ao dizer que vai “promover gestão junto aos estados”, o governo não dá garantia que será extinta a cobrança sobre eixo erguido nos pedágios das rodovias estaduais. Em pedágios das rodovias federais, a isenção da cobrança já existe.

Após anúncio de acordo, caminhoneiros mantêm protestos no RS

Representantes de parte da categoria consideram propostas do governo insuficientes para encerrar mobilização nacional
Ronaldo Bernardi / AgênciaRBS
Motoristas fazem fila em posto de combustíveis na expectativa de retomada do abastecimento em Porto AlegreRonaldo Bernardi / AgênciaRBS

Nem mesmo o anúncio de um acordo para colocar fim à greve dos caminhoneiros, feito na noite de quinta-feira (24) pelo Palácio do Planalto, promete por fim à paralisação. No dia em que as mobilizações completam cinco dias, o clima é de incerteza nos setores afetados pelos protestos. Aqui no Rio Grande do Sul, parte da categoria garante que não vai “arredar o pé”. Nesta sexta-feira (25), há pelo menos 15 pontos de concentração de caminhoneiros em rodovias do Estado.

AO VIVO: acompanhe os efeitos da greve dos caminhoneiros no RS

— Isso não resolve. Não vai dialogar com a categoria. Esse acordo não traz pontos essenciais, como o piso mínimo de frete e a redução de PIS/Cofins, onde governo e nem Congresso chegam em um acordo para zerar — argumentou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Carga de Ijuí, Carlos Alberto Litti Dahmer, que foi convidado a se retirar da reunião com o governo por não concordar com os termo do acordo proposto.

Dahmer, que representa cerca de 18 mil caminhoneiros de 150 municípios do noroeste gaúcho, não acredita na dissolução do movimento tanto no Estado quanto no país. A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação dos Caminhoneiros de Soledade, Felipe Corneli. Para ele, na região, a categoria não deve aderir ao acordo sugerido pelo governo por não julgar a proposta suficiente.

— O governo quer desmobilizar o movimento. Vamos continuar do jeito que está. Firme, com os produtores e a sociedade do nosso lado. Essas propostas dele (governo) são bobagens. Em 15 dias, eles voltam tudo ao normal.

A Federação dos Caminhoneiros Autônomos (Fecam) no Rio Grande do Sul diz que não vai se posicionar, deixando a categoria livre para decidir se acata ou não a proposta do governo.

À frente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno afirma que a paralisação acabou:

— Não vejo necessidade (de continuar a greve), porque as conquistas firmadas de fato já dão condição de estabilidade para a categoria. A começar pela redução no óleo diesel. Uma redução de 10% e política de reajuste a cada 30 dias é um alívio, diante do trauma que a categoria estava vivendo — disse.

Mesmo após o acordo, pelo menos mais oito Estados, além do Rio Grande do Sul, e o Distrito Federal têm protestos. São eles: Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio de Janeiro,  Santa Catarina e São Paulo .

Como ficam os serviços: 

Diante das incertezas em relação à greve, alguns serviços foram reduzidos ou suspensos. Em Porto Alegre, os ônibus terão o mesmo esquema de horários reduzidos nesta sexta-feira (25): nas horas de pico (pela manhã das 4h30min às 8h30min e, à tarde, das 17h às 19h30min), os consórcios operarão normalmente. Das 8h30min e após as 19h30min, as linhas funcionarão apenas de hora em hora.

Instituições de ensino como UFRGS, UERGS, Feevale e Unicruz suspenderam as atividades na sexta e no sábado (26). O serviço de abastecimento de água também está em risco, caso a paralisação se mantenha. A Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) informou que pode ocorrer falta de água no sul e centro do Estado em decorrência da falta de químicos para tratamento da água.

O abastecimento de combustíveis nos postos e de alimentos nos supermercados também estão ameaçados. Ontem, o corre-corre da população esgotou combustíveis e alguns produtos dos mercados.

Ônibus de Porto Alegre e Região Metropolitana passam a operar com horários reduzidos

Coletivos vão operar com a tabela de sábado na maior parte do dia, exceto em horários de pico
André Ávila / Agencia RBS
Tarde desta quinta-feira foi de paradas lotadasAndré Ávila / Agencia RBS

Com a continuidade da greve dos caminhoneiros, os ônibus de Porto Alegre terão, na sexta-feira (25), o mesmo esquema de redução de horários usado nesta quinta-feira (24). O motivo é a dificuldade de abastecimento de combustível.

A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) informou que nos horários de pico — pela manhã das 4h30min às 8h30min e, à tarde, das 17h às 19h30min —, os consórcios operarão normalmente. Das 8h30min e após as 19h30min, as linhas funcionarão apenas de hora em hora.

Na Região Metropolitana, a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional(Metroplan) autorizou que as empresas de ônibus intermunicipais da Região Metropolitana passem a operar com a tabela horária de sábado nos horários de menor movimento na quinta-feira, medida que será repetida na sexta.

De acordo com a Associação dos Transportadores Intermunicipais Metropolitanos de Passageiros (ATM), as empresas trabalham com um estoque estratégico e que, com a medida aprovada pela Metroplan, o funcionamento está garantido por mais alguns dias.

— As empresas terão o bom senso de reforçar os horários nos momentos em que esta tabela ficar insuficiente. Se não houvesse nada, até o final de semana estaríamos sem combustível — ressalta o gerente da ATM, Érico Michels.

Porto Alegre

Em Porto Alegre, a decisão da EPTC ocorreu “para possibilitar a prestação do serviço por um maior número de dias possíveis nos horários de demanda mais intensa da população. As lotações funcionarão normalmente “, disse o órgão, em nota. Linhas da Carris que têm derivadas ou direta com itinerário semelhante, como 343 e D43; T1 e T1D; T2 e T2A; T12 e T12A, têm intervalo de 30 minutos entre elas.

André Ávila / Agencia RBS
Movimento em frente ao Mercado PúblicoAndré Ávila / Agencia RBS

Na quarta (23), o diretor-executivo da Associação dos Transportadores de Passageiros de Porto Alegre (ATP), Gustavo Simionovschi, disse algumas empresas tinham estoque de combustível para operar apenas durante um dia.

“Há empresas que só têm estoque do produto para hoje. E há outras que têm estoque para apenas mais um ou dois dias de operação. É uma situação que foge do controle das empresas, embora considerem que a motivação das manifestações é justa”, justificou  por meio de nota.

Nota da Metroplan na íntegra:

” Considerando a dificuldade de abastecimento de combustível (diesel), já identificado nas empresas de ônibus, a direção da Metroplan autorizou, por cautela, que as empresas circulem com escala de sábado, nos horários de baixa demanda.

Todas as ações estão sendo adotadas com o objetivo de garantir a continuidade dos serviços e reduzir eventuais problemas.

De qualquer forma os horários de pico estão garantidos com a tabela normal.”

Nota da EPTC na íntegra:

“Operação será normal nos picos e de hora em hora nos demais horários

O transporte coletivo de Porto Alegre terá um atendimento emergencial nesta quinta-feira, 24, em razão da falta de combustível pela greve dos caminhoneiros. Em reunião na tarde desta quarta-feira, 23, com a direção da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), onde participaram representantes da Carris, Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP) e Consórcios de ônibus, ficou definida uma operação normal nos picos da manhã até 8h30min, e também à tarde, das 17h às 19h30.min 

Nos demais horários, as viagens serão de hora em hora. A forma de atendimento durante a noite será divulgada na tarde desta quinta-feira, 24. A decisão acontece para possibilitar a prestação do serviço por um maior número de dias possíveis nos horários de demanda mais intensa da população. As lotações funcionarão normalmente.”

Filas, bate-boca e escassez: o dia em que quase acabou o combustível em Porto Alegre

 Sem receber reposição, os estoques dos postos baixavam rapidamente, em movimento acelerado pelo corre-corre dos motoristas
Lauro Alves / Agencia RBS
Com o passar das horas, mais postos encerravam as vendas e bloqueavam a entrada com cones e correntes plastificadasLauro Alves / Agencia RBS

O cenário de quem precisou abastecer em Porto Alegre nesta quinta-feira (24) foi desanimador:  filas de carros que davam voltas nas quadras prenunciavam horas de espera para ter vez nas bombas. Do início da manhã até o entardecer, a busca por combustível  causou transtornos na Capital.

De acordo com o Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis no Estado (Sulpetro), a greve dos caminhoneiros bloqueou a entrada e a saída de caminhões-tanque na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e nas principais distribuidoras da Região Metropolitana, situação agravada a partir da tarde de quarta-feira (23). Sem receber reposição, os estoques dos postos baixavam rapidamente, em movimento acelerado pelo corre-corre dos motoristas.

— Fiquei mais de uma hora na fila, com medo de a gasolina ter acabado quando chegasse minha vez. Felizmente, consegui abastecer — disse a farmacêutica Tatiana Ness, 39 anos.

Ela saiu de casa às 8h de quinta, no bairro Ipanema, zona sul da Capital, e ao longo do trajeto até o trabalho viu apenas um posto ainda com combustível – e com extensa espera de veículos. Uma dezena de outros estabelecimentos pelo caminho estavam secos. Preocupada, decidiu dedicar a manhã para procurar gasolina; encontrou na avenida Getúlio Vargas, onde a fila dava volta na quadra. Para encher o tanque de 45 litros, gastou R$ 224 (R$ 4,89 o litro da aditivada, única opção disponível).

— Está uma fortuna, mas no desespero não tem como escapar — desabafou.

Na Avenida Ipiranga, próximo ao cruzamento com a Avenida Silva Só, um posto vendia apenas etanol. Motoristas angustiados com a espera desciam dos carros para ver se ainda haveria oferta quando chegasse sua vez. Muitos enchiam o tanque e ainda carregavam galões e garrafas pet de 5 litros. Certo momento, uma motorista furou a fila, subindo pela calçada e indo direto à bomba. Hostilizada por quem vinha atrás, desistiu de abastecer quando se deu conta que seu carro não era flex.

Lauro Alves / Agencia RBS
Lauro Alves / Agencia RBS

Com o passar das horas, mais postos encerravam as vendas e bloqueavam a entrada com cones e correntes plastificadas. Um dos últimos a ofertar combustível era um estabelecimento na esquina das avenidas Teresópolis e Vicente Monteggia, na Zona Sul de Porto Alegre. Para controlar a multidão, apenas duas bombas funcionavam, uma para motos e pedestres com galões, outra para automóveis. Ambulantes vendiam vasilhas de cinco litros por R$ 10 – vazios, claro. Dois brigadianos foram designados para acompanhar o movimento e atuar caso os ânimos se acirrassem.

— Ontem (quarta) enchi o tanque da moto e hoje (quinta) resolvi voltar para completar mais alguns galões. Dizem que essa loucura vai levar uns 15 dias, então vou me precaver por que preciso da moto para trabalhar — disse o motoboy Willian Henrique, 20 anos.

Mas a previsão (ou a esperança) de presidente do Sulpetro, João Carlos Dal’Aqua, é mais otimista. Ele esperava ainda para a noite de quinta trégua dos caminhoneiros para que as distribuidoras fossem liberadas. Alguns poucos caminhões-tanque que ainda circulavam escoltados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) abasteceriam os postos com uma gasolina reservada para forças de segurança. Não estava previsto reabastecimento para o consumidor comum.

— Mesmo que a greve encerre hoje (quinta), levará pelo menos uma semana para que a situação se normalizasse nos postos, uma vez que seria necessário reestabelecer a cadeia, com uma demanda grande de todos os postos — explicou Dal’Aqua.

Lauro Alves / Agencia RBS
Dia foi de grande procura nos postos da CapitalLauro Alves / Agencia RBS 

Guia do consumidor: saiba quais são os produtos e serviços mais afetados pela greve dos caminhoneiros

Risco de desabastecimento é de carne, aves e hortifruti é alto
Patrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina
Sindilat informa que 80% da captação de leite já não está ocorrendo em razão de problemas de distribuição e recebimento de insumosPatrick Rodrigues / Jornal de Santa Catarina

GaúchaZH manteve contato com representantes de entidades para saber quais produtos e serviços correm risco de desabastecimento. O acompanhamento será atualizado ao longo do dia. Veja a lista:

 

ALIMENTOS NÃO-PERECÍVEIS

A curto prazo, o risco de desabastecimento é baixo. Segundo a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), alimentos como arrozfeijão e farinhas têm estoque médio para 15 dias nos estabelecimentos do Estado.

CARNE

A curto prazo, o risco de desabastecimento é alto. Segundo o Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul, a estimativa é que o Estado fique sem carne a partir de segunda-feira (28) se a circulação de caminhões não for retomada. Frigoríficos já suspenderam abates em razão da impossibilidade de distribuição dos produtos.

AVES E SUÍNOS

A curto prazo, o risco de desabastecimento é alto. Segundo a Associação Gaúcha de Avicultura, alguns supermercados já estão com os produtos em falta e a tendência é que aumente a partir desta sexta-feira (25) pois não está mais ocorrendo abastecimento. Segundo o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitário Animal (Fundesa), o abate de aves e suínos será completamente suspenso na sexta-feira (25).

LEITES E DERIVADOS

A curto prazo, o risco de desabastecimento é médio. Segundo a Agas, laticínios refrigerados podem faltar nas prateleiras nos próximos dias conforme não houver reposição dos produtos vendidos. Sobre o leite, o Sindicato da Indústria de Laticínios e Produtos Derivados do Estado do Rio Grande do Sul (Sindilat) informou que, no final da quinta-feira (24), 80% da captação de leite já não está ocorrendo em razão de problemas de distribuição e recebimento de insumos.

HORTIFRUTI

A curto prazo, o risco de desabastecimento é médio. Segundo as Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), a oferta foi de cerca de 20% do normal ao longo da quinta-feira (24), o que deve se manter nesta sexta-feira (25). O maior desabastecimento deve ser de hortaliças folhosas, pois os produtos perecem em questão de horas nos caminhões. Mercados do Interior, que se abastecem na Ceasa, são os mais afetados pela impossibilidade de chegar até Porto Alegre. Itens como tomate, cebola, batata e banana tiveram aumento moderado de preço, o que poderá ser repassado ao consumidor. O saco de 50 quilos de batata, por exemplo, custava R$ 60 e foi comercializado em torno de R$ 80.

ÔNIBUS

Nesta sexta-feira (25) as linhas de ônibus de Porto Alegre repetirão a frequência de quinta-feira (24): nos horários de pico (das 4h30min às 8h30min e das 17h às 19h30min) circulam conforme a tabela normal. Nos demais horários as linhas circulam de hora em hora. O serviço de lotação segue autorizado a transportar passageiros em pé.  Na Região Metropolitana, foi adotada tabela de sábado nas faixas de menor movimento.

TÁXI

Em Porto Alegre, segundo o Sindicato dos Taxistas de Porto Alegre (Sintáxi), os 4 mil veículos da frota operam normalmente, porém com forte aumento de demanda desde quinta-feira (24), o que afeta o tempo médio para os taxistas atenderem às corridas. Por serem em sua maioria movidos a GNV, não há previsão de desabastecimento.  As tarifas seguem as convencionais: R$ 5,18 de bandeirada e R$ 2,59 por quilômetro rodado (R$ 3,36 das 20h às 6h). Por meio do aplicativo do Sintáxi, as corridas saem com 30% de desconto sobre o preço do taxímetro. Na opção “Táxi rápido” não há o desconto.

APLICATIVOS

Por volta das 20h30min de quinta-feira (24), a Uber operava normalmente, mas teve tarifas acima do normal ao longo do dia. Um trajeto, por exemplo, 21 minutos e 11 quilômetros (do prédio do Grupo RBS até o aeroporto Salgado Filho) na modalidade mais barata (UberX) oscilou entre R$ 38,30 (15h) e R$ 47,49 (17h30min). Às 20h30min, custava R$ 31,28.

Por volta das 20h30min de quinta-feira, a Cabify operava normalmente, mas teve alta de preços ao longo do dia. Um trajeto, por exemplo, 21 minutos e 11 quilômetros (do prédio do Grupo RBS até o aeroporto Salgado Filho) oscilou entre R$ 28,13 (15h) e R$ 41,36 (17h30min). Às 20h30min, custava R$ 25,75.

GÁS DE COZINHA

A curto prazo, o risco de desabastecimento é alto em todo o Estado. Segundo o Sindicato dos Revendedores de Gás de Cozinha do Rio Grande do Sul (Singasul), as revendedoras maiores devem ter estoque até sexta-feira (25), enquanto as menores já estão desabastecidas. É recomendável que o consumidor poupe gás de cozinha, sobretudo se o botijão estiver no final. Segundo o Singasul, seus associados já operam com estoque limitado e estão evitando as telentregas, para poupar combustível.

ÁGUA

A curto prazo, o risco de desabastecimento varia de região a região. Em Porto Alegre,  o Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) não prevê desabastecimento. Segundo a  Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) regiões Sul e Central podem sofrer falta d’água nesta sexta-feira (25)  em razão da escassez de químicos para tratar a água.

PASSAGENS INTERMUNICIPAIS

Na rodoviária de Porto Alegre, passagens que foram canceladas em virtude da falta de combustíveis dos ônibus estão sendo trocadas sem custo. O impacto da paralisação varia conforme as empresas. Parte delas reduziram a tabela de horários das viagens intermunicipais. Consumidores com passagens marcadas podem confirmar suas viagens pelo telefone (51) 3110-0101.

VIAGENS AÉREAS

No Aeroporto Salgado Filho, o risco de desabastecimento é baixo. O maior problema é o abastecimento de queroseno nas aeronaves, mas caminhões com a carga do combustíveis foram escoltados até o aeroporto ao longo da manhã e tarde de quinta-feira (24), o que garantirá decolagens até pelo menos 12h desta sexta-feira (25).

Tragédia em São Paulo, incêndio e desabamento de edifício no Largo do Payssandu

O Edifício Wilton Paes de Almeida, de 24 andares, desabou durante um incêndio de grandes proporções no Largo do Payssandu, no centro de São Paulo, na madrugada desta terça-feira, 1º. Um edifício vizinho também pegou fogo nos três primeiros andares, mas não corre risco de colapso. A Igreja Evangélica Luterana, que fica ao lado do prédio em chamas, também pegou fogo e teve 90% de sua estrutura destruída. Ainda não há hipóteses sobre o que teria provocado o incêndio. O Corpo de Bombeiros disse que os compartimentos entre os andares eram divididos por madeira, o que ajudou a propagar as chamas.
O Corpo de Bombeiros comunicou o desaparecimento de duas pessoas. Os bombeiros ainda trabalham na extinção dos focos de incêndio. Todos os prédios do entorno foram evacuados. A corporação também busca por vítimas sob os escombros. A possível vítima estava sendo resgatada por uma corda pelos militares, que abriram um acesso pelo edifício vizinho para ter contato com ele. O homem, identificado como Ricardo, estava pronto para sair quando toda a estrutura colapsou. Ele trabalhava como carregador na região da 25 de Março e já tinha saído do local, mas voltou ao edifício quando o fogo já tinha começado para ajudar no salvamento de outras pessoas, segundo relato de moradores. O corpo dele ainda não foi encontrado. Um bombeiro também ficou ferido durante o desabamento, mas passa bem.
Cerca de 116 famílias viviam no imóvel que desabou, informou o Corpo de Bombeiros. Marcos Palumbo, capitão da corporação, disse que o trabalho sob os escombros do prédio de mais de 20 andares será minucioso. Apesar da dificuldade, a equipe espera encontrar sobreviventes. Palumbo ressaltou que o prédio já havia passado por vistoria, na qual foram relatadas as péssimas condições do local às autoridades do município. Em um segundo momento, o objetivo é apurar quais autoridades receberam as informações sobre as condições do prédio. O Corpo de Bombeiros afirmou ainda que era muito difícil entrar no local para verificar as condições do edifício, em razão da resistência dos ocupantes irregulares.
O governador de São Paulo, o comunista Márcio França, esteve no local para acompanhar o trabalho de resgate. França destacou que no quadrilátero, onde aconteceu o incêndio, há 8 prédios. Na cidade de São Paulo, segundo ele, há mais de 150 prédios invadidos, mas não há balanço exato da quantidade de pessoas que vivem nos imóveis. Alguns são particulares e o Estado não pode tirar. “É uma briga judicial o tempo todo. O que temos que fazer é convencer as pessoas a não morar desse jeito”, afirmou.
O prédio que desabou tinha mais de 20 andares e era uma antiga instalação da Polícia Federal. Segundo comerciantes do entorno, o local era ocupado ilegalmente. Antes de ruir, algumas pessoas pediam socorro no último andar. As chamas começaram no quinto andar, alastrando-se rapidamente para os níveis superiores. De acordo com o tenente André Elias, 60 viaturas e 170 homens do Corpo de Bombeiros trabalham no local.
Comerciantes da região relatam que houve correria nas ruas, com clientes deixando hotéis vizinhos às pressas. As testemunhas dizem que quebraram vidraças, espalhando-se rapidamente pelos andares e atingindo os prédios vizinhos. “Eu estava em horário de serviço e escutei várias pessoas gritando, barulho de vidros caindo. Quando fui ver o que era, as ruas, que estavam desertas, ficaram cheias de pessoas desesperadas”, disse o recepcionista Flávio Gabia, que trabalha em um hotel no Largo do Paiçandu. Segundo ele, vários clientes deixaram o estabelecimento quando viram o incêndio. Um hotel ao lado dos edifícios em chamas também foi esvaziado e interditado. Devido ao combate às chamas, a CET interditou o trecho entre a Avenida Rio Branco e a Rua Antônio de Godói e recomenda aos motoristas que evitem passar pela região do Largo do Payssandu. Três quarteirões estão fechados.

 

Tragédia em São Paulo, incêndio e desabamento de edifício no Largo do Payssandu, invadido pela organização terrorista MTST do comunista Boulos

Um edifício de 24 andares desabou durante um incêndio de grandes proporções no Largo do Payssandu, no centro da capital paulista, na madrugada desta terça-feira, dia 1º.de maio Outro imóvel e uma igreja também foram afetados. Ao menos 118 famílias viviam irregularmente no imóvel que desabou, informou o Corpo de Bombeiros. A corporação ressaltou que o prédio já havia passado por vistoria, na qual foram relatadas as péssimas condições do local às autoridades do município. O imóvel era uma antiga instalação da Polícia Federal e depois foi ocupado por imigrantes e brasileiros. Nesta terça-feira, o Ministério Público de São Paulo decidiu reabrir um inquérito arquivado em março que apurava eventuais riscos de segurança no edifício. A investigação tinha sido arquivada sem chegar a nenhuma conclusão nem determinar medidas para melhorar a segurança do local.
Durante o dia foram reposicionadas 28 linhas de ônibus que passam pelo Largo do Payssandu. A prefeitura informou que a operação irá durar enquanto durar a ação dos bombeiros e a remoção dos entulhos. O prefeito Bruno Covas comentou: “Em relação ao laudo sobre as condições do prédio, estamos verificando quem fez o laudo e quem apresentou e o que contam. O procurador-geral e a Secretaria de Justiça vão atuar em parceria com o promotor que estava responsável pelo inquérito”. “Neste ano, foram 6 reuniões entre a Secretaria da Habitação e famílias que moravam lá no prédio invadido para conversar e convencer a sair de lá, a desocupar. Não é por acaso, sabia que algo podia acontecer”, afirmou o prefeito Bruno Covas.
Segundo o secretário municipal de Mobilidade e Transportes, João Octaviano Machado Neto, nos próximos dias estarão interditadas a via do acidente, a Avenida Rio Branco e o perímetro do Largo Payssandu. A Avenida Ipiranga será liberada a partir da meia-noite desta terça-feira.
Bombeiro que atuou no resgate do homem que caiu quando o prédio desabou diz ter chegado a conversar com ele. Segundo o sargento Diego, a temperatura no local estava bem alta. “Dá para estimar uma temperatura acima de 400º C”, disse o oficial. Sargento Diego, do Corpo de Bombeiros, mostrou o equipamento que ele utilizou para resgatar o homem que caiu no momento em que o prédio desabou. Trata-se de um cinto alemão com uma corda.
“Apesar da formação militar que temos, a gente fica chateado. A gente queria ter tirado aquela pessoa de lá”, disse Diego, afirmando que “a equipe deu o melhor”.
“A todo momento, tinha que falar alto, verbalizava e sinalizava com a lanterna. Ele estava bem calmo”, contou Diego. “Ele estava bem calmo. Falava para ele confiar em mim, que a gente ia tirar ele de lá”, completou o bombeiro que trabalhou no resgate do homem que caiu no momento em que o prédio desabou. O sargento relata que lançou um cinto de resgate para o homem, que ele só conseguiu pegar na terceira tentativa. “Ele ficou tranquilo”, disse o bombeiro. Ricardo foi orientado para amarrar o equipamento em si, passando pelos braços e pernas. “Na hora que a gente estava terminando essa fase, o prédio acabou vindo abaixo, caíram seis ou sete andares sobre ele. Tensionou a corda e estourou. Não daria 30, 40 segundos para finalizar o processo”, disse Diego.
O sargento Diego relatou que o homem, identificado como Ricardo, estava se segurando em um cabo de aço do para-raio do prédio e gritava por socorro. “No 15º andar, da janela da cozinha do prédio vizinho, vi onde ele estava, pedi para ele ter calma”, disse. Ele conta que, de onde estava, não tinha como tirar o homem de lá, então teve de buscar uma parte mais alta no edifício. “Entramos na parte superior e, com um machado, abrimos um buraco na parede”, contou.
O Corpo de Bombeiros classificou como grave o dano na estrutura da igreja vizinha ao prédio que desabou. Segundo o capitão, haveria necessidade de instalação de estruturas de contenção. “Também pode ruir”, disse Palumbo. Palumbo disse ainda que o resultado da inspeção realizada pelo Corpo de Bombeiros foi compartilhado com os órgãos responsáveis, mas que não é atribuição da corporação realizar interdição. O Corpo de Bombeiro disse ter feito uma vistoria no prédio antes do desabamento. Na oportunidade, em 2015, a inspeção apontou problemas nas condições de segurança contra incêndios. “Checamos e havia obstrução nas rotas de fuga por lixo e materiais inflamáveis, além de problemas nas instalações de botijões de gás. Além disso, em caso de incêndio, o fogo se propagaria muito rápido porque o poço do elevador funcionava como um motivador, espalhando ar quente rapidamente, tanto que em uma hora o prédio colapsou”, disse o capitão da corporação, Marcos Palumbo.
Sobre o prazo de 48 horas, o capitão Palumpo explicou que, nesse período, os bombeiros vão trabalhar para remover entulhos do entorno da área do desabamento. “Depois desse prazo é que começaremos a remover lajes com ajuda de maquinário e dar continuidade às buscas. Agora, isso não pode ser feito por questões de segurança”, disse. Os trabalhos na área podem se estender por mais de uma semana, disse o oficial. O Corpo de Bombeiros informou que os trabalhos devem continuar durante a noite desta terça-feira e já foi providenciada iluminação artificial para a área.
Segundo o Corpo de Bombeiros, a assistência social da Prefeitura informou que no prédio moravam 317 pessoas de 118 famílias. Dessas, 45 pessoas não foram localizadas após o desabamento, mas não são consideradas oficialmente desaparecidas porque não há confirmação de que no momento da queda elas estavam no local. O prédio tinha dois andares de subsolo que também era ocupado por moradores. Segundo o tenente Guilherme Derrite, não há risco de desabamento em nenhuma das outras três edificações atingidas pelo desabamento, que seriam a igreja, o prédio ao lado e o da frente.
Os bombeiros atuam no local com cães farejadores e equipamentos como câmera térmica, para detectar pontos de calor nos escombros. O capitão do Corpo de Bombeiros, Marcos Palumbo, disse que a corporação vai esperar 48 horas para começar a mexer na estrutura do prédio que desabou com maquinário pesado. Por enquanto, os trabalhos são feitos manualmente devido à possibilidade de uma pessoa desaparecida, única confirmada pelos bombeiros.

A Cruz Vermelha orienta as pessoas a não levarem doações para a igreja, pois os itens não estão sendo entregues diretamente às famílias. “Precisamos fazer uma triagem antes para que o material chegue em bom estado à população”, diz Débora Levy, voluntária da entidade. Os principais itens necessários são kits de higiene, roupas e comida para crianças, além de fraldas. Houve um pequeno tumulto em frente à igreja onde parte das famílias que moravam no prédio está. As pessoas reclamaram de um cinegrafista que filmava e o expulsaram dali, dizendo que não era para filmar nada. O Ministério Público de São Paulo decidiu reabrir nesta terça-feira um inquérito arquivado em março que apurava eventuais riscos de segurança no Edifício Wilton Paes de Almeida, que desabou na madrugada de hoje. O Ministério Público de São Paulo arquivou em março o inquérito que apurava riscos no prédio.

A Igreja Luterana de São Paulo, localizada próxima ao prédio que desabou após incêndio no centro da cidade, teve 90% de sua estrutura destruída. Ela foi atingida pelo desabamento. “Sobraram apenas a torre e parte do altar”, afirma pastor o Frederico Carlos Ludwig.

O incêndio e desabamento do prédio no centro da cidade de São Paulo teve repercussão internacional. O The Sun classificou a ocorrência como “um inferno em chamas” e apontou a situação “desesperadora” de quem estava no local e tentava escapar do fogo.

Moradores relataram que pagavam “aluguel” para o Movimento Luta por Moradia Digna (LMD) para morar no prédio que desabou na madrugada desta terça-feira. Segundo o coordenador do LMD, Ricardo Luciano, o pagamento era de R$ 80,00 para custear a manutenção do local. No entanto, integrantes do Movimento de Luta Social por Moradia (MLSM), que faz parte do LMD, afirmam que os valores seriam mais altos, em torno de R$ 250,00 a R$ 500,00. Ao menos 120 famílias viviam irregularmente no imóvel, segundo informações do Corpo de Bombeiros.
A União diz que era dona do prédio que desabou no centro de São Paulo, mas que a invasão aconteceu quando estava cedido à Prefeitura. O governo municipal, porém, afirma que conversava com moradores e governo federal para tentar encaminhar solução, mas que não podia ter pedido reintegração de posse porque não era proprietária.
O Ministério do Planejamento informou que o prédio que desabou após incêndio no centro de São Paulo não estava na programação de vendas de imóveis da União e havia sido cedido provisoriamente em 2017 pela Secretaria do Patrimônio da União, ligada à pasta, à prefeitura de São Paulo. A previsão era que o local seria utilizado para acomodar as novas instalações da Secretaria de Educação e Cultura de São Paulo.
A prefeitura de São Paulo informou que equipes da Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social estão no local desde as 3 horas para dar acolhimento às pessoas desalojadas. Já foram cadastradas 248 pessoas, de 92 famílias. Elas receberam alimentação e foram encaminhadas para abrigos municipais. O porta-voz dos bombeiros informou que a corporação trabalha com a perspectiva mínima de uma semana para fazer o trabalho de rescaldo no local do incêndio. “São dois ou três dias de trabalho manual, resfriamento e retirada dos escombros, trabalhando com possíveis vítimas, para depois trabalhar com o maquinaria pesado”, disse.
O ex-prefeito de São Paulo e pré-candidato ao governo paulista, João Doria, disse que o prédio que desabou nesta terça-feira, 1º, no centro de São Paulo, foi invadido por facção criminosa. Segundo ele, a solução para evitar tragédias como essa é evitar novas invasões. “A solução é evitar as invasões, o prédio foi invadido, e parte dela por uma facção criminosa”, disse.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) interditou as vias de acesso ao Largo do Paissandu, no centro da capital, onde o prédio pegou fogo. Guilherme Boulos, coordenador da organização terrorista clandestina Movimento do Trabalhador Sem Teto e pré-candidato à Presidência da República pelo PSOL, divulgou um vídeo em sua página no Facebook em que exige uma investigação sobre as causas do incêndio que causou o desabamento do edifício Paes de Almeida. Ele e cúmplices esquerdistas seus são os responsáveis diretos por essa tragédia, por levarem pessoas miseráveis para viver nesses prédios condenados, sem qualquer estrutura digna, e ainda cobrarem aluguéis exorbitantes dessas pessoas.

O governo federal informou que a Defesa Civil Nacional está acompanhando as buscas e o atendimento à população após o desabamento do prédio de 24 andares no centro de São Paulo na madrugada desta terça. O ministro da Integração Nacional, Antônio de Pádua Andrade, esteve em contato com o governador de São Paulo, Márcio França, e com o prefeito da Capital, Bruno Covas, para disponibilizar apoio às ações de socorro e na assistência às vítimas.

O Palácio do Planalto divulgou nota dizendo que o presidente Michel Temer determinou ao ministro da Integração Nacional, Antônio de Pádua, “o empreendimento de todos os esforços para minimizar os danos causados por conta do incêndio e desabamento de prédio na madrugada desta terça-feira em São Paulo”, ressaltou o posicionamento. O presidente Michel Temer foi hostilizado ao visitar os escombros do Edifício Paes de Almeida, no Largo do Payssandu, no centro de São Paulo. Temer chegou ao local por volta das 10 horas. Ele estava desde a noite de segunda-feira, 30, em sua residência em São Paulo – em agenda privada. Durante a rápida visita, o presidente foi xingado e chamado de “golpista” por pessoas que acompanhavam o trabalho dos bombeiros no local do desabamento. Em entrevista improvisada na região do acidente, Temer classificou a situação como dramática e afirmou que vai “providenciar assistência àqueles que foram vítimas daquele desastre”.
O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) disse que equipes da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social estão atendendo as famílias que ficaram desabrigadas. Até o momento, 92 das 150 famílias já receberam assistência. Ele informou que a Prefeitura está com uma parceria com a Cruz Vermelha Internacional para receber donativos.  Sobre a precariedade do prédio que desabou, Covas disse que só neste ano foram feitas seis reuniões com famílias que viviam no local.
O incêndio no edifício Joelma em 1974 deixou 187 mortos, mais de 300 feridos e a lembrança de algumas das cenas mais dramáticas da história da capital. Por enquanto, há pelo menos três versões para o início do incêndio. No local, pessoas contaram que houve uma briga entre dois moradores no 5º andar. Já o pastor da Igreja Evangélica Luterana, Frederico Carlos Ludwig, disse que a zeladora da entidade foi acordada por uma violenta explosão. Algumas pessoas relataram que o incêndio pode ter sido causado pela explosão de uma panela de pressão ou de botijão de gás. No trabalho de rescaldo, grupos de bombeiros trabalham no ponto do desabamento em turnos de meia hora e voltam para uma base montada no Largo do Payssandu, onde se hidratam e descansam.
Secretário municipal de Segurança Urbana, Coronel José Roberto, afirmou: “Vamos fazer uma força-tarefa com engenheiros da Secretaria das Prefeituras Regionais para que venham para cá para gente fazer uma avaliação prédio a prédio, para que a gente possa identificar efetivamente aqueles que estão com problemas estruturais, que pessoas não possam mais entrar”, afirmou ele.  De quatro a cinco prédios foram evacuados. A possibilidade de desabamento do outro prédio atingido foi descartada pelos bombeiros.
Cães farejadores chegaram a ser colocados no local, mas foram retirados, porque os escombros ainda estão quentes.  O subcomandante Pereira disse que o prédio caiu cerca de uma hora e meia após o início das chamas. Segundo ele, o fato de o prédio ser de concreto com partes metálicas pode ter contribuído para a rápida queda do edifício. “Talvez isso possa ter facilitado e fragilizado”, disse ele.
O pastor da Igreja Evangélica Luterana, Frederico Carlos Ludwig, afirmou que há muito tempo também percebia problemas no prédio. Ele tentou denunciar a situação aos órgãos competentes, mas não obteve sucesso. Ex-morador do prédio vizinho, Rogério Balekifoi ao local para denunciar as más condições do prédio. “O que eu vejo aqui é uma tragédia anunciada.Isso não é um acidente, é um crime”, protestou ele.
Segundo o secretário da Segurança Pública do Estado, Mágino Alves, o trabalho de retirada dos escombros pode levar até 10 dias. A Igreja Evangélica Luterana foi inaugurada em 1908 e é considerada a primeira paróquia evangélica da capital, assim como o primeiro templo em estilo neogótico. O edifício leva a assinatura do arquiteto Guilherme Von Eye e ocupa uma área de aproximadamente mil metros quadrados. Entre seus elementos de destaque está o órgão de 146 tubos e os vitrais produzidos pela Casa Cobrado do vitralista Conrado Sorgenicht, que produziu as peças do Mercado e do Theatro Municipal.

A Secretaria Municipal de Habitação criou em 2017 um Núcleo de Mediação de Conflitos que monitora 206 invasõess em toda a cidade com cerca de 46 mil famílias. Desse total, 25% da atuação do grupo ocorre em ocupações na região central, com 3.500 famílias. Para essas invasões, o grupo atua no sentido de buscar uma solução conciliada com a desocupação voluntária e sem confronto.

A Prefeitura de São Paulo estima em cerca de 70 prédios ocupados na região central com aproximadamente 4 mil famílias. Trata-se de uma estimativa uma vez que em sua maioria são prédios particulares. Nestes casos, cabe ao proprietário ações junto à justiça e às lideranças da ocupação.
Há alguns minutos, bombeiros entraram no prédio na frente, também atingido pelo fogo, para apagar o novo foco, que já foi controlado. Vidros foram quebrados para o vento circular dentro da edificação.
Reveja imagem do momento em que o prédio no centro de SP estava pegando fogo:
Peruana, Gredy Canaquiri Yume, de 50 anos, morava no local há dois anos, junto do filho de 19 anos. Ela não estava no local no momento do incêndio. “Os anjos nos ajudaram”, comenta.

STF decide por unanimidade restringir foro privilegiado de deputados e senadores

Por 7 a 4, o Supremo Tribunal Federal decidiu reduzir o alcance do foro privilegiado, no caso de deputados federais e senadores, para crimes cometidos no exercício do mandato e em função do cargo, conforme o entendimento defendido pelo ministro Luís Roberto Barroso. Esta foi a quinta sessão que o Supremo dedicou à análise do tema – o julgamento foi iniciado em 31 de maio do ano passado. No julgamento, prevaleceu o voto do relator, Luís Roberto Barroso, que votou a favor da restrição ao foro e foi acompanhado pelos ministros Marco Aurélio, Rosa Weber, Cármen Lúcia, Edson Fachin, Luiz Fux e Celso de Mello. Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes também foram favoráveis à restrição, mas com um marco temporal diferente. Para os ministros, a partir da diplomação, deputados e senadores devem responder ao processo criminal no Supremo mesmo se a conduta não estiver relacionada com o mandato.
Durante o julgamento, os ministros chegaram a discutir se a decisão poderia ser estendida para demais cargos com foro privilegiado, como ministros do governo federal, ministros de tribunais superiores e deputados estaduais. A questão foi proposta pelo ministro Dias Toffoli, mas não teve adesão da maioria. Mesmo com a finalização do julgamento, a situação processual dos deputados e senadores investigados na Operação Lava Jato pelo Supremo e de todos os demais parlamentares que são processados na Corte deve ficar indefinida e as dúvidas serão solucionadas somente com a análise de cada caso. Os ministros terão que decidir individualmente se parlamentares vão responder, na própria Corte ou na primeira instância, às acusações por terem recebido recursos ilegais de empreiteiras para financiar suas campanhas. Ainda não é possível saber quantos processos serão afetados.
O deputado Alfredo Kaefer (Podemos), que responde a cinco inquéritos e uma ação penal no Supremo (892), por crimes falimentares, contra o sistema financeiro, a ordem tributária, o patrimônio e a administração em geral, e formação de quadrilha, deve ter os processos remetidos à primeira instância após a mudança no foro privilegiado. Em 2014, Kaefer era o deputado com o maior patrimônio declarado entre os 513 eleitos, com R$ 108,5 milhões. Kaefer é suspeito de dar calote em credores e fazer manobras contábeis no patrimônio familiar com o objetivo de salvar bens empenhados em execução judicial. Kaefer afirma que sempre defendeu que as ações tramitassem na primeira instância. “Não são relativos ao meu mandato. São cinco inquéritos e uma denúncia. O mais antigo, que é uma denúncia que já estava sendo apreciada pelo Supremo. Os outros cinco são por causa do problema de falência que um juiz decretou indevidamente e aí acabou ficando rescaldo”. Confiante, o deputado comemorou a interpretação do Supremo. “Provavelmente as ações vão morrer na primeira instância”, comentou ele.
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