Sede do templo onde eram realizados rituais satânicos na Região Metropolitana de Porto Alegre (Foto: Paulo Ledur/RBS TV)

Conforme a polícia, o ritual teria acontecido no templo de Silvio Fernandes Rodrigues, líder da seita, encomendado por dois empresários de Novo Hamburgo, também presos preventivamente, que queriam prosperidade nos negócios. De acordo com a investigação, eles pagaram R$ 25 mil pelo serviço.

Os corpos das duas crianças foram encontrados esquartejados em setembro em uma área de vegetação no bairro Lomba Grande, em Novo Hamburgo. O exame de DNA apontou que elas teriam entre 8 e 12 anos, e teriam sido raptadas na Argentina em troca de um caminhão roubado. Por isso, a polícia está em contato com autoridades daquele país.

Uma quarta pessoa também foi presa, e seria o braço direito dos empresários. Três pessoas estão foragidas.

Imagens do interior do templo em Gravataí divulgadas pela Polícia Civil mostram crânio, que segundo consta, é de barro. (Foto: Polícia Civil/Divulgação)

Revelações divinas ajudaram na investigação do caso, disse o delegado Fermino

Durante coletiva na segunda-feira (8), o delegado Fermino, até então encarregado da investigação, que é evangélico, detalhou que as revelações vieram por meio de “profetas”.

Horas depois da coletiva, a Polícia Civil informou que as investigações passariam a ser conduzidas pelo delegado titular da Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, Rogério Baggio, que estava de férias. Ele foi o responsável pelo início do inquérito, em setembro, quando os corpos esquartejados das crianças foram encontrados.

Rogério assumiu o caso na terça-feira (9). Ele informou que os celulares dos suspeitos e materiais apreendidos nas buscas serão periciados.

O delegado Fábio Motta Lopes, diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, nega que a crença religiosa de Fermino possa ter prejudicado ou influenciado as investigações. “Apesar de ter sido utilizado um termo, na minha visão, inapropriado, efetivamente as investigações seguiram o rumo adequado”, afirma.

“Há provas testemunhais que levam a um ritual macabro, satânico, em que duas crianças acabaram sendo sacrificadas com indícios suficientes de autoria. Se assim não fosse, o Poder Judiciário dificilmente decretaria a prisão”, sustenta.

 Polícia descobre detalhes assustadores de ritual satânico

Crianças teriam sido alcoolizadas e decapitadas vivas por criminosos, acusados ainda de canibalismo

 Silvio Milani – NH

Capa e máscara foram encontrados em cofre no templo onde teria ocorrido um ritual satânico  (Foto: Daniel Favero/G1)

Quando parece que o grau de crueldade no caso das crianças esquartejadas chegou ao extremo, surgem informações de barbárie ainda maior. Os novos detalhes apurados aprofundam as acusações sobre os suspeitos, que devem ser indiciados por homicídio e também por tortura. O ritual encomendado por hamburguense para atrair prosperidade acabou com a vida de irmãos da forma mais selvagem. Segundo a polícia, eles foram alcoolizados com cachaça e decapitados ainda vivos. Depois houve sessão de canibalismo. Os acusados teriam comido parte das coxas e bebido sangue das vítimas.

O circo de horrores que teria ocorrido no templo satânico de Gravataí, no início de setembro, repugnou até o mais experiente investigador. “Sou um homem de Deus. O que fizeram com essas crianças inocentes é abominável”, declarou o delegado Moacir Fermino Bernardo, que responde pela Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo. Para matar os irmãos, teria sido usada uma espécie de foice bem afiada. Segundo ele, ingerir carne e sangue de mortos faz parte de sessões satânicas.

Fermino conta que o esquartejamento está no roteiro do ritual. O propósito é enterrar as cabeças e posicionar as outras partes para formar um quadrado ou um losango – o tronco e membros foram encontrados no dia 4 de setembro, na beira da estrada Porto das Tronqueiras, em Lomba Grande, e os pés e mãos apareceram duas semanas depois no outro lado da via, a 400 metros de distância. “Esse tipo de ritual é muito difundido nos Estados Unidos a na Uganda. Vamos continuar procurando as cabeças.”

“Trabalho” teria iniciado em uma igreja cristã

Depois de pagar R$ 25 mil ao bruxo, o hamburguense teve uma missão inusitada. Segundo a polícia, o primeiro passo do ritual foi ir a uma igreja católica. “Na frente do altar, ele teve que pingar uma gota de sangue do dedo em uma Bíblia aberta e renunciar a Jesus Cristo”, conta Fermino.

A Bíblia teria sido levada ao templo satânico, onde a ordem era não ser fechada por sete dias. Uma semana depois, conforme Fermino, Moloch, o demônio invocado em sacrifício de crianças, teria se manifestado. Depois de outras etapas, chegou o momento crucial diante do altar de Lúcifer: o sacrifício do menino de 8 a 10 anos e da garota entre 10 e 12 anos. O hamburguense que encomendou, parentes, o bruxo e discípulos teriam participado da alcoolização, canibalismo e esquartejamento.

As cabeças e outras partes dos corpos foram colocados em losango ou quadrado nas imediações das terras que o interessado no ritual pretende vender.