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Mês: janeiro 2018 (Page 1 of 2)

Balanço comparativo mostra que operações policiais aumentaram 45,12% em 2017

Balanço comparativo mostra que operações policiais aumentaram 45,12% em 2017
Balanço comparativo mostra que operações policiais aumentaram 45,12% em 2017 - Foto: Polícia Civil - Imprensa
A Polícia Civil realizou o balanço comparativo entre os anos de 2017 e 2016. Inicialmente constatou-se um aumento significativo no número de operações policiais, sendo realizadas 656 em 2016 e 952 em 2017. Foram 296 operações a mais que no ano anterior, um aumento de 45,12%. Este aumento, associado às ações de inteligência e a apreensão 3,71% maior de armas, 3.585 armas foram apreendidas em 2016 e 3.718, em 2017, teve como resultado um índice 10,68% maior no número de prisões realizadas pela Polícia Civil, de 13.301 em 2016 para 14.722, em 2017.
O reflexo da melhoria nos índices da Polícia Civil também pode ser observado nas apreensões de adolescentes que apresentaram um aumento de 21,04%, sendo que em 2016 foram 808 adolescentes apreendidos e 978 em 2017.
Segundo o Chefe de Polícia, delegado Emerson Wendt, as operações policiais são deflagradas contra uma vasta área criminal, como o tráfico de drogas, roubos e furtos de veículos e homicídios, entre outros crimes. Elas são o resultado do trabalho investigativo qualificado realizado pelos delegados e agentes. Além de combater o crime, as operações têm por objetivo a descapitalização de organizações criminosas, visando atingir o patrimônio adquirido de forma ilegal por esses grupos criminosos. O maior número de operações foi, sem dúvida, um dos fatores que mais contribuiu para o êxito no aumento de números de prisões, apreensões e inquéritos concluídos com elucidação, como mostram os números.

Um indicador que teve aumento expressivo e que reflete na diminuição da criminalidade no Rio Grande do Sul relaciona-se aos presos por mandados de prisão pela instituição. No ano de 2017 foram 6.798, um acréscimo de 1.271 em relação ao ano anterior, uma porcentagem de 23%. Além disso, pode-se destacar que quanto à recaptura de foragidos houve um acréscimo de 12%, sendo 1984 presos em 2016 e 2.222, em 2017. Os flagrantes elaborados pela Polícia Civil – 22.555 – também tiveram um acréscimo de 1,33%, em relação ao ano anterior em que foram 22.259. Foram remetidos ao Poder Judiciário 283.979 procedimento policiais com elucidação do crime, uma diferença de 14.881, o que significa um aumento de 5,53% em relação ao ano anterior. A taxa de elucidação dos procedimentos policiais remetidos à Justiça, em 2017, foi de 75,27%.

Quanto à apreensão de drogas houve um aumento na maioria delas, sendo a apreensão de LSD recordista, com um índice de 67,28% a mais do que no ano anterior, seguida pela apreensão de ecstasy, com 33,87%, crack, com 10,41% e maconha, com 5,40%. Somente de LSD, a Polícia Civil apreendeu durante o ano de 2017 mais de 8.600 pontos, sendo 1334 apenas em outubro.  Em novembro do ano passado, foram apreendidos 3.479 comprimidos de ecstasy, o maior número do ano, que finalizou com 18.386 comprimidos apreendidos. Durante 2017 foram apreendidos quase 300kg de crack e mais de dez toneladas de maconha.

Observou-se, em 2017, uma redução de 4,21% no número de ocorrências policiais, pois em 2016 foram 1.457.531 registros e em 2017 1.396.195. Ainda que o registro de ocorrências tenha diminuído, houve um aumento no registro de ocorrências através da Delegacia Online, em 2016, do total de ocorrências, 10,62% foi pela Internet, já em 2018 o percentual foi de 15,32%, o que representa um aumento de 38,21%.

Um dado importante foi o valor de R$ 67.543.522,63 em ativos recuperados pela Polícia Civil no ano que passou, o que evidencia que a repressão qualificada às organizações criminosas, buscando sua descapitalização.

De acordo com o Chefe de Polícia, delegado Emerson Wendt, todos estes indicadores estão sendo avaliados pela Chefia de Polícia e os critérios para a definição de operações policiais serão discutidos para que novas ações sejam deflagradas ao longo de 2018, sempre visando excelência no combate à criminalidade. Já estão previstas operações policiais para o combate dos mais diversos crimes, entre eles, homicídio, tráfico de drogas, exploração sexual, contra o consumidor e lavagem de dinheiro. Todo o trabalho da instituição no combate ao crime deverá ser reforçado com o ingresso dos novos policiais brevemente. O concurso para Escrivão e Inspetor, cujas inscrições encerraram no último dia 19, contou com 44.238 inscritos preliminarmente.

O secretário Cezar Schirmer destacou a atuação da Polícia Civil e a sua evolução constante como instituição. “São números que comprovam a excelência dos serviços prestados à sociedade gaúcha. Uma corporação que cumpre o seu papel e desenvolve ações que transcendem em muito as suas atribuições primordiais”.

Cecy Quadros Raicik

Reg. Prof. 6211

JF

Com 78 anos de história, último leprosário do Brasil vira destino de pacientes do Hospital São Pedro

Entrada do Hospital Colônia de Itapuã, local que abriga 72 moradores, a quase 60 km de Porto Alegre | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Fernanda Canofre

Na véspera do dia do casamento, uma jovem de Uruguaiana descobriu que teria que deixar tudo para trás, fazer as malas em duas horas e se despedir da família para sempre. Um violinista estava no meio de um concerto, em Porto Alegre, quando foi algemado e arrastado do palco pela polícia. Era um dia de semana comum quando uma menina, de cerca de dez anos, foi colocada dentro de um furgão preto e viajou por duas horas em uma estrada de chão empoeirada sem saber para onde ia. “Eu perguntava: onde é que vocês vão me levar? E eles diziam: nós já vamos chegar num lugar bem bonito”, lembrava ela, anos depois, no documentário ‘A Cidade’ (2013). Todos eles, assim como outras 2.474 pessoas, terminaram no mesmo destino: o Hospital Colônia de Itapuã.

Em maio de 1940, ele se tornava o último leprosário a ser inaugurado pela política de isolamento dos portadores de hanseníase, adotada no Estado Novo de Getúlio Vargas. Assim como os outros 39 criados pelo país, o HCI era uma mini-cidade com igrejas, praças, escola, salão de festas, prefeitura e delegacia, para onde todas as pessoas que eram diagnosticadas com a doença no Rio Grande do Sul eram levadas. Uma internação compulsória que duraria até o fim da vida do paciente. O primeiro carro, com 180 pessoas, chegou ao local dois meses depois da abertura oficial.

“Por que trazer esse doente para cá? Porque a hanseníase era uma doença contagiosa. Deixar esse paciente lá fora, estaria transmitindo e acometendo a sociedade saudável”, explica a atual enfermeira de Itapuã, Rita Camelo.

A 53,5 km do Centro de Porto Alegre, hoje, os 1.253 hectares de área verde são um museu a céu aberto e em ruínas. Uma memória desbotada de outros tempos. Parte das 172 edificações da cidade, porém, segue ocupada por pessoas que se curaram da hanseníase (mas decidiram permanecer vivendo na Colônia) e por pacientes psiquiátricos. Em 2012, quando a diretora Liliana Sulzbach gravou o documentário que citamos no início da reportagem, 34 pessoas viviam no local. Hoje, são 72. Além dos 20 sobreviventes dos tempos do leprosário e alguns antigos pacientes psiquiátricos, desde maio do ano passado, mais pessoas do Hospital Psiquiátrico São Pedro têm sido transferidas para o local, pelo governo do Estado.

O pórtico com a frase “Nós não andamos sós” segue na entrada da antiga vila, em letras pintadas com o mesmo verde escuro de antigamente. A diferença é que agora já não existe o vidro para separar o mundo de cá do outro lado. Numa manhã de janeiro de 2018, três ou quatro moradores-usuários sentam sob o sol e caminham entre as duas áreas do hospital. A reportagem, porém, não está autorizada a fazer foto ou entrevistá-los. Segundo a administração do local, desde que matérias foram publicadas chamando Itapuã de “cidade dos mortos-vivos”, ninguém mais foi autorizado a conversar com quem vive ali.

O dia de ontem

Curados da hanseníase, mas em contato com o mundo fora de Itapuã, muitos pacientes escolheram ficar | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os primeiros relatos de pessoas afetadas pela hanseníase têm 3 mil anos. Naquela época, a doença era conhecida como lepra ou “doença dos lázaros”, em referência à história da Bíblia. A cura só surgiu em 1943. Três anos depois da criação do Hospital de Itapuã. Levariam ainda outros seis anos para que a medicação contra a doença – a dapsona – começasse a ser comercializada mundialmente. No Brasil, as regras de isolamento instituídas por Getúlio seguiram valendo até 1961, quando o então ministro da Saúde, Tancredo Neves, publicou uma nova portaria sobre tratamento no país.

Em um parágrafo único, ela diz: “No combate à endemia leprótica será, sempre que possível, evitada a aplicação de medidas que impliquem na quebra da unidade familiar, no desajustamento ocupacional e na criação de outros problemas sociais”. Ou seja, ninguém mais teria de deixar tudo após receber um diagnóstico positivo. A política reconhecia que leprosários só aumentavam o preconceito. Para muitos que foram levados a Itapuã, no entanto, a decisão chegou tarde.

Com a lei federal criada por Getúlio, assim que a pessoa fosse diagnosticada com uma lesão na pele, era obrigada a ir viver num espaço isolado. Não importava o estágio da doença ou idade. O furgão preto da profilaxia viajava por todo o Estado para buscar os novos moradores. Para quem era casado, receber o diagnóstico dava ao cônjuge o direito de se divorciar, numa época que o divórcio não era lei no Brasil. Ouvir de um médico que você tinha “lepra” era como receber a notícia que havia morrido para a sociedade.

Pacientes eram colocados para viver em pavilhões, dividindo quartos entre 3 e 4 pessoas | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Muitos, depois de atravessar a entrada que separava a zona limpa da zona suja, mudavam até o nome para evitar que a família sofresse constrangimento do lado de fora. Se acostumavam com a vida em um pavilhão, onde teriam de dividir quartos com outras três ou quatro pessoas, pelo menos até casar e ter direito à uma casa separada.

“É a dor do pavilhão… Tu deixaste um namorado, tu deixaste a família, tu deixaste todos lá fora, aqui, quando tu chega, tu nada conhece, nada sabe. E tu tem que te acostumar porque aqui é tua vida. Por outro lado, tu não tem nenhum medicamento, nenhuma esperança de um dia melhorar. Onde ficam os teus afetos? Os filhos que tu deixaste? Aqui tu cria uma irmandade, porque é tudo o que te sobra. Aqui tu cria resignação e aceitação”, conta a enfermeira Rita. “Todos os hospitais colônia têm uma porta de entrada. A porta de saída é o cemitério”.

Alguns se adaptavam à nova vida. Casavam, entravam para o time de futebol, encontravam uma nova profissão. Conforme a cidade foi ganhando mais moradores, eles mesmos criaram uma olaria para construir novos prédios, como o “Pavilhão de Diversões”. Lugar que abrigou grandes bailes, sessões de cinema, a televisão por onde quem vivia ali viu o homem chegar à lua em 1969. O salão que acomodava um público maior do que o Theatro São Pedro, com mil cadeiras arrumadas lado a lado e cobrava 400 réis de entrada, hoje, tem o teto destruído e o palco coberto por restos e sujeira.

Outros pacientes, porém, demoravam para aceitar. Fugas – especialmente de homens, que sentiam falta de bebida – eram comuns no Hospital Colônia. Assim que o paciente era capturado, o delegado do local (também um doente) o enviava para a prisão. Uma casa com salas separadas para os “detentos” e duas solitárias, do tamanho de um armário de vassouras, onde muitas vezes eles eram jogados por dias, se fossem reincidentes.

“Pavilhão de Diversões” construído pelos próprios moradores de Itapuã, com tijolos fabricados dentro do Hospital Colônia | Foto: Guilherme Santos/Sul21

As crianças que chegavam sozinhas cresciam nos pavilhões. As meninas eram colocadas aos cuidados de uma freira, também doente, e os meninos, com um senhor de idade que ensinava carpintaria. “Eu vim para cá quando tinha 7 anos. Eu achava que não ia conseguir ficar aqui dentro. Pensava: será que eu vou ter que ficar a vida toda aqui?”, lembra uma mulher no filme ‘A Cidade’. Quando era um ano mais jovem que ela, outra menina de Itapuã bordou um travesseiro com flores cor-de-rosa e a palavra “felicidade” a pedido de uma freira. Anos depois, quando soube pela enfermeira o que estava escrito, ficou triste. “Se eu soubesse ler, eu nunca teria escrito essa palavra”, disse.

Já as crianças nascidas em Itapuã nunca ficavam. Depois do parto, a mãe tinha poucos segundos para ver o rosto do bebê pelo buraco de uma tábua e se despedir para sempre. Elas eram, então, encaminhadas a abrigos de freiras e para adoção, sem nunca saberem sua história. Uma reportagem da BBC de 2016 afirma que, segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, 40 mil bebês foram separados dos pais em leprosários do Brasil.

Rita conta que, mesmo que muitas mulheres tentassem evitar a gravidez, não restavam muitas opções. “As mães aqui dentro rezavam muito para nunca engravidar. Na confissão, se ela dissesse que estava evitando fazer sexo, para não engravidar, ela não recebia a comunhão na frente de todos. Para que todos soubessem, que aquela não era uma boa esposa”.

Zona suja

Pórtico separava as zonas “limpa” e “suja”: pessoas doentes só poderiam falar com a família pelo vidro do parlatório | Foto: Guilherme Santos/Sul21

O território de Itapuã era dividido em duas zonas: a limpa e a suja. Uma para os doentes, outra onde circulavam os funcionários que davam apoio à cidade, comprando alimentos, abastecendo de medicamentos, tecidos para roupas, etc. Além dos doentes, só dois médicos e um grupo de 19 freiras, todas vindas da Alemanha e especialistas no tratamento de pessoas com hanseníase, poderiam circular na área com risco de contágio.

A transmissão da doença se dá pela saliva de pessoas não tratadas, através de um bacilo. O primeiro identificado na História. Descoberto pelo dermatologista e bacteriologista Gerhard Hansen, em 1873, ele pode levar de dois a sete anos para apresentar os primeiros sintomas e não escolhe idade ou gênero de quem infecta. O doente perde a sensação em certas regiões da pele, tem dificuldade de diferenciar frio e calor ou de sentir dor. A doença pode então evoluir para estágios tuberculóide ou lepromatosa, causando atrofiamento de membros e lesões respiratórias, de pele e nos olhos. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil é o segundo país com o maior número de casos no mundo.

Moeda própria do Hospital Colônia Itapuã | Guilherme Santos/Sul21

Em Itapuã, quando familiares faziam visitas, tinham de ficar de outro lado de um vidro, com dois canos que marcavam a distância de um metro entre doente e alguém saudável. Nenhuma comida, carta ou qualquer outro objeto cruzava o pórtico sem ser esterilizado. Por um tempo, a “cidade” chegou a ter inclusive moeda própria, uma chapinha de latão, fabricada pela empresa de lamparinas Eberle, de Caxias do Sul. Se as freiras pegavam qualquer relato falando mal do local, a correspondência era confiscada. Com o tempo, muitas famílias iam deixando de visitar os doentes e tocando suas vidas lá fora, enquanto quem recebeu a “sentença” recomeçava outra vida.

“Esses pacientes estiveram atrás do muro para proteger a sociedade saudável. Mas não tínhamos o que dar. Aqui dentro somos uma cidade. O doente mais saudável é ensinado a cuidar do mais grave. Nós não temos enfermeiros civis, o médico entra, faz a prescrição, uma das irmãs vai ensinar o grupo de funcionários, que é um grupo de doentes. A cidade é administrada pelo prefeito eleito pelos doentes”, conta Rita.

Com a publicação do decreto de Tancredo Neves, a porta foi aberta para quem quisesse voltar ao mundo comum. Alguns pacientes foram viver em terras distantes, onde ninguém soubesse que viveram em um leprosário, outros saíram, mas voltaram pouco tempo depois. “A sociedade civil acabou fazendo com que eles tivessem que voltar para dentro do Hospital, não mais por questão de saúde, mas por uma questão social. Eles não tinham mais onde ficar”, diz Rita.

Rita Camelo trabalha em Itapuã e dá aulas sobre diagnóstico e prevenção de hanseníase desde o início dos anos 2000. Ela ajudou a idealizar o Memorial do local | Foto: Guilherme Santos/Sul21

A enfermeira, que vem estudando o tema há 20 anos e está há 10 em Itapuã, acredita que, ao mesmo tempo que a política getulista contribuiu para um pânico e para reforçar preconceito contra quem tinha a infame lepra, caso a medida não tivesse sido adotada, os efeitos poderiam ter sido muito piores. “Teriam sido famílias inteiras dizimadas”.

Em 2007, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma lei indenizando todas as pessoas internadas contra a vontade em leprosários no Brasil. Hoje, a média de vida dos pacientes gira em torno de 80 anos. “Hanseníase não mata. Ela te deforma, mas não te mata. Quem morria, morria por pneumonia, hipertensão, AVC. Ela não interfere em absolutamente nada”. Rita conta ainda que os “ex-hanseníanos” têm a liberdade de ir e vir. Eles saem, almoçam fora, tem suas casas lá fora, avisam que vão passar 15 dias longe visitando alguém. Outros, com idade já muito avançada, vivem entre a enfermaria do HCI e suas próprias casas na cidade inventada.

Novos moradores

Hospital fica próximo ao Parque Estadual de Itapuã | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Os mais recentes moradores do Hospital Colônia têm uma vida diferente. Segundo Rita, para que o local não ficasse ocioso, foi tomada a decisão de levar para ali “os pacientes mais críticos do São Pedro”. O perfil deles seriam pessoas cadeirantes, “pacientes dependentes”, que eram um “ônus”.

“Nós temos espaço, nós temos equipe, aquele paciente que necessita de um cuidado mais intensivo, ser cuidado 24 horas, está vindo aqui para nós. A triagem é feita com a equipe médica daqui e a equipe médica de lá. É de lá que eles decidem quais os pacientes que virão para cá. São pacientes que, desde o seu início, nunca tiveram famílias”, afirma ela.

Na visita da reportagem, também não tivemos autorização para entrar na enfermaria ou espaços onde esses pacientes vivem. Uma decisão da nova direção, que assumiu na metade do ano passado. No site do governo do Estado há apenas duas linhas sobre quem vive hoje no Itapuã: “conta com moradores-usuários, que têm assistência não só de moradia, mas também de uma política que visa o resgate da cidadania e a reintegração social destas pessoas”.

Mas, a relação entre o São Pedro e o Hospital Colônia de Itapuã não é nova. Enquanto Itapuã foi deixando de receber pacientes com hanseníase, no final dos anos 1960, o São Pedro começou a apresentar superlotação. O Estado criou então um projeto chamado CAR – Centro Agrícola de Reabilitação – seguindo as diretrizes de uma política nacional de assistência ao doente mental. Pacientes homens, com idade entre 18 e 45 anos, que vinham de áreas rurais e tivessem diagnóstico de esquizofrenia crônica (sem cura), eram levados para viver no HCI. A proposta era ressocializar essas pessoas através da laborterapia. Em um banner exposto hoje, em Itapuã, diz-se que a criação de uma unidade psiquiátrica “reforçou o caráter asilar da instituição”. 

O projeto durou apenas dez anos.

Outros pacientes psiquiátricos seguiram sendo transferidos do São Pedro para Itapuã, mas por outros meios, não mais o CAR. Em 2014, quando José Ivo Sartori (PMDB) ainda estava em campanha para governador, o Sindicato Médico do RS (Simers) sugeriu a ele que o Colônia Itapuã poderia ser melhor aproveitado “para o tratamento de saúde mental”. Já no Piratini, em 2015, Sartori disse que pretendia reativar as internações de pacientes psiquiátricos no local.

Cidade do antigo leprosário abriga ainda uma das últimas obras do arquiteto Theo Wiederspahn: uma igreja protestante | Foto: Guilherme Santos/Sul21

As transferências estão sendo investigadas pelo Ministério Público Estadual. Em setembro do ano passado, a promotora Liliane Pastoriz, responsável pela fiscalização do Hospital Psiquiátrico São Pedro, realizou uma vistoria no local pela “possibilidade de ampliação do trabalho conjunto” entre os dois hospitais. Junto à promotoria de Viamão, encarregada de fiscalizar o trabalho no HCI, ela pediu avaliação técnica de biomédicos, enfermeiros e assistentes sociais sobre o trabalho no local.

“Estamos aguardando estas avaliações dos nossos técnicos. Tivemos parecer dos serviços médicos e biomédicos do local, agora, estamos aguardando avaliação da área de serviço social”, explicou ao Sul21. A promotora não quis dar mais detalhes sobre o caso, declarando apenas que deve ter um relatório ainda este ano. “O que a gente quer saber é se esse modelo assistencial [oferecido aos pacientes] seria adequado”.

Antes do MP, em 2016, a Defensoria Pública Estadual também já havia feito uma visita à Itapuã, enquanto investigava denúncias sobre as condições de tratamento dos pacientes psiquiátricos atendidos pelo SUS Porto Alegre e ausência de vagas em Residenciais Terapêuticos. “Quando a Defensoria Pública foi a Itapuã, não identificou violações visíveis. Estamos aguardando respostas do Estado sobre os critérios que estão sendo adotados para a transferência dos pacientes”, diz a defensora Patrícia Ketterman.

As transferências também vêm sendo questionadas pelo Fórum Gaúcho de Saúde Mental. O grupo encaminhou, no ano passado, um documento formal, por meio da Comissão de Saúde Mental, para mesa diretora do Conselho Estadual de Saúde solicitando quem são os usuários transferidos para Itapuã, quantos têm acesso a residenciais, onde seriam instalados. “Esse documento já foi e já voltou 500 vezes. Eles respondem só a parte que querem responder, fazem projeções para o futuro e não dão os nomes”, diz a psicóloga Karol Veiga.

Segundo outra integrante do Fórum, a psicóloga Fátima Bueno, o tema foi questionado em diversas plenárias do Conselho. “Nós pedimos, queríamos saber exatamente qual seria a política para [essas pessoas]. Eles usam essa coisa de transformar o hospital em referência e excelência e que os usuários vão morar melhor em Itapuã. Nós começamos a rebater esse argumento, que vez ou outra volta ao Conselho. Eles têm essa meta de 300 e poucos usuários lá”, afirma ela. Atualmente, o Hospital São Pedro possui 313 pacientes.

O cemitério do Hospital Colônia Itapuã | Foto: Guilherme Santos/Sul21

Sul21 solicitou uma entrevista com o responsável pelas políticas de saúde mental na Secretaria Estadual de Saúde, Luiz Coronel, mas ele estaria em licença. Ao pedido de outra pessoa que pudesse responder questões sobre os pacientes psiquiátricos de Itapuã, fomos informados de que não havia outras fontes disponíveis.

A lei que definiu indenizações a todas as pessoas internadas compulsoriamente em leprosários estendeu o benefício para internações realizadas até 1986, para incluir os dois últimos pacientes que chegaram a Itapuã. Um casal de irmãos, eles foram levados ali por uma decisão judicial e de maneira compulsória. Segundo conta a enfermeira Rita, os dois viviam em situação de vulnerabilidade social e sem condições de cuidado. Assim que se curou, o irmão deixou o hospital. A irmã, porém, que tinha 27 anos na época da internação e marcas físicas visíveis da doença, ficou.

Hoje, ela é uma das moradoras remanescentes e só consegue lembrar de sua própria história em alguns momentos de lucidez. A última vez que isso aconteceu disse à enfermeira que trocava seus curativos que se se sentia como um pássaro de asas quebradas. Já sem forças para voar longe dali.

Veja galeria de fotos:

A praça da cidade isolada | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Pacientes que se curaram da doença, seguem nas mesmas casas | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Igreja protestante do Hospital Colônia | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Detalhes da igreja | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Foto: Guilherme Santos/Sul21
Além da deterioração, pela falta de manutenção, local teria sido alvo de vândalos da região | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Rua da igreja é a que concentra moradores do antigo leprosário | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Moradores que fugiam eram trazidos para a cadeia local | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Cadeia tinha salas e solitárias para colocar moradores. Brigas e fugas estavam entre os principais motivos de prisões | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Travesseiro bordado por criança de Itapuã. A menina disse que se soubesse ler, não teria escrito “felicidade” | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Moldes de sapatos adaptados para pessoas afetadas pela hanseníase. Um dos efeitos da doença é deformação em membros e articulações | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Molde feito para a criança mais nova trazida para o leprosário: uma menina de 5 anos | Foto: Guilherme Santos/Sul21
Casa no Hospital Colônia Itapuã | Foto: Guilherme Santos/Sul21

CRÔNICAS CURTAS 26.01.2018

Vamos combinar

Ninguém é obrigado a gostar de animais. Mas o que não se pode em hipótese alguma é ignorá-los ou maltratá-los. O assunto abordado a seguir é sobre gatos e cães. Se o caro leitor não gosta desses bichos, e confesso que também não sou afeito a ter esses animais dentro de casa, não importa, não deixe de ler, pois não se trata de gostar ou deixar de gostar, mas sim de respeitar e zelar pela integridade física e pela vída deles.

Cachorrada na rua

A ONG Associação Santoaugustense de Proteção aos Animais – ASAPAN – que tem por finalidade promover a conscientização da comunidade para a guarda responsável, cuidados e proteção aos animais, queixa-se que permanece “desassistida” por parte do Poder Público Municipal, cuja Secretaria Municipal do Meio Ambiente ao invés de prestar o devido apoio logístico à entidade, apenas promete encaminhamentos quando procurada. Sem contar que, segundo alegam, quando algum munícipe contata sobre problemas com animais como gato, cachorro, por exemplo, em situações de rua ou sofrendo maus tratos, a secretaria direciona o caso para a ASAPAN resolver. Enquanto isso, a cachorrada na rua aumenta cada vez mais.

A propósito

Cães e gatos na rua perturbam as pessoas, podem provocar danos, fazem barulho, atrapalham o trânsito, aumentam a procriação, trazem riscos à saúde pública. Para evitar estes transtornos e para proteger esses animais é que a ONG foi criada, mas sem o imprescindível apoio e atitudes concretas do Poder Público é impossível enfrentar a problemática.

Castração

A Organização Não Governamental – ASAPAN – recomenda a quem tiver condições de castrar, que castre o seu animalzinho, tanto fêmea, como macho. Sem a castração, o animal tende a sair do pátio, ir para a rua atrás de fêmea no cio, brigar, causar transtorno para as pessoas, para o dono inclusive, e aumentar a população da espécie.

 Castração II

Segundo informações repassadas à coluna pela ASAPAN, a direção da entidade encaminhou, já faz bastante tempo, uma solicitação à Prefeitura Municipal objetivando criar oficialmente mecanismo junto à Secretaria do Meio Ambiente, para proceder à castração de cães e gatos, objetivando, principalmente, estancar ou pelo menos minimizar a procriação. Porém, a entidade queixa-se que, apesar de o secretário do Meio Ambiente ter dito que o projeto está pronto, nada de concreto foi feito até agora. Enquanto isso, continua crescendo o número de animais (cães e gatos) invadindo as ruas e procriando, indiscriminadamente.

 

 O que diz a Prefeitura

Sobre a questão reclamada pela ASAPAN, a coluna contatou com o vice-prefeito e Secretário Municipal do Meio Ambiente, Marcelo Both. Marcelo informou que está definido pelo Conselho Municipal do Meio Ambiente, que será feito já no próximo mês de fevereiro um “chamamento público” de empresas habilitadas para fazer a castração de cães e gatos, devendo ser da área médica veterinária e que tenha equipamentos e ambientes adequados, cujo critério da contratação será o menor preço, utilizando para custeio dos procedimentos, recurso do Fundo Municipal do Meio Ambiente. Marcelo ressalta que serão contemplados apenas pessoas de baixa renda, devidamente cadastrados na Secretaria de Assistência Social. Somente animais pertencentes a essas pessoas serão castrados dentro do programa. Quanto aos demais, nenhuma medida por parte do Poder Público, a não ser a conscientização, disse Marcelo Both.

 Estacionamento x colisões

Em 2013, a administração municipal de Santo Augusto, atendendo reiterados pedidos de empresários estabelecidos na Avenida do Comércio, fez alterações no sistema de estacionamento ao longo da via. Melhorou bastante uma vez que disponibilizou mais vagas para estacionamento em ambos os lados de cada pista. Porém, o sistema trouxe um inconveniente importante, as frequentes colisões quando veículos saem ao mesmo tempo dos estacionamentos. Em face disso, agora condutores pedem ao órgão municipal de trânsito nova adequação no sistema de estacionamento nesses locais. 

Divisão de Trânsito

A coluna contatou com o diretor da Divisão de Trânsito da Secretaria Municipal de Obras, senhor Samuel Cirilo, o qual informou que já foi feito um estudo e já há parecer do Conselho Municipal de Trânsito no sentido de fazer uma alteração experimental no sistema de estacionamento oblíquo na Avenida do Comércio, pista da direita no sentido centro bairro, entre a Rua Júlio de Castilhos e a Padaria Central. Segundo Samuel, a alteração será feita nos próximos dias, consistindo em manter como está o estacionamento lateral e eliminar os espaços de estacionamento oblíquo na zona central, porém disponibilizando esses espaços para estacionamento oblíquo no outro sentido, ou seja, no sentido oposto. Se a experiência der certo, será ampliado futuramente para os outros dois quarteirões, indo até as imediações da praça central.

 Tragédia da Kiss, 5 anos

A tragédia da Boate Kiss, que matou 242 jovens em Santa Maria, é um daqueles horrores capaz de abalar um país inteiro. Ocorrido na madrugada de 27 de janeiro de 2013, cinco anos no próximo sábado, o incêndio na casa noturna foi recebido com desespero, revolta. Pedia-se que nunca mais a negligência e a irresponsabilidade voltassem a se somar para ceifar tantas vidas e ainda tão jovens.

 O preço da negligência

Foi preciso acontecer uma tragédia com 242 mortes na boate Kiss em Santa Maria, para que o poder público em todo o Brasil resolvesse cumprir o dever de mandar vistoriar tecnicamente as casas noturnas em funcionamento. A negligência e irresponsabilidade são gritantes, tanto por parte dos proprietários e/ou responsáveis pelos estabelecimentos, como por parte do poder público (Prefeituras e Estado). Na época, chocados com a tragédia, os setores responsáveis das Prefeituras e do Estado fizeram varreduras nas casas noturnas, constatando que um percentual muito pequeno cumpria com as exigências de segurança previstas em lei. Curioso é que a maioria dos que estavam em situação irregular possuíam alvará, caracterizando aí a falta de observância das exigências legais por parte do órgão expedidor do alvará. Mas foi fogo de palha, tudo continua como dantes. Falta seriedade na liberação de alvarás.

 

 

 

 

 

Reação justa da classe médica à pejorativa frase do ministro da Saúde, Ricardo Barros

Foi ampla a repercussão e ocupou espaço em todos os meios de comunicação do Brasil, a infeliz e tendenciosa frase do ministro da Saúde, Ricardo Barros, durante fórum realizado em julho do ano passado em Brasília, quando falando em defesa do falido SUS disse: “Vamos parar de fingir que pagamos ao médico, e o médico, de fingir que trabalha”. A insinuação é injusta, primeiro porque o governo (SUS) nem sempre paga, e quando paga esses valores irrisórios o faz com muitos meses de atraso; segundo, porque os médicos, e aí se faz referência especial aos profissionais aqui na nossa cidade e região, não fingem que trabalham, mas sim, eles trabalham efetivamente, e muito. É como diz o presidente do hospital Bom Pastor, Pedro Marodin, “é de admirar a doação dos nossos médicos, eles querem salvar a vida, são contra a morte e a favor da vida, decididamente”.

A reportagem buscou a opinião do Dr. Florisbaldo Polo, um dos médicos que compõe a valorosa equipe clínica do hospital Bom Pastor, sobre a pejorativa frase do ministro Ricardo Barros. Mostrando indignação, Dr. Floris rebateu com veemência os impropérios do ministro, assim se manifestando: “Quem finge e faz de conta é o governo que há 13 anos não aumentou um centavo o valor para internações do SUS (AIH)”. O governo atrasa e paga quando quer. Aqui em Santo Augusto, em 2017, nós médicos recebemos 3 meses e os outros 9 meses trabalhamos sem receber nada, e aí inclua-se os plantões e todas as internações clínicas e cirurgias, disse o Dr. Floris. E essa é uma realidade em praticamente todos os hospitais.

Um governo que rouba bilhões, que nós é que vamos pagar como é o caso da petrobras de onde foi surrupiado 9,4 bilhões de reais que serão creditados em cada litro de combustível. Esse é apenas um exemplo da infinidade de falcatruas deste e de outros governos. Com que moral um governo desses vem tentar enxovalhar a classe médica?

É muita humilhação em cima de quem realmente trabalha. Os filhos do Lula, por exemplo, humilham a nós brasileiros desfilando com jatinhos, carrões com o dinheiro do povo, e por aí vai. Enquanto isso, a saúde, a segurança, a educação, estão cada vez mais sucateadas, e a corrupção, apesar das tentativas de combate, parece que cada vez mais se fortalece e se intensifica, comprometendo, inclusive, a imagem do país.

É muito triste. Esses governos que colocam um engenheiro como ministro da saúde por somente conchavos não têm seriedade e comprometimento com a população, finaliza o médico Florisbaldo Polo.

 

Entrevista – Pedro Valmor Marodin – Presidente do Hospital Bom Pastor

Pedro Valmor Marodin, empresário do ramo de comunicações (rádio e jornal), em maio de 2016, diante de uma crise administrativa que culminou com a renúncia do então presidente e vice da Associação Hospitalar Bom Pastor, não deixou a peteca cair. Percebendo a necessidade de alguém da comunidade se disponibilizar e assumir a administração da instituição hospitalar, não titubeou. Comprometido com a sociedade como cidadão, embora sabendo que prestaria serviço gratuito, teria de dispensar boa parte de seu tempo e trabalho de suas empresas e, soubesse que teria uma missão nada fácil a cumprir, decidiu encabeçar uma chapa e compor uma diretoria para assumir a gestão do hospital.

Auxiliado por uma dinâmica e competente diretoria e com a excelente equipe médica e dos demais profissionais do setor, Marodin vem desde o início reorganizando e readequando a gestão, renegociando dívidas, fazendo intensas campanhas junto à comunidade no sentido de arrecadar doações não só de dinheiro, mas de alimentos, materiais de higiene, limpeza e de tudo que é consumido e usado em prol dos pacientes no hospital, cujo objetivo pode ser considerado satisfatório.

Mas o grande problema é administrar os insuficientes recursos destinados pelo SUS, o que sem a complementação financeira oriunda de doações de pessoas e empresas, e de algumas prefeituras que fazem mensalmente repasses, tornaria inviável totalmente a manutenção do hospital em funcionamento.

Para falar sobre a gestão do hospital com relação aos repasses do SUS e as adequações que estão sendo implantadas, Pedro Valmor Marodin concedeu a seguinte entrevista:

JC – Quais serão as adequações que entrarão em vigor a partir de 01/02 e o que elas visam?

Marodin – O Hospital Bom Pastor vem tomando algumas atitudes e implementando algumas ações, no sentido de manter as portas abertas e ver seus funcionários e os médicos receberem em dia seus salários. Como o SUS é o nosso maior atendimento, em torno de 80 a 85% da população que atendemos é SUS, e como o SUS é deficitário, é lógico que o hospital tem que vir em prejuízos acumulados mês após mês. Então, a nossa diretoria, a direção do hospital fez um estudo profundo de todos os setores onde se consomem recursos e chegou à conclusão de que o hospital deve ter uma complementação, até porque o ministro da saúde, quando esteve em Santo Augusto, fez essa afirmativa, de que o SUS paga a metade ou nem a metade do custo – isso é uma verdade – e disse que os municípios têm de bancar essa diferença. Por que ele disse que são os municípios? Porque existe uma legislação que diz o seguinte: que nenhum cidadão pode complementar o SUS – e o SUS é aberto a todo o cidadão –, portanto, o município pode complementar o SUS, e pagar aquela diferença que o SUS está deixando em aberto. Então, na verdade, os nossos procedimentos são no sentido de buscar através dos municípios essa complementação, amparados numa legislação que tivemos conhecimento recentemente. É nesse sentido que estamos fazendo contato com os municípios. Agora, que fique bem claro que nós atendemos também sem o complemento, mas dentro da nossa cota, que é 60% do nosso percentual em relação ao número de leitos. Com complementação ou sem complementação, o hospital tem de atender e vai continuar atendendo. O que ocorre é que essa nossa obrigação é para os municípios de referência e essa referência quem determina é o Estado, é a Secretaria Estadual de Saúde, fiscalizada pela Coordenadoria Estadual de Saúde, com sede em Ijuí. Essas, nós temos o compromisso de atender. O que ocorre é que nossa referência são quatro ou cinco municípios e nós estamos atendendo, fora da nossa referência, mais outros quarenta. E é desses quarenta que estamos buscando as complementações, e não apenas dos municípios referência, porque eles precisam ter um hospital a disposição.

JC – O que ocorre com aqueles pacientes que procurarem atendimento no hospital sem autorização do município?

Marodin – O paciente que chegar no hospital e for um caso de município de referência vai ser atendido normalmente; o que não for de referência e estiver fora da nossa cota, se for urgência e emergência, o atendimento é imediato e tudo pelo SUS, os casos de acidente, acidente vascular, infarto, acidente de trânsito, uma tragédia de qualquer tipo, nós atendemos imediatamente pelo SUS, independente de qualquer convênio. Esse, nós temos o recurso do Estado que banca isso aí. Se chama recurso para a porta de entrada, urgência e emergência. Esse não tem problema nenhum. Agora, o paciente que vem de outra região, que não é da nossa referência, não contatou conosco antes, não acertou o repasse do hospital, nós vamos negociar com ele para achar uma forma adequada legalmente de atendê-lo.

JC – E no caso de o médico determinar a internação por ocasião da consulta na clínica?

Marodin – O paciente vai ter de entrar em contato não apenas com o médico. Antes, era médico-paciente. Agora, vai ser médico-paciente e hospital.

JC – Esse entendimento é o paciente que faz ou o médico mesmo?

Marodin – Esse entendimento quem faz, geralmente, é a Secretaria da Saúde do município de origem do paciente. Porque ela é quem vai encaminhar com a AIH. E ela sabe, já está sabendo de antemão, de que precisa de complemento do município dela.

JC – Esse encaminhamento é precedido de uma triagem?

Marodin – Exatamente, essa é a palavra correta. Eles fazem a triagem lá, se essa pessoa precisa de um atendimento de alta complexidade, ou média ou baixa complexidade.

JC – Para ficar bem claro: oriundo de município referência, o paciente chega no hospital, mas sem a autorização, tu disseste que ele será atendido igual. Não há o risco de perder o controle?

Marodin – A gente imediatamente vai entrar em contato com a Secretaria da Saúde do município do paciente, perguntando se ela autoriza, mesmo que seja por telefone. Nós jamais vamos deixar de atender uma pessoa no hospital. Jamais. O que nós estamos buscando são algumas alternativas legais de complementação do Poder Executivo, no caso, das prefeituras.

JC – Esses contratos com os municípios, por certo evitarão, inclusive, eventuais ações judiciais, como atualmente acontece?

Marodin – Isso é para organizar essa situação, que, em alguns municípios, em alguns hospitais do Rio Grande do Sul e do Brasil afora, o médico negociava um complemento para a clínica dele, mas não negociava hospital. E, agora, foram incluídos médico e hospital, mas a lei diz que tem que ser com o município.

JC – Como é o atendimento pelo SUS no Hospital Bom Pastor em relação aos médicos?

Marodin – O atendimento do SUS, planos de saúde e particular, depois que cai na mão do médico, é igual, não muda nada. É o mesmo médico, é o mesmo remédio, os mesmos laboratórios, as mesmas enfermeiras, as mesmas técnicas, é tudo igual. O atendimento não muda em nada. Pelo contrário, os médicos se doam, independente de qualquer situação. Até porque, no momento em que estão atendendo, nem sempre eles sabem se é pelo SUS ou não. Eles nem sabem muitas vezes, por quem são encaminhados, vem pelo hospital e a situação tem de ser resolvida, depois que vão se fazer os devidos encaminhamentos, se tem plano de saúde ou se não tem. É de se admirar a doação dos médicos. É muito grande. Os médicos são profissionais mesmo e não querem saber. Eu já vi ali situações fantásticas, o que esses médicos fazem, principalmente nos casos de urgência e emergência. Eles querem salvar a vida, são contra a morte e a favor da vida, decididamente.

JC – Número de leitos destinados ao SUS no Hospital Bom Pastor.

Marodin – O Hospital Bom Pastor hoje tem 50 leitos destinados ao SUS. Esses leitos são leitos chamados coletivos, enfermaria. São leitos de duas pessoas, três, quatro e até cinco pessoas, dependendo o espaço que é disponível para o número de camas, de leitos. Essa é a diferença talvez, que o Estado trabalha no sentido de curar a pessoa, mas não dá aquela liberdade, aquela privacidade de ficar sozinho no quarto. Para isso até o próprio hospital criou uma outra alternativa, de quem faz doações via conta de luz, dependendo do valor que ele faz a doação, o hospital negocia um quarto de melhor qualidade. Mas, isso é só para quem já vem fazendo doações tradicionais, que acumula um certo valor, isso é transformado em um tipo de crédito, o que possibilita a ele ter um tipo de acomodação privativa ou semiprivativa, uma coisa melhor.

JC – O hospital também mantém leitos para atendimento particular, privativos?

Marodin – Os particulares e planos de saúde são na mesma ala. Para isso nós temos 22 leitos disponíveis.

JC – Além do espaço físico, quais as outras novidades a partir de 01/02, com a ocupação do novo prédio do hospital?

Marodin – Nós noticiamos e estamos fazendo um esforço muito grande para, a partir de fevereiro, começarmos, mas estamos na dependência de várias obras, pessoas, entidades e que está um pouco demorado para liberar. Nós temos atacado muito forte na questão de ver o projeto dos bombeiros pelo menos aprovado, mas eles não dão resposta, está muito devagar, já faz oito meses ou perto disso que está nos bombeiros a nossa proposta e eles não mexeram o nosso projeto, e esse é um complicador. Nós temos vontade de entrar no mês de fevereiro, mas acho que vai ser impossível, mais provavelmente para abril ou maio, porque nos bombeiros está devagar. De qualquer forma, estamos fazendo tudo que é possível, temos hoje vários profissionais trabalhando na instalação de equipamentos, construções externas, instalações complementares no centro cirúrgico, enfim, todos os trabalhos necessários para deixar o hospital bem equipado e em ótimas condições de funcionamento.

JC – Considerações finais:

Marodin – Nas negociações que estamos fazendo com os municípios, na verdade, temos três contratos fechados. O nosso objetivo é trabalhar na microrregião de Santo Augusto. Já fechamos com Campo Novo, Nova Ramada e Inhacorá. Queremos ver se, nesta semana, fechamos com São Valério. Depois, vamos ver com Santo Augusto.

Hospital Bom Pastor de Santo Augusto disciplina atendimentos pelo SUS

Os pequenos hospitais, predominantes em todo o território brasileiro sobrevivem e só se mantém abertos ao público graças à colaboração espontânea da comunidade e os repasses mensais de valores por parte das prefeituras da maioria dos municípios, que destinam recursos financeiros, embora parcos, complementando os insuficientes repasses do SUS.

É o caso do Hospital Bom Pastor aqui de Santo Augusto que já esteve seriamente prestes ao fechamento dado à crise financeira. Contudo, graças ao esforço conjunto, direção hospitalar, corpo clínico, servidores denodados da instituição, Poder Público Municipal, e a “comunidade”, a casa de saúde manteve-se em pé e prestando satisfatoriamente os serviços de saúde à população. A dinâmica diretoria, atenta para melhorar cada vez mais o atendimento, vem implantando ações, ajustes nos procedimentos e adequações à legislação, de modo a desenvolver uma gestão eficaz. Entre as ações já em andamento e outras que serão implantadas neste ano, estão: – Convênio com os cerca de 40 municípios que enviam seus pacientes para atendimento no Bom Pastor; – Recuperar o INSENTIVO ao Contrato com a União; – Renegociar com os planos de saúde e SUS; – Renegociar “taxa de juros” do financiamento atual junto à Caixa Econômica Federal.

Especificamente com relação ao atendimento de pacientes pelo sistema SUS, a direção da Associação Hospitalar Bom Pastor, de Santo Augusto, através de seu presidente, senhor Pedro Valmor Marodin, notificou formalmente aos prefeitos dos municípios da região quanto às adequações nas demandas do SUS referentes ao encaminhamento de pacientes frente a todo e qualquer atendimento hospitalar, a serem adotadas a partir de 01 de fevereiro do presente ano; cujas adequações consistirão basicamente nos seguintes itens:

  1. Contrato de prestação de serviços firmado e observância a tabela de custos;
  2. Autorização da Secretaria Municipal da Saúde para internação;
  3. Envio da AIH – Autorização de Internação Hospitalar;
  4. Contato com equipe médica ou enfermagem, caso necessário;
  5. Agendamento, em caso de internação cirúrgica eletiva e/ou cesariana, parto normal, com médico.

Contudo, a direção do hospital ressalta enfaticamente que quer ser parceiro no atendimento de pacientes encaminhados e, ao mesmo tempo, zelar pela legalidade nos trâmites. E foi com base nisso, que o Conselho Diretor e Administrativo da Associação Hospitalar reunido decidiu que só atenderá pacientes do SUS mediante a firmatura de Contrato de Prestação de Serviços de Complementação Financeira, exceto urgência e emergência. Portanto, o município de origem do paciente pagará valor correspondente à prestação de serviços, por paciente, para o que foi elaborada uma tabela de valores correspondente a complementação do SUS.

 

Uma frase insensata do ministro da Saúde desnudou um capítulo dramático do SUS

“Vamos parar de fingir que pagamos ao médico, e o médico, de fingir que trabalha.”

Durante um fórum em Brasília, no mês de julho do ano passado, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, segundo matéria inserida na revista Veja, edição de 27 de dezembro, numa alusão ao Sistema Único de Saúde (SUS) saiu-se com a seguinte frase: “Vamos parar de fingir que pagamos ao médico, e o médico, de fingir que trabalha”.

A resposta, no entanto, foi imediata e virulenta, por parte da classe médica. “O comentário é pejorativo e se mostra desconectado da realidade a respeito do trabalho dos profissionais da saúde, em especial dos médicos, bem como da própria dinâmica de funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS)”, reagiu a Associação Médica Brasileira, em uma nota levada aos jornais. “Senhor ministro, não se pode responsabilizar os médicos pela falta de infraestrutura nos postos de saúde e nos hospitais, pelo desabastecimento de insumos e medicamentos, pela dificuldade de acesso a exames”, acrescentou um documento da Sociedade Brasileira de Pediatria.

A frase insensata do ministro e a grita corporativa desnudaram um capítulo dramático da vida brasileira: nunca se viram tantos problemas no maior sistema de saúde pública do planeta — uma obra coletiva e monumental, da qual dependem 150 milhões de pessoas, que precisa ser tratada como uma joia nacional. Para o presidente em exercício do Conselho Federal de Medicina, Mauro Luiz de Britto Ribeiro, “o sistema está em colapso”. O sistema é gigantesco, mas suas fragilidades não resistem a um olhar cuidadoso. A saber:

Baixo orçamento – Investe-se pouco no SUS, apesar de sua imensidão. De acordo com o mais recente relatório da Organização Mundial da Saúde, divulgado em junho de 2017, o Brasil é o terceiro pior país das Américas em termos de gastos na área da saúde — perde para o Haiti e para a Venezuela. Em 2014, apenas 6,8% do Orçamento público brasileiro foi destinado ao setor. No Canadá, país que tem um sistema semelhante ao do Brasil, o valor corresponde a 18,8%. Um estudo do Conselho Federal de Medicina mostrou ainda que, nos últimos catorze anos, um total de 66,2 bilhões de reais liberados para ser investidos na saúde não foi aplicado efetivamente. Na ponta do lápis: de cada 10 reais previstos, 6 reais deixaram de ser usados.

Descaso – Um relatório da Controladoria-Geral da União, divulgado em agosto do ano passado, mostrou que onze estados e o Distrito Federal jogaram fora remédios de alto custo nos anos de 2014 e 2015 — sim, os medicamentos foram literalmente para o lixo. Tudo somado, o resultado de tanta irresponsabilidade chegou a 16 milhões de reais em desperdício em um período de apenas dois anos. Entre as causas alegadas estão validade vencida e armazenamento incorreto. Inépcia e incompetência, portanto.

A explosão populacional – Os 150 milhões de pessoas penduradas hoje no SUS representam número maior do que o total da população brasileira em 1988, ano em que o sistema foi criado. E essa soma só tende a crescer: em 2016 e 2017, 2,5 milhões de brasileiros perderam o convênio médico privado em decorrência da crise econômica. A expectativa de vida aumentou, num movimento global e inexorável — atualmente se vive uma década a mais do que se vivia nos anos 1980. Ou seja, há mais gente e mais gente idosa. O problema é que envelhecemos muito mal. Metade dos brasileiros que chegam aos 60 anos sofre de hipertensão, segundo levantamentos recentes. A demanda por medicação e atendimento médico é cada vez maior. A conta, naturalmente, não fecha.

A fila é longa – São 904.000 cirurgias eletivas, já com indicação médica, que ainda não foram realizadas.

Quando as cirurgias foram marcadas, em % – Em 2016, 48,6%; em 2017, 39,6%; em 2015, 6,5%; em 2014, 3,1%. Entre 2005 e 2013, 2,2%. O Rio Grande do Sul é o 4º estado com maior número de procedimentos parados, num total de 39.160 no final de 2017, cuja fonte da informação é o Conselho Federal de Medicina.

Pelo SUS, os brasileiros podem receber gratuitamente remédios contra aids, diabetes, pressão alta e para o coração. Podem vacinar os filhos e submeter-se a cirurgias complexas. Nas palavras de Dráuzio Varella, o médico sem fronteiras, em entrevista à Folha de São Paulo, no jubileu de ouro da formatura de sua turma pela USP: “O SUS é a maior revolução deste meio século, uma conquista definitiva”. Está na Constituição de 1988: “Saúde é direito de todos e dever do Estado”. A partir deste ano, porém, o princípio estará sob forte ameaça. Agora, em 2018, entra em vigor a Emenda Constitucional 95, conhecida como a PEC do Teto. A nova lei, que limita o reajuste dos gastos públicos pela inflação — deixando de ser vinculado ao crescimento da receita —, afetará o SUS em cheio. Estima-se que, se nada de diferente for feito, a mudança na correção monetária provocará a subtração de 415 bilhões de reais ao sistema de saúde pública do país nos próximos vinte anos.

A demonstração cabal de que algo não funciona, e o dever não está sendo cumprido, são as filas, que em 2017 serpentearam por todo o país. Entre 2010 e 2015, o Brasil perdeu 23.600 leitos destinados a internação por mais de 24 horas. As especialidades mais afetadas foram psiquiatria, pediatria cirúrgica, obstetrícia e cirurgia geral. Não há fórmulas mágicas para melhorar o cenário, sobretudo por se tratar de um sistema que vem sendo maltratado por tantos anos e pela dimensão que o problema tomou. Mas há soluções que, se adotadas em curto prazo, podem fazer diferença.

A principal é investir mais na saúde básica, a porta de entrada do SUS. Para Florisval Meinão, diretor da Associação Paulista de Medicina, “uma atenção primária valorizada e bem estruturada é capaz de reduzir 70% dos casos de complicações de saúde”. Em 2013, com o Mais Médicos, o governo deu um passo essencial nesse sentido, de forma a evitar (ou ao menos adiar) o colapso na saúde. Os profissionais do programa orientam sobre a prevenção de doenças, resolvem problemas menos complexos e fazem a triagem de casos graves. Parte deles, sobretudo os estrangeiros, cobre uma lacuna ainda mais dramática ao atender no interior do país, para onde vai menos da metade dos médicos brasileiros. Cerca de 63 milhões de pessoas são assistidas pelo programa. Ações como essa têm resultado no controle de doenças, em especial as crônicas. O programa, antes previsto para terminar em 2019, deverá ser prorrogado por mais três anos.

 

 

 

 

 

Réu é condenado a 28 anos de prisão por feminicídio em Braga

O Tribunal do Júri da Comarca de Campo Novo acolheu, nesta terça-feira, 23, todas as teses do Ministério Público e condenou o réu, no Processo Nº 088/2.15.0000742-7, a uma pena de 28 anos de reclusão por feminicídio.

O crime aconteceu no dia 17 de dezembro de 2015, no município de Braga. O acusado, que estava separado da vítima há cinco anos, chegou de surpresa na residência onde ela morava com a filha de 14 anos e a matou com três tiros. A vítima e a filha adolescente, à época do fato, estavam planejando a festa de 15 anos da adolescente.

Preso preventivamente desde então, o réu havia usado o direito de permanecer em silêncio durante todo o curso do processo e somente apresentou sua tese em plenário, onde buscou “plantar” um amante na cena do crime, desqualificando moralmente a ofendida.

Entretanto, o Conselho de Sentença, soberanamente, decidiu que o réu, condenado, praticou o crime de feminicídio, mediante surpresa que dificultou a defesa da vítima. Por ser o acusado reincidente, inclusive, o Ministério Público postulou ao Juízo a aplicação da pena máxima, como resposta social a crimes tão cruentos que, segundo a promotora de Justiça Dinamárcia Maciel de Oliveira, apenas confirmam a “coisificação da mulher”, responsável por colocar o Brasil em quinto lugar, mundialmente, entre os Países que mais matam mulheres no ambiente doméstico.

Fonte: Ministério Público RS

Polícia Civil prende dois homens por tráfico de drogas e posse de arma de fogo em Coronel Bicaco

No fim da tarde dessa terça-feira (23), a Polícia Civil, por meio da Delegacia de Polícia de Coronel Bicaco, com o apoio de policiais civis de Campo Novo e de Três Passos, apreenderam aproximadamente cinco quilos de maconha, três quilos de crack, 390 gramas de cocaína e dois mil pinos para acondicionar cocaína. A apreensão ocorreu durante cumprimento de mandado de busca e apreensão em Coronel Bicaco. Dois homens foram presos durante a ação.

Ainda foram encontrados uma balança de precisão, uma pistola calibre .380 com numeração raspada e municiada com 14 cartuchos intactos do mesmo calibre, um veículo VW/Gol, em poder dos dois homens e de uma adolescente infratora. Segundo o delegado Vilmar Alaídes Schaefer, os homens foram autuados por tráfico e associação para o tráfico de drogas e por posse de arma de fogo equivalente a uso restrito.

Fonte: PC/DPI

Ações da Polícia Civil da 22ª Região Policial durante o ano de 2017

A 22ª Região Policial é composta pelos 21 Municípios da Região Celeiro com 14 Delegacias de Polícia e 01 (um) Posto da Mulher.

No ano de 2017, foram registradas cerca de 12.371 ocorrências, instaurados 3.782 procedimentos policiais e remetidos ao Poder Judiciário e Ministério Público 3.986 procedimentos entre inquéritos, termos circunstanciados e procedimentos de apuração de ato infracional.

A violência doméstica resultou no encaminhamento ao Poder Judiciário de 727 pedidos de medidas protetivas.

No ano de 2017, aumentaram os crimes contra a vida na região. Foram registrados 28 homicídios consumados, sendo que 75% dos casos já foram elucidados. Os latrocínios também tiveram alta, sendo registrados 5 casos na região, dos quais 80% já são de autoria conhecida.

Foram realizadas 14 operações policiais, apreendidas 51 armas de fogo e retiradas das ruas drogas, como: maconha, cocaína, crack, ecstasy e LSD.

Durante o ano de 2017, a Polícia Civil da 22ª Região Policial efetivou a prisão de 257 pessoas, que foram encaminhadas para o sistema prisional.

Outro fator positivo foi o aumento de nosso efetivo, diz a Delegada Regional, Cristiane Braukes. Durante o ano de 2017, recebemos sete novos Servidores, o que veio somar a força de trabalho já existente. Ainda precisamos aumentar esse número, o que poderá ser possível com o novo Concurso para Agentes Policiais que está em andamento e prevê 1.400 novas vagas para o Estado.

Destacamos, ainda, a importância do trabalho integrado com a Brigada Militar, que propiciou resultados exitosos em prol da segurança da nossa comunidade regional, complementa a titular da 22ª Região Policial.

Além do combate à criminalidade, a Polícia Civil da 22ª Região Policial também vem desenvolvendo trabalhos voltados para a prevenção. Um exemplo é a adoção do “Papo de Responsa”, programa da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul, voltado para a interlocução com adolescentes e jovens. Seu principal espaço de atuação é junto às escolas de ensino fundamental e médio, públicas e privadas, na promoção do papo, um diálogo descontraído sobre prevenção às drogas, violência, resolução de conflitos, cultura da paz, bullying e o papel do policial na sociedade. O tema central é a vida.

Foi desenvolvido o “Papo de Responsa” em 2017 nas escolas: São Francisco de Sales, em Campo Novo; Águia de Haia e João Padilha do Nascimento no município de Três Passos; São João, em Santo Augusto; João XXXIII, em São Valério do Sul; Mário Cândido Lena, em Humaitá; Tiradentes e Padre Feijó, em Tiradentes do Sul; e ainda atendemos solicitação da Secretaria Municipal da Educação de São Valério do Sul, com palestra para pais e professores; e na Paróquia Santa Inês de Três Passos, para catequisandos. Tivemos também participação na 1ª Conferência Municipal de Políticas Sobre Drogas em Crissiumal. Nosso trabalho de prevenção em 2017 atingiu um público de cerca 1.300 pessoas, conclui a Delegada Cristiane.

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