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Mês: agosto 2016 (Page 1 of 3)

A aliados, ex-presidente se mostrou preocupado com discurso de Dilma e pediu tom político na fala

 

Lula debateu com Dilma a presença dela na sessão do julgamento do impeachment no Senado, marcada para hoje, e fez uma avaliação negativa do que já ocorreu até agora. Segundo relatos, ele não tem expectativa de virada no impeachment e disse que, se algum voto mudar, será uma surpresa. "Não adianta vir aqui achar que vai virar um ou outro voto. Mas, se fosse qualquer outra pessoa no lugar dela, tenho certeza que reverteria", disse um petista que esteve com Lula. O ex-presidente está preocupado com o discurso que Dilma hoje. Ele quer um tom politizado, sem focar em argumentos técnicos. Algo para “entrar para a história”, em que fique registrada a denúncia do “golpe”. Mas teme que sua sucessora não o escute, a exemplo do que fez diversas outras vezes, e perca a oportunidade de ajudar a construir uma versão futura para o PT. "Ela não deve ficar entrando em detalhes de pedaladas, tentando convencer alguém com argumentos técnicos. Tem que olhar para frente, denunciar a agenda que eles querem implementar, privatizar a Petrobras, entregar tudo para o capital privado, e por isto deram o golpe", relatou um dos senadores que esteve com Lula. Os aliados que estiveram com o ex-presidente na sexta afirmaram que ele estava muito abalado, como se tivessem finalmente “caído as últimas fichas”. E também muito preocupado com o futuro do PT. Para Lula, é importante ganhar a versão dos fatos, mesmo perdendo o processo, e dando um indicativo do que será a luta para o futuro para o partido. Havia dúvida sobre a presença de Lula no plenário do Senado durante a fala de Dilma, mas ele decidiu que estará no momento para prestar solidariedade: "Eu vou, é uma questão de solidariedade", disse aos aliados, emocionado. No próprio aeroporto da capital, o ex-presidente se encontrou com um grupo de senadores do PT para fazer uma análise do cenário. Jaques Wagner, ex-ministro de Dilma, acompanhou Lula na visita. Wagner e a mulher dele, Maria de Fátima Carneiro, estão entre os convidados da defesa que estarão presentes à sessão desta segunda-feira, quando Dilma irá depor no Senado. Na reunião com Lula, estavam presentes os senadores petistas Paulo Rocha (PA), Jorge Viana (AC), Humberto Costa (PE) e José Pimentel (CE). A expectativa é que nem mesmo a presença de Dilma sirva para mudar votos: "Acho que não mudará muita coisa depois da fala dela. A esta altura, todo mundo já definiu seu voto. Claro que vamos continuar trabalhando, mas acho difícil virar o jogo", admitiu Paulo Rocha. VideVersus

E O BRADO RETUMBANTE?!?

 
CANTA CHICO, CANTA
 
Além de Lula, na comitiva da claque de Dilma Vana, estará pelas galerias do Senado Federal, outro grande pé frio dessa Democracia de Gaveta, o Chico Buarque. Mais um deprimente torcendo pela deprimente numa deprimente jornada da História do Brasil. Eu gostaria que ele cantasse, com aquela sua voz de cana rachada, o "Acorda, Amor" só para ver a sua cara repetindo o refrão "Chama o ladrão! Chama o ladrão! Chama o ladrão!". Uma cantoria inútil e desnecessária, eu sei, pois bastaria olhar para o lado que logo pararia de cantar. Em todo caso, canta Chico, canta! Sanatório de Notícias

Resumo de uma farsa chamada Lula

 

Não importam as circunstâncias do indiciamento, o Brasil está se livrando de Lula. Com ele, atingimos o ápice da demagogia e da corrupção neste terra pródiga em demagogos e corruptos.


Lula surgiu no regime militar, quando se apresentou como líder sindicalista tolerável aos generais. Na redemocratização, a esquerda o transformou em ícone revolucionário e chefe de partido. No entanto, o discurso radical que lhe fora oportuno na construção do PT revelou-se um desastre eleitoral nas campanhas presidenciais — e Lula, então, engravatou o pescoço e as palavras, para conquistar banqueiros, empresários e parte da classe média. Chegou ao Planalto por meio do que parecia ser um consenso inédito entre interesses de trabalhadores e patrões.


No poder, Lula levou às últimas consequências o assistencialismo mais rasteiro e uma política econômica que, baseada apenas em crédito farto, graças à bonança mundial, resultaria no desastre completo sob Dilma Rousseff, a criatura que escolheu para sucedê-la e autora da maior fraude fiscal já cometida no país. Como resultado, os ganhos sociais relevantes proporcionados pelo Plano Real foram parar na fila do desemprego.


No poder, Lula instituiu, para além da imaginação, a prática de comprar apoio parlamentar  e financiar campanhas com dinheiro sujo. Tanto no mensalão como no petrolão, o seu partido e aliados desviaram bilhões de reais dos cofres públicos para realizar tais pagamentos.


No poder, Lula e boa parte dos seus companheiros enriqueceram por meio de contratos fraudulentos entre empreiteiras e estatais como a Petrobras, arrasada durante os anos dos governos do PT.


No poder, Lula tentou calar a imprensa independente, comprou o veneno de blogueiros e jornalistas decadentes, perseguiu profissionais que desvelavam os porões imundos do lulopetismo e cortou propaganda de veículos sérios, como a revista Veja. Com isso, minou um dos pilares da democracia que é a liberdade de imprensa.


É essa farsa que começou a ser formalmente desmontada pela PF num radioso 26 de agosto de 2016.

O Antagonista, por Mario Sabino

 

Município e a Segurança Pública

 

Candidatos e a Segurança Pública

Está no Plano de Governo do candidato a prefeito Naldo Wiegert, de Santo Augusto, o item “SEGURANÇA PÚBLICA”: – Integrar e modernizar as ações de segurança pública de forma transparente, participativa, visando garantir qualidade de vida. – Instalação de vídeo monitoramento em pontos estratégicos. – Adotar um modelo de gestão integrada de segurança pública, com representantes da sociedade nas discussões com outros poderes e esferas governamentais. – Manutenção e melhoria da iluminação pública em todo o município. – Aperfeiçoar a legislação para eventos populares. Já no Plano de Governo do candidato Zé Luiz, consta no item “SEGURANÇA”: – Intervir junto ao Estado para ampliar e garantir o efetivo de policiais que atende o município; – Instalar câmeras de vídeo monitoramento em locais estratégicos do município.

 

O tema é relevante

A segurança pública tem sido uma das maiores preocupações dos brasileiros. À Exceção da saúde, é a segurança pública a maior reivindicação lembrada pela população em geral. O assunto é atual, embora não lhe seja dada a devida relevância por parte do governo, ficando a questão muito mais ao dispor de discursos inócuos do que ações que urge serem tomadas diante de situações já incontroláveis como na capital gaúcha, região metropolitana, e muitas cidades do interior, não só as de maior porte, mas inclusive pequenas cidades que sofrem o reflexo da omissão do governo que descumpre suas obrigações para com a segurança sonegando direitos ao povo e tratando inadequadamente suas polícias, remunerando-as e equipando-as mal. Mas não é só com polícia que se deve enfrentar a problemática da segurança pública, a responsabilidade é de todos.

 

Como assim?

O fato é que todos os problemas, sejam de segurança pública propriamente dita, sejam de atribuições de outros setores da administração, acabam caindo nas mãos da polícia como se fossem todos de sua responsabilidade e ela fosse capaz de tudo resolver. O paradoxo é tão grande que até governantes que têm a obrigação de prover suas instituições policiais dos devidos meios e recursos para bem desempenharem suas funções, acabam num determinado momento jogando a culpa do seu fracasso a elas, como se estas não fossem parte da sua administração e não precisassem do necessário apoio governamental para fazer o que a lei lhe determina. Em vez de prover as polícias dos meios necessários ao seu desempenho, discursam animadamente batendo nas organizações como se elas sejam independentes e do governante não precisem. Não se pretende com isso tirar das polícias suas inerentes responsabilidades achando que elas não têm culpa de nada, mas alertar que o sistema engloba todos os segmentos sociais e não está afeto unicamente às instituições policiais.

 

Latrocínios em alta

Levantamento da própria Secretaria Estadual da Segurança Pública revelou que de janeiro a junho de 2016 foram registrados 89 latrocínios (roubos com morte) no estado, frente a 74 na segunda metade de 2015 e 66 no primeiro semestre do ano passado. Portanto, se comparados os seis meses iniciais do ano passado com o mesmo período de 2016, o aumento de latrocínios no Rio Grande do Sul foi de 35%. Os indicadores mostram, ainda, que houve acréscimo dos crimes violentos na comparação entre os primeiros semestres de 2015 e 2016. Encabeçam a lista, junto com latrocínio, assalto, homicídio doloso, roubo de veículo e extorsão. Curioso é que alguns se dizentes estudiosos do assunto atribuem esse aumento à criminalidade “tão somente à ineficiência das polícias”, ao passo que, nem é preciso ser especialista para saber que há um conjunto enorme de fatores que levam a esse aumento assustador e preocupante da violência e criminalidade. Em total descaso, o governador Sartori argumenta que nos outros estados também há criminalidade. Ou seja, parece que está “lavando as mãos”.

 

Fatores da criminalidade

Os problemas relacionados com o aumento das taxas de criminalidade, o aumento da sensação de insegurança, a degradação do espaço público, a ineficiência preventiva de nossas instituições, a superpopulação nos presídios, fugas, degradação das condições de internação de jovens em conflito com a lei, corrupção, problemas relacionados à eficiência da investigação criminal e das perícias criminais, a morosidade da justiça criminal, a impunidade facilitada por motivos diversos desde a fase da investigação criminal passando por todas as fases do processo criminal envolvendo inúmeros fatores (profissionalismo, preparo técnico, recursos humanos e materiais, morosidade processual, garantismo penal, progressão de regime de cumprimento da pena, falta de controle dos apenados do regime semiaberto, e a própria legislação penal que é verdadeira benevolência aos criminosos, entre outros), são os grandes e principais responsáveis pelo aumento da violência e da criminalidade.

 

Conselhos Comunitários de Segurança Pública

Como profissional na área da segurança pública, certa feita quando ainda na ativa, fiz um anteprojeto de lei visando à criação de “Conselhos Comunitários de Segurança Pública” em nossa cidade, e entreguei a um vereador sugerindo o encaminhamento devido. Lamentavelmente, meu pedido foi ignorado. Para melhor entendimento devo esclarecer que “os Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEGs) são grupos de pessoas de uma mesma comunidade (bairro) que se reúnem para discutir problemas de segurança pública, com o objetivo principal de organizar as comunidades e aproximá-las das polícias, sendo regulados por legislação específica em nível municipal”. O CONSEG não é um conselho formado por pessoas que cuidarão da segurança pública como se fossem policiais. Também não se trata de um conselho no qual as pessoas irão se reunir para identificar traficantes e outros criminosos e dedurá-los para a polícia. O principal objetivo dos CONSEGs é a prevenção, e para prevenir é preciso identificar problemas e controlar fatores de risco de múltiplas origens. Para isso é necessário integrar e organizar as populações das comunidades, desenvolver ações de fortalecimento comunitário e iniciativas de cultura e formação para a prevenção de maneira a que, através da união e interação de seus membros (diretoria, membros e comunidade), como também com o Estado e a Prefeitura (seus órgãos e setores competentes envolvidos direta ou indiretamente com a segurança pública), seja possível a existência (introdução e manutenção) de sistemas de segurança comunitários preventivos que contribuam para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

 

Município e a Segurança Pública

Mas o que, efetivamente, os municípios têm feito de importante em termos de políticas de segurança e ordem pública? O modelo federativo brasileiro permite que o município seja protagonista de políticas efetivas de prevenção e controle da violência? Quais os instrumentos que o município dispõe para tratar da segurança pública como uma política integrada e transversal com as demais políticas municipais? Estas são algumas das perguntas que circundam o debate sobre o papel do município na segurança pública, seus limites, alcances e desafios. Se analisarmos criteriosamente a Constituição Federal veremos como é possível hoje, com o respaldo legal vigente, atribuir e cobrar funções dos municípios no tocante à ordem pública e à prevenção.

 

Ideias antigas

É como diz a coordenadora de Políticas Municipais de Segurança do Instituto e Paz, Carolina de Mattos Ricardo: “O fato é que os legisladores brasileiros de épocas passadas compreendiam e, em muitos casos, continuam compreendendo a segurança pública a partir de um paradigma que pode ser adjetivado como militarista por operar com a ideia de que a desordem e os conflitos precisam ser combatidos, extirpados e sufocados. Nesse caso, o que está em jogo é a noção de combate e guerra ao crime. O fato está exclusivamente na reação, no agir depois que o conflito se instaura. Logo, não há espaço para pensar a prevenção; não se planeja o antes, não se contabiliza aquilo que uma atuação preventiva evitou que ocorresse, simplesmente, combate-se o inimigo”. 

O fim do governo Sartori

 

Nesse mesmo dia, nessa mesma hora, o governo de José Ivo Sartori acabou.

Ou, pelo menos, o tipo de governo que ele vinha exercendo até então.

Trato daquela gestão de Sartori no passado, porque a morte dessa mãe é um marco. Somada a outras tantas, de igual natureza, representa a ultrapassagem de um limite. Não há mais como suportar. Agora chega.

A segurança pública é a principal tarefa do Estado. Não das unidades da federação; do Estado conceitual, de qualquer Estado, em qualquer parte do mundo. O Estado foi criado em primeiro lugar para isto: para dar segurança e justiça ao cidadão. O Estado pode sonegar até educação; segurança, não. Se o Estado não fornece segurança, não tem mais razão de ser.

Todos sabem da penúria das finanças do Rio Grande do Sul e está bem posto que a culpa não é de Sartori. Mas Sartori tem responsabilidade, sim, pela forma como está enfrentando o problema. Principalmente no que é o principal: a segurança pública. Ele diz que não tem como colocar um policial em cada esquina. É verdade. Mas segurança pública não se faz apenas com a presença física da polícia; faz-se com a ideia de que a polícia estará presente e atuante sempre que houver necessidade.

O crime não é reprimido só pela punição, mas pelo sentimento de que haverá punição se o crime for cometido.

O discurso do governador e sua postura derrotista, de fracasso anunciado, são responsáveis diretos pela situação da segurança pública no Rio Grande do Sul.

Um jovem com uma arma na mão, em Porto Alegre, pode fazer o que quiser. Ele se sente dono da cidade, porque ele comete um pequeno crime e não tem consequência. Aí ele ousa um pouco mais, e nada lhe acontece. Então, ele se enche de confiança, ele toma o que bem entender, a qualquer hora, de quem quer que seja, ele é o senhor dos destinos das outras pessoas, ele decide se uma mãe de 44 anos deve ou não viver. Ele é maior do que o Estado, porque o Estado não apenas é omisso: o Estado avisou que será omisso.

Sartori é um homem bom e discreto. Gosta de trabalhar em silêncio.

O que se exige dele agora é o contrário. Exigem-se alarde, urgência e atitude. Sartori pode fazer isso. Ele foi eleito, tem legitimidade para convocar as forças da sociedade para a ação imediata.

Sartori tem de fazer alguma coisa já. Hoje. Dia 25 de agosto de 2016. É hora de ele começar um novo governo.

Ou ele não terá mais como governar.

Rádio Gaúcha, por Davi Coimbra

Eleitor de Porto Alegre tem uma percepção péssima da administração Fortunati

 

Das 602 pessoas entrevistadas entre 18 e 21 de agosto, 3% avaliaram a administração de Fortunati como "ótima", 14% como "boa", 41% como "regular", 18% como "ruim" e 22% como "péssima". 2% não sabem/não responderam. A pesquisa também questionou se os entrevistados aprovam ou desaprovam a forma como o prefeito vem administrando a cidade: 63% desaprovam, enquanto 29% aprovam e 7% não souberam ou não responderam. Um verdadeiro desgoverno não poderia resultar em coisa diferente. VideVersus

Piratini não garante pagamento acima de QUINHENTOS REAIS aos servidores

 

As contas do governo do Estado foram desbloqueadas pela União na quinta-feira, após quitação da parcela mensal da dívida, que é de aproximadamente R$ 265 milhões por mês. Com o cofre zerado, o Piratini terá apenas a arrecadação dos próximos 10 dias disponível.

Antes dos salários, é necessário pagar R$ 290 milhões do duodécimo dos demais poderes (Legislativo e Judiciário), R$ 123 milhões de empréstimos consignados contraídos pelos servidores, R$ 60 milhões de despesas consideradas emergenciais que já estão atrasadas, além de R$ 57 milhões para autarquias e fundações.

A decisão do governo é protelar os repasses para a área da saúde, que somam aproximadamente R$ 133 milhões (hospitais e municípios), o valor destinado ao transporte escolar, de R$ 10 milhões, além de recursos para fornecedores, entre outros. Mesmo assim, a projeção até agora é de que os recursos não sejam suficientes para pagar mais de R$ 500 por matrícula.

A única saída para injetar recursos de forma imediata nos cofres do Executivo gaúcho seria a aprovação do aumento do limite do saque de depósitos judiciais, dos atuais 85% para 95%. A medida injetaria R$ 1 bilhão. Nos bastidores, o Piratini avalia que o projeto não deve ser enviado agora para pressionar os deputados a aprovarem o aumento de impostos que foi protocolado na quinta-feira.

*Rádio Gaúcha

 

Tráfico de drogas alimenta o ataque ao patrimônio, diz cientista social

 

A quebra de recordes em crimes contra o patrimônio no Estado, sobretudo os que usam violência, não surpreende o cientista social Juan Mário Fandino Mariño, doutor em Sociologia e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Colombiano, é especialista em segurança pública e violência na América Latina. Até por conhecer algumas das mais violentas cidades latinas, admite: a situação em Porto Alegre é de "desorganização social" e "triunfo de uma corrente social egoísta", uma espécie de capitalismo selvagem que admite ganhos em troca do assalto aos bens alheios. Em entrevista, analisa o crescimento avassalador dos assaltos nas principais cidades gaúchas.

A que o senhor atribui essa quebra de recordes em assaltos e roubos de veículos?

Infelizmente, não me surpreende. Há sempre uma expectativa, no meio acadêmico, de que os homicídios sejam a marca definitiva da criminalidade. Isso porque é o crime máximo contra a vida. Ele é válido para mostrar a disputa entre facções criminosas, a dinâmica das gangues. Mas, até por isso, é sazonal, seu crescimento oscila muito. O que realmente representa a ruptura do pacto social é o crime contra o patrimônio. É induzido, muitas vezes, pelo tráfico de drogas, que alimenta essa escalada de ataque ao patrimônio. O sujeito que experimenta o gostinho pelo dinheiro, muitas vezes com o tráfico, raramente volta ao trabalho assalariado. E a forma rápida de sustentar essa vida é através do assalto.

 

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E por que isso acontece nas maiores cidades do Rio Grande do Sul?

É nelas que se cria o clima social mais favorável ao descompromisso e à contestação do Estado. Nessas periferias, onde o desemprego é alto, cria-se uma corrente social egoísta. E o Rio Grande do Sul começa a trilhar esse caminho.

Como se pode enfrentar esse problema?

Em duas frentes. O tráfico, que é a mola propulsora da economia da violência, tem de deixar de ser alternativa econômica. Isso leva muito tempo, porque há comunidades estruturadas em torno desse modo de vida. Ele estabelece controles informais, à margem do Estado e dos compromissos sociais. A outra providência a ser tomada é criar empregos para essas populações marginalizadas. Repressão simples é como aspirina: a dor passa, mas o problema segue. ZH

Roubo de carro aumentou em oito das 10 maiores cidades do Estado

 

Zero Hora comparou o primeiro semestre de 2016 com os primeiros seis meses dos últimos cinco anos nos 10 municípios gaúchos mais populosos. O resultado é que crimes como roubo de carros e assalto à mão armada bateram recorde nas principais cidades (veja os gráficos abaixo).

Porto Alegre, que concentra mais de 10% da população gaúcha, registrou números recordes em todos os crimes violentos. Os 351 homicídios que aconteceram na cidade nos primeiros seis meses em 2016 representam crescimento de 52,6% no delito em cinco anos. Mas a alta mais expressiva e alarmante está nos latrocínios. Os roubos com morte dispararam 360% em meia década.

 

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O padrão comum às grandes cidades está na escalada dos assaltos em geral (contra pedestres, transporte coletivo, residências e comércio). Além da Capital, o crime também atingiu o ápice em outras oito cidades: Caxias do Sul, Canoas, Santa Maria, Gravataí, Viamão, Novo Hamburgo, São Leopoldo e Pelotas.

O aumento mais significativo se deu em Gravataí. No município da Região Metropolitana, os assaltos quase triplicaram em cinco anos. Em seguida, aparecem Santa Maria, onde o crime cresceu 153,5%, e Viamão, com um salto de 152,3% no delito.

Também tornaram-se mais frequentes os roubos de veículos. Em sete das 10 cidades, os assaltos contra motoristas chegaram ao maior patamar desde 2012. A marca negativa fica para São Leopoldo, onde se registrou a mais expressiva das altas: 142,9%. Em seguida, está Santa Maria. Foram roubados na cidade 14 veículos no primeiro semestre de 2012, contra 32 no mesmo período deste ano — crescimento de 128,6% no crime.

Há uma série de fatores que contribuem para o aumento dos crimes. A rotina de retrabalho da Brigada Militar (BM) e da Polícia Civil, em função da flexibilização das leis penais, são algumas das justificativas da SPP. Policiais costumam enumerar casos em que prenderam a mesma pessoa pelo mesmo crime mais de uma dezena de vezes, tenham elas sido colocadas em liberdade pela progressão de regime ou pela falta de vagas em presídios.

 

A radiografia da criminalidade nas 10 maiores cidades gaúchas, com base na análise das estatísticas

PORTO ALEGRE

Os assaltos em geral saltaram 143% em cinco anos na Capital, e os roubos de veículo, 54%. O aumento nos latrocínios também chama a atenção. O indicador disparou em 2013 e se manteve em alta desde então, acumulando um crescimento de 360% entre 2012 e 2016. Neste ano, a cidade registra índices recordes em todos os crimes.

CAXIAS DO SUL

Os assaltos em geral na maior cidade da Serra aumentaram 75% em cinco anos. Os roubos de veículos também confirmaram a tendência de crescimento ao dispararem 37% no mesmo período. Os homicídios, que seguiam relativamente estáveis desde 2013 no município, voltaram a crescer neste ano.

CANOAS

A cidade acumula alta de 83% nos assaltos em geral nos últimos cinco anos. Já os roubos de veículos, que haviam diminuído em relação a 2012, voltaram a crescer no primeiro semestre de 2016. Os homicídios, que dispararam em 2013 e depois diminuíram, tiveram aumento de 17% neste ano em relação a 2015.

SANTA MARIA

Teve elevação de 153% nos assaltos em geral em cinco anos e disparada nos roubos de veículos neste ano. Foram 22 casos a mais nos seis primeiros meses de 2016 na comparação com o mesmo período de 2015: aumento de 220%. Na cidade, destaque negativo também para os homicídios, que subiram 83% nos últimos cinco anos.

GRAVATAÍ

Foi o município onde os roubos aumentaram de forma mais acelerada. Em cinco anos, a alta chegou a 196%. Os roubos de veículos cresceram, no mesmo período, 120%. Também chamam a atenção em Gravataí os índices de homicídios, que subiram 45% entre 2012 e 2016.

VIAMÃO

Os assaltos em geral aumentaram nos últimos cinco anos no município e chegaram ao número recorde em 2016. Trata-se de uma alta de 152% de 2012 para 2016. O mesmo aconteceu com os roubos de veículos, registrando crescimento de 80% no período. Em cinco anos, assassinatos apresentaram alta de 11,5%.

NOVO HAMBURGO

Os assaltos em geral e roubos de veículos tiveram índices recordes nesse ano na cidade. Entre 2012 e 2016, o primeiro crime aumentou 43%, e o segundo, 78%. Porém, os latrocínios caíram 80% nesse ano em relação ao ano anterior e, em cinco anos, os homicídios caíram 46,3%.

SÃO LEOPOLDO

Os assaltos em geral cresceram 77% em cinco anos, e os roubos de veículos mais do que duplicaram: a alta chegou a 143%. Mas, diferente do movimento verificado no restante do Estado, os homicídios diminuíram 26% nesse ano em relação a 2015, depois de atingirem o ápice em 2014.

RIO GRANDE

Registrou aumento de 54% nos assaltos em geral e de 92% nos roubos de veículos em cinco anos. No entanto, os crimes diminuíram entre 2015 e 2016, diferente do que aconteceu na maioria das cidades. Os furtos de veículos cresceram em relação a 2012, no entanto, também caíram nesse ano na comparação com 2015.

PELOTAS

Seguiu a tendência verificada nas demais cidades gaúchas e teve aumento dos assaltos em geral — 56% entre 2012 e 2016. Já os roubos de veículos se mantiveram praticamente estáveis do ano passado para cá, apresentando leve queda de 107 carros levados em 2015 por bandidos, para 103 neste ano.

 

Posse de armas contribui para aumento de roubos, diz especialista

Outro fator que também teria influenciado a escalada da criminalidade, segundo a secretaria, seria a crise financeira pela qual passa o país e que provocou alta no desemprego. Já o analista criminal Guaracy Mingardi, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, descarta a hipótese. O especialista indica que a recessão apresentaria reflexos na criminalidade somente a longo prazo, porque dificilmente um trabalhador optaria pelo crime pouco tempo depois de perder o emprego.

– O aumento nos roubos depende de vários fatores. O primeiro deles é a posse de arma de fogo. A campanha de desarmamento retirou muitas armas de circulação, mas os estoques se recompõem pouco a pouco. O segundo está no trabalho da polícia, que tem atuado basicamente em prisões em flagrante, porque as investigações são malfeitas ou não são feitas. Para se prender o ladrão profissional, tem de se investigar. Em flagrante, normalmente se prende o ladrão iniciante, que é mandado à cadeia, onde ele se torna um profissional — indica Mingardi.

Na contramão dos roubos (quando há violência), os furtos (sem violência) em geral estão em queda. No primeiro semestre de 2016, Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas, Rio Grande e Pelotas tiveram o menor número em cinco anos. O padrão se repete no furto de veículos.

Policiais consultados por ZH constatam que os ladrões tendem a trocar cada vez mais o furto pelo roubo. A mudança de perfil aconteceria por uma razão simples: os carros modernos têm dispositivos antifurto e, hoje, para que um veículo seja arrombado, é necessário danificá-lo ou atacar o proprietário do automóvel.

Assassinatos aumentaram em sete das maiores cidades

Considerado indicador universal para medir a violência urbana, o número de homicídios aumentou em sete municípios em cinco anos, enquanto apresentou queda em outros três.

— Essa variação indica que existem políticas públicas municipais que conseguem levar à redução, porque a BM é estadual e a situação econômica também. Há uma territorialização dos homicídios. Não acontece um em cada esquina, são muito localizados. Por isso, deveria haver políticas de controle social — observa José Vicente Tavares, sociólogo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Repressão a desmanches, a aposta do Estado

O secretário da Segurança Pública, Wantuir Jacini, aposta em uma receita para tentar conter a atividade dos ladrões, sobretudo os que levam veículos: a repressão aos depósitos ilegais de autopeças. A Operação Desmanches começou em março, três meses depois de o governador José Ivo Sartori sancionar a nova lei que instituiu ferramentas mais eficientes de fiscalização e inibição do ilícito.

— Nos primeiros três meses do semestre, não existia essa operação. Ela está apresentando excelentes resultados, mas só será possível mensurar a partir da segunda metade do ano. A questão de roubo e do furto de veículos está vinculada à receptação. A Operação Desmanche, nesses três meses, reduziu furtos e roubos, assim como também diminuiu latrocínios. Não é muito visível, porque são só três meses. Esses resultados ficarão visíveis em um tempo maior, em um ano. A ação está atingindo os objetivos — acredita Jacini.

O secretário ressalta que, mesmo diante de dificuldades orçamentárias, o governador autorizou investimentos de R$ 166 milhões na segurança pública. Desses, R$ 52 milhões destinam-se ao pagamento de diárias e horas extras para incremento no policiamento, principalmente em municípios da Região Metropolitana.

Conforme a Secretaria, o reforço deve duplicar o número de PMs no eixo Porto Alegre-Novo Hamburgo, por meio do remanejo de homens da Capital e do Interior, e intensificar a Operação Avante, ação que teve início em janeiro deste ano na tentativa de combater os crimes mais comuns nas áreas mais vulneráveis do Estado.

O desembolso da verba integra a segunda fase do Plano Estratégico de Segurança Pública, lançado há pouco mais de um mês. 

O programa também prevê a convocação de novos policiais civis e militares e a abertura de concursos para a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) e do Instituto-Geral de Perícias (IGP).

Zero Hora 

Presidenta é palavra só usada por gente que flexiona a espinha com mais destreza que ginasta olímpico

 

“Estou aqui falando como linguista”, avisa na primeira linha o comentário enviado à coluna por Rafael Brandão.

A frase é uma variação do velho “Sabe com quem está falando?” No caso, descubro de imediato que estou falando com ─ melhor: estou ouvindo por escrito ─ uma sumidade em língua portuguesa, um doutor em anacolutos, assíndetos, hipérboles, pleonasmos e verbos irregulares, fora o resto.

“Presidenta é um termo CORRETO e é aceito tanto em registros lexicográficos mais antigos quanto nos contemporâneos da língua”, começa a aula. 

As maiúsculas que engordam e elevam a estatura do adjetivo CORRETO gritam a advertência: quem duvidar da afirmação poderá sujeitar-se a uma surra de ponto de exclamação, usado por linguistas como uma espécie de borduna do idioma. Faz mais de 100 anos que a palavra presidenta virou verbete de dicionário (“registro lexicográfico”, corrigiria Rafael Brandão).

“A flexão de gênero em termos como presidenta, contenta etc., está presente em três dos idiomas neolatinos: português, espanhol e italiano”, prossegue o linguista, dispensando-se de ressalvar que a maioria das nações optou pelo exemplo da França, que mantém o Madame le Président.

A aula de falsa erudição é encerrada com o pito amplificado por um cortejo de maiúsculas: “Portanto, pessoas, PAREM DE ATRIBUIR QUESTÕES FILOLÓGICAS A PARTIDOS POLÍTICOS. Pois no final das contas, se tornam arrogantes vocês, que opinam sem saberem sobre o que falam”.

Os idiotas estão por toda parte, alertou Nelson Rodrigues há quase 50 anos. E se reproduzem em liberdade no mundo da linguística, informa o conteúdo do texto e confirma aos berros a última frase. Falta uma vírgula depois de “Pois”. O “vocês” se sentiria melhor alojado entre a vírgula e o “se”. E “opinam sem saberem” é um pontapé no idioma de dar inveja a Dilma Rousseff. Brandão não sabe que oCORRETO é “saber”, no singular.

Enquanto o linguista sem rumo estuda verbos, tratemos do que interessa. Como todos os brasileiros alfabetizados, sei desde sempre que não é errado dizer ou escrever “presidenta”: a palavra existe. Como todos os brasileiros sensatos, sei desde os tempos de colegial que o status de verbete de dicionário não torna certos termos menos ridículos. (Por isso mesmo, ninguém se refere ao marido ou à mulher como “consorte”, e noiva nenhuma admite ser qualificada de “nubente”).

Como todos os brasileiros que não renunciaram à altivez, sei que a palavra só é usada por gente que flexiona a espinha com a destreza de ginasta olímpico. O tratamento que Dilma exigiu ao instalar-se no planalto virou um distintivo que identifica os sabujos, os vassalos, os servis, os bajuladores e outras ramificações da tribo dos subalternos incuráveis. Para alívio de quem preza a língua portuguesa, a invencionice tem data marcada para morrer.

Ainda que permaneça escondida nos dicionários, não sobreviverá à morte política de Dilma Rousseff. E então ficaremos com o bom e velho “presidente”, substantivo de dois gêneros que designa alguém ─ homem ou mulher ─ que preside alguma coisa. Pode ser uma empresa. Pode ser uma organização criminosa. Ou um governo que, disfarçado de instituição republicana, age como se fosse um bando de delinquentes. imprensalivrers

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