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Mês: março 2015 (Page 1 of 5)

Carta de suicídio da mãe do menino Bernardo foi forjada, diz perito

Família de Odilaine Uglione quer usar laudo para reabrir investigação. 

Escutas serão usadas contra pai e madrasta no processo por morte.

 

Do G1 RS

 

 Uma nova perícia particular contratada pela família lança suspeitas sobre a morte de Odilaine Uglione, a mãe do menino Bernardo Boldrini, assassinado em abril do ano passado no Rio Grande do Sul. Segundo peritos, a suposta carta suicida da enfermeira teria sido forjada, escrita por outra pessoa, como mostrou a reportagem do Fantástico. 

Odilaine foi encontrada morta em 2010, dentro da clínica do então marido, o médico Leandro Boldrini, em Três Passos, no Noroeste gaúcho. À época, a investigação da polícia concluiu que ela cometeu suicídio com um revólver, mas a defesa da mãe dela, Jussara Uglione, quer usar o laudo para reabrir o caso.

A família acredita que Odilaine foi assassinada por Leandro Boldrini. O pai de Bernardo está preso há quase um ano e é réu pela morte do menino, achado sem vida no dia 14 de abril de 2014 em Frederico Westphalen, a cerca de 80 km de Três Passos, onde a família residia.

Também são acusados pela morte do menino de 11 anos a madrasta do garoto, Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz. Os quatro respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver, entre outros crimes.

A suposta carta suicida teria sido escrita em 9 de fevereiro de 2010. “Ele pediu a separação. Perdi meu chão", são algumas das frases no papel assinado por Odilaine.

Também há um recado para o marido Leandro e pai de Bernardo, o único filho do casal. “Leandro, tu destruiu a minha família, meus sonhos, minha vida. Prefiro partir do que ver meu filho nas mãos de outras mulheres, meu amor em outros braços”.

A mãe de Odilaine diz que sempre desconfiou do bilhete. “Aquela carta nunca me confortou. Eu ainda disse: ‘Mas essa carta, essa letra não é da Odilaine’”, diz Jussara. Só que na época nem os parentes nem os amigos de Odilaine levaram a dúvida adiante.

O que realmente ocorreu dentro da clínica de Leandro Boldrini ainda intriga a família da enfermeira. Segundo a secretária do consultório, Odilaine estava com o marido na sala dele. “A porta se abriu e ele saiu correndo, chamando: 'Socorro, homicídio, suicídio. Chama a polícia'. Mas isso em questão de segundos. E aí deu o estouro lá dentro. Eu fui a primeira que correu lá dentro. Vi ela deitada no chão”, conta Andressa Wagner.

Com base no depoimento de testemunhas e nos laudos da perícia oficial, a polícia chegou à conclusão de que se tratava de suicídio. “A questão do suicídio ficou bem comprovada, que ela se deu um tiro”, diz a delegada Caroline Bamberg, responsável pelo caso.

 

Carta de suicídio da mãe do menino Bernardo foi forjada, dizem peritos (Foto: Reprodução)Mãe de Bernardo, Odilaine teria cometido suicídio em 2010 na clínica do marido, quatro anos antes do menino ser assassinado; pai e madrasta respodem a processo pela morte (Foto: Reprodução)

Perito diz que letras são diferentes

Depois da morte violenta de Bernardo, há um ano, a mãe de Odilaine começou a investigar o alegado suicídio da filha e contratou peritos particulares. Esta semana, um laudo ficou pronto e pode mudar os rumos do caso.

O documento foi elaborado por Ricardo Caires dos Santos, perito judicial em São Paulo há oito anos. Ele fez um “exame grafotécnico”: ou seja, analisou toda a suposta carta de suicídio e comparou com a letra e com a assinatura que são comprovadamente de Odilaine Uglione.

A conclusão, segundo o perito: a carta foi forjada, não foi escrita pela mãe de Bernardo. “Não foi a dona Odilaine que escreveu. São dois punhos totalmente diferentes. Pessoas diferentes que assinaram”, afirma Ricardo.

O perito mostrou a diferença entre as letras. Por exemplo: na carta, há as palavras “sexta-feira” e “exclusivamente”. Depois, ele comparou com o “x” escrito por Odilaine em um uma receita de doce e concluiu que o desenho das letras em cada carta é diferente. “É um ‘x’ desenhado”, explica.

O perito contratado pela mãe de Odilaine citou outros exemplos. “A estrutura do ‘t’, totalmente diverso do que é apresentado na carta. As letras ‘h’ são de punhos diferentes. Mais esses elementos para concluir o resultado final”, acrescenta Ricardo.

Pai de Bernardo contrata dois novos advogados (Foto: Reprodução/RBS TV)Família de Odilaine acredita que o médico Bernardo

Boldrini matou a mulher (Foto: Reprodução/RBS TV)

A assinatura que aparece na carta de suicídio também é diferente de assinaturas autênticas de Odilaine registradas em um contrato de locação, no diploma de auxiliar de enfermagem dela e em outro contrato de prestação de serviços.

O perito fala da diferença entre as letras “o”, que teria sido desenhada de forma diferente nas duas cartas. Segundo ele, mesmo que a mãe de Bernardo estivesse em uma situação máxima de estresse, a assinatura dela não mudaria desse jeito. “Olha o espaçamento que tem da letra ‘i’ para a letra ‘n’. O formato da letra ‘e’, explica Ricardo.

O perito concluiu também que a pessoa que teria elaborado a carta de suicídio tentou imitar a forma de escrever de Odilaine. “A pessoa que escreveu a carta tinha conhecimento de documentos dela. É uma pessoa que já conhecia a escrita dela, uma pessoa muito próxima a ela”, affirmou.



MP pediu novos documentos à polícia

Para a família de Odilaine, não houve suicídio e a morte da mãe de Bernardo tem que ser investigada de novo. O Ministério Público (MP) já pediu à polícia novas informações sobre a investigação feita na época e nos próximos dias deve dizer se vai pedir a reabertura do caso ou não.

“Odilaine foi morta. Ela não cometeu suicídio. Ela ia se separar, receber R$ 1,5 milhão. Uma pomposa pensão alimentícia para ela e para o filho”, diz o advogado Marlon Taborda, defensor de Jussara Uglione. “Sempre tive dúvidas e agora mais do que nunca. Eu quero que reabra pra isso ficar esclarecido”, acrescenta a mãe de Odilaine.

A delegada do caso Bernardo também foi a responsável pela investigação da morte da mãe do menino. Ela diz que não há nenhum indício de que Leandro tenha envolvimento no suicídio da mulher. “Não houve erro na investigação. O que não pode é querer forçar uma situação que não existiu, que não ficou provado. Eu não levo muita fé em pericia particular. Eu não posso me basear nisso. Eu tenho que me basear no quê? Em fatos”, diz Caroline.

Dois meses depois da morte de Odilaine, Leandro passou a morar com Graciele. “O pai e a madrasta não aceitavam o Bernardo. Consideravam ele como um ser que atrapalhava a nova unidade familiar que eles formaram: casal com a nova filha”, conta a promotora Silvia Inês Miron Jappe.

No próximo sábado (4), a morte de Bernardo completa um ano. Leandro Boldrini, Graciele, Edelvânia Wirganovicz e o irmão dela Evandro ainda não prestaram depoimento para o juiz do caso e os quatro continuam presos. A expectativa do MP é de que o julgamento ocorra ainda este ano.

Leandro Graciele Bernardo (Foto: Reprodução/RBS TV)Madrinha de Bernardo desconfiava de Graciele e

Leandro, revela escuta (Foto: Reprodução/RBS TV)

Escutas telefônicas

Para a Promotoria de Justiça, as conversas telefônicas gravadas com autorização da Justiça logo depois da morte do menino são provas importantes contra os acusados. Em um dos telefonemas interceptados, Clarissa Oliveira, a madrinha de Bernardo, fala para Leandro que desconfia de Graciele, que também é chamada de Kelli.

“Não tem como não passar pela minha cabeça que essa guria, num momento de fúria, fez alguma coisa”, diz Clarissa.



“Mas a Kelli não tem esse perfil. Ó, o guri provocava ela de uma maneira assim. Ela deveria ter dado uma porrada nele, se fosse o caso”, responde Leandro.



O marido de Clarissa chegou a pressionar Leandro e Graciele, a Kelli, para que confessassem a participação no crime.



“Vocês não tão armando, cara? Leandro, eu tô falando sério”, diz o homem.



"Você quer falar com ela aqui?”, questiona Leandro



“Quero. Tu deu vassourada no guri na sexta-feira, Kelli”, acusa o homem.



“O quê?”, responde a mulher.



“Por que você tá transtornado desse jeito, cara?”, intercede Leandro.



“Uma semana teu piá tá sumido, rapaz. Tu tem culpa no cartório”, acusa o homem.



“Que culpa no cartório? Tu vai a…, meu”, responde o pai do menino.



Leandro Boldrini e Evandro Wirganovicz negam envolvimento na morte do menino. Já Graciele e a amiga dela, Edelvânia, falam em acidente. A madrasta diz que deu calmantes demais para o enteado.



“[Ela diz] que foi uma superdosagem e ele teria tomado a medicação e vindo a óbito, por circunstâncias alheias a vontade delas. E acabaram fazendo essa bobagem que foi a ocultação de cadáver”, sustenta o advogado Demetryus Grapiglia, advogado de Edelvânia.



“Não vai me devolver eles. Mas eu preciso saber a verdade”, diz Jussara, mãe de Odilaine e avó de Bernardo. “Fica uma saudade, fica um sentimento de não ter feito mais porque na verdade eu queria, eu sempre quis que o Bernardo ficasse comigo”, acrescenta Clarissa.

Carta de suicídio da mãe do menino Bernardo foi forjada, dizem peritos

Menino Bernardo foi morto, no Rio Grande do Sul, há um ano. A madrasta e o pai do garoto estão presos.

 
 
 
 

O menino Bernardo foi morto, no Rio Grande do Sul, há um ano. A madrasta e o pai do garoto estão presos. Agora, um novo laudo pode mudar o que se sabia sobre a família do garoto. Segundo peritos, a carta de suicídio da mãe do Bernardo foi forjada.

“Sempre tive dúvidas, e agora mais do que nunca”, diz a avó do menino.

G1

Entrevista do prefeito de Braga

Entrevista –Luiz Carlos Balestrin – Prefeito de Braga

                                                                                                                                                                                                                 Por Alaides Garcia dos Santos

 

 

“É o município quem tem que dizer o que ele precisa e não as pessoas lá em Porto Alegre ou lá em Brasília quem tem que dizer do que nós precisamos".

 

“Não adianta fazer prédios, e não ter aquilo que é básico para o paciente, que é um exame mais detalhado, uma consulta com um especialista, um atendimento mais rápido, mais eficaz”.

 

Luiz Carlos Balestrin (PMDB), conhecido popularmente por “Portela”, prefeeito do município de Braga/RS, reeleito em 2012 pela coligação “União Democrática Popular”, tendo como vice Gilmar José Damiani (PT), para falar sobre os dois primeiros anos de seu segundo mandato, concedeu a seguinte entrevista:

 

Reeleito em 2012, como foram esses primeiros dois anos e três meses de seu segundo governo?

A gente tem conseguido encaminhar o que foi projetado, e posso dizer que dentro do que se previa, está faltando muito pouco para atingirmos os objetivos. Vínhamos de um primeiro mandato muito bom, onde várias obras foram executadas e, no segundo mandato, não está sendo diferente. Estamos priorizando o setor da agricultura, com a renovação da patrulha agrícola, aquisição de três equipamentos, máquinas novas, e estamos adquirindo mais duas máquinas, incentivo à silagem para estimular o setor leiteiro. Estamos investindo em aviários, já são três, um já concluído e produzindo, e dois em fase de construção. E tem outros projetos em andamento. Também estamos encaminhando uma agroindústria no setor de laticínio de pequeno porte. Na questão da suinocultura também estamos estimulando. Enfim, estamos priorizando aqueles agricultores que querem diversificar e sair um pouco do ramo soja, milho e trigo.

Na área da saúde, estamos com todas as metas praticamente cumpridas. Precisamos que o governo abra mais espaço no que diz respeito a exames, a clínicas especializadas, é nisso que o governo tem que priorizar e investir, porque não adianta encher de posto de saúde, de veículos, de equipamentos dentro dos postos, como temos aqui e, em contrapartida, não termos o que mais necessitamos, que é especialização.

 

Quer dizer, então, que as prioridades são os encaminhamentos para clínicas, laboratórios e serviços médicos especializados?

Temos três postos de saúde, sete veículos praticamente novos na Secretaria da Saúde, e todo tipo de equipamento necessário para um posto de saúde. O que nós precisamos hoje é que se abram mais, em clínicas especializadas, em laboratórios especializados, de exames e consultas mais complexas. Não adianta fazer prédios, e não ter aquilo que é básico para o paciente, que é um exame mais detalhado, que é uma consulta com um especialista, que é um atendimento mais rápido, mais eficaz. Às vezes, se fica 30, 60 dias esperando por uma consulta do SUS. Isso não é possível. Há casos em que, quando não conseguimos pelo SUS, a prefeitura banca, mas vai chegar um ponto em que isso não vai mais ser possível.

 

E como o senhor vislumbra uma solução para o agendamento de consultas/exames em tempo mais curto?

Prá teres uma ideia, hoje, o município de Braga, com 3.702 habitantes, dispõe de tão somente duas ressonâncias por ano. E todo dia há pedido de ressonância. Então, esse tipo de coisa tem que ser revista pelo SUS para que o serviço seja oferecido em maior quantidade e agilidade. Eu acho que o governo tem condições de oferecer mais equipamentos para agilizar esse tipo de atendimento, senão vamos viver eternamente nessa fila de espera.

 

Esses pleitos estão sendo levados às instâncias governamentais do Estado e da União?

São levados sim, tanto à Secretaria Estadual quanto ao Ministério da Saúde. Eu,  a Amuceleiro, a Famurs temos frisado esse tipo de questão, a necessidade de se aumentar os recursos em custeio, mas eu não sei por que, eu não entendo por que, “não somos ouvidos”. Eu sempre digo o seguinte: cada município tem a sua realidade e a sua necessidade; é o município quem tem que dizer o que ele precisa e não as pessoas lá em Porto Alegre ou lá em Brasília quem tem que dizer do que nós precisamos. E eu tenho debatido e discutido isso, meus colegas prefeitos também, mas, infelizmente….

 

Retomando o assunto agricultura, há outros incentivos?

Além de resfriadores de leite, adquirimos também ensiladeiras, caçambas para puxar o produto para silagem. Estamos encaminhando um projeto de lei concedendo estímulo de R$ 0,10 por frango (no primeiro lote entregue), além da terraplanagem para construção de aviário.

 

Infraestrutura e limpeza urbana, incluindo a coleta do lixo, enfim…

Eu fui a Brasília nessa semana buscar um equipamento que Santo Augusto já tem, que é um triturador de galhos. Estamos conseguindo esse recurso, são R$ 170 mil.Na questão do lixo, na semana passada através de licitação terceirizamos o serviço de coleta que até então nos demandava muito pessoal e tirava equipamentos do setor de limpeza, do setor agrícola, do setor da Secretaria de Obras.

 

E na Secretaria de Obras, estradas vicinais?

A questão de estradas, em virtude de ter sido um ano muito chuvoso, tivemos muitos problemas. Uma demanda grande são os bueiros, pontilhões, pontes que a enxurrada levou. Na estrada de Braga para Irapuá, temos três pontilhões e os três tiveram de ser refeitos em virtude da chuvarada. Mas, com um equipamento bom que possuimos, conseguimos contornar a situação de maneira satisfatória. Hoje, eu posso dizer que as nossas estradas estão 70 ou 80% muito boas.

 

E na educação, como está o município de Braga?

A merenda escolar, hoje, é um dos top da educação, o governo prioriza muito isso. Então, tem recurso para isso e tem vindo de boa qualidade. Na questão pedagógica, a grande dificuldade é o cumprimento da lei do piso do magistério. Eu vejo que os professores devem ganhar mais do que estão ganhando, mas uma vez que se cria um piso de cima para baixo, tem que oferecer garantias para o pagamento desse piso. Hoje é o contrário, enquanto o nosso índice de recursos, por exemplo, do FPM está caindo cada vez mais, o aumento do FUNDEB também vem diminuindo, e a folha de pagamento está aumentando cada vez mais. Então, vem caindo os recursos na área da educação que nós recebemos e aumentando o nosso nível de gasto. É uma dificuldade muito grande. No ano passado, tivemos que colocar R$ 50.000,00 a mais em cima do FUNDEB, com recursos próprios, e este ano nós temos que colocar no mínimo R$ 150.000,00. Por outro lado, fomos contemplados com uma creche que já está funcionando. Transformamos a antiga creche no pré-escolar, um modelo também. E estamos pleiteando junto ao governo federal, uma escola nova, uma escola polo pra substituir aquela do interior. Estamos, também, licitando uma quadra poliesportiva.

 

E quanto ao sistema de habitação?

No sistema habitacional, nós já fizemos e estamos em execução 135 moradias no nosso governo e estamos em construção de mais 28. Temos dois projetos rurais em andamento, um de 23 e um de 20 casas, encaminhados. E estamos encaminhando projeto para mais 30 unidades. O problema aqui é que a grande maioria carece de regularização dos terrenos, mas estamos providenciando a regularização.

 

Folha de pagamento do funcionalismo, com relação ao orçamento?

O nosso orçamento hoje é de R$ 12 milhões e estamos, hoje, com 49% do orçamento em folha de pagamento, é um índice elevado. Apesar disso, concedi 6,75% de aumento ao funcionalismo, haja visto termos a consciência que a inflação está corroendo o salário, então procuramos dar um mínimo de suporte aos servidores.

 

E a prestação dos serviços públicos, quanto a eficiência, é satisfatória?

Veja bem, nós temos uma visão meio distorcida do que é competência do Poder Público e do que é competência do sujeito. Tem coisas hoje que as pessoas estão cobrando que não é competência da prefeitura executar. Se a prefeitura fosse executar somente aquilo que é de competência da prefeitura, nós teríamos metade das nossas máquinas, metade dos nossos equipamentos e ela funcionaria perfeitamente. Então, eu tenho que as pessoas tem que se dar conta de que a prefeitura está prestando um favor. O recolhimento de entulho e destinação de galhos, por exemplo, não é competência da prefeitura, está bem claro no Código de Postura, é competência do indivíduo. E quem está fazendo esse serviço? A Prefeitura. Quando você tem que abrir um poço negro, não é competência da prefeitura, é competência particular. E quem está fazendo isso? A prefeitura. Na Secretaria de Obras, por exemplo, qual é a prioridade? Certamente eu responderia que é oferecer condições para o produtor tirar o seu produto da lavoura. 

 

Para mudar essa cultura do assistencialismo teria que mudar, também, certos conceitos políticos?

O assistencialismo vem de cima para baixo, o governo federal está repleto de assistencialismo, de direitos e muito poucas obrigações. A questão do transporte  ou de medicamentos, por exemplo. Tu tens a lista de medicamentos, da farmácia básica, que é obrigação da prefeitura. No entanto, se o médico receitar um medicamento que não faz parte da farmácia básica e você disser para o paciente não, isso não faz parte da farmácia básica, eu não posso te dar, ele vai até o Ministério Público e o que acontece? O Ministério Público manda você dar o medicamento. Então, às vezes, nós, como administradores, temos que resolver isso de outra forma, para não chegar até lá. Então, eu concordo que o assistencialismo é muito grande, só que se criou a cultura, mas também se criou esse tipo de mecanismo que eles te colocam em situação difícil.

 

Relacionamento com o vice-prefeito, e com o Legislativo?

Nós temos uma relação muito boa com o vice-prefeito, que é do PT. Com o Legislativo, não é diferente. O relacionamento é ótimo.

 

Eleições municipais do ano que vem, o senhor está preparando o sucessor?

Eu vejo que ninguém prepara ninguém, o candidato é que tem que se preparar. Não adianta você querer botar alguém embaixo do braço e dizer você vai ser o candidato, se ele não faz por onde. A realidade é bem clara, cada um tem que buscar o seu espaço. O primeiro pressuposto do pretenso candidato é “querer”, e o segundo, é “se você quer, você tem que buscar o seu companheiro, você tem que buscar o seu candidato a vereador, você tem que buscar a sua base de sustentação, você tem que buscar o seu vice, você tem que cativar o eleitor”. Se não fizer isso, não te meta que você está fadado ao fracasso. 

Delegacias não tem condições de atender novas medidas

Após o lamentável assassinato de Miriam Roselen Gabe, 34 anos, morta a tiros pelo ex-companheiro, no hospital de Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, a Secretaria de Segurança Pública emitiu, nesta terça-feira (24), normas que devem ser adotadas no atendimento de violência contra mulheres. Entre elas, estão o acompanhamento da vítima a hospital, posto médico ou departamento médico legal para resguardar a integridade física.

A UGEIRM Sindicato considera muito bem vindas quaisquer medidas de proteção às vítimas de violência, em especial, aqueles casos que envolvam pessoas em situação de vulnerabilidade. No entanto, considera as medidas emitidas no ofício circular nº 160/2015 uma peça de ficção.

“Não podemos aceitar determinações do governo para varrer o problema para debaixo do tapete e prestar contas às cobranças da imprensa. Saudamos qualquer medida que vise oferecer a devida proteção às vítimas de violência no RS. No entanto, ao invés de tomar medidas no sentido de implementar a rede de proteção prevista na Lei Maria da Penha, o governo resolve editar normas cuja aplicabilidade é impossível”, explica o vice-presidente Fábio Castro.

A Lei Maria da Penha prevê assistência às vítimas através das políticas de assistência social, saúde e educação e centros de reabilitação para agressores, o que ainda não foi efetivado, constituindo-se um grande desafio para as políticas públicas.

Segundo ele, há muito tempo o Sindicato denuncia a crise estrutural vivida pelas delegacias do Rio Grande do Sul devido à carência de efetivo. Em sua grande maioria, os plantões funcionam com um ou dois plantonistas, além do famigerado sobreaviso. Além disso, algumas cidades possuem somente um policial. Em Porto Alegre, temos o exemplo da Delegacia da Restinga que atende uma população de quase 100 mil habitantes com apenas um policial plantonista.

Outro exemplo é a Delegacia da Mulher de Porto Alegre que atende com somente um plantonista. São cerca de 50 ocorrências por dia e mais de 3 horas de espera para as vítimas serem atendidas. Uma das reivindicações apresentada ao governo anterior era a criação da Delegacia da Mulher na Restinga.

“Este fato só vem a reforçar a urgência na convocação dos 650 concursados, pois existe um problema crônico de falta de efetivo. De que maneira, os policiais plantonistas cumprirão os ditames do oficio circular 160/2015? Fechando as portas dos plantões e deixando a população esperar?”, questiona.

A UGEIRM Sindicato reitera o seu compromisso com toda iniciativa que pretenda oferecer mais segurança à população. O enfrentamento da questão, porém, deve ser feito de maneira séria e não através de arremedos que não resolverão o problema. Por isso, considera as novas medidas um desrespeito com os profissionais da Polícia civil e com a população gaúcha.

O departamento Jurídico da UGEIRM questionou através de ofício o Sr. Secretário da Segurança e o Chefe de Polícia sobre como serão implementadas essas medidas. A orientação é para que, nos casos que se enquadrem nas determinações do ofício, os plantonistas devem contatar o delegado plantonista e exigir orientação de como procedr.

O departamento jurídico da UGEIRM vai orientar como devem proceder os plantonistas em relação ao ofício circular nº 160/2015.

Veja o que diz o documento:

Porto Alegre, 24 de março de 2015.

Medidas Administrativas Protetivas (MAP)

Em face de recente fato ocorrido na madrugada do dia 22/03//2015, na cidade de Venâncio Aires, na qual restou brutalmente vitimada pessoa em situação vulnerável, DETERMINO aos órgãos do sistema de segurança pública do Estado, como forma de orientação técnico-administrativa e visando à prevenção de situações semelhantes, o que segue:

O agente de segurança pública que tomar conhecimento de qualquer ocorrência envolvendo risco à integridade física de pessoa adotará, imediatamente, todas as medidas protetivas cabíveis, dentre as quais, exemplificativamente, as que seguem:

  1. a) Acompanhar a vítima ao hospital, posto médico ou Departamento Médico Legal, como forma de resguardar a sua integridade física.
  2. b) Encaminhar o competente registro da ocorrência, no qual deverá ser colhido o depoimento pessoal da vítima.
  3. c) Transportar a vítima, quando solicitado, a local seguro.
  4. d) Garantir a proteção policial enquanto não cessada a iminência de violação da integridade física
  5. e) Informar à vítima todos os seus direitos e garantias assegurados na Constituição e na Lei

As medidas acima não elidem os procedimentos ordinários previstos em lei.

Wantuir Franciso Brasil Jacini

Secretário de Segurança Pública / RS

Câmara aprova projeto que dificulta liberdade condicional para autores de crimes hediondos

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) um projeto de lei que dificulta a concessão de liberdade condicional a condenados por crime hediondo, prática de tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e terrorismo. O texto segue para votação no Senado. Pela proposta, a concessão do benefício para estes crimes só ocorrerá quando os condenados tiverem cumprido mais de 4/5 da pena. Atualmente, a medida é autorizada quando há o cumprimento de 2/3. O governo orientou contra a votação argumentando que o tempo na prisão não vai diminuir a criminalidade. A proposta original do Senado proibia a concessão da liberdade condicional para pressos reincidentes, mas os deputados modificaram a medida. Relator da proposta, o deputado Lincoln Portela (PR-MG) considerou a medida inconstitucional. "O Supremo Tribunal Federal tem reiteradamente declarado a inconstitucionalidade de normas que proíbem, por completo, a progressividade da sanção privativa de liberdade", afirmou. Para o deputado Rocha (PSDB-AC), a proposta mira os que cometeram crimes de grande potencial ofensivo. "É um passo para dar uma resposta à sociedade brasileira, que não aguenta mais ser vítima continuada dos criminosos", declarou. O Delegado Edson Moreira (PTN-MG) reforçou o discurso. "Quantas vidas não seriam poupadas se essa lei já existisse?", questionou. "No Brasil, há mais de 700 mil presos e, mesmo assim, não estamos assistindo à diminuição da violência, ela continua aumentando", disse o vice-líder do governo, Carlos Zarattini (PT-SP).

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Lei torna crime hediondo qualquer ataque contra policiais e seus familiares

 


O plenário da Câmara dos Deputados aprovou esta manhã a emenda que o deputado federal gaúcho Onyx Lorenzoni, DEM, conseguiu emplacar no projeto de lei 3131/2008, agravando muito os crimes cometidos contra policiais civis e militares, bem como a agentes penitenciários. Agora, conforme o projeto, assassinatos ou lesões corporais praticadas contra os agentes da lei serão considerados crimes hediondos. A proposta de Onyx ampliou o novo gravame para seus parentes até terceiro grau, o que inclui mulher, marido, filhos, pais, tios e até primos. Os ataques a ele também serão considerados crimes hediondos, o que agravará de modo geométrico as penas dos bandidos. Como se sabe, parentes de policiais e agentes penitenciários têm sido atacados como forma de obter vingança e intimidar os agentes da lei. O PT lutou bravamente contra os policiais militares e civis, tentando rejeitar a emenda. Ao lado do PT, também o PSOL afinou o discurso contra maior proteção aos agentes da lei. A nova lei foi aprovada por 215 x 100. Não há nenhuma novidade nessas atitudes de PT e PSOL colocando-se contra os agentes da ordem. Os dois partidos são de orientação comunista, e os comunistas consideram que o crime é revolucionário. Isso vem desde Karl Marx.
VideVersus

PRISÃO POR ROUBO EM SANTO AUGUSTO

 

Nesta quarta-feira (25/03), policiais da Delegacia de Polícia de Santo Augusto, em ação de combate a crimes patrimoniais, deram cumprimento a mandado de prisão preventiva por Roubo, fato este ocorrido no dia 07/03/2015, em uma farmácia do município. Na ocasião, L.A.S.B., de dezoito anos de idade, entrou no estabelecimento comercial, anunciou o assalto e subtraiu a quantia de R$ 177,00 (cento e setenta e sete reais) do caixa. A ação foi flagrada por câmeras de vigilância do local. Entretanto, o autor do delito se encontrava com o rosto encoberto.  Segundo o delegado Gustavo Fleury, diligências de polícia judiciária foram tomadas. O indivíduo foi identificado e em cumprimento a mandado de busca e apreensão foram apreendidas as roupas e mochila utilizadas pelo assaltante durante o cometimento do delito. Foi representado, então, pela prisão preventiva do suspeito. O homem foi encaminhado ao Presídio Estadual de Três Passos.

Vereador de Santa Maria é preso em operação contra superfaturamento de remédios

Servidor da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde também foi preso temporariamente por suspeita de superfaturar orçamentos

Vereador de Santa Maria é preso em operação contra superfaturamento de remédios Claudio Vaz/Ag. RBS

Foto: Claudio Vaz / Ag. RBS

O vereador de Santa Maria João Carlos Maciel (PMDB) foi preso em flagrante, na manhã desta quinta-feira, por manter em depósito e fornecer medicamentos de origem ignorada.



Servidor é preso por suspeita de superfaturar medicamentos em Santa Maria



Por volta das 10h30min, agentes da Polícia Federal (PF) cumpriam mandados de busca e apreensão no escritório do político, localizado na Rua André Marques. A ação fez parte da segunda fase da Operação Medicaro, da PF e do Ministério Público Federal (MPF).



A operação, deflagrada nesta manhã, também prendeu temporariamente um servidor da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde (4ª CRS), por suspeita de integrar um esquema de superfaturamento de medicamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), fornecidos via ações judiciais.

No escritório de Maciel, foram apreendidos mais de 10 sacos plásticos cheios de medicamentos. A apreensão surpreendeu até mesmo delegados e agentes da PF:

— Nos surpreendeu encontrar medicamentos lá. Eles não poderiam estar ali. Não têm procedência, há remédios de venda controlada e até vencidos. A origem deles não é legal nem a forma de armazenamento. Só quem pode armazenar medicamentos são farmácias. Há um crime previsto para isso — afirmou o delegado Rafael França, durante a coletiva de imprensa da PF nesta manhã.



Conforme o delegado, ainda não se sabe a origem dos remédios nem se há ligação com o esquema de fraude. Em nota oficial, a PF esclarece que é crime federal (Artigo 33 da Lei 11.343/06 e Artigo 273, § 1ºB, Inciso V), manter em depósito e fornecer medicamentos de origem ignorada.

À reportagem do Diário, o vereador disse que os remédios eram doações de ouvintes.

— Todos estão convidados a ouvir o meu programa hoje. Meu advogado dará declarações. Desenvolvo um trabalho social há anos, e os medicamentos são doações de ouvintes — disse Maciel ao sair de seu escritório e entrar em uma viatura da PF.

— Não há nenhum tipo de investigação à pessoa do Maciel nem ao programa dele — alegou o advogado do vereador, Vagner Sobierai.

DIÁRIO DE SANTA MARIA

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A aniversariante Porto Alegre tem seus extremos

Nesta quinta-feira, data em que a Capital dos gaúchos completa 243 anos, o jornal presta uma homenagem à cidade

A aniversariante Porto Alegre tem seus extremos Mateus Bruxel/Agencia RBS

Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
Aline Custódio

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Nesta quinta-feira, data em que a Capital dos gaúchos completa 243 anos, o jornal presta uma homenagem à cidade fundada em 26 de março de 1772 como Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais e que ganhou do imperador Dom Pedro II, em 1821, o status de cidade. Nas histórias de cinco moradores, são apresentados os extremos de uma Capital que hoje tem mais de 1,4 milhão de habitantes, segundo o Censo IBGE de 2010.





Morro Santana: o ponto mais alto




É de cima do "povo do morro", um conjunto de dez rochas graníticas que receberam este apelido dos moradores da Vila Laranjeiras, que o pintor e líder comunitário Nilceu Martins Figueiredo, 58 anos, fica ainda mais nas alturas do Morro Santana, entre as zonas Norte e Leste. Não satisfeito com os 311m acima do mar, que dão ao morro o título de ponto mais alto da cidade, Nilceu brinca que é preciso subir nas pedras. 



– Este lugar é um paraíso no meio dos prédios que foram se formando no entorno do morro – justifica.



Há 36 anos, quando chegou à vila que se formou onde antes era uma fazenda repleta de árvores frutíferas que hoje dão nome à comunidade, Nilceu ainda via os voos de asa-delta que saiam da rampa construída acima de uma antiga pedreira.



– Pareciam passarinhos. Pousavam do outro lado da Avenida Protásio Alves ou até na própria vila, perto do antigo campo do Cruzeiro – recorda.



Mas a ocupação irregular e a insegurança no entorno do Morro, a partir da década de 1990, acabaram afugentando os "passarinhos" admirados por Nilceu. Ele teme que as ocupações e novas construções possam consumir o que ainda resta de beleza natural dos cerca de 1 mil hectares do Santana. Segundo estudo da Ufrgs, a região está inserida no bioma Mata Atlântica. 



A própria Ufrgs é detentora de 600 hectares do morro, onde 321 deles são uma unidade de conservação. O restante é aberto ao público, mesmo sendo de difícil acesso. Para Nilceu e os moradores da Vila Laranjeiras chegarem ao topo costumam atravessar os obstáculos naturais, como mata fechada e pedras. Mas a dificuldade tem prêmio no final.



– De cima, a cidade fica mais bonita e em silêncio. Encontro paz aqui – resume Nilceu. 







 

Tia Maria entre as árvores que ajudou a plantar na praça do Rubem Berta

Foto: Mateus Bruxel




Rubem Berta: o bairro mais populoso



No cenário avistado de cima do Morro Santana, uma área se destaca entre a quantidade de prédios existentes na Zona Norte na cidade: o conjunto habitacional Rubem Berta. Se fosse uma cidade gaúcha, o conglomerado de 4.994 apartamentos distribuídos em 39 núcleos estaria na 21ª posição entre as mais populosas. Juntos, eles abrigam 40 mil dos 87.367 moradores do bairro, segundo o Censo do IBGE de 2010. 



Ocupada em abril de 1987, a área foi ocupada por mais de 3 mil famílias em abril de 1987. Entre elas, estava a da auxiliar de enfermagem aposentada Maria Inácia Mateus, 76 anos. 



Para ter a primeira casa própria, Maria Inácia transferiu-se com o marido e a filha do aluguel no Bairro Partenon para o quarto andar de um apartamento no núcleo 27. Viúva há 15 anos, hoje mora sozinha – a filha casou e mudou-se para outra região. Mas a solidão não acompanha a idosa, que se diz uma apaixonada pelo lugar onde mora. A dedicação é tanta que Maria Inácia atua há mais de uma década na associação de moradores, é representante local do Conselho Municipal de Saúde e ainda acumula a função de síndica do núcleo. 



— Faço qualquer coisa pelo bairro. Estou sempre na rua, auxiliando que necessita —  comenta, aos risos. 



Basta uma caminhada pelas avenidas do conjunto para ver a popularidade de Tia Maria, como é carinhosamente chamada na vizinhança. Até na praça improvisada nos fundos do posto de saúde há um toque dela: parte das árvores foram plantadas pela dedicada moradora. 



— Me entristece quando falam que o nosso bairro é violento. O Rubem Berta é gigante e nem tudo acontece dentro do conjunto habitacional. Só quem mora aqui sabe como é bom ver da janela de casa as crianças brincando na rua, o Morro do Chapéu (entre Gravataí e Sapucaia do Sul) ao fundo e as luzes acesas à noite — resume. 





 

Lotar na praça vazia do bairro

Foto: Mateus Bruxel




Anchieta: o menor bairro



A quantidade de moradores existentes no menor bairro da Capital não ocuparia todos os apartamentos do núcleo 27 do conjunto habitacional Rubem Berta, onde mora Tia Maria. No Anchieta, divisa com Canoas, apenas 147 pessoas continuam morando naquele que nasceu residencial, no final dos anos 1960, e tornou-se industrial, a partir da década seguinte. 



— Todos os dias, meu desafio é manter a qualidade de vida de quem continua apostando no bairro — afirma Lotar Adalberto Markus, 68 anos, um dos primeiros moradores e fundador e presidente pela oitava vez da Associação de Moradores do Anchieta.



Composto por apenas duas grandes avenidas e outras dez ruas, o Anchieta tornou-se estratégico para as empresas por estar ao lado da Freeway e da BR-290. O vazio do bairro é visto durante o dia nas calçadas e na praça Jorge Godofredo Felizardo: ninguém nas ruas, além do vaivém de carros e caminhões. A maior movimentação ocorre entre 12h e 13h, horário de almoço dos funcionários das empresas. 



— A população está envelhecendo. Fiz uma reunião da associação e descobri que temos 23 viúvos. São mais de 15% dos nossos moradores — surpreende-se o presidente.



A falta de vizinhança acaba criando características próprias no bairro, como não ter farmácias e academias de ginástica. Até a única linha de ônibus diminuiu a quantidade de horários por conta da falta de passageiros.  



— A situação não é de rir, é de chorar. Mas enquanto eu tiver saúde, continuarei lutando pelo bairro – garante Lotar.





 

Mauri na área rural da cidade

Foto: Mateus Bruxel




Caminhos rurais: o ponto turístico menos visitado



Se o Anchieta tornou-se um bairro quase esquecido por quem procura Porto Alegre para morar, há um ponto turístico da cidade que passa pela mesma situação. Encravada entre o Sul e o Extremo-Sul da Capital, a Rota Caminhos Rurais é a menos visitada de Porto Alegre, de acordo com levantamento da Secretaria Municipal de Turismo. Criada há dez anos, a rota envolve 40 propriedades e oferece atividades de lazer junto ao ambiente rural, à produção de vinhos, de plantas ornamentais, de frutas, de pesca e passeios a cavalo. Nem assim, consegue atrair a curiosidade de quem chega ao balcão de atendimento da Secretaria pedindo dicas sobre o Parque da Redenção, o ponto turístico mais visitado da cidade. 



— Os próprios moradores desconhecem o universo que existe deste lado de Porto Alegre. Acham que já viram tudo ao passarem pelas estradas, mas jamais entraram nas propriedades — comenta Mauri Webber, proprietário do Sítio do Mato, no Bairro Belém Velho, e um dos responsáveis pelos Caminhos Rurais. 



Ex-representante comercial, Mauri saiu da área central de Porto Alegre há duas décadas para viver com a família entre árvores frutíferas, animais silvestres e o cheiro do mato num trecho da Estrada do Rincão, que corta o Extremo-Sul da Capital. Depois de fazer um curso de guia turístico, ele resolveu abrir a propriedade para visitações. Aos poucos, especializou-se no turismo pedagógico para crianças e passou a receber escolas e grupos. 



— O problema é que poucos se interessam por esta atividade, e ela é sazonal. No frio, nem adianta tentar. As pessoas não vêm mesmo. Ou seja, temos três ou quatro meses do ano para atrair turistas — diz Mauri. 





 

José Carlos na nova paixão: a pesca

Foto: Mateus Bruxel




Lami: o mais distante do Centro



Vizinho do roteiro turístico menos visitado de Porto Alegre, o pescador José Carlos Gonçalves Neves, 58 anos, garante ter encontrado equilíbrio ao mudar-se para o Lami, a 35km da área central, em 2000. No mesmo ano, abandonou a carreira policial como inspetor de polícia. Ele pretendia tornar-se comerciante no Lami, mas a proximidade com o Guaíba o fez mudar de ideia.



— Aqui refiz a minha vida. Me tornei pescador — revela, faceiro.



Por conta da distância, o Lami tem apenas 4.642 moradores e mantém características rurais com um ritmo mais lento do que os bairros urbanizados. José Carlos garante que o amor pelo bairro mais distante do Paço Municipal começou ainda na adolescência, quando esperava ansiosamente pelo final de semana. Era aos domingos que ele e os colegas do supermercado onde trabalhava reuniam-se para ir à praia do Lami.



— Não existiam ruas pavimentadas e a faixa de areia seguia até a Avenida Beira-Rio – recorda.



A transformação na vida de José Carlos, proporcionada pelo bairro escolhido por ele para viver, vai além da questão profissional. Quando transferiu-se para o Lami, o pescador tinha se separado. Na nova morada, ele acabou conhecendo Isabel Cristina Salser, 53 anos, com quem casou-se e mantém um bar na orla. 



— No Lami, mudei de profissão, encontrei um novo amor e até comprei um sítio, que era um sonho de muitos anos. Não sinto falta da área urbana. Sou feliz aqui — garante José Carlos.

Zero Hora

Diego Aguirre está pronto para ser demitido

26/03/2015 | 10h59

Wianey Carlet: Diego Aguirre está pronto para ser demitido Félix Zucco/Agencia RBS

Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

Na entrevista coletiva que concedeu após o jogo contra o Avenida, Diego Aguirre fez a revelação definitiva. Disse que não conhecia os motivos que levam o time a não jogar bem. Foi admiravelmente franco, mas assinou o seu pedido de demissão.

Prioridade no Inter é dar ritmo a jogadores que retornam de lesão

 

Quando um médico não consegue apurar o diagnóstico, só existe um caminho a ser buscado: trocar de médico. Tenho tido com Aguirre a compreensão que merece um sujeito boa praça, seu caso. Porém, esgotou-se o espaço e o tempo para o uruguaio. O Inter joga mal, seja qual for o esquema tático que utilize. O time não melhora independente da escalação. Os defeitos se reiteram e virtudes não aparecem.

Diogo Olivier: atuação do Inter preocupa, pelos objetivos de Libertadores

É uma pena, mas vejo como imprescindível a troca de treinador. O Inter precisa contratar um profissional que conheça as razões para os desempenhos insatisfatórios da equipe. Resumindo: ou o Inter troca de médico ou o paciente vai morrer.

Com gol de Juan, Inter vence o Avenida por 1 a 0

Diego Aguirre poderá se transformar em um grande treinador, mas ainda precisa estudar e amadurecer. Não é aceitável que pretenda um time funcional jogando com três zagueiros e dois volantes de contenção. Não deveria ser necessário, sequer, jogar para descobrir que é muita gente defensiva. Aguirre não sabe e por isso erra.

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