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Mês: setembro 2014 (Page 1 of 6)

O petista Tarso Genro sacou do caixa único do Estado quase o triplo do que sacaram somados os governos de Germano Rigotto e Yeda Crusius

Nunca na história do Rio Grande do Sul um governador gastou tanto dinheiro alheio – valores bilionários e sem prazo para devolver. A Lei de Responsabilidade Fiscal tentou apanhar na sua rede todos os governantes perdulários – presidentes, governadores e prefeitos  – mas não conseguiu alcançar os mais espertos. A idéia do governo Fernando Henrique Cardoso, ao aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi reconduzir o setor público ao equilíbrio fiscal, o que justifica o dispositivo que estabelece níveis de endividamento, ou seja, aquele limite até onde o administrador público pode tomar dinheiro emprestado e pagar. Mas não foram cobertos todos os furos. No Rio Grande do Sul, governos se sucedem com a alternativa de tomar “empréstimos” disfarçados, como são os casos do dinheiro que é sacado sem controle algum dos chamados depósitos judiciais e caixa único. Em ambos os casos, não existe um só dispositivo legal que obrigue o governador a devolver o dinheiro sacado, a não ser quando eventualmente um órgão público que deslocou dinheiro para o caixa único ou alguma decisão judicial tomada, obrigam o desembolso. O governador Tarso Genro é de longe o que mais se atreveu. Além de ter chegado ao limite da capacidade de endividamento do Estado, ele também bateu todos os demais governos no saque a descoberto sobre depósitos judiciais e caixa único. Tarso Genro sacou valores bilionários para cobrir despesas correntes do seu governo gastador. Veja a sangria feita por cada um dos últimos três governos sobre o caixa único:

Governo Rigotto (2003/2006) – R$ 1,5 bilhão

Governo Yeda Crusius (2007/2010) – R$ 615 milhões

Governo Tarso Genro (2011/2014) – R$ 5,4 bilhões

A fonte são os Balanços do Estado e os Pareceres Prévios do Tribunal de Contas do Estado. Em algum momento da história, algum governador terá que pagar a conta. O governo que for eleito em outubro, iniciará o ano com o caixa único e com a conta de depósitos judiciais sem um tostão. Tarso Genro sacou todos os R$ 5,4 bilhões deixados por Yeda Crusius no Caixa Único do Estado do Rio Grande do Sul.

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Mente quem diz que não sabia dos roubos na Petrobras

A candidata do PSB à Presidência, Marina Silva, fez duras críticas á presidente Dilma Rousseff (PT) nesta terça-feira, em São Paulo, e afirmou que a adversária petista mentiu ao dizer que não sabia da existência de um amplo esquema de corrupção na Petrobras. Reportagens de VEJA revelaram que o ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa entregou em acordo de delação premiada uma constelação de políticos e partidos que receberam dinheiro desviado da empresa – entre eles o PT e a própria campanha de Dilma em 2010. "Não venha me chamar de mentirosa. Mente quem diz que não sabia dos roubos na Petrobras", disse Marina Silva. A fala foi feita em resposta a mais uma peça da propaganda eleitoral de Dilma Rousseff direcionada à desconstrução da figura de Marina Silva – desta vez, a propaganda afirma que a ex-senadora mentiu ao dizer que votou a favor da extinta CPMF. "Para votar um projeto no Congresso há muitos trâmites. Quem nunca foi sequer vereadora e vira presidente do Brasil não entende isso", diz Mariana Silva. Ela disse ainda que o PT promove uma "campanha da discórdia" contra ela e que a presidente "come pela boca de marqueteiros": "Nunca pensei que uma mulher pudesse permitir fazer o que estão fazendo para destruir a biografia honrada de outra mulher. Eles me criticam, dizem que me emociono ao falar sobre os ataques que venho sofrendo, ao falar sobre minha vida. Mas a pior fraqueza é fazer o jogo do dominador. Não quero parecer com essa gente, não quero parecer com eles. Mente quem promete construir 6.000 creches e não entrega sequer 400", afirmou.

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Dilma humilhou o Brasil

 
Política compartilharam um link.

Assembleia marcada pelo clima tenso e incerteza sobre futuro da Cotrijuí

Clima foi de tensão do início ao fim da assembleia. Discussões, intervenções e ânimos exaltados marcaram a reunião ocorrida em Chiapetta.

 

Dom, 28 de setembro de 2014

 

Vanderlei Fragoso (com microfone) fez um longo discurso, de mais de uma hora, expondo todo o histórico da Cotrijuí e fazendo duras críticas à ex-diretorias que, segundo ele, levaram a Cooperativa à beira da falência e deixaram uma dívida milionária para a atual direção. No final do seu discurso, quando animou os presentes colocando em meta a retomada da Cotrijuí, colocou seu nome à disposição como o autoliquidante e foi aclamado pela maioria dos presentes, fato que irritou os integrantes da oposição, que prometem entrar na Justiça para invalidar a assembleia. Veja abaixo imagens ampliadas da Assembleia. Foto: Portal Ijui.com

Cheios de incerteza e desconfiança, foi assim que a maioria dos associados chegou e saiu da assembleia realizada nas dependências da Afucotri neste sábado, 27, em Chiapetta.

A reunião que tinha o horário marcado para às 7h, só começou às 10h.

As 3h de espera geraram impaciência e inconformidade com a maioria dos presentes. 

A diretoria da Cotrijuí tardou a chegar, enquanto isso, a massa de agricultores lotava o pequeno ginásio da Cooperativa.

Nas primeiras horas da manhã, algumas centenas de pessoas, associados, a Brigada Militar e a imprensa regional, aguardava do lado de fora do ginásio, a reunião que pode entrar para a história da Cotrijuí.

Ao todo, foram cerca de dois mil agricultores que lotaram as dependências da associação.  

 

 

O discurso 

 

A reunião começou às 10h, com a presença do presidente Vanderlei Fragoso e demais integrantes da direção da Cotrijuí, bem como advogados e assessores da Cooperativa.

Em um discurso pronto, o assessor da Cotrijuí, Adelar Amarante trouxe a tona os problemas que a Cooperativa teve ao longo de sua história, apontando as ex-diretorias como alicerces de corrupção e degradação da associação e, por fim, colocando o nome de Fragoso como sendo a única solução viável para o bom sucesso da cooperativa.

Uma sonora vaia dos agricultores mal deixaram o texto ser lido na sua totalidade.

O narrador foi interrompido diversas vezes, os ânimos começavam a se exaltar.

Foi então, que o presidente Vanderlei Fragoso pegou o microfone e começou a falar sobre o passado da Cotrijuí, das dívidas e das más administrações, que segundo ele, levaram a Cotrijuí à falência.

Neste instante, com dois minutos de assembleia, o primeiro embate ocorreu.

 

A discussão

 

Não contentes com o discurso de Fragoso e com o sentimento contrariado, integrantes da Terceira Via pediram que o presidente partisse logo para o processo de votação da moratória, mas Fragoso, recusou e tentou continuar seu discurso.

A confusão estava armada. Liderados por Cláudio de Jesus, os agricultores que se opuseram a Fragoso tentaram intervir na assembleia.

Foi neste momento que pelo menos 20 soldados da Brigada Militar e dezenas de seguranças particulares, contratados pela Cotrijuí, tiveram que intervir.

Fragoso ameaçou retirar os agricultores que se manifestavam do local, fato que gerou ainda mais inconformidade.

Depois que os ânimos foram contidos, Fragoso fez então, o seu discurso.

Contou sobre as ameças de morte que teve, falou sobre as más administrações das ex-diretorias que deixaram uma dívida milionária para sua administração e se colocou ao lado do agricultor e associado da Cotrijuí.

Explicou que o processo de autoliquidação é um método legal de ganhar tempo para quitar as dívidas da Cooperativa, sem ter os bens leiloados. O grande temor dos agricultores era perder a safra, os grãos já colhidos e os bens que estão depositados junto aos armazéns da Cotrijuí.

Durante o discurso de Fragoso, vários agricultores tentaram se manifestar, mas sem sucesso, pois o presidente da Cotrijuí continuava seu discurso e usou uma frase célebre, "nos deixem trabalhar", por várias vezes, para acalmar os ânimos dos associados.

 

A autoliquidação

 

Diferente do que muitos imaginavam e no que vinha se idealizando, o advogado Rui Polidoro Pinto não foi o indicado como a pessoa que seria a responsável por realizar a autoliquidação da Cotrijuí.

Para Polidoro, a autoliquidação foi o melhor para a Cotrijuí. “A dívida é muito grande, vem de muitos anos e a autoliquidação é uma alternativa válida para se conseguir organizar um plano de pagamentos, renegociar com credores e se tem dois anos para colocar a casa em ordem. Mas é preciso manter tudo funcionando, sob pena de não se ter o que organizar”, afirma.

Porém, o fato que surpreendeu a todos é que o próprio presidente da Cotrijuí, Vanderlei Fragoso, será o autoliquidante. Fragoso continua como presidente da Cotrijuí, assim como toda a diretoria está mantida e ele assume a partir de agora, a responsabilidade sobre a autoliquidação da Cooperativa que deve ocorrer no transcorrer de dois anos.

De acordo com Cláudio de Jesus é preciso dar um novo rumo para a Cotrijuí, caso contrário, será o fim da Cooperativa. "O Vanderlei não tem credibilidade. Ele não negociou com fornecedores, não recebeu o produto e mente demais", afirmou Jesus.

Segundo Fragoso, nestes próximos dois anos, terá tempo para se concluir o pagamento da dívida de R$ 1,2 bilhões. "Temos certeza que vamos conseguir com a ajuda do nosso associado e da comunidade. Por aclamação o nosso associado votou e nos escolheu", explicou Fragoso.

A direção da Cotrijuí chegou e saiu de Chiapetta sob uma forte escolta da Brigada Militar, pois havia o temor de algum atentado ou represália durante o evento.

 

Caso vai para a Justiça

 

No final de seu discurso, Fragoso propôs seu nome para ser o autoliquidante da Cotrijuí e deu a assembleia como acabada. Insatisfeitos, integrantes da chamada Terceira Via, queriam que uma pessoa que não estivesse ligada à direção para ser o responsável pela liquidação.

Diante do fato, o grupo de oposição considerou a atitude arbitrária e garante entrar na Justiça para anular a assembleia. A direção da Cotrijuí vai publicar na segunda-feira, 29, o resultado da assembleia, no Diário Oficial do RS.

 

Ijuí.com

As falhas na rede de proteção que não salvou Bernardo Boldrini

Zero Hora faz uma radiografia do caminho traçado por Bernardo Uglione Boldrini, 11 anos, à procura de ajuda. Menino percorreu sozinho todo o ciclo, mas acabou assassinado em 4 de abril, em Três Passos

27/09/2014 | 13h01

As falhas na rede de proteção que não salvou Bernardo Boldrini Marcelo Oliveira/Agencia RBS

Em Três Passos, cerca da casa dos Boldrini foi transformada em memorial para BernardoFoto: Marcelo Oliveira / Agencia RBS

Bernardo, se você fosse personagem de uma história, qual gostaria de ser?

– Nenhum. Ninguém me conta histórias!

A conversa de Bernardo Uglione Boldrini com uma médica amiga de sua família ocorreu muito antes de o menino franzino de 11 anos tornar-se personagem da mais dolorosa história que Três Passos poderia contar ao país.



A de uma criança de classe média alta, órfã de mãe, maltratada em casa, que mendigava amor, comida e roupas pelas ruas da cidade, que foi ao fórum sozinha pedir ajuda e acabou morta e enterrada numa cova rasa pela madrasta, Graciele Ugulini, supostamente com o conhecimento do pai, o médico cirurgião Leandro Boldrini.



A história que Três Passos narra hoje é permeada por culpa e questionamentos. O que cada um poderia ter feito melhor? A comunidade reclama ação mais contundente por parte das autoridades que têm o poder de investigar e de tirar uma criança de casa. Agentes da rede de proteção queixam-se de que a população não denuncia.



– A gente não está procurando culpados, mas um pouco cada um se omitiu. Nos sentimos em luto quando aconteceu. Nos sentimos muito mal, pensamos o que faltou a gente fazer mais, o que aconteceu? – questiona-se Deborah Granich, uma das conselheiras tutelares que atenderam o menino.



FOTOS: a vida feliz de Bernardo com a família Petry





Deborah reflete como o caso poderia ter tido outro final  (Foto:Diego Vara)

Os gritos de socorro de Bernardo foram muito mais do que os 31 gravados em áudio e vídeo pelo próprio pai durante uma briga em casa, em um sábado de agosto do ano passado. A única coisa que o filho de Boldrini não fez foi verbalizar a tortura que sofria. O resto estava lá para ser visto.



Bernardo não tinha as chaves de casa. Vivia sempre na rua. Insistia em dormir na casa de colegas. Precisava ser acordado pela secretária da escola para não perder aula. Tinha dificuldades de aprendizado. Fazia temas e trabalhos com famílias amigas ou até com a secretária da clínica do pai. Não podia usar a impressora em casa. Não podia usar a piscina, nem brincar com a irmã. Não tinha janta, ia para escola sem lanche. Tinha sinais de falta de higiene pessoal. Andava malvestido – costumava trajar manga curta em dias frios. Pai e madrasta não participavam das atividades escolares, sequer foram na Primeira Comunhão. Um código de convivência o impedia de falar com a madrasta. Era proibido de mencionar a mãe, morta em 2010. Carregava na mochila e tomava sozinho três medicações controladas. No final de 2013, aparentava desnutrição. Em 2014, pediu ao juiz para trocar de família. 



Mas ninguém supôs que o menino de classe média alta, filho do mais famoso médico da cidade e enteado de uma enfermeira, estava sob perigo intenso. É o que aparece nas entrelinhas de depoimentos prestados à polícia depois da morte de Bernardo e em conversas sempre interrompidas pelo choro.

– A gente analisa que essas pessoas (um médico e uma enfermeira) estão ali para salvar vidas, não destruir. A gente tem eles como referência – comenta Isoldi Schumann, conselheira tutelar.



Quando as primeiras suspeitas chegaram ao Conselho Tutelar de Três Passos, uma colega de Isoldi e de Deborah pediu para não atuar na apuração: tinha um familiar em tratamento com Boldrini e havia trabalhado com Graciele.



– É o problema de se enxergar as pessoas pela ótica da profissão que exercem, e aqui, no Interior, a gente veste a camisa da profissão. Todos te veem na rua como a jornalista, a psicóloga, a assistente social. Ninguém te imagina com dois discursos, que tu cuide teus pacientes e não cuide de teus dependentes, teus afetos. As pessoas não queriam se intrometer nessa família – analisa a psicóloga Ariane Schmitt, amiga de Boldrini.

Aquele que parece ter sido o primeiro ente público a se preocupar com o comentário generalizado na cidade de que Bernardo era negligenciado, o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), agiu, mas não sem um certo temor.

– Imagina nossa situação: ele (Boldrini) poderia nos processar. Dizer “o que essas mulheres estão fazendo aqui?” Ele poderia. Nós não tínhamos amparo legal para estar lá. Somos órgão de atendimento. Não somos órgão de averiguação, com poder de intervenção. Esse poder é todo do Conselho Tutelar – conta Raquel Raffaelli, psicóloga do Creas, que é ligado à prefeitura de Três Passos.

Ela e a colega Juliana de Quadros, assistente social, contataram o Conselho em busca de “suporte legal” para atuar. Juliana esteve com um conselheiro no Colégio Ipiranga para ouvir Bernardo, em julho de 2013. 



– Ele estava meio abatido, mas não falou em maus-tratos – recorda Nestor Weschenfelder, do Conselho Tutelar.



Creas e Conselho procuraram o pai em mais de uma oportunidade. Boldrini foi resistente à abordagem, segundo registros. Também pediram uma avaliação da escola sobre o menino. Entre julho, quando houve as visitas, e novembro de 2013, quando comentários sobre o estado de abandono de Bernardo se intensificaram, o caso não teve andamento.

– É importante a sociedade se posicionar. Sem denúncia formal, nosso poder de trabalho diminui muito. Só tínhamos comentários (em julho de 2013). Nossa postura foi intervir e aguardar. Depois do que ocorreu, a gente revisou, revisou e revisou na nossa mente. Qual a conclusão: nós trabalhamos com situações de violência. E essa situação não se confirmava. Como é que íamos intervir? O Creas fez mais do que é seu trabalho. Quem apura é o Conselho, a polícia. A rede tem um limite, tem que respeitar o espaço do outro – sustenta Raquel.

Em uma das anotações do Conselho Tutelar, foi registrado à mão: “Fomos no consultório Dr. Boldrini e Colégio Ipiranga. Sobre seu filho Bernardo, conversamos também com a Psicóloga Denise (do Colégio Ipiranga) sobre ele, esperar decisão da escola sobre o caso”.





Diretor Nelson Weber afirma que escola acolhia Bernardo (Foto: Diego Vara)



O Colégio Ipiranga, onde Bernardo estudou desde pequeno, é reticente hoje ao falar do caso. O diretor Nelson Antônio Gabriel Weber garante que “valores estão sendo trabalhados” com os alunos.



– Questões de família, da vida, de amizade, os valores são tão amplos, a valorização do ser humano, coleguismo, fraternidade. Isso faz parte do nosso dia a dia – comenta.



E em relação aos problemas que Bernardo apresentou durante anos, como dificuldades de aprendizado, falta de lanche a ponto de se tornar alvo de brincadeiras e ausência da participação da família?

– O Conselho apareceu aqui. Não sei precisar exatamente, sei que o contato ocorreu. O Conselho Tutelar tinha conhecimento. Tudo foi conversado. O Bernardo gostava de estar na escola, era acolhido, tinha o carinho de todos. Se todos tivessem dado a parcela que a escola deu… – responde o diretor do Colégio Ipiranga.

O conselheiro tutelar Nestor garante que o Colégio Ipiranga nunca fez registro sobre problemas do aluno, até ser procurado pelo órgão. Em depoimentos à polícia depois do crime, a coordenadora pedagógica, Simone Müller, e a psicóloga do Ipiranga, Denise Escher, discorreram sobre dificuldades do menino, a carência de atenção da família, a falta de lanche, de jantar, os problemas que ele dizia ter com a madrasta. Tudo era de conhecimento da comunidade escolar.



Bernardo chegou a virar alvo de brincadeira. A mãe de um colega dele contou à polícia: “Nesse ano, a turma da escola criou uma brincadeira, baseada no Bernardo Boldrini, de ‘mendigar o lanche’. Começou com Bernardo porque ele mendigava o lanche dos colegas”. Nada disso foi comunicado pela escola a órgãos de proteção à infância.



– Quem enxerga o problema não tem obrigação de resolvêlo, mas tem de comunicar, levar adiante. Este é um dever da escola – diz a juíza Vera Deboni, da 3ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre.



O Conselho Tutelar nega que a condição financeira da família de Bernardo tenha interferido na ação da rede de proteção.

– Para nós, todos são iguais. O Conselho não é só para pobre. Acontece que, talvez, aqueles gritos (os pedidos de socorro de Bernardo, gravados pelo pai e que vieram a público na semana da primeira audiência do caso), por que vizinhos não vieram denunciar no Conselho? Isso a gente pensa hoje. Por que não vierem denunciar? Medo? Como não ficamos sabendo? A babá, por que não veio falar para nós? É tudo coisa de se pensar hoje – questiona a conselheira Deborah.



O assunto da babá é, possivelmente, a informação mais concreta que surgiu sobre o risco de morte que Bernardo corria. A madrasta teria tentado sufocá-lo enquanto dormia. Ele acordou sem ar, assustado, e viu Graciele com um travesseiro na mão. Ela desconversou. O menino não esqueceu. Em novembro de 2013, ao encontrar na rua a ex-babá Elaine Teresinha Pinto, ele relatou o episódio. Preocupada, Elaine contatou familiares do garoto em Santa Maria.



Jussara Marlene Uglione, a avó materna de Bernardo, ficou quatro anos sem vê-lo, desde a morte da filha, em 2010. Tentou na Justiça garantir as visitas, mas desistiu em 2011, incomodada com a resistência de Boldrini. Avó e neto só voltaram a se ver nas férias de 2014.

– Eu lutei (pelo Bernardo) até onde pude – diz a avó materna.



Jussara Uglione foi impedida de visitar o neto (Foto: Jean Pimentel)



Após avisar o Conselho Tutelar de Santa Maria, Marlon Taborda, advogado de Jussara, enviou ao Conselho de Três Passos e-mail falando da suspeita de tentativa de homicídio e das condições de abandono. Também telefonou para reforçar o assunto, que não despertou a atenção dos conselheiros. 



Os conselheiros justificam não ter apurado porque os relatórios sobre Bernardo já estavam prontos, sendo encaminhados ao Ministério Público, acompanhados do e-mail vindo de Santa Maria.

– Isso foi para o MP. A polícia devia investigar. Não podemos responder ofício para advogado – diz Deborah.

– Se essas denúncias foram para Santa Maria, lá deveria ter sido feito registro policial – reforça Isoldi.

Em depoimento à polícia, Rosani do Nascimento, a conselheira que pediu para não trabalhar no caso de Bernardo, afirmou: “Que receberam, no final do ano passado, uma denúncia do advogado da avó de Bernardo de que este teria sofrido tentativa de asfixia, mas não deram muita importância porque já haviam falado com Bernardo e ele não havia relatado nada”. Bernardo não relatou. Mas não foi perguntado sobre o episódio.



O coordenador do Conselho em Três Passos, Helio Eberhardt, esclareceu à polícia: “Que não sabe informar se algum dos conselheiros chegou a averiguar a denúncia da tentativa de asfixia. O depoente não tinha conhecimento, a não ser através do conteúdo do e-mail encaminhado pelo Conselho Tutelar de Santa Maria”.

Para a Polícia Civil, o assunto merecia investigação.

– Se tivesse chegado ao conhecimento da polícia a questão da asfixia, eu teria feito uma ocorrência, instaurado inquérito e ouvido as pessoas. Ouvido a Elaine (ex-babá), o Bernardo, a madrasta, o Leandro. Teríamos investigado, que é nosso papel – diz a delegada Caroline Bamberg Machado.





Delegada Caroline lembra a última vez que viu Bernardo (Foto: Diego Vara)



Até Bernardo sumir, a delegada não sabia, mas outro episódio envolvendo o menino passou despercebido pela polícia. Em meados de junho de 2013, Boldrini foi à delegacia mostrar um vídeo que fizera em seu celular. Nas imagens, Bernardo aparecia empunhando uma faca e um facão, e sofrendo provocações por parte do pai. Boldrini afirmou ao policial que queria se “precaver”. Não se sabe de quê. O policial apenas orientou o médico a procurar o Conselho Tutelar. Se tivesse feito uma ocorrência, o assunto passaria por análise da delegada. Só após o sumiço de Bernardo o policial informou o fato ocorrido 10 meses antes da morte do menino. A orientação do Departamento Estadual da Criança e do Adolescente é de que sempre seja feito o registro policial.



Caroline, responsável pela investigação do crime, lembra da última vez que viu Bernardo na escola:



– Eu estava caminhando e ele também, me olhando. Ele andava e me olhava. Hoje, penso se ele queria me falar algo. 



Em agosto de 2013, o drama vivido por Bernardo mais uma vez esteve ao alcance de autoridades. Policiais militares estiveram na casa de Boldrini na noite em que o menino sofreu xingamentos, humilhações e ameaças veladas da madrasta, e berrou por socorro 31 vezes. Tudo foi registrado em um celular, acionado pela madrasta. No áudio, recuperado por peritos, é possível ouvir quando o médico diz que há policiais na frente da casa:



– Ó, eu faço tudo que é coisa certa. Tem polícia na frente da minha casa sábado de noite, né.



Não se sabe o que os PMs conversaram com Boldrini e se chegaram a ver e falar com Bernardo. Quando a gravação veio a público, na última semana de agosto, Zero Hora pediu detalhes sobre o atendimento, mas a Brigada Militar não tem registro, e abriu uma sindicância para apurar o que houve.

– Não foi ocorrência específica no Boldrini. Segundo estamos levantando, foi repassado para a sala de operações que havia “gritos próximo à caixa de água” e ponto (a sede da Corsan fica na frente da casa de Bernardo). Foi despachada viatura. Durante a averiguação, se bateu em residências perguntando quem ouviu, e se bateu na casa do Boldrini também. Estamos apurando quem foi atender e como foi o atendimento – diz o comandante do 7º BPM, major Diego Munari.





"Não foi ocorrência específica no Boldrini", afirma o major (Foto: Diego Vara)



A “rede de proteção” voltou a se movimentar em novembro. Há informações de que naquele mês Bernardo esteve doente – com tosse, febril, com infecção respiratória. Por intervenção de uma amiga da família, foi levado por uma secretária de Boldrini a uma consulta com José Roberto Sartor, seu ex-pediatra. Foi ele que, ao saber do desaparecimento, disse à esposa: “Apagaram o guri”. Ao explicar a afirmação em depoimento à polícia, posteriormente, Sartor, amigo de Boldrini, contou que a fez em função da “situação de abandono” que Bernardo sofria. 



Não há informações sobre o médico ter feito algum comunicado a órgãos de proteção à infância. No final de novembro, em uma reunião com agentes da rede de proteção, a promotora Dinamárcia Maciel de Oliveira foi informada dos problemas com Bernardo. Solicitou relatórios. Foi só nessa época que os órgãos de proteção registraram em documento o que havia sido apurado em julho. 



Em 6 de dezembro, inconformado com a falta de retorno do Conselho Tutelar sobre seus pedidos, o advogado Marlon Taborda, de Santa Maria, enviou e-mail ao Ministério Público descrevendo o estado de abandono de Bernardo e a suspeita de que a madrasta tentara sufocá-lo. O assunto não foi verificado pelo MP. Segundo a promotora, a ex-babá, que era uma das fontes da informação da tentativa de sufocamento, não foi procurada por não ser “testemunha presencial, não trabalhava há vários anos na casa” de Boldrini. Nesse período de apuração do MP, pai e madrasta não foram procurados, nem Bernardo. 



Em 16 de dezembro, a promotora instaurou procedimento administrativo para apurar a situação de Bernardo. Foram adotados os trâmites burocráticos para a avó ser ouvida em Santa Maria sobre o interesse de assumir a guarda provisória do neto. Enquanto o expediente para possível troca de guarda tramitava no MP, ao retornar das férias passadas com a madrinha em Santa Maria, o filho único de Boldrini surpreendeu a Justiça ao ir sozinho ao fórum. Dia 24 de janeiro, Bernardo saiu da loja de Juçara Petry – onde era acolhido, se alimentava, brincava e fazia os temas –, caminhou 93 passos e falou firme ao guarda do fórum:



– Quero falar com o juiz.



Foi levado à sala do Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cededica).



– Sou Bernardo, sou filho do médico Leandro Boldrini. Quero falar com o Dr. Fernando, o juiz – disse o menino a Matheus Menezes de Moura, coordenador de medidas Socioeducativas do Cededica.



– Mas por que tu queres falar com o juiz?



– Estou recebendo maus-tratos da minha madrasta e eu queria falar com o juiz a respeito disso.



– Calma, não é assim, vou te levar para o Conselho Tutelar. 



– Mas eu queria falar com o juiz.





Promotora Dinamárcia recorda conversa com Bernardo (Foto: Carlos Macedo)



Convencido pela insistência de Bernardo, Matheus o levou ao juiz, que ouviu as queixas do menino e o encaminhou para falar com a promotora Dinamárcia. O Ministério Público não registrou formalmente o que Bernardo contou ao longo de 40 minutos. A promotora achou “desnecessário”. Mas depois pediu ao Cededica que registrasse em ofício o que o menino contara lá, antes de ser levado para falar com o juiz e a promotora. Em palestra recente, em Santa Maria, Dinamárcia confirmou que a história não está registrada em nenhum lugar, “a não ser na minha mente e aqui (mostra o coração), como mãe que sou”. E recordou trechos do que Bernardo disse:

“A minha madrasta é uma bruxa, ela me xinga de tudo que você possa imaginar, e o meu pai dá razão para ela. Eu não tenho comida de noite porque não tem tata (empregada, babá). Eu tenho que tomar leite, comer banana, fazer ovo cozido ou então eu vou comer na casa dos meus colegas. Não tenho chave de casa, ela briga comigo e eu tenho que esperar 10 e meia da noite o pai chegar para eu poder entrar em casa. E eu não aguento mais isso. Deram todos os meus cachorros. E hoje foi a gota d’água, porque ela me chamou de veadinho e eu atirei um copo nela. O copo não pegou, mas eu estou com medo, estou cansado, eu nunca tinha feito isso de atirar um copo nela. Então eu não quero mais ficar naquela casa. Eu estou na casa da tia Ju (Juçara Petry). E eu queria te dizer assim, promotora: eu quero que a Ju e o marido dela sejam meus novos pais, porque eu quero ter pais com amor. ”



"Não estávamos tratando com um pai 'infrator'", diz promotora sobre Leandro Boldrini



Ao retornar para a loja da “tia Ju”, Bernardo estava feliz.



– Ele me disse “pronto, falei tudo, bluft” – lembra Juçara, para quem Bernardo não detalhou a conversa com as autoridades.



Uma semana depois, a promotora ingressou com ação protetiva para troca provisória da guarda de Bernardo, sugerindo que ele ficasse com a avó materna. O expediente tomou por base relatórios produzidos em novembro pelo Conselho Tutelar, Creas e escola.



– A postura de Bernardo, ao procurar, sozinho, atendimento no Fórum, foi determinante para que esta promotora deliberasse pela necessidade de ajuizar, de pronto, uma Ação Protetiva em favor do menino, para fazer cessar a situação de vulnerabilidade à qual estava exposto. Havia uma criança, órfã de mãe, que buscava, solitária, outra família, noticiando-nos atos de abandono e exclusão por parte do pai e da madrasta – disse Dinamárcia em entrevista por e-mail. 



Ao receber a ação do MP, o juiz Fernando Vieira dos Santos optou por marcar uma audiência de conciliação entre Bernardo e o pai, sem analisar os demais pedidos. Um deles era para que Bernardo e o núcleo familiar fossem submetidos a avaliação psicológica. A promotora não recorreu.

– Qualquer dos órgãos de proteção que tenha tido conhecimento do caso poderia realizar monitoramento espontâneo, não havia necessidade de determinação judicial. Adverti ele (Boldrini) a respeito das represálias ao menino; e não seria o acompanhamento da família que impediria que ocorressem, na medida em que a execução do delito revelou algum calculismo alheio a qualquer monitoramento – disse em entrevista por e-mail o juiz Fernando Veira dos Santos.

O Conselho Tutelar, que acompanhara o caso de Bernardo, só soube da audiência no fórum depois do sumiço do menino.

– Na audiência, é importante destacar, não estávamos tratando (até onde se sabia e nos era possível saber), com um pai “infrator”; longe disso. O pai era um cidadão sem maus antecedentes, com atividade conhecida na cidade e sob o qual pesava, “apenas” (não acho que isso seja pouco, tanto que ajuizei a ação), a notícia de ser negligente com o filho. Não havia notícia de violência contra Bernardo, já que a única menção (da babá), não se confirmou nas entrevistas do menino – afirmou, por escrito, a promotora Dinamárcia.





Juiz Fernando conduziu audiência entre pai e filho (Foto: Carlos Macedo)



O encontro entre Bernardo e o pai, diante do juiz e da promotora, ocorreu em 11 de fevereiro. Clandestinamente, Boldrini gravou em seu celular parte da audiência. O material foi recuperado por peritos e veio a público recentemente. Mas o que foi prometido por Boldrini ao filho, e o que o menino falou, não chegou a ser gravado nem registrado formalmente. 



Conforme o juiz, não é comum “registrar por escrito diálogos informais mantidos em ambiente de conciliação”. Ele também não autorizou gravação da sessão. O que se sabe é que Boldrini pediu uma chance de retomar a relação com o filho. Bernardo aceitou mediante singelas condições: queria ter a chave de casa, poder brincar com a irmã e ter um animal de estimação.



Não se indicava existência de risco concreto à vida de Bernardo, diz juiz de Três Passos



Feita a “conciliação”, pai e filho deveriam retornar ao fórum 90 dias depois, em 13 de maio, para reavaliação. Nos últimos dias de vida, Bernardo havia acertado com Boldrini que teria um aquário. O menino amava animais, sobretudo cachorros. Quando a mãe, Odilaine Uglione, era viva, tinha vários cães em casa. Depois da morte dela, Boldrini se livrou de todos, além de queimar pertences e fotos de Odilaine, uma das queixas de Bernardo aos conselheiros tutelares.



Até 11 de fevereiro, quando Bernardo deixou o fórum com o pai acreditando que sua vida mudaria, nenhum agente da rede de proteção ou autoridade havia perguntado ao menino sobre a tentativa de asfixia que teria sofrido. Hoje, todos dizem que ele jamais falou sobre qualquer tipo de agressão ou ameaça física. O único relato que Bernardo fez sobre isso, porém, foi desconsiderado por todas as instâncias da rede. A madrasta, que seria a principal peça de conflito no lar e de quem ele reclamava sofrer ofensas, nunca foi procurada.



Foi da madrasta que pelo menos três pessoas ouviram afirmações sobre a intenção de matar ou, de forma mais genérica, livrar-se de Bernardo. Uma secretária de Boldrini, Andressa Wagner, e uma técnica de enfermagem, Marlise Cecília Renz, que trabalhavam com o casal, sabiam que Graciele não gostava do menino. No dia em que Boldrini foi chamado ao fórum, Graciele disse, na frente da secretária, que daria um fim naquela situação e que tinha gente para fazer isso. 



Uma das funcionárias pensava até em sair do emprego, mas nenhuma avaliou a possibilidade de contar o que sabia à polícia ou a algum órgão de proteção. Sandra Cavalheiro, amiga de Graciele e testemunha no processo, foi procurada meses antes do crime pela madrasta, que dizia que ela e o marido pretendiam se livrar de Bernardo. Também não contou a ninguém.



Por três anos, por vontade e esforço próprios, Bernardo frequentou a catequese na Paróquia Santa Inês. Levou documentos, tratou de sua inscrição, foi coroinha.

– Ele era malcuidado, quase sempre chegava atrasado, tinha falta de higiene, a gente via que não tinha um adulto dando atenção a ele. De minha parte nunca falei nada para ninguém, mesmo porque não sabia o que se passava dentro de casa. Eu achava que era ele, que estava na idade, né, 11 anos, de levantar tarde. Nunca pensei que tivesse passando alguma coisa dentro de casa – conta Ivonete de Mattos, catequista de Bernardo em 2013. – Para mim, ele nunca reclamou de nada. Depois eu me senti meio culpada, porque a religião é fundamentada na família, a gente fala muito em família, a gente incentiva as crianças a respeitar pai e mãe. De repente, quantas vezes que a gente falava que pai e mãe é o principal dentro de casa e ele ficava triste ouvindo isso…

A catequista não conheceu o pai e a madrasta de Bernardo. Boldrini e Graciele não iam às missas, às reuniões de pais nem estiveram presentes na Primeira Comunhão.

– Quando aparecia para contribuir com o dízimo, o pai falava do excesso de trabalho. A gente procura entender a situação das famílias. O caso agora está na Justiça. Não há mais o que comentar – resume a coordenadora da catequese, que se identificou apenas como Daniele.

Em um dos relatórios da rede de proteção sobre Bernardo, consta: “A comunidade de Três Passos, em geral, sabe que Bernardo é negligenciado pelo pai e pela madrasta”.

– Ele sempre era acolhido, alguém sempre levava ele para casa. Então, talvez, por isso, perante os olhos da sociedade, (a situação) não parecia tão grave – reflete a conselheira tutelar Isoldi.

– A gente sabia que no finais de semana ela estava na casa das pessoas, mas pessoas da alta sociedade, não era de qualquer um, não estava em casas correndo riscos. Nossa obrigação é investigar todos os casos que chegam, mas não somos investigadores. Quem tem que averiguar é a polícia. Temos um limite – atesta Nestor, colega de Isoldi.



– Nós encaminhamos certo, fizemos nosso trabalho certo. Pena que aconteceu de ninguém, de não ter passado na cabeça de ninguém, nem na do juiz, nem na nossa, de que chegaria nesse ponto – lamenta a conselheira Deborah.



Simone Müller: "Se o juiz caiu na lábia do Boldrini, como nós não íamos cair?"

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No começo de abril, enquanto o plano para sua morte era finalizado com a compra de remédios analgésicos para dopá-lo, de uma pá e de cavadeira para abrir a cova e de soda cáustica para corroer seu corpo, Bernardo cuidava dos detalhes para a concretização de um sonho: ter um aquário.



Nos dias 2 e 3 de abril, Bernardo percorreu floriculturas e ferragens, além de consultar livros, a fim de reunir o material para decorar o aquário de segunda mão que ganhara de uma amiga da falecida mãe. Foi também nestes dias, segundo a investigação da polícia, que a madrasta de Bernardo e uma amiga, Edelvânia Wirganovicz, compraram remédios, equipamentos e abriram o buraco para enterrá-lo, em Frederico Westphalen.



Na tarde de 3 de abril, Bernardo vendeu rifas da escola. À noite, telefonou três vezes para a comerciante que havia lhe dado o aquário. Ansioso, queria confirmar se podia mesmo buscar o presente no dia seguinte. Na sexta, 4 de abril, estava radiante. Almoçou em casa com o pai e a madrasta, repetiu a comida, pôde brincar com a irmã. Logo depois, ainda usando o uniforme do Colégio Ipiranga, embarcou no carro de Graciele, supostamente para buscar o aquário. Mas a esperança e a ousadia do menino de 11 anos arrefeceram diante de doses excessivas de Midazolan.



Já com a medicação agindo no corpo, fez a última ligação registrada em seu celular para quem considerava como mãe: a comerciante Juçara Petry. Não se sabe se tentava pedir socorro ou só queria conversar. A ligação não chegou a completar. O aparelho nunca foi achado pela polícia. Juçara não estava em Três Passos. Retornou na noite daquela sexta-feira, quando Bernardo já estava morto.



A notícia do sumiço se espalhou pela cidade na noite de domingo, dia 6, quando o pai fez o registro policial. Na segunda-feira, o alarme soou nos órgãos de proteção. O Conselho Tutelar buscou informações na escola e fez ofício à promotora. Diante da notícia, Dinamárcia fez novo pedido ao juiz de suspensão de guarda do pai. Desta vez, o juiz, em sua decisão, escreveu longas considerações: “Aparentemente, Bernardo, após o falecimento de sua mãe e da constituição de nova família pelo pai, passou a ser um estorvo à nova instituição familiar. Logo, se ele estava longe, as conveniências estavam atendidas: infelizmente, essa é a realidade. Frente a essa situação, se – e a condicional é o que nos resta, neste momento – Bernardo for encontrado com vida e em boas condições de integridade pessoal, seu retorno à degradada realidade que enfrenta em seu lar parental é a medida menos acertada no momento. A suspensão da guarda, pretendida pela agente ministerial, é a medida deveras acertada”. 



As buscas duraram até 14 de abril, quando Edelvânia confessou o crime e indicou o local onde estava o corpo. Além dela, o pai e a madrasta tiveram a prisão decretada nesse dia, pelo juiz Fernando.

– Esse caso nos traz a necessidade de repensar questões do cotidiano, de que o sistema de garantias como um todo não tem esse olhar com o mesmo cuidado que teria se fosse um filho da classe pobre. Nesse particular, a classe pobre está, entre aspas, melhor assistida. Famílias com melhor poder aquisitivo naturalmente não aceitam essa intervenção. E isso, muitas vezes, inibe o Conselho Tutelar, o Ministério Público, a escola – comenta Vera Deboni, juíza da 3ª Vara da Infância e da Juventude de Porto Alegre.

– Estamos preparados para identificar e agir nos casos de violência física, facilmente detectados, mas não para perceber a presença da negligência severa e da violência psicológica. Um importante instrumento para identificar a gravidade da situação é a avaliação e o acompanhamento psicológico – aponta a procuradora Maria Regina Fay de Azambuja, coordenadora do Centro de Apoio da Infância e Juventude do MP.


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Fatos em Foco 26.09.2014

                                                                                             Alaides Garcia dos Santos

 

Semana Nacional do Trânsito

Encerrou-se ontem, quinta-feira, a Semana Nacional do Trânsito, instituída pela Lei 9.503, de 23 de setembro de 1997 – Código de Trânsito Brasileiro, comemorada entre os dias 18 e 25 de setembro, com a finalidade de conscientizar a sociedade, com vistas à internalização de valores que contribuam para a criação de um ambiente favorável ao atendimento de seu compromisso com a "valorização da vida” focando o desenvolvimento de valores, posturas e atitudes, no sentido de garantir o direito de ir e vir dos cidadãos. Para este ano, o Contran adotou o seguinte tema da Semana Nacional do Trânsito: “Cidade para as pessoas: Proteção e Prioridade ao Pedestre”.

 

Algo mais audacioso…

Ao definir o tema para este ano, o Contran orientou que a Semana deveria ter uma abrangência nacional e mostrar a mudança de postura de toda a sociedade no esforço para a redução de acidentes, enfatizando que o tema não deveria ter a proposta de abordagem simplista que fale da faixa de pedestres, semáforos, etc. É algo mais audacioso, recomendou, com a pretensão de ampliar o conceito de segurança dos mais vulneráveis. A escolha do tema, por sugestão da Câmara Temática de Educação para o Trânsito e Cidadania do Contran, fez alusão à necessidade de um amplo debate sobre a legislação que contemplam questões essenciais para a mobilidade urbana sustentável, segura e acessível, priorizando a circulação dos pedestres em face da estrutura viária historicamente voltada à circulação de veículos automotores.

 

Repensar o espaço urbano

De acordo com o Contran, a escolha do tema faz alusão, em princípio, ao artigo 29, XII, § 2º do Código de Trânsito Brasileiro, segundo o qual: “Respeitadas as normas de circulação e conduta estabelecidas neste artigo, em ordem decrescente, os veículos de maior porte serão sempre responsáveis pela segurança dos menores, os motorizados pelos não motorizados e, juntos, pela incolumidade dos pedestres”, e se expande para além do trânsito em stricto sensu, uma vez que visa alertar as autoridades para a necessidade de repensar o espaço urbano, tendo como preocupação a mobilidade do pedestre, uma vez que o meio ambiente influencia diretamente para evitar ou proporcionar acidentes de trânsito envolvendo esses usuários da via pública.

 

E o que vemos

No entanto, o que vemos são medidas simplistas, paliativas. Sem contar que algumas, das poucas medidas tomadas, em alguns casos, apesar de bem intencionadas, ao invés de garantir mais segurança no trânsito, acaba por atrapalhar mais ainda. Por que isso acontece? Porque as administrações municipais, às quais cabe disciplinar o sistema de mobilidade urbana não se interessam pelo assunto. No máximo criam uma divisão ou um departamento municipal de trânsito e lá colocam uma pessoa para, a seu modo, lidar com a complexa demanda da mobilidade urbana. Ora, disciplinar essa demanda exige estudo técnico profundo dos logradouros nos diversos setores e seus fluxos, como vias centrais, setores que abrangem o comércio, órgãos públicos, entidades e instituições de saúde. Se, ao invés do improviso, as adequações de mobilidade urbana obedecessem um projeto técnico, elaborado por engenharia de tráfego urbano, a prestação do serviço na área seria satisfatória e a mobilidade urbana mais segura, e teríamos, sim, uma “cidade para as pessoas: proteção e prioridade ao pedestre”.

 

Atividades desenvolvidas

Salvo raras exceções, as poucas atividades desenvolvidas na Semana do Trânsito aqui na nossa microrregião se limitaram a abordagens simplistas, ao invés de algo mais audacioso, que oportunizasse ampliar o conceito de segurança no trânsito, como  orientou o Contran, com debates sobre questões essenciais para a mobilidade urbana sustentável, segura e acessível, de modo a priorizar a circulação dos pedestres em face da estrutura viária historicamente voltada à circulação de veículos automotores. 

Negado pedido de segredo de Justiça no processo do caso Bernardo

Solicitação foi feita pela defesa de Leandro Boldrini, pai do menino.

Juiz também negou pedido para realização de exame toxicológico no réu.

 

Do G1 RS

 


 
Pai de Bernardo contrata dois novos advogados (Foto: Reprodução/RBS TV)Defesa de Leandro Boldrini pediu segredo de

justiça no processo (Foto: Reprodução/RBS TV)

A Justiça de Três Passos, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul, negou nesta quinta-feira (25) a decretação de segredo de justiça no processo que apura a morte do menino Bernardo Boldrini. O pedido foi feito pelos advogados do médico Leandro Boldrini, pai do menino e um dos quatro réus no processo criminal.   

O corpo de Bernardo foi encontrado no dia 14 de abril enterrado em um matagal na área rural de Frederico Westphalen, a cerca de 80 quilômetros de Três Passos, onde ele morava com a família. O menino estava desaparecido desde 4 de abril. Além do pai, a madrasta Graciele Ugulini, e os irmãos Edelvânia Wirganovicz e Evandro Wirganovicz são suspeitos da morte e respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Ao analisar o pedido, o juiz Marcos Luís Agostini ressaltou que o segredo de justiça foi decretado na fase do inquérito policial do caso. “Com a entrega do relatório pela autoridade policial, o Ministério Público e a própria defesa postularam o fim do segredo de justiça, o que restou acolhido por este juízo. Desde então o processo tramita sem as restrições do segredo de justiça, observando-se o princípio da publicidade, o qual constitui a regra legal”, considerou o juiz na sentença.

O magistrado também negou o pedido da defesa de Boldrini para a realização de exame toxicológico. “Não há na acusação qualquer referência a eventual dependência química ou uso de drogas pelo acusado. De outro lado, a realização de exame toxicológico nesse momento seria absolutamente inócua, nos termos da promoção do Ministério Público, considerando o tempo transcorrido entre a prisão do acusado e a presente data”, argumentou o juiz.

Recuperados valores furtados no RU da Faísa

Polícia Civil de Santo Augusto recupera valores furtados de estabelecimento comercial

 

 

Na tarde de hoje, 25 de setembro, policiais da delegacia de polícia de Santo Augusto lograram êxito na localização de parte dos valores subtraídos junto a lancheria Faceburguer, localizada ao lado da Faisa Faculdades, fato ocorrido nesta madrugada. Segundo o delegado Gustavo Fleury um suspeito foi identificado e confirmou a sua participação no crime, restituindo os valores que estavam na sua posse, cerca de  R$ 90,00 (noventa reais). A polícia segue na investigação para a identificação dos demais participantes do delito.  

Resenha policial

Furto de ocasião

“A ocasião faz o furto; o ladrão nasce feito”, já dizia Machado de Assis. Pois é o que parece ter acontecido na madrugada de sábado, 20 de setembro, na Rua Antônio Liberato, bairro Getúlio Vargas, na cidade de Santo Augusto.

Por volta das 04 horas da madrugada, um dos proprietários da empresa Laticínios Schindler Ltda, estacionou no endereço citado a camioneta Fiat Strada, de cor vermelha, placas INX-2795, de propriedade da empresa, defronte a casa de um empregado, onde pegou o caminhão e foi lidar com o transporte de leite no interior do município.

Para sua surpresa, ao amanhecer constatou que a camioneta já não estava mais no local, concluindo, assim, que o veículo teria sido furtado. No episódio há dois fatos curiosos: primeiro, que o sócio/proprietário da camioneta tirou a chave da ignição, mas a escondeu em um compartimento no interior do carro, o que segundo informou à polícia “era hábito fazer”, deixando as portas destrancadas; segundo, é que o ladrão, misteriosamente, sabia desse costume do proprietário e então se valeu da ocasião para praticar o furto.

A polícia civil investiga o caso e, segundo o Inspetor Jaime, ainda não há notícias do paradeiro da camioneta, assim como não há suspeitos da autoria do furto.

 

Mulher denuncia que era mantida em cárcere privado

Na tarde desta terça-feira, 23 de setembro, um delegado de polícia da cidade de Passo Fundo telefonou para a Delegacia de Polícia de Santo Augusto relatando ter recebido denúncia via telefone informando que nesta cidade, mais precisamente no bairro São João, havia uma mulher sendo mantida em cárcere privado no interior da residência e sofrendo maus tratos por parte do companheiro. Com a notícia e de posse do endereço, a polícia civil foi ao local onde contatou com os moradores, mas o silêncio foi absoluto, ninguém se manifestou acerca do assunto. Em dado momento, uma mulher caiu em desespero, chorando copiosamente. Foi então que ela confirmou ter sido a autora do telefonema à polícia de Passo Fundo, uma vez que sofre constantes maus tratos por parte do companheiro. Quando ela se preparava para acompanhar os policiais até à Delegacia para formalizar o registro da ocorrência e eventual pedido de medidas protetivas, o companheiro chegou em casa e tentou impedi-la de se dirigir à Delegacia. Após uma acirrada discussão entre o casal, a vítima acabou acompanhando os policiais e formalizou o pedido de Medidas Protetivas de Urgência previstas na Lei Maria da Penha, entre elas a de que fosse encaminhada para junto de familiares na cidade de Passo Fundo, por medida de segurança. As providências foram tomadas pela polícia civil, e a vítima levada a Passo Fundo.

 

Notícias oriundas da Brigada Militar de Santo Augusto

Dia 16.09.2014 – Perturbação do sossego À 01:30 horas da madrugada, o 7º BPM de Santo Augusto recebeu uma denúncia de que numa residência no Bairro Tiradentes estava ocorrendo perturbação de sossego com música em alto volume. No local os policiais constataram a perturbação de sossego e apreenderam um aparelho de som e duas caixas de som. O aparelho de som foi apreendido e o proprietário foi autuado em Termo Circunstanciado e responderá processo no Juizado Especial Criminal.

 

Dia 19.09.2014 – Posse de entorpecente – Às 21:00 horas, policias militares da Brigada Militar de Santo Augusto receberam uma denúncia de que um ocupante de um veículo Renault Scenic estava portando uma quantidade de droga. Foi realizado buscas e abordado o veículo suspeito no centro da cidade, e durante revista ao motorista foi constatado que estava portando nos bolsos, a quantidade de 03 "buchas" de substância semelhante à cocaína. O indivíduo foi encaminhado à Delegacia de Polícia para as devidas providencias.

 

Dia 22.09.2014 – Perturbação do sossego – Às 06:00 horas da manhã a Brigada Militar recebeu denúncia de que numa casa noturna da Rua Milton Krause estaria ocorrendo perturbação de sossego. A Brigada Militar compareceu ao local onde abordou algumas pessoas que estavam ingerindo bebida alcoólica e juntamente com a vítima os policiais constataram a perturbação de sossego com música em alto volume, pois havia no local uma caixa de inserir cédulas de dinheiro para tocar música. O equipamento foi apreendido e a proprietária foi autuada para responder processo no Juizado Especial Criminal. 

 

 

 

 

 

Federais desmentem Dilma no JN, e revelam interferência do governo para reduzir combate à corrupção

Na entrevista que concedeu ao “Jornal Nacional”, realizada na noite desta segunda-feira (18) na biblioteca do Palácio da Alvorada, a presidente e candidata à reeleição, Dilma Rousseff, ao responder pergunta sobre o excesso de corrupção nas administrações do PT, disse que seu governo foi o que mais estruturou os mecanismos de combate à corrupção, citando a Polícia Federal como órgão que, segundo ela, teria elevado o combate às irregularidades e maus feitos. “A Polícia Federal, no meu governo e no do presidente Lula, ganhou imensa autonomia, para investigar, para descobrir, para prender”, disse a presidente ao responder questionamento do âncora William Bonner.

A afirmação da presidente/candidata sobre o investimento na Polícia Federal é desmentida tanto por uma pesquisa recente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) como em uma campanha salarial dos funcionários do órgão. A pesquisa divulgada realizada pela Fenapef aponta que a ingerência política e o enfraquecimento da Polícia Federal – por ação ou omissão dos governos do PT – são as principais causas do recuo nas investigações de impacto contra a corrupção. Coletada num universo de 1.732 servidores da PF, a pesquisa mostra que 89,37% afirmam que há controle político da instituição, 75,28% dizem ter presenciado ou ouvido algum relato de interferência político e – o mais alarmante – 94,34% acreditam que o enfraquecimento do órgão, proposital, é uma espécie de “castigo” pelo fato de investigações anteriores terem chegado a personagens que gravitam em torno do poder.

A mesma Fenapef divulgou propaganda com inserções de rádio e televisão em que critica o que eles chamam de boicote do governo federal aos cargos de agente, escrivão e papiloscopista da Polícia Federal. Vejam o que diz a campanha dos funcionários da PF: “Pedimos apoio da sociedade contra o sucateamento da Polícia Federal promovido pelo governo Dilma: o cenário de queda dos investimentos, congelamento salarial, assédio moral, interferência política, péssimas condições de trabalho e índices alarmantes de suicídios. Apesar do descaso do governo, continuaremos a lutar contra a corrupção e pela segurança da sociedade brasileira”. Não é, portanto, um cenário de estímulo à Polícia Federal, como afirmou Dilma na entrevista à TV Globo.

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